Sangue Etereo - O Homem do Braço de Ferro [Parada]
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Tudo o que eu via era o teto velho e o chão duro de cimento, o cheiro de morte rondava a cela, por sorte eu havia conseguido uma cela separada, era considerado “perigoso” devido a meu braço que além da aparência assustadora e da lamina acoplada nela, não podia ser destruído, para os policiais do local era um divertimento me prender e atirar nele até acabarem as balas, outros veem meu braço com fascínio por ser mais avançado que metade das tecnologias atuais.
–Já acordou assassino?! – disse um dos Policiais dando ênfase no “Assassino”
Lancei a ele o olhar mais maligno que eu podia antes de me virar novamente, era chamado de assassino diariamente, para eles eu apenas matei pessoas inocentes e que eu era um homem louco com um braço estranho, mas eles não sabiam da verdade...
Eles não sabiam como os homens da Aliança Dourada eram assassinos piores que eu jamais seria.
–O que lhe aflige filho do ferro? – A típica saudação que os Filhos do Éter usavam me assustou.
O policial franzino me olhava avaliando, as runas marcadas em suas mãos mostravam que era um filho do vento, sua arma escondida sobre o casaco, uma rapieira de aparência esquisita para outras pessoas, mas comum para todos nós, que já acostumamos a ver pessoas carregando armas.
–O que lhe aflige? – Repetiu o policial esperando uma resposta.
–Não adianta Reimond, ele não vai responder, ele não demonstrava nem dor quando atirávamos em seu braço. – A voz rouca de um dos policiais soava atrás dele.
–O que lhe aflige Sacerdote?! – O policial Reimond repetia a questão, agora me chamando a atenção.
–Sacerdote? Esse dai?! – A voz rouca riu. – Até minha mãe vestindo cinta-liga e mais santa que esse ai, ele é só um Punk mudo com um braço estranho!
O policial Reimond me olhava avaliando, filhos do vento eram mais religiosos que todos, mas sua arma e seu oficio mostravam que a família não era tanto assim, a menos que tivesse o dom de enganar, o que é impossível para um filho do vento já que seus dons são normalmente de calma e invisibilidade.
Eu fiz os sinais de “O que um filho do vento faz fora de um templo?” que esperava que ele entendesse.
–Minha família nunca foi religiosa, nunca cheguei nem perto de um templo – Ele respondeu baixo pra que somente nós dois pudessem ouvir. – E você? O que faz um Sacerdote nesta cidade, e porque você parecesse mais com um criminoso do que um sacerdote?
“Você sabe que nosso look não demonstra nossa realidade, certo?” Eu respondi soltando um grunhido de minha boca.
–Então ele sabe falar! – O policial de voz rouca falava. – Agora pergunte o porquê o do mongezinho ai de matar dezessete inocentes?!
“Você sabe o porquê eu matei eles, você sabe o que eles são!”
–Sei, sei o que eles eram, mas me pergunto o porquê de eles estarem atrás de um filho do ferr...
“Não sou um filho do ferro” eu fiz os sinais, interrompendo-o.
–Impossível você ser um filho de outro elemento enquanto tem um braço todo de ferro etéreo – Ele sussurrou surpreso –Pensei que apenas os filhos do ferro fossem possíveis de construir algo assim!
Eu parei de responder quando o policial de voz rouca começou a me fitar, olhava para mim como se eu fosse cair de joelhos e berrar que eu era inocente e pedir para ele me tirar dali, tipicamente uma pessoa normal faria isso, mas eu sabia que ninguém da Aliança Dourada se atreveria a entrar em uma delegacia para me matar, podíamos ser fortes, mas não somos imortais, a menos que algum filho da luz seja policial, o que é praticamente impossível, já que eles normalmente são guardiões de templos, eu estaria a salvo aqui.
–O que foi? Resolveu parar de falar? Vamos desembuche! – Gritou o policial de voz rouca – Porque você matou dezessete pessoas sem motivo!
Eu continuava a fitar o policial, a aparência baixa e gorda dele me fazia rir, e cabelo calvo eo bigode negro o fazia parecer uma marmota, se não fosse um comum eu já o teria matado, mas minha ordem me ensinou a não perder a calma desde que acabei matando um aprendiz em uma luta quando perdi o controle, ou destruí aquele templo no qual fui mandado proteger, ou um monte de coisas que eu fiz para que metade da ordem quisesse me espancar.
O policial saiu resmungando porque eu não falava, as palavras que eu ouvia em meio aos insultos eram “Mongezinho” e “fique para sempre” eu só conseguia rir com a palavra, monges que lutam são folclores humanos, para minha espécie qualquer um que empunha uma arma é capaz de lutar.
–O que você é? Porque a Aliança estava lhe caçando? Porque eles estão caçando sua ordem? – o policial Reimond me perguntava, sua pele morena, porte pequeno, cabelos curtos e cara de quem não aceita brincadeiras lhe fazia parecer certamente atrativo para alguma mulher, mas, para mim, somente parecia com um poodle que tentava soar serio – Se não é um filho do ferro então porque tem um braço feito de ferro etéreo?
“Há perguntas a quais eu não posso responder”
Ele me olhou com duvida e raiva, ele sabia que os dezessete corpos eram parte da Aliança Dourada, ele sabia que o fanatismo deles pela deusa dourada era grande, mas ele não sabia da verdade...
Claro, eu era um dos únicos que sabia.
Meu nome é Leyfhain, tenho 26 anos e eu sou, bem, eu era, um sacerdote da Ordem Branca, meus trabalhos eram apenas de proteções, não sou um paladino justamente por minha origem.
Este mundo não e o único que existe, a outro, onde deuses e espíritos vivem, quando um corpo morre seu espirito é liberado deste mundo e vai para o Aether, e quando uma pessoa ou animal nascem um novo espirito aparece em seu corpo, mas nós, conhecidos como Filhos do Éter, ou, aqueles que não têm o espirito puro, somos outra parte disto.
Como muitos espíritos fizeram coisas ruins, eles ainda permanecem no mundo Terreno, e tem a chance de reencarnar como Nether, armas que apenas os Filhos do Éter podem manipular, essas armas geralmente estão vivas, porque somente aqueles espíritos do Aether que descobriram como voltar para o mundo Terreno podem manipular uma arma com vontade própria.
Cada espirito do Aether que renasce em um corpo humano é designado a um dos elementos primitivos, seja agua, fogo, vento, ou aqueles mais fortes, designados a forças consideradas míticas como o sol, a luaou à noite.
Eu tive a grande sorte de nascer nas sombras, diferente do que as lendas dizem o povo das sombras não éruim, o medo do que vive nelas é que criou esse estigma.
Bom era isso que Radamis me dizia...
Nossos dons nos fazem viajar nas próprias sombras, um reino que muitos dizem que contem horrores e demônios terríveis, que podem destruir nossas mentes se olharem nas sombras e como nasci na sombra, eu tenho uma grande facilidade de ser um assassino, um ladrão, ou apenas alguém que possa aparecer e sumir rapidamente, mas decidi seguir um caminho puro para ajudar minha irmã...
“Leira”
A imagem dela em minha cabeça me trazia tristeza, se não fosse por mim, não!
Se não fosse pela Aliança e seus seguidores fanáticos ela ainda estaria viva.
E eu não estaria me escondendo feito um covarde.
–Eu ainda quero uma resposta! – O policial Reimond me olhava impaciente, seus olhos castanhos escuros o fazia parecer sombrio. – Eu não quero saber sua origem ou o porquê de você ter matado homens da Aliança, eu até agradeço, mas eu quero saber, como alguém que não é um filho do ferro tem um braço feito com material etéreo?
“Para isso” eu fiz os sinais “Eu teria que contar minha origem, e, se eu contar, correrei perigo novamente”.
–Então me diga qual ordem você faz parte! – Ele gritou, ouvi uma comoção vinda da outra sala. – Porque alguém que se diz sacerdote esconde um segredo tão grande?!
A porta se abriu, esperava pelo mesmo policial que achava que os membros da aliança eram inocentes, mas quando se abriu mostrou uma mulher mais velha, com cabelos vermelhos e olhos verdes veneno, seu corpo esguio poderia facilmente a atrapalhar um sacerdote em meditação, mas ao mesmo tempo, ela tinha um ar de perigosa, uma runa fraca se mostrava na mão dela, a qual ela colocou no ombro do filho do vento.
– Reimond, eu acho que precisam de você na outra sala, e eu acho que precisam da porta trancada, você não quer saber de nada e simplesmente vai sentar e tomar seu café – A mulher falou, o policial andou como se fosse um boneco, ao chegar à porta ouvi o barulho da tranca e uma maquina fazendo barulho. – O lhe aflige filho das sombras?
“O que lhe aflige filha da noite” Fiz os sinais, respondendo-a
–Ha,une sacerdote... – Ela brincou com a palavra em francês — Sabe já namorei com vários de vocês, eram ótimos comigo, não davam um pio.
“Veio aqui brincar comigo Manipuladora?”
–Não, não mon cherie, não estou aqui como uma manipuladora, estou aqui mais como uma psicóloga, sabe, você pode se abrir para mim.
Um “A” saiu de minha boca antes de eu me segurar novamente, os olhos verdes me tentavam a falar, mas eu me segurei e falei em símbolos de volta.
“Não brinque comigo Manipuladora, não sou ingênuo, se tentar me fazer quebrar o voto novamente eu corto sua garganta”.
–Olha, o gato tem garras, mas será que ele sabe usa-las? – Ela falou com desdém – Sabe, achei que todos os filhos das sombras estavam mortos, bom tenho sorte de ter me enganado.
“O que você quer?”
–A verdade, não se preocupe enfant, não irei fazer nada contra você, tenho o mesmo ódio contra a Aliança que você, sabe...
“Sua compaixão não vai me forçar a falar, nem seu dom.”.
–Porque você esta aqui trancado? Já poderia ter saído por vontade própria, ou quer ser um alvo fácil para a Aliança?
“Eu não gosto dela” Lilith falava em minha mente “Não confio no policial, e principalmente nela”.
“Não preciso lhe responder uma pergunta na qual você já sabe a resposta”
–Bom eu sei a resposta, mas Ana e John não, e eles estão, muito, mas muito curiosos com a resposta – ela disse, mostrando as adagas em seu bolso.
“E Lilith não confia em você, então porque eu deveria?”
–Talvez eu possa fazer você falar
“Talvez eu possa mata-la agora mesmo”
Os olhos dela demonstravam diversão, eu sabia o que ela queria, queria submissão, queria justamente o que a origem dela fazia, queria controle, queria o que todos os filhos da noite queriam.
Enganar mais um em sua rede de mentiras.
–Mes dieu eu não quero a porcaria do seu braço nem de seus poderes, só quero saber o porquê de alguém que conseguiu derrotar dezessete filhos da luz sem ao menos estar machucado esta fazendo trancafiado enquanto poderia estar vivendo agora. – Ela disse com um tom de seriedade – Se eu quisesse seu metal etéreo eu controlaria qualquer filho do ferro para fabrica-lo para mim.
“Como eu já disse você sabe a resposta”
–Proteção?
“Bingo”
–Então um filho das sombras, aqueles capazes de sumir nas sombras, aqueles que fizeram os humanos criar um folclore os chamando de “ninjas”, aqueles que os filhos da luz temem como se fosse o fim dos tempos, se esconde com medo deles?
“Sim, agora pode voltar para seu circo e seus macacos treinados”.
–Nossa você é tão fraco assim? – ela provocou.
Minha ação foi previsível demais, a lamina a qual eu chamo de Lilith estava caída do lado da Manipuladora perfurando o chão, ela estava com as duas adagas em mão, pronta para atacar.
“Não, me, provoque!” eu fiz os sinais, rosnando para ela.
Ela deu uma risada cínica, as adagas já haviam voltado a seu bolso enquanto ela colocava a mão na boca e tentava segurar a risada:
–Me diga Leyfhain, porque um sacerdote da Ordem Branca tem um temperamento tão explosivo? Radamis me disse que você podia me ajudar, mas não sabia que era tão indisciplinado.
“Você conheceu Radamis?” – Eu fiz o sinal, a Manipuladora conhecia meu antigo mestre, mas, podia ser apenas um truque.
–Quando pedi ajuda da ordem para resolver um problema que pode atingir a todos ele me indicou você, disse que era um dos melhores para me ajudar no meu pequeno problema.
Eu coloquei minha face entre as barras, um pequeno sorriso saia da minha boca, a Manipuladora me olhava com duvida e medo.
Eu tinha esse efeito com algumas pessoas, varias pessoas disseram que eu parecia um lunático quando sorria, principalmente porque eu gostava de fazer as pessoas sentirem medo...
–Vai me ajudar a...
“Se realmente conheceu Radamis, então me diga, qual a sina?”
–Sina?
“Qual a verdade, qual é a voz do silencio?”
–O silencio não fala – ela disse demonstrando calma – Se um espirito fala pelo silencio então deve ser queimado em sangue.
Eu a examinei, a menos que tenha forçado alguém a lhe dizer O Codigo, ela não poderia saber sobre ele sem ser da ordem, o lema do silencio é a regra final entre os sacerdotes.
A qual eu sigo a risca.
Eu fechei meus olhos, sabia que o único jeito de saber a verdade seria fazer o que eu sabia de melhor...
Sumir entre as sombras.
“Então você realmente conhece a ordem Vertas”. Eu fiz os sinais, minutos depois, no qual para ela, foi apenas alguns segundos.
–Como sabe meu nome?
“Esta em sua mesa”
–Quando esteve em minha mesa? – Ela falou antes de se virar para a porta.
Passar pelas sombras era a coisa mais fácil que eu fazia com meu dom, geralmente as pessoas nunca notavam eu sumir por um segundo, quando viajo por elas, o tempo praticamente para, não existe tempo nas sombras, posso passar uma vida inteira, e o mundo não haveria mudado, aqueles que notavam ou manterão a atenção total em mim, ou são Sentinelas.
Eu me arrumei, o lado de fora da cela parecia grande, Vertas me olhava com certa admiração, ela provavelmente não sabia como eu havia saído tão rápido da cela:
–Como você...
“Sombras”
–Mas tão rápido assim?
“Mantenha o foco e talvez consiga me enxergar”
–Então você realmente pode me ajudar!
“Nunca disse que lhe ajudaria, sua proposta chamou minha atenção, mas não concordei com ela”.
Ela levou um tempo para traduzir o que eu lhe dizia, mas enfim falou:
–Preciso de uma ajuda com um roubo.
“Não sou ladrão”
–Não é um roubo... – Vertas cantarolou enrolando o dedo no cabelo – Sabe eu ficaria muito grata se...
“Já disse que seu dom não funcionara comigo Manipuladora”
–Eu preciso de você, não é por mim, mas por tudo, resumindo: — Ela falou com um tom choroso e provocativo – Preciso que sequestre alguém.
“Não sou um criminoso sujo, se quiser um procure em outro lugar”.
–Eu preciso que a sequestre sem rastros... – Ela falou ignorando completamente meus símbolos – A ordem dela não a deixa sair.
“Não sequestrarei ninguém de uma ordem”
“Não confio nela, nenhum pouco, por favor, saia daqui, eu não estou me sentindo bem” Lilith mais uma vez ressoava em minha mente.
A alma de Lilith se mexia inquieta, a lamina tremia em meu braço, como se estivesse a ponto de criar pernas e sair correndo, mas eu a tentava acalmar, se qualquer um viesse tentar me machucar, eu sumiria dali, de um modo que seria impossível me rastrear.
–Ela é a chave para o Inhkrus, se ela não for ajudada, ou tirada daquele local, todo o mundo vai perecer no fogo gelado.
“Mesmo que eu concordasse, mesmo que meu antigo mestre concorde, porque acha que eu vou cometer um sacrilégio sequestrando uma santa de uma ordem?”
Vertas me olhava com duvida, não era rápida como o policial ou os membros da Ordem Branca, então traduzir os sinais que eu fazia com minha mão era talvez um sacrifício para ela.
–Ela não é uma santa, e mesmo assim a líder da ordem concordou com a retirada dela.
“Então porque ela não saiu à vontade?”
–Adivinha a ordem de que o templo faz parte?
“Aliança?”
–Exato mon cherie, mas não da parte fanática ela faz parte do Templo do Sol.
“Quer que eu sequestre uma oraculo?” Meus sinais se mostravam impacientes “Quer que eu cometa um sacrilégio pior do que pisar sobre terreno sagrado?”.
Desta vez, Verta foi rápida com a tradução: — Ela não é um oraculo, apenas uma Sentinela.
“Porque uma Sentinela é a chave pro Inhkrus?”
–Porque os deuses gostam de brincar com nossas vidas.
“Apenas uma sentinela?”
–Sim.
“Tira-la e retorna-la a você?”
–Quase isso, você deve retorna-la a mim, mas no Templo de Vahvi.
“Porque no templo da deusa da lua?”
–Porque foi assim que a oraculo previu
“E o que eu ganho com isso?”
–Dinheiro, Fama... – Ela mencionava varias coisas que não me chamavam a atenção. – Um jeito de escapar permanentemente da Aliança...
“E como eu conseguiria escapar da Aliança? Como você mesmo disse, eles tem até Oráculos”.
–Você sabe o que é ponto cego de um oraculo?
“Não”
–É quando um Oraculo prevê e anuncia a morte de alguém, mas essa pessoa ainda esta viva.
“E como conseguiria isso?”
–Mon petit enfant, esqueceu sobre o que eu sou?
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