Sangue Maldito

11 Professor


Notas iniciais
Outro capítulo, Chibineko-chans!

Eu fui até a saída da escola e todos já estavam lá me esperando, a limusine chegou e novamente eu fui a primeira a entrar.

— Por que seu cabelo está molhado? – Reiji indagou severamente. Agora ferrou! Quando eu contar que matei aula posso dar adeus à minha vida. Merda! Como eu não pensei que ele ia notar meu cabelo molhado antes? Eu só queria um momento de paz na piscina.

— E-eu... é q-que... hum... bem... – comecei a gaguejar olhando para todos os lados menos para o Reiji.

— Responda de uma vez! – ordenou impaciente. Eu respirei fundo, pigarreei e falei calmamente, o jeito agora era arcar com as consequências.

— Eu estava tomando banho de piscina.

— Você matou aula? – perguntou retoricamente. – Parece que eu terei que te ensinar bons modos! – constatou empurrando os óculos. Eu meio que entrei em pânico ao pensar sobre como o Sakamaki pretendia me ensinar bons modos, então lembrei que dois outros indivíduos também estavam matando aula do mesmo modo que eu. Se vou me ferrar, pelo menos vou ferrá-los junto comigo!

— Mas o Ayato e o Laito também estavam matando aula, não é justo somente eu ser punida! – protestei revoltada. Ayato e Laito me fitaram com uma expressão assassina e eu dei um sorrisinho maléfico. UAHAHA! O doce gosto da vingança!

— Eu vou pensar em alguma punição apropriada para os três. – enunciou e pegou um livro de dentro do seu paletó começando a lê-lo. Eu virei meu rosto para a janela tentando ter um momento de paz, contudo alguém agarrou meu pulso machucado com força e me puxou, eu fiquei cara-a-cara com Ayato que possuía uma expressão furiosa em seu rosto.

— Não pense que não haverá troco, Jujuba! – proferiu raivoso, seus olhos estavam assustadores e eu estremeci de medo, ele realmente não parecia estar brincando. Com isso, ele deu um sorriso satisfeito e me soltou, logo o meu pulso começou a latejar e a doer pra caramba.

Eu puxei a manga do uniforme até o cotovelo e comecei a desenfaixar para ver como estava o estado dele depois de tantos danos. Assim que terminei fiquei espantada com o que vi, meu pulso estava muito inchado e havia passado de roxo a um violeta bem escuro, ao invés que estar melhorando ele estava era piorando cada vez mais.

— Minha nossa, Tora-chan, o que aconteceu com seu pulso? – Yui questionou chocada e preocupada. Eu suspirei.

— Ele tinha deslocado, mas já era para estar um pouco melhor. – respondi virando o meu braço de um lado para o outro para ter uma visão melhor. – Eu tenho certeza que o coloquei no lugar certo, mas com tanta gente puxando e apertando fica difícil ele sarar. — acrescentei como uma indireta.

— Isso não está doendo? – a loira indagou.

— Está, mas eu não sei onde tem remédio. – repliquei e acrescentei mais para mim mesma. – Se pelo menos eu soubesse onde tem Laurus nobilis.

— O que é isso, Tora-chan? – Kanato interrogou curioso.

— É só o nome científico do... – eu comecei a responder, porém Reiji me interrompeu completando a frase.

— Louro-comum.

— Reiji-san, você conhece plantas medicinais? – indaguei interessada. Eu sabia que o Reiji era muito inteligente e que tinha conhecimento em várias áreas, mas não pensava que soubesse sobre medicina, já que era “coisa de humano”.

— Conheço, mas não é uma das minhas áreas favoritas. – retorquiu sem tirar os olhos do livro. – Provavelmente eu tenho algumas folhas de Laurus nobilis em minha sala. – acrescentou rapidamente.

— Vai começar a ladainha. – Shuu disse em um tom entediado e cansado. Eu olhei para ele com raiva e voltei minha atenção para Reiji.

— Qual é sua área favorita? – interpelei curiosamente. O moreno não me pareceu muito a fim de responder, mas, por sorte, não me ignorou.

— Alquimia.

— Sério? – pronunciei meio incrédula, ele com essa postura toda rígida e essa finesse gosta de alquimia, quem diria. – Minha mãe era alquimista, mas ela nunca quis me ensinar. – prossegui pensativa e então eu tive a ideia mais absurda da história da humanidade e também da história dos vampiros. – Oe, Reiji-san, você não quer ser meu professor?

Nesse momento todos no carro me olharam com uma cara de “você só pode estar louca”, menos o Shuu que deu uma risada irônica.

— Sem chances. – negou veementemente. Entretanto, para o azar dele, eu queria muito aprender sobre alquimia e iria insistir até ele ameaçar me matar pelo menos.

— Por favorzinho, Reiji-kun! – supliquei com uma carinha de cachorro sem dono.

— Eu ouvi direito ou a Muchi-chan acabou de usar o kun com o Reiji? – Laito falou totalmente descrente.

— Sim, ela realmente usou o kun. – Subaru confirmou com sua expressão fechada de sempre.

— O diminutivo de “por favor” não vai me fazer mudar de ideia. – retrucou me olhando de forma superior.

Eu não estava disposta a desistir ainda, pois tinha uma carta na manga. Mesmo que essa carta me deixasse muito ferrada depois eu iria arriscar, afinal estávamos falando da área que minha mãe trabalhava, eu me sentiria mais próxima dela se aprendesse um pouco.

— Por favor, Reiji-san, assim você terá mais uma coisa pra jogar na cara do Shuu. – pronto falei. Usar a rixa que esses dois tinham não era nem um pouco justo, na verdade era um golpe extremamente baixo, principalmente porque o Reiji saía totalmente ganhando com relação a quase, eu disse quase, tudo sobre o irmão mais velho.

Depois que eu disse isso o moreno deu um sorriso satisfeito, Shuu fechou os punhos com uma fúria imensa, Yui me olhou como se eu fosse doente mental e Laito, Ayato, Kanato e Subaru me olharam com asco. É, agora eu vi que nem mesmo os outros Sakamaki se metiam na briga desses dois e, portanto, eu estava completamente em apuros com o primogênito, estava mais ferrada do que eu imaginava no fim das contas.

— Tudo bem, porém é melhor que você seja dedicada. – concordou Reiji me dando um leve aviso ao final. – Nossas aulas serão aos domingos, venha a minha sala após o jantar. – informou rigorosamente.

— Hai! – falei empolgada, embora eu ainda estivesse com um pouco de medo sobre o que o Shuu pretendia fazer.

Logo o carro parou na entrada da casa e todos saíram, preferi descer por último. Entrei na mansão e fui diretamente para o meu quarto, tirei o uniforme e, depois de fazer curativos em todos os meus machucados, coloquei um short de malha preto curtinho e um moletom azul duas vezes maior que eu e que cobria todo o short e também uma parte das minhas mãos. Coloquei também uma meia 7/8 listrada preta e branca e uma sapatilha de boneca preta.

Quando abri a porta para sair, Edgar estava lá pronto para bater, eu tomei um susto enorme e dei um salto para trás caindo de bunda no chão.

— Mil perdões, senhorita! – desculpou-se entrando no quarto e me estendendo a mão, que eu aceitei muito satisfeita, pelo menos havia um cavalheiro nessa casa. Ele me ajudou a levantar e disse. – Reiji-sama pediu que eu trouxesse esse chá para a senhorita.

Eu vi a bandeja com a xicara de chá e a peguei levando até meu criado-mudo.

— Muito obrigada, Edgar-san! – agradeci sorrindo. Ele me olhou um pouco em dúvida, parecia que não estava acostumado com gentilezas, contudo em uma casa como essa quem seria gentil com ele, só a Yui mesmo, mas pelo jeito o máximo que ela era é educada.

— Foram somente ordens, senhorita. – proferiu como se não fosse digno da minha gratidão. Eu me aproximei dele e coloquei minha mão em seu ombro.

— Me chame somente de Tora, Edgar-san. – pedi piscando para ele que fez uma careta espantada.

— Não seria educado, senhorita. – negou pacificamente.

— Isso não foi um pedido, Edgar-san. – retruquei usando meu poder para fazê-lo parar de me chamar de senhorita.

— Deixe-me pelo menos usar o sama. – pediu um pouco apreensivo. Eu estreitei os olhos para ele, e ele meio que se assustou.

— Você pode usar o san. – mediei, na verdade eu queria que ele me chamasse somente pelo nome, mas acho que devia ser difícil para ele, principalmente com um chefe tão rígido.

— Tudo bem, senho... – eu o olhei irritada e ele logo corrigiu-se. – Quer dizer, Tora-san.

— Viu, não é tão difícil! – falei com um sorriso radiante. Ele também sorriu para mim, isso aí, o Edgar sorriu para mim. Por um momento eu me senti normal de novo e foi como uma explosão de felicidade no meu peito.

— Se me permite, Tora-san. – disse ele fazendo uma reverência e saindo do meu quarto. Apreciei mais um pouco aquela sensação de normalidade antes de beber o chá num gole, era horrível só que me ajudaria um pouco com a dor.

Então saí do quarto e fui correndo até a porta dos fundos rezando para que ela estivesse aberta e eu pudesse dar um passeio pelo jardim. Há tempos que eu sonhava em dar uma explorada naquele lugar, além de respirar um pouco de ar puro também.

E eu tive sorte a porta estava destrancada, então eu consegui sair, desci os degraus e parei. Observei aquela paisagem incrível por alguns minutos, fechei meus olhos e respirei fundo para sentir o ar daquele jardim que estava frio, todavia ainda assim carregava o cheiro puro de natureza.

Abri meus olhos e comecei a correr por ali como uma criança só para sentir o vento no meu corpo, eu gargalhava e dava voltas por todo aquele lugar.maravilhoso. Eu não poderia dizer que estava feliz, mas com certeza eu não estava tão triste como quando cheguei aqui. Parei de correr e fui até um canteiro de rosas vermelhas, cheguei perto para sentir o cheiro delas e colhi uma que já havia desabrochado, acabei furando meu dedo em um espinho. E sem demora chupei o machucado, talvez isso evitasse que algum vampiro sentisse o cheiro.

Fui até um banco de mármore branco que havia no jardim e me deitei nele, deixando meus cabelos espalharem para todos os cantos e como eles eram muito longos acabavam tocando na grama, mas não tinha problema eu tomaria banho antes de dormir.

Olhei para a lua crescente e apoiei a rosa em meu peito, então comecei a cantar para o céu de forma que toda a tristeza contida em meu coração pela morte da minha mãe fosse levada até a lua para que ela pegasse para si todo meu sofrimento e transformasse em estrelas.

"Sob as estrelas, brinco com a escuridão

Canto uma canção de amor e a reduzo à pó

Isso leva luz ao futuro e cria um sonho de margaridas, trilhado por cicatrizes

De um lábio ao outro

Esse sonho não tem fim... Onde vai terminar?

Somente você me satisfaria

E eu não me perdoaria

Por isso houve alegria, por isso fui forte

Só uma espécie suja me salvaria

Mas eu perdi a chave

Como um pássaro insano em busca de uma gaiola

E como uma flor que agradece a mentiras"

Assim que terminei de cantar percebi como essa música era parecida com a minha situação atual, dei um sorriso irônico.

— Tem certeza que somente uma espécie suja te salvaria?

Notas finais
Tsukihana - Nana Kitade: https://m.youtube.com/watch?v=EusXgaXBUpU (o link da música completa pra quem quiser ouvir)