Sangue Maldito
54 Torturas Diversas
Notas iniciais

Tora POV’s On
Quatro dias haviam se passado desde que eu descobri que estava no inferno, quer dizer, para mim pareciam ser dias, pois era como se o tempo se arrastasse, mas podia muito bem ser apenas quatro horas. Todos os dias – ou a cada hora – a mesma pessoa dona daquela voz assustadora vinha me castigar e cada castigo era pior que o anterior.
O primeiro castigo que eu recebi foi ser chicoteada com um açoite, não vou mentir, doeu muito já que o homem tinha uma mão pesada, porém não doeu mais do que minha passadinha na Dama de Ferro. Cada vez que o açoite descia sobre minha pele era um grito que eu dava, contudo depois de cinquenta chicotadas – sim, eu estava contando – já não saia nem mesmo um leve gemido da minha boca.
Meu segundo castigo foi algo diferente, foi um tipo de tortura psicológica, isso pode até não parecer tão ruim, mas acredite eu preferia levar um milhão de chicotadas a passar pelo que eles me fizeram passar. O dono da voz meio que entrou na minha cabeça e começou a me fazer ficar a mercê de todos os meus medos mais profundos, cada pequena coisa que me assustava era usada contra mim. No entanto, o que mais me deteriorou foi ver cada um dos Sakamaki, cada um dos Mukami e a Yui serem torturados e mortos na minha frente, eu sabia que não era real, mas ouvir os gritos deles e ver seu sangue jorrando não me deixava pensar direito.
Meu terceiro castigo foi físico, todavia foi bem pior do que as chicotadas, ele usou a mesma estratégia das torturas de guerra. Eu tive meus dedos cortados – de alguma forma eles cresciam novamente, deve ser um tipo de tática do inferno para prolongar a tortura –, encheram minha boca com algo que queima – provavelmente gasolina – e me fizeram engolir, tentaram me afogar, jogaram-me nua dentro de um lugar muito gelado, me queimaram com ferro quente, cortaram minha língua – assim como os dedos ela reaparecia –, colocaram insetos dentro de meus ouvidos e fizeram outras mil coisas indescritíveis.
A cada segundo dessa tortura eu implorei para que parassem, gritei por misericórdia, porém ele não me ouvia, apenas ria da minha cara, ria do meu sofrimento e dor. A única coisa que me mantinha sã era minha vontade de voltar para os meus vampirinhos, pois de alguma forma eu sabia que ainda tinha uma pequena chance de sair dali.
O quarto castigo que me deram foi o pior de todos, foi a coisa mais horrível que eles poderiam ter me mostrado e eu tenho segurança para dizer que eu preferiria continuar sendo cortada e queimada pelo resto da eternidade do que ver o que eu vi. De novo eles atacaram minha mente e eu notei que eles alternavam o tipo de tortura de forma a deteriorar a pessoa, ou melhor, a alma da pessoa.
Bem, de um jeito ou de outro, a técnica deles funcionava perfeitamente, já que o que eles me mostraram foi a alma da minha mãe sendo massacrada. Foi pior do que quando me mostraram a Yui e os garotos sendo castigados, porque eu sabia que eles estavam vivos, mas a mamãe estava morta e a dúvida sobre ela estar ou não no inferno era o que piorava tudo.
Quando minha tortura finalmente acabou e o meu carrasco me acorrentou na sala escura eu estava apática, eu não falava ou me movia, estava em total estado de choque, tudo que me passava pela cabeça eram os gritos desesperados da minha mãe.
Algum tempo se passou e comecei a ouvir passos, todas as outras vezes que eu o ouvia chegando começava a tremer de medo, mas dessa vez eu ansiava pela dor, eu queria que o carrasco me machucasse o máximo que conseguisse, pois talvez assim eu me esquecesse um pouco da imagem da mamãe sendo torturada.
Ao chegarem ao meu lado os passos cessaram e eu esperei que ele tirasse minhas correntes e me levasse para algum outro lugar como fez das outras vezes, porém isso não aconteceu já que quem estava ali não era o meu carrasco e sim alguém diferente.
— Minha dama, por favor, perdoe o meu atraso. Não queria que a senhorita tivesse passado por todo esse sofrimento. – uma gentil voz masculina me disse docemente.
— Que tipo de tortura é essa? – perguntei com dificuldade. Eu não iria acreditar que esse homem estava aqui para me ajudar, no inferno eles nos enganam de todas as formas possíveis.
— Não é tortura, minha dama, eu estou aqui para dizer que a senhorita precisa quebrar essas correntes antes da próxima vinda do seu carrasco. – respondeu docemente.
— Por quê? – perguntei desconfiada.
— Porque ele vai mesclar os dois tipos de tortura para te despedaçar e então a senhorita não terá mais a chance de se salvar. – respondeu tristemente e eu já sabia qual era a tortura que o carrasco iria usar, a única coisa que me poderia quebrar agora seria se ele abusasse do meu corpo.
— Por que eu deveria confiar em você? – questionei, ele pegou minha mão delicadamente e depositou um terno beijo nela, corei involuntariamente.
— Minha dama nunca ouviu minha voz quando estava viva, mas eu sou a alma que habita o Teddy. – disse calmamente e eu sentia seu leve sorriso sobre a pele da minha mão. Então o Teddy realmente falava com o Kanato e agora ele estava falando comigo também.
— Teddy? – falei com um pequeno sorriso e ele assentiu. – Eu gosto muito de você, então continue cuidando do Kanato-kun. – pedi com a voz rouca.
— O Kanato-san me salvou, eu sempre cuidarei dele. – disse com firmeza. Eu apertei a mão dele com carinho em sinal de agradecimento e ele fez o mesmo, então disse. – Eu tenho que ir agora, mas se salve, minha dama. Você tem todas as armas de que precisa, agora lute!
— Eu lutarei! – afirmei com determinação e Teddy sumiu.
Tora POV’s Off
Teddy POV’s On
Voltei para o meu corpo atual como ursinho de pelúcia e vi que agora toda família estava reunida no quaro da Tora, devia ter acontecido alguma coisa para todos se juntarem aqui.
— Olá, Teddy. Você demorou. – Kanato sussurrou para mim.
— Desculpe-me, Kanato-san, eu estava resolvendo algo para você lá embaixo. – expliquei-me calmamente. – O que está acontecendo?
— Há algum tempo a Tora-chan começou a gemer de dor, parece que o Despertar é algo muito doloroso. – respondeu tristemente.
Não me admira que a dor que ela estava sentindo enquanto era torturada transpareça no seu corpo físico já que ela ainda está ligada a ele pelo Despertar, eu só espero que ela consiga se libertar das correntes e passar o segundo estágio antes que a Lua de Sangue desapareça e ela realmente morra, contudo ela precisará ter muita força para escapar, pois a tortura dela está sendo dez vezes pior do que a das outras noivas – algo que eu não entendo o porquê de estar sendo tão mais cruel com ela – e a maioria nem conseguiu passar o primeiro estágio do Despertar.
A Yui só conseguiu se tornar vampira porque teve a ajuda do coração da Cordelia e da própria Cordelia também, senão eu tenho certeza que ela não aguentaria nem mesmo uma pequena fração do que a Tora está passando. Essa garota tem a determinação de um felino, Nana não poderia ter escolhido nome melhor.
— Por que ela está assim? Nenhuma outra noiva chegou a sofrer tanto. – Yuma perguntou irritado.
— É impossível saber. – Reiji respondeu distraidamente. Todos ali pareciam estar em um estado de torpor, concentrados em seus próprios pensamentos somente esperando o que quer que fosse acontecer.
— De alguma forma o Despertar começou muito cedo e está demorando demais para acabar, já faz quatro horas que ela está nisso. – Ruki acrescentou cansado. Bem, provavelmente ainda vai demorar bastante para ela acordar , isso levando em conta que ela vai conseguir se desacorrentar e passar do segundo estágio.
Teddy POV’s Off
Tora POV’s On
Meu carrasco estava atrasado. Por um lado isso era bom, pois assim eu tinha mais tempo para tentar me soltar das correntes, tarefa que parecia ser impossível, mas por outro lado também era ruim já que quanto mais ele demorava mais eu sentia que minha tortura seria bem cruel.
Ouvi um rangido e as correntes começaram a me apertar, eu não conseguia me mover e quanto mais eu tentava mais as correntes me pressionavam. Fiquei tão concentrada em tentar me soltar que quase não percebi uma mão deslizando pelo meu braço, na mesma hora eu paralisei. A tortura iria começar.
— Olá, Tora. Você se lembra de mim? – uma voz familiar me perguntou, eu já tinha escutado aquela voz antes, o problema era que eu não sabia onde havia sido, só podia dizer que sentia um enorme nojo dela. – Vamos nos divertir bastante, tigresa.
— Não ouse me tocar! – ameacei entredentes, ele somente riu com desdém e começou a descer a mão até minha intimidade, eu tentei me contorcer, mas era impossível com o aperto das correntes. O homem começou a beijar meu pescoço, eu nunca me senti tão suja em toda minha vida.
— Você parece tão deliciosa, Tora. – disse com a voz sussurrada e logo eu soube o porquê de ter tanto nojo da pessoa que estava ali, ele era a terceira pessoa que eu mais odiava, o amante de Cordelia, Richter.
— Solte-me! – gritei furiosa. – Não me toque! Eu te odeio!
— Shhh... – murmurou contra o meu pescoço e voltou a beijá-lo e a lambê-lo subindo cada vez mais, eu fechei os olhos com força tentando ignorar a boca dele sobre minha pele e a mão dele se movimentando na minha intimidade. Cada segundo disso era a pior tortura que poderiam me fazer, eu não aceitava o toque de ninguém mais a não ser dos meus vampirinhos e colocarem uma das pessoas que eu odiava para deslizar as mãos pelo meu corpo era a coisa mais deprimente e cruel que já me aconteceu.
— Por favor, pare com isso! – implorei com voz chorosa, mesmo sabendo que não adiantaria nada.
— Não fique assim, tigresa, eu vou te satisfazer muito mais do que aqueles meus sobrinhos. – disse convencido me beijando em seguida, pressionei meus lábios o mais forte que consegui para evitar que a língua dele invadisse minha boca e algumas lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, não queria que ele me beijasse.
Richter apertou meu queixo com força e o puxou de forma a separar meus lábios, sua língua entrou na minha boca e eu jamais me permitiria tal humilhação, eu não seria violada por esse traidor. Comecei a puxar as correntes com toda minha força, eu voltaria para os meus garotos e para minha amiga, minha felicidade não escaparia por entre meus dedos. Eu ainda não cumpri com meus objetivos e nem mesmo o inferno pode me segurar. Mordi o lábio de Richter com toda minha força e quando ele se afastou falei com toda a determinação que havia dentro de mim.
— Essas correntes... não são... NADA! – gritei enquanto puxava as correntes e na última palavra cada elo da corrente que me prendia no inferno foi rompido e eu finalmente me libertei. Richter e as correntes sumiram e um enorme clarão ofuscou minha visão, demorei algum tempo para me acostumar com a luz repentina, já que havia passado tanto tempo no escuro.
Quando abri meus olhos vi que estava deitada no banco da parte abandonada do jardim que eu já havia arrumado, não entendia o motivo deles terem colocado meu corpo no banco da Cordelia, por acaso eles estavam me desprezando? Ah, mais quando eu pegar esses vampiros eles me pagam!
— Então você conseguiu superar o primeiro estágio do Despertar, não é? – Cordelia perguntou em pé ao meu lado. O quê? Ela acabou de dizer “primeiro estágio”? Então eu ainda não tinha voltado para o meu corpo e ainda precisava superar outro estágio. Que maravilha! Suspirei pesadamente.
— Quantos estágios eu ainda preciso superar no Despertar? – perguntei cansada me sentando para dar espaço à Cordelia, ela se sentou e me encarou.
— Apenas mais um. – respondeu calmamente e acrescentou. – Mas não tenho como te dizer o que é, pois muda de pessoa para pessoa. – disse inexpressiva.
— Nesse caso, é melhor eu começar a procurar para saber o que é. – anunciei me levantando, em parte eu disse isso porque precisava mesmo saber sobre esse último estágio, no entanto a maior parte era porque eu não queria continuar perto dessa vaca.
— Espere, eu quero te mostrar algo e além do mais você não vai achar nada sobre o segundo estágio, é ele que te acha. – informou-me calmamente. Então eu teria que esperar até que ele começasse, realmente perfeito! Suspirei e decidi que se eu tivesse que esperar, que eu fizesse pelo menos alguma coisa interessante nesse meio tempo, assim eu resolvi ver o que Cordelia queria me mostrar.
— Tudo bem, eu não tenho nada melhor para fazer mesmo. – respondi dando de ombros e me sentei novamente ao lado dela. Cordelia estendeu a mão para mim e eu a peguei, mas antes que ela me levasse até o passado dela eu disse. – É melhor que você não me mostre nada que te faça levar um soco! – adverti séria, ela deu um pequeno sorriso.
— Não se preocupe, acho que você vai gostar muito de ver o que quero lhe mostrar. – tranquilizou-me e logo eu estava em outro lugar. Estava no alto da escadaria que fica no hall de entrada da mansão e ouvi um grito desesperado de dor, olhei para baixo e vi Cordelia com um filete se sangue escorrendo pelo canto da boca e com a parte da frente do vestido todo coberto pelo sangue dela, parecia que ela estava me mostrando como morreu.
— Ayato... – disse ela com a voz entrecortada pelo esforço. Logo Ayato apareceu na frente dela com a camisa e as mãos manchadas de sangue carregando um sorriso sádico ao extremo, presumi que foi ele quem feriu a vaca e, não vou mentir, eu gostei muito de saber disso.
— Que coisa, está arruinada agora. – Ayato disse calmamente, por um momento pensei que ele estivesse falando da Cordelia, mas ele estava olhando para a camisa suja. – E eu realmente gostava dessa camisa também. – acrescentou enquanto analisava a manga da roupa e depois analisava a camisa toda. – Estou todo molhado de sangue, mãe. – falou naturalmente e lambeu o sangue que havia na mão dele. – Seu sangue tem um sabor tão doce. É tão gostoso. Quero mais. – quando Ayato terminou de pronunciar a última frase, a vaca se assustou e saiu correndo, eu a segui e apenas ouvia a risada do vampiro ecoando pela casa.
Cordelia estava acabada, se arrastava pelo corredor deixando marcas de sangue no chão e rastros de sangue nas paredes que usava para se apoiar, logo nós chegamos na sala de música e ela abriu a porta com estardalhaço, lá dento Laito tocava piano com uma expressão calma, como se nada tivesse acontecendo, mas eu tinha certeza que ele sabia o que estava acontecendo.
Abri um pequeno sorriso e desejei que ele também fizesse alguma coisa contra sua mãe desnaturada, eu nunca gostei tanto de ver uma pessoa sofrer como eu estava vendo Cordelia, quanto mais ela gritava mais eu me sentia satisfeita e vingada.
— Laito... Laito... – Cordelia chamou o filho com dificuldade andando aos tropeços em direção a ele.
— Ah, não. Qual é o problema? – Laito perguntou sem dar muita importância para a situação em que a vaca se encontrava.
— É o Ayato. Ele está me torturando! – respondeu com a voz entrecortada, ela parecia desesperada por ajuda, o que tornava tudo ainda mais divertido.
— Nossa, sério? – disse o vampiro totalmente desinteressado na situação da mãe, sério mesmo, eu estava simplesmente amando o Laito naquele momento. – Bem, sabia que isso aconteceria cedo ou tarde. – acrescentou calmamente se concentrando em tocar o piano.
— Laito, eu te ordeno que me ajude! – Cordelia “ordenou” estendendo a mão para o filho. Quem essa vadia pensa que é para ficar ordenando coisas à uma das pessoas que mais fez sofrer em sua vida? Nessa hora Laito parou de tocar o piano e sua expressão se tornou séria, tenho que dizer que ele estava muito sexy assim.
Um galho começou a bater na janela devido a força do vento e a vaca se assustou e entrou em desespero dizendo.
— Ayato veio atrás de mim. Ele veio para me matar! – falou em pânico, e eu soltei uma risada, vê-la naquele estado era muito satisfatório.
— Isso não é Ayato. É só o vento. – Laito disse se pondo de pé. – Relaxe. Vou mantê-la segura. – Laito tranquilizou a vaca. O quê? Ele ia mesmo ajudar essa nojenta?
— Seu imbecil! Onde é que está o Ayato numa hora dessas? – comentei revoltada pelo Laito ajudar a Cordelia. Ao terminar de falar eu já estava em outro local da casa, acho que era a varanda do quarto da vaca, provavelmente ela estava esperando o filho retardado que logo apareceu.
— Você levou o Ayato para longe de mim? – a vadia perguntou com um sorriso falso.
— Sim, ele se foi. – o filho retardado respondeu.
— O quê? Como assim? Kanato faça logo sua entrada triunfal e mate essa vaca! – gritei indignada.
— Sabia que eu podia contar com você, Laito. – Cordelia falou com uma voz extremamente irritante para os meus ouvidos, bufei.
— Você me ama mais do que qualquer um? – Laito perguntou com um pequeno sorriso. Como ele podia ser tão burro?
— Sim. – a nojenta mentiu descaradamente estendendo a mão para o filho. Sério mesmo, se o Laito acreditar nisso eu nunca mais vou falar com ele depois que voltar para o meu corpo!
— Você nunca mudará, não é? – disse ele indo até a mãe e pegando a mão dela.
— Laito, eu te amo. Verdade. – MENTIRA! Você só ama a si mesma, sua porca nojenta! Olhei bem para o Laito para saber qual seria a reação dele e seus olhos tornaram-se mais frios que o Ártico antes dele empurrar a mãe pela beira da varanda, ouvi apenas o grito desesperado de Cordelia seguido de um baque surdo.
— Laito-kun, eu retiro tudo de ruim que disse e que pensei sobre você. Isso foi demais! – falei para o Laito que observava a mãe semimorta em cima das roseiras, pena que ele não podia me ouvir.
— Agora você é minha, pela eternidade. – disse ele antes de ir embora. Não gostei dessa última frase dele, não! Havia começado a chover, suspirei e me escorei na proteção da varanda para ver o que aconteceria agora, foi quando Richter apareceu, acho que era agora que ele tirava o coração da vaca para colocar na Yui.
— Ah, Cordelia! O que aconteceu? Quem fez isso a você? – perguntou preocupado, logo que ouvi a voz dele me lembrei da tortura que estava sofrendo no inferno antes de sair e estremeci com nojo, balancei a cabeça para expulsar essas lembranças. Richter ergueu Cordelia para olhá-la nos olhos.
— Richter, tenho um pedido. – disse a vaca, puxa, essa mulher só sabia ficar dependendo dos outros.
— Qualquer coisa que quiser. – respondeu feito um cachorrinho fiel.
— Meu corpo acabou. Por favor, tire o meu coração. Então, você vai implantá-lo em outro corpo. – explicou Cordelia fazendo o máximo de esforço para conseguir falar, Richter pegou a mão dela.
— Presumo que essa é a única maneira de manter você viva. – ele disse todo preocupado. Oh, que cena linda! Só que não!
— Quando a hora certa chegar, vamos nos encontrar novamente. – ela falou sorrindo. – Ah, você tem que ser rápido. Ele está vindo me incinerar. Faça! – instigou ela com pressa, Richter se levantou e sacou uma espada, apontou para o peito de Cordelia próximo ao coração e a enfiou lá, arrancou o coração e o vestido dela e disse.
— Eu juro que vou te ressuscitar. – falou fechando os olhos do cadáver, finalmente a vaca morreu. – Até lá, isso é uma despedida. – acrescentou e depois foi embora deixando a mulher seminua jogada em cima das roseiras. Ainda bem que esse louco também morreu!
Alguns segundos depois da fuga de Richter com o coração e o vestido Kanato apareceu segurando Teddy e um castiçal de ouro com velas negras acesas com chamas roxas, acho que elas deviam ter algum tipo de feitiço, pois não se apagavam na chuva.
— Mãe, qual é o problema? Tem um buraco no seu peito, mãe. – Kanato disse para o corpo morto da mãe. – Acorde, mãe. – pediu ele se abaixando para tocar o rosto da mulher. – Me pergunto, aonde o seu coração foi parar? Ajude-me a procurar. Vamos. – falou enquanto olhava para os lados tentando achar o órgão roubado. – Você está morta, mãe? – perguntou.
— Só percebeu isso agora, Kanato-kun! Seu raciocínio tá meio lento, senhor óbvio! – ironizei com divertimento.
— Você está tão gelada e tão molhada. Mãe, você deve estar congelando. – constatou fazendo carinho na cabeça da mãe morta. – Aguente firme, eu vou te aquecer. – disse e usou o estranho fogo roxo para queimar o corpo da Cordelia. – Agora, não se sente aquecida, mãe? Vamos fale se você está se esquentando. – falou ele com uma expressão psicopata e finalizando com uma risada maligna. Logo eu estava de volta ao banco do jardim.
— Esse foi um dos melhores filmes que já assisti! – comentei sarcasticamente com um leve sorriso.
— Se sentiu satisfeita por me ver morrer? – Cordelia perguntou com um sorriso de canto.
— Para dizer a verdade, sim. Muito satisfeita. – respondi com indiferença, eu não iria mentir, gostei muito de vê-la sofrer.
— Você é tão sádica quanto qualquer vampiro. – afirmou alargando o sorriso.
— Eu nunca disse que era boazinha!
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