Sangue Maldito

41 O Passado Te Condena


Notas iniciais
Humm, acho que vocês gostaram do capítulo anterior, não é? :P Bem, meu hentai ainda não está em um nível tãããão alto, mas acho que estou no caminho certo, né? Certo, agora vamos continuar nossa maratona com um capítulo cheio de sofrimento... ;-;

Tora POV’s On

Depois de um banho bem longo eu me troquei e resolvi que não precisava mais usar ataduras, já que a maioria dos machucados havia se transformado em pequenas linhas rosadas. Eu fui até o jardim ignorando todos que estavam no meu caminho, pois eu ainda estava irritada pelo modo como eles agiram em relação a minha virgindade. Sinceramente, eles precisavam mesmo ser tão imaturos?

Cheguei ao jardim e como sempre Yuma estava lá cuidando das plantas, acho que era uma terapia para ele, afinal é preciso muita paciência e carinho para cuidar de um jardim.

— Vê se não vai cair de alguma árvore dessa vez. – Yuma advertiu quando me viu seguindo para a parte acabada do jardim, eu fiquei muito chocada. Ele não ia me parar? Ou só me deixar ir sem se importar?

— Não se preocupe, Yuma-kun, eu não vou fazer nenhuma bobagem! – tranquilizei-o com um sorriso, porém era óbvio que ir atrás das mães dos Sakamaki para saber o passado deles não era lá muito seguro, principalmente se eles acabassem descobrindo.

Passei algum tempo andando por aquele enorme espaço antes de encontrar o banco que estava procurando, sentei-me nele e fiquei esperando para ver se acontecia alguma coisa, cada segundo que passava eu ficava mais impaciente. Já estava prestes a me levantar e ir até o coreto de Beatrix quando um forte vento soprou levantando várias folhas secas, foi quando ouvi alguém falando.

— Olá! – uma linda mulher de longos cabelos roxos e vestido negro me cumprimentou. Deduzi que aquela seria Cordelia.

— Olá, Cordelia! – retribui o cumprimento com um pequeno sorriso. Ela era realmente muito bonita, na verdade todas as três esposas do Karl eram, bem... ele podia ser um grande pedaço de lixo, mas tinha bom gosto.

— Você sabe o meu nome, mas eu não sei o seu. – disse com um sorrisinho meio cínico, essa mulher tinha uma cara muito suspeita.

— Tora. – respondi simplesmente. Eu não tinha ido muito com a cara dessa mulher, não! – Você já pode me mostrar seu passado se quiser. – falei calmamente, eu havia deixado a opção dela escolher, embora quisesse que ela me mostrasse logo o passado dos trigêmeos.

— Claro! Você parece ansiosa por isso, contudo aviso que provavelmente eu fui a mãe mais cruel. – disse séria. Eu estava em dúvida se ela havia se arrependido disso ou não e esperava logo descobrir. Estendi minha mão e fechei os olhos esperando algum sinal de que já estava no passado de Cordelia, meu sinal foram as risadas alegres de crianças, abri os olhos e me deparei com Ayato, Laito e Kanato passando correndo por mim.

Ayato estava na frente, Laito vinha logo atrás segurando algo como uma vareta de madeira bem longa e então bem atrás vinha o Kanato segurando o Teddy, bem que eu imaginei que ele tinha esse ursinho desde pequeno. Olhei bem para o rosto deles e todos estavam tão fofos, simplesmente tão lindos e radiantes, realmente todos eles mudaram muito.

— Os morcegos que acabei de capturar fugiram. – Kanato choramingou tentando secar as lágrimas.

— Não chore, Kanato-kun. – Laito disse gentilmente. Eu quase tive um ADP ouvindo o Laito falar de forma doce e gentil, ele estava simplesmente muito... não tenho palavras para descrever. – Podemos pegar eles de novo. – Laito tranquilizou.

— Sim, pare de chorar! Ayato-sama vai captura-los para você! – Ayato falou e mesmo já se achando sua voz transmitia segurança, ele realmente iria pegar os morcegos para o Kanato. Laito e Ayato começaram a correr e eu sorri ao vê-los tão unidos.

— Ayato? – alguém chamou e na mesma hora os dois pararam e olharam para Cordelia. Ah, meu Kami-sama! O que essa mulher ia fazer? – É aqui que tem estado? – perguntou andando até o Ayato e o Laito. – Agora, venha comigo. – mandou friamente. Por acaso a Beatrix e a Cordelia comeram gelo durante a infância para ficarem tão frias? Kanato correu até eles e o Laito falou.

— Kanato-kun, vamos!

— Claro! – Kanato confirmou e os dois saíram correndo, deixando Ayato e Cordelia sozinhos.

— Você vai entrar para estudar. – ordenou Cordelia olhando Ayato com desprezo. Não podia acreditar que ela sentia desprezo pelo filho.

— N-não quero! – Ayato protestou, parecia um pouco apreensivo já que gaguejou. – Tudo que tenho feito é estudar!

— Não quero desculpas. Volte para o seu quarto. – tudo que essa mulher sabia fazer era mandar no Ayato.

— Deixe o garoto brincar, mulher! – gritei com raiva, mesmo sabendo que ninguém iria me ouvir. Qual é a dessas mães que não querem que os filhos se divirtam?

— Como é que o Kanato e o Laito podem sair para brincar enquanto tudo que eu faço é ficar estudando? – Ayato perguntou irritado, isso era mesmo uma baita injustiça com a pobre criança.

— Porque você não é como as outras crianças. – respondeu friamente. Mas que tipo de desculpa é essa? Pelo que eu saiba o Ayato não é superdotado, longe disso na verdade!

— Não, eu quero brincar mais! – Ayato falou alto cerrando os punhos.

— Quantas vezes eu tenho que dizer?! – Cordelia gritou já com raiva, dando um tapa no rosto de Ayato o assustando. – Você é o sucessor. Você entende o que isso significa? Agora, fale para mim o que você tem que fazer.

— Tenho que me tornar o número um. Tenho que ser melhor do que qualquer um. – respondeu com tristeza. Ver o Ayato com essa carinha me deu vontade de chorar, agora eu sabia da onde veio toda essa vaidade que ele tem, foi uma forma que ele achou de se proteger da mãe.

— E se você falhar? – perguntou com superioridade.

— Eu não sou filho de minha mãe, então vou ser jogado no fundo do lago. – Ayato respondeu tristemente. O QUÊ? Aquela vaca ameaçou de jogar o Ayato no fundo do lago se ele não fosse o melhor de todos? O pobrezinho estava com tanto medo, aposto que nem sabia nadar! Eu mataria essa idiota se ela já não estivesse morta.

— Exatamente, bom garoto! Você é inútil para mim a menos que se torne o número um. – ela disse satisfeita, mas nos ouvidos do Ayato aquilo deveria estar soando de forma cruel, tal como o sorriso de Cordelia sugeria e tal como soava em meus ouvidos. – Garotos inúteis devem passar a eternidade no frio e úmido fundo do lago, sozinhos, onde ninguém pode ajuda-los. A menos que seja isso que queira, vá para o seu quarto. – reforçou a ameaça e Ayato saiu correndo. Eu queria pular no pescoço dessa mulher, arrancar todos os órgãos do corpo dela e depois jogar tudo dentro de uma banheira com soda cáustica!

Enquanto eu pensava em formas cruéis para mata-la fui parar em um lugar com vários pilares de mármore, no entanto ainda era uma parte do jardim. Ao redor de uma pequena mesa como a do coreto de Beatrix estavam sentados Cordelia e um homem de cabelos verdes e olhos vermelhos, ele segurava a mão dela.

— Cordelia, você é, facilmente, a mais bela e elegante. É óbvio que todas as coisas existem para te amar e se ajoelharem aos seus pés. – o homem a bajulou, ela estava se sentindo a tal.

— Richter, gostaria que você sempre estivesse ao meu lado apenas para sussurrar suas palavras doces. – Cordelia falou sorrindo. Essa aí é iludida, viu! Além de muito carente! Entretanto eu não a culpava, afinal um homem com um cargo tão importante no mundo sobrenatural não devia ter tempo para desperdiçar com as esposas, a não ser no início do casamento quando ele ainda era fascinado por elas.

Suspirei e olhei ao redor, percebi que Ayato estava vendo toda aquela cena. Eu corri até ele mesmo sabendo que era inútil, só queria abraça-lo e dizer que tudo poderia ficar bem, contudo antes que pudesse chegar até ele já estava à beira de um lago. Vi Cordelia sorrindo com divertimento enquanto olhava para o lago, segui seu olhar e vi Ayato se afogando enquanto gritava por ajuda, Richter apareceu e eu pensei que ele iria ajuda-lo, mas tudo que fez foi ignorar o menino e levar Cordelia com ele.

Fervilhei de raiva, ela não tinha o direito de deixar o Ayato se afogar, cada vez eu tinha mais vontade de matar essa mulher. Quis ajuda-lo, mas eu não poderia fazer nada e de um jeito ou de outro ele sobreviveria. Então um momento depois eu estava de volta ao banco de madeira, contudo ainda me encontrava dentro das lembranças de Cordelia, agora ela estava lá sentada e Kanato estava correndo até ela.

— Mãe?

— Kanato, meu pequeno pássaro cantante. – disse com um sorriso amigável, acho. – Cante. Cante aquela música para mim. – pediu calmamente e Laito apareceu, correndo até o banco. Kanato começou a cantar Scarborough Fair, ele realmente tinha uma voz muito bonita, por isso fechei meus olhos a fim de apreciar melhor a música e quando abri já estava em outro lugar.

Kanato estava sentado no chão em frente a um quarto que possuía a porta aberta, comecei a me aproximar, no entanto logo parei ao ouvir gemidos e murmúrios, estava bem claro o que acontecia dentro daquele quarto. Fitei Kanato e vi que ele conversava com Teddy, parecia ignorar o que acontecia à sua frente, tomei coragem e me agachei ao lado de Kanato, olhei de relance para a o quarto e vi Richter e Cordelia fazendo sexo. Tapei minha boca com a mão, ela não podia estar fazendo isso na frente do filho e o pior é que ela sabia que ele estava lá, porque Cordelia tinha a cara-de-pau de olhar para ele e dar sorrisinhos.

— Teddy, você gosta mais de bolo de morango ou de pudim? – Kanato perguntou para o urso, esperou uma resposta que eu não ouvi e continuou. – Bem, eu prefiro pudim. – falou confirmando com a cabeça. Comecei a chorar, não era possível existir alguém tão cruel. Tentei abraçar o menininho como gesto para mostrar que ele não estava sozinho, contudo meus braços o atravessaram e eu só consegui ir parar em outro lugar.

Estava agora em um porão, procurei por algo e vi Laito encolhido em um canto, fui engatinhando até ele e me ajoelhei a sua frente sentando sobre meus calcanhares, estiquei minha mão e logo recuei sabendo que não poderia tocá-lo.

— O que faz aqui, pequenino? – sussurrei com um olhar triste. – O que foi que aquela bruxa fez dessa vez? – perguntei, Laito levantou a cabeça com a expressão acuada e eu pensei que ele estivesse me vendo, mas logo ouvi o barulho de uma porta de abrindo e me virei somente para encontrar a vaca descendo as escadas. Ela andou até Laito, que se levantou rapidamente com um sorriso, parecia feliz em vê-la.

— Mama, você veio me buscar? O que quer que eu faça? – ele perguntou com os olhos brilhando, reparei que não era o brilho de quando um filho reencontra a mãe depois de muito tempo e sim o brilho de um amante que reencontra a companheira. Ah, não! Ela não podia estar fazendo o que eu pensava que estava fazendo, ela não podia ter transformado o Laito num brinquedo sexual.

— Nada, só vim lhe dizer que tenho um novo amante. Não preciso mais de você, até agora só te usei para minha própria satisfação e como tenho outro você está descartado. – disse cruelmente. Laito ficou chocado e depois enfurecido, cerrou os punhos com força e gritou.

— Você não pode me trair! Quem é seu amante? Eu vou mata-lo! – urrou enfurecido e eu chorei mais. Cordelia conseguiu distorcer tanto a mente de Laito que ele nem a via mais como uma mãe e sim como uma amante, ele estava com raiva por ela trai-lo.

— Logo você vai descobrir, mas não poderá fazer nada tão fraco do jeito que é. – retrucou com um sorriso de escárnio e se virou para ir embora, largando-o ali no porão escuro. Coloquei meu rosto entre as mãos e chorei pelo passado de todos os Sakamaki, claro que um pouco mais pelo passado dos trigêmeos.

— Eu disse que era uma mãe cruel. – Cordelia falou para mim, ergui minha cabeça e vi que estávamos de volta à realidade. Encarei-a com fúria e ódio, levantei-me com os punhos cerrados e usei toda a força que tinha para dar um soco no belo rosto daquela vadia.

— VOCÊ É UM MONSTRO! QUEIME NO INFERNO SUA VADIA IMUNDA! – gritei depois de soca-la, percebi que ela estava perplexa e até mesmo assustada, mas nem liguei só dei as costas e voltei rapidamente para a mansão enquanto chorava de raiva.

Notas finais
Tudo que eu fiz durante toda minha vida foi inútil, pois todas as minhas ações foram para chamar a atenção de um homem que me tratava com indiferença. Reconheço meus erros, contudo ainda desejo vingança contra aquele me desprezou. Não desistirei até ver sua alma queimar! Cordelia Sakamaki