Sangue Fresco
5 04
'Será que tudo foi um sonho?' Pensei comigo mesmo enquanto estava deitado. 'A minha cama está fria.' Levantei assustado do lugar que estava deitado. Eu não podia enchegar nada. Apenas um vento frio soprava pelo lugar e toda a memória do dia anterior voltou a minha mente.
Abracei meus joelhos e as lágrimas voltaram a cair. Ainda devia ser a metade da noite, já que eu não ouvia nada e o lugar estava completamente silencioso.
A luz do sol entrou na caverna, mas não conseguia me mover. Tristeza e decepção me envolviam violentamente, os sons do dia começaram a surgir. Pássaros, sapos, insetos, e todos os tipos de animais levavam a vida normalmente... e eu... não conseguia pensar em nada.
A fome chegou querendo me derrubar, mas a ignorei e continuei parado chorando no meu canto, a luz do sol já me mostrava toda a caverna, mais uma vez olhei para o esqueleto do dragão. Seus ossos brancos brilhavam fracamente com aquela luz.
Coloquei minha mão no chão, e ela encostou no cabo de um arma. Puxei a mão rapidamente, mas algo me surpreendeu quando vi qual arma era. A minha espada estava ali ao meu lado. A olhei uma vez espantado, me lembrava de ter deixado ela junto com a mochila. Nesse momento a fome veio, mas não sozinha, a sede também veio. Não querendo me levantar, já que meus músculos estavam todos doloridos das horas que passei sentado, engatinhei até onde meus mantimentos estavam abri a bolsa, e peguei algumas das coisas que lá tinham.
Um pote com geleia, pão e água. Esse foi meu desjejum... bem pobre e rápido, apenas o suficiente para acabar com a fome e com a sede, pelo menos por um tempo.
Passado mais algum tempo, minhas lágrimas pararam de cair e adormeci sentado.
“Filho, se lembre do que eu dizer.” Uma voz rouca e profunda que parecia vir de todas as direções falava comigo em meu sonho. “Saia disso, todos os seres morrem, alguns apenas vivem mais tempo que outros. Olhe para seu futuro, não precisa chorar pelo passado, use-o para lhe deixar mais forte.” A voz tomou a forma de um belo dragão vermelho e ao seu lado estava a minha mãe.
“Filho, siga em frente. Estaremos com você. Ande, pois seu futuro te espera.” A voz dela chegou até mim.
Acordei mais uma vez, o sonho estava fresco em minha mente. Toda minha tristeza tinha ido embora, Me levantei e senti o estrago nos meus músculos. Todos estavam doloridos, era impossível me mover sem causar alguma dor. Esperei que elas parecem e me preparei para seguir minha viagem.
Quando sai da caverna, mal consegui ver nada. Pois a luz era mínima na caverna, e já devia ter passado o horário do almoço. O sol já estava em seu ponto mais alto e logo logo o horário mais quente do dia devia começar, e para piorar, não havia nenhuma nuvem no céu.
Meus olhos piscaram e logo estava pronto para viajar. Minha mochila estava nas costas, a espada em minha cintura e fumaça saiu de minhas narinas... Fumaça? Meu interior estava pegando fogo?!
Dei um pulo assustado e me aproximei da água do lago e vi meu reflexo. A fumaça era fraca e só saiu uma vez enquanto me olhava. Abri a boca e não vi nada diferente, respirei fundo e soltei o ar, uma pequena linha de fumaça saiu, mas fora isso, não havia diferença em minha aparência.
Voltei a me levantar e decidir deixar isso para lá, não devia ser nada.
Caminhei até o cair da noite. O vazio cada vez mais apertava meu coração e a fome me corroía. Sentei no chão próximo a uma árvore e quando estava me preparando a subir, um barulho chegou aos meus ouvidos, virei minha cabeça na direção do som... passos leves e rápidos... um animal devia estar próximo... e pela direção do som... ele vinha em minha direção.
Me apressei em subir na árvore rapidamente. Coloquei as minhas coisas no galho e me sentei observando o chão. E ali na frente um brilho prateado passou correndo, apenas por um segundo, mas tempo o suficiente para saber que era uma raposa.
Minha garganta estava pedindo pelo sangue daquele pequeno animal... meu corpo vibrava, como se fosse impossível de conter a excitação da caçada que estava a chegar.
Pulei do galho escolhido e corri atras do animal que tinha visto. Minha visão era aguçada e conseguia ver os troncos das árvores facilmente com a pouca luz lunar que entrava pelas copas. E ali na frente estava ela... um raposa completamente prata, seus pelos estavam sujos com terra, suas patas tocavam o chão quase não fazendo nenhum ruído. Olhei para a minha presa quando pulei sobre ela, seus olhos viraram para mim e com um pulo lateral, algo que nenhuma raposa teria feito tão rápido, desviou de mim.
“Ei! O que você acha que está fazendo aqui?” Uma voz fina e brava chegou aos meus ouvidos. Apenas balancei a cabeça e me virei para pegar a raposa. E a voz que ouvi veio da raposa. “Agora você atrapalho minha caçada, terei que recomeçar tudo de novo...” Ela se virou, mas eu a agarrei e a levantei até meus olhos se encontrarem com os dela.
“Engraçado... Pudia jurar que você falava...”
“É claro que eu falo, agora me solte!” Ela passou as garras em meu braço e eu a soltei. Enquanto ela caia ela se transformou em uma garota de uns 10 anos, cabelos prateados e de olhos dourados. Ela possuía uma cauda, mas isso não me assustou tanto. “E pelo que parece você também estava caçando algo... sendo que esse algo era eu, provavelmente. Já que você pulou para cima de mim com tudo...” Ela parecia estar brava comigo por tentar devorá-la... “...você tá me ouvindo? Para de ficar viajando assim se não eles te matam rapidinho.” E saiu correndo para algum lugar da floresta enquanto voltava a sua forma de raposa.
Voltei para minha árvore e no caminho de volta encontrei e matei uma lebre. Fiz uma fogueira com os galhos que achei na volta, pena que não tinha nada para ascender a fogueira e teria que fazer do modo antigo, mas um algo passou no meu nariz e eu espirrei. Do espirro sai uma pequena chama que ascende a fogueira e algumas folhas que estavam no chão... Isso quer dizer que eu consigo cuspir fogo... acho que mamãe disse algo sobre isso, mas eu quase nunca prestava atenção.
Limpei o coelho e o coloquei para assar, a carne estava deliciosa.
O vento da floresta estava estava frio batendo frio contra minha pele e escamas, mas meu corpo estava aquecido pelo fogo que havia em meu interior, mas mesmo assim dormi de costas para a árvore perto de minha fogueira. Minha mãe havia providenciado algumas coisas para acampar, cobertores e um tecido impermeável que poderia ser usado como tenda em noites chuvosas.
Não me preocupei em me esconder completamente, apenas segui o que já havia feito em algumas ocasiões de caçada, acompanhado de minha mãe. Apagar rastros, se for preciso, evitar deixar pistas sobre onde andava e como me locomovia, etc. Mas isso eu me preocuparia na manhã seguinte...
Quem dera tudo acontecesse do jeito certo.
Acordei no meio da noite assustado. Haviam pessoas ao meu redor... deviam ser 10. Não me levantei rapidamente, me deixei cair para o lado que minha espada estava e quando a peguei eu me levantei pronto para o combate. A fogueira ainda estava acessa e isso mostrava minha posição perfeitamente. Usei minha cauda para jogar terra no fogo, fechei meus olhos antes para ir me acostumando com a escuridão e quando ela veio, meus atacantes devem ter ficados surpresos.
Ordens foram gritadas assim que a luz se apagou. Não consegui identificar o que era dito, não me movi. Esperei, o tempo passava e eles não andavam, seus corpos estavam parados o mesmo lugar, provavelmente esperando que eu me movesse. Dei uns passos para ficar próximo a árvore que tinha dormido. Meus pertences estavam quase todos guardados, exceto meu cobertor e minha espada, que estava na minha mão. Usei minha cauda para guardar o cobertor na mochila, agora eles deviam ter se acostumado a escuridão, pois o som de seus passos estava se aproximando.
Me abaixei para fechar a mochila e nesse momento uma flecha passou onde meu braço estava a alguns segundos. Me aprecei e comecei a escalar a árvore. Subi nela rapidamente e andava em caminhos que me deixariam fora de vista se alguém do solo. Pulei para uma árvore próxima e continuei meu caminho, só para descobrir que logo a frente havia uma clareira.
Desci com um pulo da árvore, comecei a correr para atravessar o buraco, e foi nesse momento que percebi um erro. Naquele lugar não havia lugar para me esconder, apenas lugar que deixava em alcance de tiros e nesse exato momento uma flecha perfurou o chão onde meus pés estavam a menos de um segundo. Parei de correr e me virei, meus atacantes estavam próximos para me verem, mas as nuvens escondiam a lua nessa noite. O cheiro de chuva estava por todos os lados. E um sorriso chegou em minha face. Nunca tinha me sentido desse modo, tão vivo, tão feroz, tão... tão dragão. Apenas parei e dei alguns passos para trás enquanto retirava minha mochila e a colocava no chão. Os meus atacantes formaram um semicírculo na beirada da clareira. Apenas voltei a minha posição anterior, minha cauda chicoteava para todos os lados.
Algumas flechas foram disparadas pelos homens, não fiz nenhum movimento brusco, um passo para o lado, outro para trás e pronto. Nenhuma delas tinha me acertado. Vi quando largaram os arcos e puxaram espadas. 10 lâminas de metal brilharam cinzas quando a lua saiu de seu esconderijo, a minha tinha um lindo brilho vermelho. Um rugido saiu de dentro do meu peito. Os homens pararam e se olharam, mais uma ordem foi dita e todos voltaram a andar.
Uma queimação começou a subir da minha garganta esperando ser libertada, fumaça saia de minhas narinas tudo estava em chamas. Abri minha boca e expirei o fogo que fazia força contra minha mandíbula. Uma rajada de fogo surgiu na minha frente, quente que facilmente derreteria uma espada. Mas logo que ele se apagou percebi o que tinha feito, iluminar o lugar foi o certo, pois quando eu fechei a boca e o fogo parou de sair o grupo estava esfregando os olhos. Pois o clarão os atingiu em cheio e o calor os deixou desconfortável, já que não estavam próximos o suficientes para serem pegos pela labareda, mas foram pegos pelo calor dela.
Dei um pulo para a frente, e nesse momento um sorriso brilhou vermelho em minha boca, pequenas chamas escapavam pelo seus cantos e meus olhos apenas refletiam o prazer da guerra. Um deles não teve como desviar de mim, minha espada desceu e cortou seu braço direito, seguido pelo esquerdo e logo depois sua cabeça pulou do corpo. O segundo teve o mesmo destino, mas de uma maneira mais brilhante.
Soprei uma pequena labareda em seus braços e suas roupas começaram a queimar e grudar em sua pele. Cortei-lhe a cabeça por misericórdia, pois seus gritos me deixava com agonia.
A partir desse ponto os outros já tinham se recuperado, mas ainda não acreditavam que eu, um garoto de 13 anos matasse tão ferozmente seus parceiros. Minha cauda também se movia, um terceiro foi derrubado por ela. E minha espada desceu em sua garganta sem nem pensar.
Os outros me fecharam em um círculo, mas um novo sorriso surgiu em meus rosto e com uma fúria renovada pulei para cima de um e com minha perna esquerda lhe quebrei o braço e minha cauda lhe quebrou o pescoço. Minhas mãos, minha espada, minha cauda e todo meu corpo parecia estar mas vivo do que nunca.
Sangue encharcava o chão a cada novo golpe que eu dava, nem um deles me acertou apenas continuei a cortar e a soprar. Golpeava a todos os 7 com a mesma fúria de antes. Um deles foi morto queimado, outro foi morto com um chute em sua garganta.
Meus olhos não mais brilhavam vermelhos maçã, eles agora brilhavam como sangue. E a única coisa que me levava a continuar era isso. 5 tinham caído em questão de minutos, os outros me rodavam me analisando, achei graça do que eles estavam fazendo. Pulei para mais um deles e com minha espada tentei lhe perfurar o coração, mas ele me parou. Apenas levantei o olhar e vi seus olhos saírem de mim. Me abaixei e rolei para o lado. O companheiro que estava atras de mim tinha se aproveitado da oportunidade, apenas fiquei mais feliz com isso.
“Quanta diversão vocês serão capazes de prover a esse pequeno servo da morte?” Foi a frase que soltei no meio do conflito. Seus olhares mostravam que eles estavam com medo. Mas que eles não desistiriam de mim. “Mas antes que o jogo volte a recomeçar, gostaria de saber o motivo de 'gostarem' tanto de mim.” Meus lábios formaram um sorriso completamente inocente. Inocente, porém que deixavam uma única frase no ar. Vou matar todos vocês.
… Nenhum deles parecia querer falar. Apenas continuei a olhar esperando suas respostas, mas elas não chegavam. Impaciente cheguei perto de um dos cinco restantes com meu sorriso inocente e com um corte de espada arranquei sua perna esquerda. Ele tinha tentado se defender com a espada, mas a lâmina também tinha sido cortada. “Vão me responder agora?” Ele caiu no chão e decidi fazer algo legal para ele, cortar-lhe a outra para que fique do mesmo tamanho, e foi o que fiz.
Esperei enquanto o companheiro deles gritava de dor, mas nenhuma resposta tinha chegado. “Ainda continuam mudos? Acho que precisam de mais incentivo. Amigo, você faria as honras?” E com outro golpe separei seu braço esquerdo. Mas nada das informações. Cortei o outro braço e decidi terminar tudo subi no peito da criatura agonizante e desci com a espada em sua cabeça, o sangue voou. Que visão linda! Um pequeno jato saiu de sua cabeça quando tirei a espada.
“... nheiro...” Uma voz sussurrante chegou até mim.
“Não ouvi, repita em voz alta.” Brandi minha espada sobre a cabeça testando seu peso.
“Dinheiro. Você é um mestiço, e um dos mais raros. Quando o vimos dormindo queríamos te capturar vivo, pois vivo é mais caro. Mas agora queremos mesmo é te matar para honrar nossos amigos que você apenas zombou.” Disse o homem que parecia ser o líder.
Eu sorri para ele. “Gostei de você, somente por isso, vou deixar você viver tempo suficiente para ver a morte dos outros.” Meus olhos agora estavam perfurantes. Meu sangue fervia.
O restante do grupo começou a me atacar em rodadas de duas pessoas, eu esquivava de seus golpes, mas agora alguns ferimentos começaram a aparecer, um corte apareceu em minha bochecha escamosa, começamos a trocar golpes, o líder tentava me pegar em um ponto cego, mas minha cauda entrava em ação e conseguia parar os golpes derrubando as pessoas no chão, mas não havia tempo para matá-los.
O fogo voltou a subir, eu abri e respirei sobre um deles, sua roupa e espada derreteram e seu corpo estava em chamas. Cortei-lhe a cabeça logo que ele se jogou no chão. Nesse momento percebi que eu tinha uma arma que ainda não tinha total domínio... Minhas asas.
Umas gargalhada maluca subiu sobre meu corpo e cortando minha camisa duas asas saíram de meu tronco, vermelhas. Pulei para o céu e as usei para planar sobre o campo de batalha. Os últimos bandidos perceberam a perdição, mas eu não conseguia ficar muito tempo no ar, apenas as usei como alavancas para descer com um golpe de espada que cortou um dos homens ao meio. Seu sangue jorrou sobre mim e minha lâmina carmesim. Os dois últimos já tinham perdido a vontade de lutar, mas eu não deixaria nenhum vivo.
Com passos rápidos cortei os membros do nono ladrão. O líder ainda estava disposto a lutar. Meus olhos o amedrontavam. Pois ele começou a murmurar algo sobre demônios. Eu ri da sua reação. Matei aquele que estava deitado no chão com minha cauda, quebrei-lhe o pescoço e o barulho foi tão alto que foi ouvido por toda clareira.
“Como o prometido, você será o último.” Avancei, minha espada brilhavam vermelha sob aquela lua. Ele tentou me atacar com sua arma. Apenas levantei minha espada e sua lâmina abriu um buraco no fio de si mesma. Havia pequenas chamas invisíveis ao redor da espada. Tudo parecia derreter, lhe ataquei e quando ele se defendeu, sua espada foi derretida e cortada. Uma parte voou pelos ares enquanto ele segurava o punho da espada.
“Saia de perto de mim! Você não é um mestiço qualquer! Você é um demônio!” Ele começou a andar de costas.
Eu ri sobre o que ele disse. “Demônio? Eu? Eu sou apenas um filho de dragão com uma feiticeira.” E nesse ponto ele caiu. Completamente perdido em medo, seus olhos já não podiam me enxergar do modo que eu era. O medo o tinha dominado. “O Beijo da Morte lhe espera. Oh pobre alma que tens medo do mundo. Hoje você perdeu pois escolheu a pessoa errada para sequestrar. Sobre meu comando estão o fogo e todos os outros elementos puros do mundo. Um filho de dragão e o filho de uma feiticeira. Eu lhe comando, Vento que roda o mundo. Se una com minha espada.” A cada palavra pronunciada o homem se encolhia e tentava fugir. 'Os humanos tem medo daquilo que não conhecem e por isso eles tem medo de você.' Não fiz força, não ouve resistência. Apenas o baque mudo quando um braço, depois a perna, depois o outro braço e a outra perna foram cortados por uma lâmina de vento.
“Que pena, a diversão acabou.” Com essas palavras, minha espada perfurou sua armadura atravessando seu peito e cortando seu coração. Apenas a cortei e do corpo saiu, sem nem uma resistência. Ela parecia cortar tudo. Me distanciei dos corpos e peguei minha mochila. O barulho de água chamou minha atenção e fui me banhar para me limpar. E como eu me senti ao matar aqueles homens. A força em mim parecia muito maior antes, agora voltei a ser o mesmo de sempre.
As águas limparam todo meu suor e tiraram o sangue que estava em meu corpo, a espada limpei na água corrente do rio. Seu toque era reconfortante, limpei as minha feridas. E voltei a procurar um novo lugar para dormir na floresta.
Não demorou muito para encontrar uma árvore perfeita. Quando a subi as nuvens tinham voltado e se preparavam para deixar cair seu conteúdo molhado, peguei mina tenda impermeável e a joguei sobre um galho acima, fiquei as laterais com os pregos para evitar que ela balançasse. A noite se passou sem novas interrupções.
Fale com o autor