Sangue Maldito

53 Devaneios


Notas iniciais
Yooo, minna!! Eu voltei mais cedo do que o esperado, não é?? Mas não consegui me aguentar... Esse capitulo está tão fofo e, bem, triste... De qualquer forma espero que vocês gostem de lê-lo, porque eu amei escrevê-lo!! ^-^ XOXO, Natia-sama

Yui POV’s On

Tora havia começado a gritar e a cuspir sangue, parecia que ela estava sentindo muita dor no coração já que foi ali que ela pressionou as mãos, eu também já havia sentido dores no meu coração, mas nunca sequer cheguei a cuspir sangue. Ela caiu no chão desmaiada e ao vê-la daquela forma entrei em pânico.

— TORA-CHAN! – gritei desesperada e corri até ela, quando a virei ela estava toda suja de sangue.

— O que aconteceu com a Tora-chan? – Kanato perguntou fazendo uma carinha de criança assustada. Na mesma hora todos olharam para o Reiji a espera de uma resposta, parecia que aquilo nunca havia ocorrido antes e eu estava rezando para que ele soubesse o poderia ter acontecido para Tora começar a tossir sangue sem qualquer motivo aparente. Reiji pigarreou e ajeitou os óculos.

— O mais provável é que ela esteja morrendo, todas as noivas de sacrifício anteriores tiveram reações diferentes ao Despertar, mas nenhuma delas apresentou tamanha rejeição como a Tora. – respondeu friamente, meus olhos se encheram de lágrimas. Ela não podia morrer, ela precisava sobreviver ao Despertar, Tora foi a única amiga que eu tive em toda a minha vida e eu não podia perde-la de jeito nenhum.

— Isso não faz sentido! – Kou exclamou irritado e confuso.

— Ele tem razão. Normalmente o Despertar demoraria muito mais para acontecer, ela não está aqui há tanto tempo. – Shu disse seriamente.

— Isso é um fato, no entanto sempre existem as exceções e talvez a perda da virgindade possa ter colaborado para a antecipação do Despertar. Todos aqui já sabem que esse pode ser um fator agravante dependendo da noiva. – Ruki explicou clara e objetivamente.

— Então a culpa é desse jardineiro! – Subaru acusou com raiva. Yuma cerrou os punhos furioso, contudo manteve-se calado.

— Mais cedo ou mais tarde isso iria acabar acontecendo, ela sendo virgem ou não. – Laito disse em um de seus raros momentos de seriedade.

— Nós deveríamos parar de discutir por besteiras enquanto Tora-san está morrendo diante dos nossos olhos. – Azusa falou calmamente. Ayato se agachou na minha frente, sua expressão não demonstrava nada, entretanto seus olhos eram fáceis de desvendar depois de conhecê-lo bem e neles estavam impressos um sentimento de culpa.

Estiquei a mão que não estava apoiando Tora e toquei o rosto dele carinhosamente dando um pequeno sorriso tranquilizador, Ayato me olhou surpreso por um momento, contudo logo se recuperou e pegou Tora no colo carregando-a até o quarto dela.

Dei banho nela como da última vez em que ela ficou desacordada, mas dessa vez quem me ajudou foi o Azusa. Depois que ela já estava deitada de volta na cama dela ninguém quis ficar no quarto vendo Tora naquele estado, acho que eles já estavam acostumados a ver suas noivas de sacrifício morrerem aos poucos e não gostavam de presenciar isso.

— Não ouse morrer, Tora-chan! Nós fizemos uma promessa, lembra? – falei com a voz embargada e com os olhos cheios de lágrimas, segurando a mão dela.

Yui POV’s Off

Yuma POV’s On

Eu estava na minha estufa em frente ao memorial que fiz para os membros mortos da minha gangue, graças a Yui eu não havia destruído as rosas Scarlet carsons que com tanto custo cultivei especialmente para eles. Mas, agora ao olha-las, a única pessoa a quem eu poderia relaciona-las era a Tora, a cor das rosas era a mesma da cor dos cabelos dela, a suavidade das pétalas era a mesma da pele dela e até o cheiro parecia ser igual, mesmo que não fosse.

Aquela imbecil tinha o poder de me provocar até mesmo estando longe e isso me deixava louco, só que agora ela estava morrendo em cima de uma cama e a culpa era minha, eu não podia fazer nada para salvá-la e precisava me conformar em vê-la como mais uma boneca dentro daquela sala.

Peguei uma das rosas e segurei-a delicadamente como se ela fosse a pessoa que agora estava prestes a morrer.

— Se tudo fosse apenas um sonho... – sussurrei para mim mesmo e esmaguei a rosa em minhas mãos.

Yuma POV’s Off

Laito POV’s On

Entrei no meu quarto e sentei-me na poltrona verde que havia ali, suspirei pesadamente e avistei, na beirada da pequena mesa de centro, os dados verdes que usei na brincadeira com a Muchi-chan, os peguei e encarei-os.

Lembrei-me do dia em que fizemos o jogo, as reações dela eram tão excitantes e ela quase se entregou para mim, mas o Kou tinha que atrapalhar. Se bem que talvez eu devesse agradecê-lo, se não ela já estaria morta há muito tempo, infelizmente ela estava morrendo de um jeito ou de outro.

Eu sabia que não encontraríamos outra noiva igual a Muchi-chan nunca mais, afinal ela era única e autentica só existia uma dela. E mesmo que eu ainda pudesse vê-la no salão das noivas, não poderia ouvi-la cantar, suas bochechas nunca mais ficariam vermelhas de vergonha, ela não me daria sorrisos atrevidos e eu não seria mais capaz de beijá-la.

— Não vamos mais nos divertir, não é, Muchi-chan? – murmurei com um pequeno sorriso pervertido, mas ainda assim triste, e joguei os dados por cima do ombro para algum canto do quarto.

Laito POV’s Off

Azusa POV’s On

Devolvi a faca para seu devido lugar na parede e comecei a enfaixar meu pulso enquanto observava minha coleção. Fitei a katana no centro da parede, Tora parecia ter gostado bastante dela quando a viu e eu entendia muito bem o sentimento dela já que a katana também era minha favorita entre minha coleção.

Só perdia para a faca que ela escolheu para me cortar, eu já gostava muito daquela faca pelo significado da inscrição que ela tinha no cabo: “Lutar até que os cordeiros se tornem leões”, no entanto depois que Tora a usou eu notei como aquela inscrição se parecia com ela.

Eu até havia deixado a faca separada das outras para quando ela viesse cuidar de mim novamente, mas agora isso não iria acontecer. Ela seria como Justin, Melissa e Christina, e mesmo eu tendo Yuma, Ruki e Kou, comecei a sentir algo que não sentia há anos. Solidão.

— Eu não quero ser um ursinho abandonado, Tora-san.

Azusa POV’s Off

Reiji POV’s On

É claro que ela iria morrer em algum momento, era óbvio que um corpo tão frágil não aguentaria a transformação, chegava a ser ridículo cogitar a hipótese de sobrevivência que existe na maioria das noivas que passam pelo Despertar. E, ainda assim, por que eu queria acreditar que havia uma chance?

Eu nunca me importo com causas perdidas, para mim não existe algo tão idiota e humano como esperança. Então, qual é o motivo de eu estar lendo e relendo mais e mais livros em busca de algo que possa ajuda-la? Não há como salvar aquela humana!

Porém, há algo na Tora que desperta meu lado mais irracional, toda vez que ela me toca eu percebo que não preciso de toda essa postura e de toda essa rigidez e isso me faz sentir tanta raiva, mas ao mesmo tempo me faz sentir tão vivo.

Eu queria poder vê-la somente como uma bolsa de sangue. Impossível.

— Como eu quero te chicotear agora! – exclamei irritado.

Reiji POV’s Off

Subaru POV’s On

Há quanto tempo eu não vinha nessa torre? Provavelmente já fazia anos que eu nem pisava os pés nesse lado do jardim. Eu vi a parte que Tora e Yui já haviam arrumado e estava exatamente como antes, se elas tivessem arrumado essa parte também eu tenho certeza que ficaria como era no passado.

Tirei a chave o pescoço e a encaixei na porta de madeira da torre, mas já estava aberta, com certeza foi a Tora quem abriu quando roubou minha chave. Ela devia pensar que eu não sabia que ela havia pegado quando mordi o pescoço dela na sala de noivas, porém eu percebi no exato momento que ela abriu o fecho do colar. De inicio eu não sabia o que ela queria com a minha chave, por isso a segui e a vi abrindo a torre para entrar, realmente ela é uma garota curiosa, ou melhor, era.

Cheguei ao topo da torre e vi que a cela também estava aberta, preferi deixar como estava. Tora teve coragem de fazer em uma noite algo que eu não havia tido coragem para fazer a minha vida toda, ela tinha razão quando dizia que minha mãe não estaria nada feliz comigo.

Essa noiva foi a única, depois da Yui, que conseguiu me atingir e agora ela iria morrer. Eu só queria ter um pouco mais de tempo com a Tora, quando eu estava com ela sentia que minha escuridão não era tão grande, mas agora...

Subaru POV’s Off

Ruki POV’s On

Uma noiva realmente interessante estava prestes a morrer. Eu não posso dizer que tive muito contato com a Tora, no entanto toda vez que essa garota fazia algo posso dizer que me atingia.

A Yui ainda mexia comigo de certa forma, mas eu sei que, se tivesse um pouco mais de tempo com a Tora, ela apagaria qualquer sentimento que eu ainda pudesse ter pela Yui. E eu queria que ela fizesse isso, eu queria que ela me curasse de tudo que eu ainda sentia pela meia-vampira por culpa do Karl Heinz.

Agora isso seria impossível, pois a única noiva que poderia ter alguma chance de me curar estava morrendo e levava consigo qualquer esperança que eu ainda pudesse ter.

Ruki POV’s Off

Kanato POV’s On

— Tora-chan vai ficar tão bonita vestida de noiva, não é, Teddy? – perguntei para Teddy enquanto observava minhas belas bonecas, imaginando como Tora seria a mais bonita de todas.

— Você não acha que ela fica mais bonita viva, Kanato-san? – Teddy disse neutro. Parei de olhar para as noivas e o fitei desconfiado.

— Você gosta da Tora-chan? – questionei um pouco irritado, ele nunca dizia que gostava de alguma noiva, nem mesmo da Yui.

— Eu só acho que ela seria um melhor brinquedo para você se estivesse viva, Kanato-san. – respondeu calmamente. Eu franzi as sobrancelhas e pensei em como Tora-chan era sempre tão atenciosa comigo, ela até disse que era minha boneca e eu gostava de brincar com ela.

— Teddy, mas a Tora-chan vai morrer. – falei com cara de choro.

— Não se preocupe, Kanato-san, eu vou tentar salvá-la! – Teddy tranquilizou-me e sumiu deixando-me apenas com o urso vazio.

Kanato POV’s Off

Ayato POV’s On

Por que a Jujuba tinha que me desafiar todas as vezes? Ela só podia gostar de me ver irritado! Nós definitivamente não dávamos certo e mesmo assim eu insistia em querê-la para mim, correndo o risco de perder a Chichinashi, ela é – mesmo que eu odeie admitir – especial para mim e eu não quero magoa-la pelo fato de também querer aquela cabeça dura da Jujuba.

Se bem que agora isso nem importava mais, porque ela estava prestes a morrer e ninguém podia fazer nada para salvá-la. Tudo que restaria dela seria uma boneca vazia, ainda assim isso era melhor do que uma lápide, pelo menos eu ainda poderia ver seu rosto.

Nessas horas eu agradecia por ter conhecido a Chichinashi, pois mesmo que eu fique mais orgulhoso do que já sou depois que a Jujuba morrer ela vai estar comigo, por isso que ela sempre será a mais importante para mim ainda que a Jujuba também tenha sua importância.

— Tsc! Tudo isso é idiotice! – repreendi-me com raiva.

Ayato POV’s Off

Kou POV’s On

As melhores morrem cedo, é sempre a mesma coisa. Basta apenas que eu comece a gostar delas para elas definharem, mesmo que eu não queira sei que estou fadado à desgraça, afinal o passado nos segue para todos os lugares.

Há muito tempo eu perdi a esperança de ver um céu azul e pensava que isso me daria a frieza da qual eu precisava para lidar com a vida, mas estava totalmente errado. Eu nunca poderei ser frio o suficiente para superar as crueldades que me fizeram ou indiferente o bastante para não me importar com certas coisas, meu belo rosto esconde minha dor embora também seja o motivo dela.

Ou melhor, não esconde minha dor tão bem quanto eu pensava, já que a Ningyo-chan pôde vê-la no dia que eu dormi com ela, às vezes ela é capaz de ver melhor o coração das pessoas do que essa joia que ocupa o lugar do meu olho verdadeiro e um simples toque dela pode curar uma alma despedaçada bem mais do que o tempo.

E agora, sentado nesse salão de festas, eu penso que nem mesmo em um milhão de anos outra noiva será capaz de me afetar como a Ningyo-chan, pois eu sei que não existe ninguém capaz de dançar como ela, de sorrir como ela, de me provocar como ela. Ninguém nunca será capaz de me olhar como ela me olha.

Kou POV’s Off

Shu POV’s On

Humanos morrem. Essa é a coisa mais odiável da natureza humana. Foi por isso que eu perdi o interesse por essa raça patética, eles morrem por qualquer besteira e deixam para trás somente tristeza. Quando o Edgar morreu foi isso que ele me deixou, porque o Edgar realmente morreu naquele incêndio o Yuma é somente o corpo dele com outras memórias, ele não se lembra de mim e essa é outra das formas de morrer que os humanos possuem.

Contudo, eu ainda sou idiota o bastante para me preocupar com a morte da Tora, eu ainda sou burro o suficiente para querer que ela sobreviva e acreditar que isso é possível. Não consigo me conformar que vou perder a pessoa que me trouxe de volta para a vida, porque mesmo que Yui tenha conseguido me despertar foi essa tigresa que me fez querer ir além.

A Tora sempre sabe como sumir com meu tédio, cada vez que ela inventa algo diferente me deixa curioso para saber o que ela pretende da próxima vez. Posso dizer que minha invenção favorita foi a do Modo AE, quem poderia pensar em algo assim? Somente ela.

Mas agora eu vejo que ela foi um presente temporário, pois assim como minha mãe me tirou o filhote que o Edgar havia me dado, a morte veio e a tirou de mim.

Shu POV’s Off

Tora POV’s On

Por que está tão escuro? Onde estão os meninos? O que aconteceu comigo? Será que eu morri? Mas isso não é justo! Logo agora que eu estava tão perto de encontrar minha felicidade eu morro.

NÃO!

Isso não vai acontecer! Eu não posso morrer agora! Há coisas importantes que eu ainda preciso fazer e não vou deixar que me levem.

Tentei me levantar, mas parecia que haviam muitas correntes me prendendo ao chão, me debati para tentar soltá-las e de nada adiantou. Então eu senti um vento e comecei a ouvir passos pesados acompanhados por um arrastar de correntes, o que quer que estivesse vindo não era boa coisa. Os passos cessaram ao chegarem ao meu lado.

— Está pronta para o castigo? – perguntou cruelmente uma voz rouca e cansada. Castigo?

— Onde eu estou? – perguntei assustada.

— No inferno.

Notas finais
Não vou fazer frase nesse capitulo, porque não sei quem escolher! :P