Sangue Maldito

42 Belas Noivas


Notas iniciais
É isso aí, Nekos-chan!! *-* Cá estou eu para a reta final dessa maratona! Pausa para comemoração: HOJE É SEXTA-FEIRA! UHUUU Aproveitem muito bem esse meu momento de loucura, porque, provavelmente, os próximos capítulos terão um espaçamento de tempo muuuito longo!

Todo meu caminho até a mansão foi repleto de ódio, eu cerrava meus punhos tentando me controlar para não voltar lá e espancar aquela bruxa, todavia não conseguia parar de pensar nas histórias dos meninos, queria socar qualquer coisa que estivesse na minha frente para ver se minha raiva e frustração sumiam.

Fiquei tão concentrada em minha fúria que acabei esbarrando em alguém e quando caí de bunda não consegui me controlar e usei minhas duas mãos para esmurrar o chão.

– AQUELA VACA! – gritei com raiva. Realmente eu nunca havia ficado com tanto ódio de alguém na minha vida, nem mesmo depois de o Ayato me prender na Dama de Ferro.

– Tora-chan, o que há com você? – Kanato perguntou com uma expressão assustada. No momento em que nossos olhos se encontraram eu me lembrei dele na frente da porta daquele quarto vendo tudo que aquela mulher desnaturada fazia com aquele maldito, não consegui conter as lágrimas que teimavam em descer, me levantei e abracei Kanato forçando a cabeça dele a afundar no meu pescoço.

– Gomenasai, gomenasai, Kanato-kun! – desculpei-me, eu nem sequer sabia o porquê de estar me desculpando, porém era tudo que eu conseguia dizer, como se eu fosse a culpada por ele ter passado por tudo aquilo, como se fosse minha obrigação protege-lo e eu tivesse falhado.

Continuei a abraça-lo e senti Kanato morder o meu pescoço de um jeito meio violento demais, entretanto eu não protestaria e nem o empurraria, do jeito que eu estava só o que fiz foi aperta-lo mais, como algum tipo de incentivo. Um segundo depois ele soltou o Teddy no chão e agarrou minha cintura empurrando-me contra um pilar, eu ofeguei devido ao impacto e fechei meus olhos.

– Você é tão doce, Tora-chan! – elogiou Kanato, eu fiquei meio na dúvida sobre qual dos dois sentidos dessa frase ele queria que eu captasse então apenas fingi que ele não havia dito nada. – Quero te mostrar um lugar. – disse voltando ao normal e me soltando. Sequei as lágrimas do meu rosto com as mangas do casaco e sorri de forma gentil.

– Hai! – disse empolgada, então fui até onde Teddy estava caído e o peguei delicadamente. Depois do que eu vi, Teddy passou de um ursinho macabro ao objeto que eu mais adorava, pois ele foi a única companhia que Kanato teve. – Aqui está, Kanato-kun. – falei estendendo o urso para ele, que pegou calmamente.

– Venha. – mandou e começou a andar, eu o segui e depois de algum tempo nós chegamos a algumas escadas que iam para algum cômodo abaixo do nível do solo, paramos em frente a uma porta dupla de madeira que Kanato abriu, entramos e eu vi que estávamos em um grande salão com muitas estátuas de mulheres vestidas de noiva, cada uma mais bonita que a outra.

Comecei a andar entre as noivas observando cada uma de perto, meu fascínio deveria ser óbvio em minha face, contudo eu não me importava, pois tudo nelas era perfeito, o vestido, a pose, o cabelo, a expressão e ainda mais bonitos eram os olhos. Aqueles olhos sem qualquer brilho de vida e que ainda assim passavam uma tristeza inigualável, aqueles olhos que pareciam aprisionar almas.

– São tão bonitas, Kanato-kun! – elogiei completamente deslumbrada.

– Você gostaria de se tornar uma delas, Tora-chan? – Kanato perguntou atrás de mim. Assustei-me com tal pergunta, como ele pretendia me tornar uma delas? Espera, a não ser que...

– Elas eram as noivas de sacrifício de vocês? – questionei incrédula, estava custando a acreditar que aquelas belas estátuas foram pessoas de verdade.

– Sim, eu as transformei em minhas lindas bonecas. – respondeu com uma expressão maníaca. Então foi ele que transformou o corpo delas em cera e os olhos em vidro? Fitei a noiva a minha frente e entendi o motivo daqueles olhos parecerem prisões de almas. Provavelmente eu deveria estar apavorada com elas e mais apavorada ainda com Kanato, no entanto eu não estava com nenhum pingo de medo, e descobrir que essas bonecas já foram pessoas de verdade só me deixou ainda mais fascinada.

Acabei percebendo que não me importava de fazer parte deste salão como uma estátua de noiva, na verdade ficava feliz em saber que mesmo depois de morta meu corpo ficaria conservado e todos eles poderiam ir lá e me observar lembrando-se de como eu era quando estava viva. Talvez até conversassem comigo, e mesmo que não pudesse responder eu com certeza estaria ouvindo então todos concordariam que ter uma bela boneca era melhor do que ter uma lápide com meu nome.

– Sabe, Kanato-kun, eu gostaria de ser uma dessas estátuas, mas com uma condição. – falei me virando para ele com um grande sorriso. – Você tem que me fazer sorrindo. – concluí dando uma piscadela. Se fosse para ser uma boneca de cera, então tinha que ser uma boneca de cera feliz e não triste como as outras.

– Você quer mesmo ser minha boneca? – Kanato perguntou com os olhos brilhando.

– Eu já sou sua boneca, seu bobo, só que quero continuar sendo para sempre! – respondi como se aquilo fosse óbvio. Bem, não era como se ser a boneca do Kanato fosse a melhor coisa do mundo, mas eu não estava me importando muito com as consequências das minhas ações se isso fosse ajuda-lo a esquecer um pouco aquele passado abominável.

– Só que você não é só minha. – afirmou cruelmente, o olhei espantada. O que ele estava dizendo? Será mesmo que a possessividade iria se manifestar agora? Kanato se aproximou de mim e agarrou meu pescoço apertando-o fortemente.

– K-Kanato-kun... eu não... e-estou res-respirando! – falei com dificuldade.

– Não se preocupe, Tora-chan, você será a estátua mais bonita deste salão. – Kanato disse com um sorriso psicótico, eu fiquei assustada com aquela reação, precisava fazer alguma coisa senão iria acabar morrendo.

– Como eu vou... fazer pudim... para você sendo... uma estátua? Não é... melhor esperar eu... morrer? – questionei ofegante, se ele não me soltasse logo eu acabaria desmaiando. Ele me soltou e eu caí de joelhos tossindo, massageei minha garganta.

– Você vai fazer pudim sempre que eu quiser? – perguntou com voz doce, era uma missão impossível tentar muda-lo, a Cordelia realmente conseguiu distorcer a mente desses garotos.

– Claro, Kanato-kun, eu vou fazer todos os doces que você quiser sempre que me pedir. – respondi olhando para chão. Tudo o que eu queria era acabar com o sofrimento deles, quem sabe até mostrar o que era amor de verdade, embora isso fosse o mais difícil.

– Tora-chan, o Teddy disse que eu deveria te recompensar por você ser tão atenciosa. – falou se agachando na minha frente.

– Ahñ? – perguntei confusa, as mudanças dele são muito difíceis de acompanhar. Antes que eu sequer pudesse entender a situação Kanato já havia me deitado no chão e me beijava ternamente, aquele beijo com gosto de algodão-doce fez esquecer-me de tudo que se passara, com certeza eu era uma pessoa muito momentânea, porém eu gostava de ser assim, pois poderia aproveitar cada momento como se fosse o último.

Passamos bem uns cinco minutos nos beijando e eu poderia ficar lá para sempre, os beijos do Kanato eram tão doces e tão selvagens – acho que posso usar essa palavra – que eu nunca quereria parar. Nossas línguas travando uma batalha feroz, minhas mãos enterradas no macio cabelo dele, enquanto as suas passeavam pelo meu corpo, levantando um pouco minha blusa para tocar minha pele, era uma mistura de sensações maravilhosas.

Até que ele simplesmente sumiu, me largando sozinha naquela sala cheia de belas noivas petrificadas. Esses vampiros gostavam mesmo de me deixar na melhor hora!

Notas finais
Como ousa me desafiar? Você sabe que eu sou muito mais forte e posso te quebrar no momento em que achar apropriado. Faça tudo que eu quiser e em troca tornarei você a minha bela boneca, para amar e torturar até que a morte nos separe! Kanato Sakamaki