Same Old Games

20 That's why I smile...


Notas iniciais
Gente, mil vezes perdão pela demora D: eu tava com mt preguiça de escrever ãsjajdasdsdjas bom, enfim. Eu nem gostei muito desse capítulo, foi só pra enrolar mesmo. mas, as coisas vão ficar mais emocionantes a partir do 22, então espero que vocês não tenham me abandonado :c
É isso aí, vejo vocês lá embaixo.

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PDV Marleine

Não consegui dormir direito aquela noite, preocupada com Louis. Pouco depois de ter chegado em casa, todos já sabiam do ocorrido. Eu contei a eles, porque todos ali eram amigos dele e eu achava que eles tinham o direito de saber.

Liam, Niall, Harry e Zayn foram correndo tentar falar com ele, mas as meninas decidiram esperar um pouco. Liguei pra Louis mais tarde, pra perguntar se ele estava melhor e se queria que eu levasse mais alguém para o velório.

Por fim, decidimos que todos nós iríamos.

O céu estava carregado de nuvens pesadas e o sol parecia se esconder de nós. Parecia que o mundo tinha perdido um motivo pra sorrir, já que o sorriso de Louis, o sorriso que contagiava a todos, não estava ali presente.

Nos dividimos em dois carros, como sempre, e permanecemos em silêncio até Doncaster, a cidade natal de Louis. Foram 3 horas no carro, mas ninguém conseguia trocar uma palavra. Os meninos estavam arrasados, mesmo que só tivessem conversado com a mãe de Louis pelo telefone.

Ele manteve a cabeça encostada no meu ombro durante todo o trajeto e eu segurei sua mão, para que ele soubesse que teria um apoio caso precisasse.

Durante o velório eu me mantive mais afastada, assim como Gabi e Vick, já que nenhuma de nós conhecia a família e nós achamos melhor que eles tivessem esse tempo só pra eles.

Louis não parou de chorar por um minuto. Ele estava ao lado de mais quatro garotas, provavelmente suas irmãs, encarando um caixão preto que estava aberto. Eu não entrei na sala para olhar, nunca gostei dessas coisas.

Durante o enterro, começou a chover. Eu me mantive perto das meninas, enquanto Louis e suas irmãs choravam juntos. Tinha muita dor em um lugar só. Parentes, amigos, conhecidos, todos estavam lá para prestar as últimas homenagens. Eu me sentia uma estranha.

Ele não tentou abrir o guarda-chuva. Pegou uma rosa vermelha e colocou em cima do caixão.

- Eu te amo, mãe. Descanse em paz.

Ele abraçou a mais velha das irmãs, enquanto as outras também depositavam flores. Todos disseram palavras bonitas e colocaram uma flor em cima do caixão fechado. Todos. Os meninos não aguentaram segurar as lágrimas, e nem as meninas. Eu era a única “de pé”.

- Mar, vai lá. – Liam sussurrou pra mim. Seus olhos estavam vermelhos.

- Não, Liam. Eu não trouxe nenhuma flor e nem nada. Acho que isso é mais para a família.

- Deixe de ser boba. Louis ia gostar que você também prestasse uma homenagem a ela. Vai lá.

Ele me incentivou com um aceno de cabeça e eu fui até uma floricultura que tinha ali do lado. Todos depositaram uma rosa vermelha, mas na loja só haviam rosas brancas, então comprei uma.

Quando voltei, Liam me lançou um olhar de incentivo e eu fui até o caixão. Abaixei o guarda-chuva e deixei que as gotas escorressem pelo meu rosto. Depositei a rosa no meio das outras. Era a única branca ali. Era como se fosse uma luz, algum tipo de esperança, onde só se via sangue. Sussurrei algumas palavras.

- Eu não te conheci, mas preciso te agradecer por algo. Obrigada por ter trazido Louis a esse mundo. Vou ser eternamente grata à você. Descanse em paz.

Então, finalmente deixei as lágrimas se misturarem às gotas de chuva enquanto eles baixavam o caixão. Disse às meninas que não estava me sentindo bem e saí dali.

Me sentei em um dos bancos de pedra perto da saída e fiquei lá pelo que me pareceram horas. Não era justo. Uma mulher tão boa, tão pura, como Louis tinha me contado, partir assim. Como o pai dele pôde? Uma mulher que para todos era um anjo. Agora ela seria realmente um anjo, olhando por Louis e suas irmãs do alto, de longe.

Fiquei ali chorando e me perguntando o porquê de coisas ruins acontecerem com pessoas tão boas, quando senti alguém se sentando ao meu lado.

- Olha, pra quem não a conhecia, acho que você ficou realmente abalada.

Levantei a cabeça para encarar o rosto de Louis. Seu olhos estavam vermelhos e seu rosto marcado, mas ele tentou dar um leve sorriso. Sequei as lágrimas.

- É só que... não estou acostumada com essas coisas. Sei que é ainda mais difícil pra você.

Ele fechou os olhos e levantou a cabeça para o céu, sentindo a brisa. Tinha parado de chover. Ficamos em silêncio por um tempo, até que Louis abriu os olhos novamente, ainda olhando para o céu, e disse:

- Não vou me acostumar fácil com a falta que ela vai fazer. Vou me culpar a vida inteira por não ter dito a ela um último adeus, por não ter dado um último abraço. Mas, faz parte da vida. A única certeza que temos é de que vamos morrer e de que, mais cedo ou mais tarde, as pessoas vão te deixar.

Fiquei em silêncio. Louis voltou os olhos pra mim, se levantou e estendeu a mão.

- Vem, tem alguém que eu quero que você conheça.

Ele me levou de volta para o local onde sua mãe estava sendo enterrada e chegou perto de suas irmãs.

- Marleine, essas são Charlotte, Felicity, Phoebe e Daisy, minhas irmãs. Meninas, Marleine é minha amiga.

Eu abracei cada uma delas e disse que sentia muito pela mãe delas. Phoebe e Daisy ainda eram muito novas. Lembrei de Gabi na hora. Elas deviam ter apenas uns 3 ou 4 anos a mais do que quando ela perdeu o pai. Seria doloroso para cada um deles, dali em diante.

As últimas homenagens foram prestadas e Charlotte se virou para Louis, ainda chorando.

- Lou, não quer passar esses dias conosco? Sentimos sua falta.

- Acho melhor não, Lottie. Depois de tudo isso, tudo o que eu mais quero é ficar com a família, mas eu não vou suportar ficar naquela casa sabendo que ela não vai estar lá. Vocês vão ficar bem sozinhas?

- A nossa vizinha, a senhora Jackson, disse que vai nos ajudar em tudo o que precisarmos daqui pra frente.

- Então, eu vou pra casa, Lottie. Vou voltar pra visitá-las todo mês.

Eles se despediram com um longo e demorado abraço e nós partimos. A viagem de volta, em nada foi diferente da ida. Silêncio, a mão de Louis entralaçada na minha e mais silêncio.

Assim que chegamos em casa, Liam, Niall e as meninas foram tomar um banho e trocar de roupa. Eu fui com Louis até o quarto dele. Ele se jogou na cama e eu me sentei ao lado dele.

- Você está bem? – pergunta estúpida, é claro que ele não estava bem.

- Vou ficar. – ele se apoiou em um dos cotovelos e olhou pra mim – Muito obrigado, Mar. De verdade. Você provou ser uma ótima amiga. É bom saber com quem eu posso contar nos momentos difíceis.

- Não só nos difíceis. – eu tentei sorrir.

Louis deu um sorriso fraco e deitou no meu colo. Eu fiz carinho em seus cabelos enquanto algumas lágrimas silenciosas ainda escorriam pelo rosto dele. Os próximos dias não seriam fáceis.

- Vou explicar ao diretor o que aconteceu. Ele vai deixar que você fique em casa pelo resto da semana.

- Obrigado, Mar.

Ele segurou a mão que estava mexendo em seus cabelos e se virou pra me olhar nos olhos.

- Você acabou se mostrando uma garota muito diferente da que eu conheci no primeiro dia de aula.

- Você também. E eu fico feliz por isso.

Ficamos em silêncio por um tempo, até que eu me lembrei de algo.

- Louis, eu te prometi que estaria sempre ao seu lado e agora quero que você me prometa algo também.

- O que você quiser.

- Quero que você me prometa que vai parar de beber.

Ele respirou fundo e demorou pra responder.

- Mar, não posso garantir nada.

- Louis, olha pra mim – ele se levantou – Não quero que você seja igual ao seu pai e sei que nem você quer. Pelo menos me prometa que vai tentar.

- Tudo bem. Eu vou tentar. Por você, apenas.

Eu assenti e olhei no relógio.

- Preciso ir. Vou tomar um banho e pensar melhor no que aconteceu. Vou deixar você descansar também. Se precisar de mim, é só me chamar, tá?

- Obrigado mais uma vez, Mar.

Ele me abraçou forte e beijou minha bochecha.

...

Era perto das onze da noite, mas eu não conseguia dormir. Era muita coisa pra pensar, muita coisa acontecendo de uma vez só. Em um momento Louis estava sorrindo e no outro parecia que eu nunca mais voltaria a ver seu sorriso. Não estava com vontade de ir à escola no dia seguinte, então tinha pedido pra Victória que explicasse tudo ao diretor.

Eu tinha pegado as garrafas de vodka de Louis e colocado a bebida em uma garrafa de água, para que ninguém desconfiasse. Coloquei as 3 garrafas em um frigobar que tinha comprado especialmente pra isso, pra ajudar Louis. Elas estavam no meu quarto agora, para que ninguém mexesse, ao meu lado, e pela primeira vez me senti do jeito que Louis se sentiria. Só alguns goles e eu poderia apagar por um bom tempo, esquecer dos problemas, da dor.

Fiquei nesse conflito interno até que decidi me virar e ir dormir. Não valia a pena. Estava quase pegando no sono quando meu celular tocou. Atendi sem olhar no visor.

- Alô?

- Tá acordada?

Era a voz de Louis.

- Sim.

- Então, abre a porta pra mim.

Não entendi direito o que ele quis dizer, mas fui abrir a porta. Ele estava parado com a cabeça baixa.

- Louis? O que está fazendo aqui?

- Você disse pra eu te chamar caso precisasse de você. Bom, acho que eu preciso.

Dei espaço pra que ele entrasse e tranquei a porta novamente.

- O que aconteceu? – perguntei me virando pra encará-lo

- Não tava aguentando ficar sozinho. Não queria acordar Liam e Niall, acho que eles não... me entenderiam. Talvez até entendessem, mas é mais fácil pra mim passar um tempo com você.

Eu respirei fundo.

- Então... você quer conversar? – perguntei

- Não exatamente. É só que... se eu falar sobre esse assunto de novo, eu vou ficar mal, você vai ficar mal e isso é a última coisa que eu quero no momento. Eu só queria esquecer essa história toda, pelo menos essa noite. Você pode me ajudar?

Eu sorri.

- Por favor, Louis, você está falando com a rainha da diversão.

Ele riu.

- Você não existe, sabia?

Puxei Louis pelo braço e nós fomos até a cozinha.

- Então, quer comer alguma coisa? Pipoca, pizza, hamburguer?

- Por favor, Marleine. Eu não sou o Niall.

- Vamos comer hamburguer, então. – eu disse ignorando o comentário.

Depois de um tempo, nós estávamos de volta na sala, comendo hamburguer e assistindo Grease – Nos Tempos Da Brilhantina.

- Sabe, não entendo porque as coisas não podem ser assim. – ele disse

- Assim como?

- Tão fáceis. Sabe, um lugar onde o a única preocupação é entre manter as aparências ou ficar com a garota que você ama.

Ele respirou fundo e focou os olhos em um ponto qualquer. Eu pressenti que ele ia ficar mal de novo e aproveitei que Danny tinha começado a cantar “Summer loving had me a blast”.

Eu me levantei de repente e continuei a música junto com a Sandy:

- Summer loving happened so fast.

Louis desviou o olhar pra mim e levantou uma sobrancelha, como quem diz “o que você está fazendo?”. Danny voltou a cantar “I met a girl crazy for me”.

Eu continuei, começando a dançar:

- Met a boy cute as can be.

Louis riu.

- Summer days drifting away, to oh oh the summer nights.

Louis se levantou e começou a cantar também.

- Well-a well-a well-a huh / Tell me more, tell me more / Did you get very far?

Eu terminei:

- Tell me more, tell me more / Like does he have a car?

Ficamos cantando, dançando e dando risada, até que Louis teve a brilhante ideia de fingir que eu ía cair pra depois me segurar. É claro que não deu certo, e eu acabei caindo no chão com Louis em cima de mim.

Nós somos dois retardados, então simplesmente não conseguíamos para de rir, mesmo depois do tombo. Ele saiu de cima de mim e se jogou no chão ao meu lado, ainda rindo.

Aos poucos a crise de riso foi passando e eu me virei para encará-lo, assim como ele. Nos entreolhamos, ainda sorrindo um pro outro e eu disse:

- É muito bom ouvir sua risada.

- É melhor ainda saber que ainda existem pessoas que me fazem rir.

Eu sorri.

- Acho que nós já dissemos algo assim.

- É, eu também.

Nós rimos de novo e Louis me ajudou a levantar.

- Mar, acho que eu vou voltar pra casa. Já tá ficando tarde e você tem que acordar cedo amanhã.

- Sem problemas, eu não vou pra escola. Não tô com vontade.

- Bom, já que é assim, vou ficar mais um pouco.

Ele se jogou no sofá.

- Aaaaaaaah, folgado.

- É brincadeira, eu vou embora mesmo. – ele se levantou – Obrigado mesmo, Mar. Eu tô muito melhor agora.

Ele me abraçou muito forte, muito forte mesmo, e depois disse com a voz abafada pelo abraço:

- Obrigado por estar comigo nessa hora.

- Não só agora, Lou. Sempre.

Ele me soltou e me deu um beijo na testa. Com um último sorriso de agradecimento, ele saiu porta afora e eu subi para o meu quarto.

Demorei muito tempo pra dormir, pra falar a verdade. O motivo? Tirem suas próprias conclusões.



Notas finais
AINDA ESTÃO AÍ? D: deixem um review pra eu ficar feliz (: POR FAVOR.