Same Old Games
21 I'm so sorry, I'm so confused...
Notas iniciais
PDV Leticia
Todos nós ficamos profundamente abalados com a morte da mãe do Louis. Eu nunca falei com ela, mas perder uma mãe é algo realmente difícil. Ele não apareceu na escola por uma semana e eu não o culpo, acho que era melhor que ele ficasse sozinho.
Duas semanas já haviam se passado, e graças a Deus ele estava bem melhor. É claro que ele sempre iria sentir falta dela, mas já havia superado, eu acho. Tinha voltado a ser o mesmo Louis de antes.
– Sinto que me ferrei profundamente. – Niall me disse enquanto saíamos da aula de física, depois da primeira prova do bimestre.
– Por que?
– Porque eu odeio física. Isso não devia existir, eu vou simplesmente me ferrar. Sem contar que nós ainda temos mais 10 provas pela frente.
Eu só pude rir, quando de repente me choquei contra alguma coisa e meus livros caíram pelo chão.
– OLHA POR ONDE ANDA, IMBEC... ah, oi, Zayn.
– Desculpa, Leticia, não vi você. – ele disse me entregando os livros – Você está bem?
– Anh, sim e você?
– Também.
– Xii, tô saindo. – Niall disse, virando as costas e andando.
– E então, como foi na prova? – ele me perguntou enquanto andávamos.
– Acho que fui bem, e você?
– Dá pra passar.
Nós saímos da escola, porque sempre éramos liberados após as provas, e vimos um grande aglomerado de pessoas em um canto.
– O que será que é aquilo? – Zayn perguntou e nós enfrentamos a neve até lá.
Louis e Victória estavam lá, então eu perguntei:
– Lou, o que é isso?
– Ótima pergunta. Eu queria ver, mas tá meio impossível no momento.
Com o tempo, as pessoas começaram a sair e nós conseguimos ver o motivo da confusão. Era um cartaz pregado na parede que dizia “Show de Talentos”. Abaixo, estavam os detalhes de como se inscrever e um suporte com o panfleto do regulamento.
– Show de talentos? Vocês tem isso? – Victória perguntou
– Pra falar a verdade, é uma novidade. – Louis respondeu.
Eu me virei para Zayn:
– Você poderia se inscrever.
– Do que você tá falando? – ele disse com uma expressão confusa.
– Ah, fala sério. Vai me dizer que não canta bem, depois daquele show com o Black Eyed Peas?
– Não foi um show, foi uma breve apresentação. E eu não acho que seja o caso.
– Zayn, você se apresentou na frente de milhares de pessoas.
– Pessoas que eu não conhecia. Se apresentar na frente de amigos da escola é diferente. Muito diferente.
Eu peguei um folheto e entreguei pra ele.
– Pelo menos me promete que vai pensar no assunto.
Ele revirou os olhos e pegou o folheto.
– Eu prometo.
Eu sorri.
– Agora, vamos sair daqui antes que nos esmaguem. – Victória disse e nós saímos do caminho.
Encontramos com o resto do pessoal, que já sabia da novidade, mas não estavam muito animados em participar. Os meninos até tinham certo interesse, mas como a apresentação seria apenas no fim do ano, nós decidimos não pensar muito nisso.
Tínhamos combinado de ir patinar com Harry e Natália. Marleine e Louis tinham dever de casa e os outros dois casais, bom... você já sabe.
A nevasca estava começando a piorar, o que era um bom sinal para o nosso programa de patinação, então eu fui pra casa com a Nath para nos arrumarmos e depois os meninos passariam lá.
Eu estava me olhando no espelho, ajeitando os últimos retoques da maquiagem fraca, quando Naty disse.
– Que fofo. Quem te deu?
Olhei pra ela pelo espelho pra ver do que estava falando e deparei com minha amiga segurando o cachorro de pelúcia que eu tinha ganhado de presente.
– Ah, foi o Zayn. – eu me virei indo até ela.
– Que bonitinho. – ela sorriu – E, falando no Zayn... como vão as coisas com ele?
– Vão bem. Nós estamos curtindo bastante esse tempo de amizade, sabe? Tenho me divertido muito mais agora que parei pra conhecê-lo por quem ele realmente é e não pelo o que os outros falam.
– Mas e ele? Já disse algo sobre querer voltar as coisas como eram antes ou...
– Não. E eu até acho melhor assim, sabe? É meio estranho pensar que nós ficamos tantas vezes e nem sequer tínhamos parado pra conversar direito. Não sei, Nath, e nem gosto de pensar muito nisso. Acho que algo maior entre nós agora simplesmente, sei lá... estragaria tudo.
– Eu entendo. Me desculpa a pergunta, é só que... bem, você sabe. Você é minha melhor amiga, o Zayn é meu melhor amigo. Se as coisas ficarem feias entre os dois, eu vou me sentir meio perdida.
– Não se preocupa, Nath. Eu nunca te deixaria em uma situação dessas, pode ficar tranquila.
Nós nos abraçamos rapidamente e eu ouvi uma buzina lá embaixo.
– É o Harry. – Nath disse – Vamos?
– Vamos.
Bati um pouco o casaco pra tirar qualquer vestígio de poeira que pudesse ter ficado ali enquanto Natália ajeitava a touca. Após termos ficado totalmente prontas, descemos as escadas e saímos para a nevasca lá fora. Eu quase congelei no caminho do portão para o carro.
Nós entramos e fechamos a porta rapidamente. Harry estava dirigindo e Zayn estava no banco do passageiro.
– Espero que vocês saibam que nós vamos patinar e não à um desfile de moda. – Harry disse dando partida no carro.
– Haha, muito engraçado, Styles. – eu disse
A pista ficava a mais ou menos uma hora dali, então nós fomos conversando durante o caminho.
– Você ouviu falar sobre o show de talentos, Harry? – Nath perguntou
– Sim. Eu estava pensando em me inscrever, sabe?
– Show de talentos? Você? – eu ri – E desde quando você canta?
– Eu não canto pra todo mundo ouvir em qualquer lugar, ô esperta. Mas, eu sei cantar. O problema é que eu não queria me apresentar sozinho. Acho meio chato, sabe?
– Se apresenta com o Zayn. – eu disse antes que pudesse me conter
– Ah, nem vem. – Zayn protestou – Já disse que não gosto de palco.
– Você cantou com o Black Eyed Peas em um parque de diversões. – nós três falamos juntos.
– Mas, é diferente. Eu já te expliquei porque, Leticia.
– Mas, disse que ia pensar.
– E eu vou, mas não quero falar sobre isso agora. O show é só no final do ano, após o final das aulas. E não se esqueçam que ainda temos a viagem pra Paris nas férias. Prefiro pensar nisso.
– Você não vai escapar dessa, Malik.
Nós chegamos ao local de patinação e nos sentamos nos bancos ao redor da pista pra colocarmos os patins que tínhamos levado de casa.
– Anh... vão na frente. Eu encontro vocês depois. – Natália disse
– Tem certeza? – Zayn perguntou
– Tenho, podem ir.
Harry decidiu ficar pra trás, para ver qual era o problema, então eu e Zayn entramos na pista e começamos a patinar. Estava quase vazia, pra falar a verdade, já que era segunda-feira e quase ninguém queria sair de casa no inverno. Apenas alguns casais patinavam por ali.
Depois de um tempo, Zayn se aproximou e começou a conversar comigo:
– E então, ansiosa para a viagem à Paris?
– Eu nem estava lembrando disso, pra ser sincera. Estava ocupada pensando em como seria a sua linda voz naquele anfiteatro da escola.
– Leticia, não começa. – ele desviou o olhar.
Eu desviei e parei de frente pra ele. Zayn quase trombou em mim, mas conseguiu parar.
– Zayn, você precisa tentar. É ótimo no basquete, todos sabemos disso, mas também canta muito bem. E algo assim precisa ser mostrado. Você não pode ter futuro como capitão de time de basquete.
– E você acha que eu posso ter futuro como cantor? – ele disse sarcástico.
– Acho. – finalizei séria.
Ele olhou nos meus olhos e eu sustentei seu olhar.
– Você não pode me forçar a fazer isso.
Eu relaxei a postura.
– Ah, qual é, Zayn? Pensa bem: sua voz é maravilhosa e você já fez uma pequena apresentação com o Black Eyed Peas, isso pode te dar muito crédito no futuro. Sem falar que eles sempre levam “caça talentos” nas apresentações da escola. Lembra dos meninos que formaram o JLS? Eles ficaram famosos, meu bem.
– Você fala como se eu realmente quisesse seguir carreira de cantor.
– E você não quer?
Ele não respondeu. Eu sabia que Zayn gostava de cantar. Ele já tinha feito apresentações em pubs e bares quando precisava ganhar dinheiro pra comprar algo que realmente queria.
– E então?
Eu ergui as sobrancelhas, procurando por seus olhos. Ele olhou pra mim e eu ergui as sobrancelhas mais uma vez, esperando por uma resposta. Ele revirou os olhos e sorriu.
– Tudo bem, mas só porque você pediu.
Eu sorri, bati palmas e pulei em seu pescoço.
– Você não vai se arrepender, eu prometo.
– É, eu espero que não... Anh, Leticia?
– Hm?
– Já pode me soltar agora.
Percebi que ainda estávamos abraçados e larguei Zayn na hora, sentindo meu rosto quente, apesar do frio.
– O que eu não faço por você, hein? – ele perguntou
Eu mostrei a língua e nós voltamos a patinar.
– Cadê o Harry e a Natália, hein? – eu disse olhando pra trás, para procurá-los.
– Eles já vem. Enquanto isso, você vai patinar comigo.
Zayn me pegou pela mão e me fez dar uma pirueta, pra depois cair em seus braços. Eu ri e levantei. Ficamos patinando de mãos dadas, praticamente dançando, enquanto os outros casais paravam pra nos olhar.
Eu estava muito feliz e me sentindo muito bem, até que bati em algo e nós dois caímos no gelo.
PDV Natália
Você provavelmente vai me achar muito idiota, estúpida, imbecil e burra, mas... eu não sei patinar.
Tá legal, você deve estar pensando “Por que foi com eles, então?”, a resposta é que nem eu sei. Quando vi já tinha falado que ia e só depois percebi que nunca tinha patinado na vida e é claro que eu não ia furar com o Harry, afinal ele estava sendo muito legal comigo ultimamente.
Pedi pra eles irem na frente, na falsa esperança de que ninguém sentisse minha falta, mas Harry ficou pra trás e se sentou ao meu lado.
– O que aconteceu? – ele perguntou preocupado.
– Nada, é só que...
– Que...?
– Eu não sei patinar. Pronto, falei.
Ele riu, riu mesmo.
– O que?
– Eu não sei patinar, Harry. Ok, pode rir, “haha, a Natália não sabe patinar”.
– Mas... por que você não disse?
– Ah, sei lá. Eu não queria que você cancelasse tudo por minha causa e muito menos que ficasse de vela no meio do Zayn e da Leticia.
Ele riu e deu um tapa na minha cabeça.
– Nossa, Natália, você é muito burrinha. – ele se levantou e estendeu a mão – Vem, eu vou te ajudar.
– Harry, eu não acho uma boa id...
– Vem logo.
Ele me puxou pelo braço e eu fui forçada a levantar, segurando em seu pescoço pra não cair. Momentos assim, em que Harry e eu ficávamos frente a frente, já tinham virado rotina, então eu nem ficava envergonhada mais.
Ele segurou minha mão e me levou até a beira da pista. Só Deus sabe como eu consegui chegar até lá com aqueles patins.
– Harry...
Ele segurou minha mão e olhou nos meus olhos.
– Calma, eu não vou deixar você cair.
Eu respirei fundo e dei um passo. Bom, pelo menos eu tentei, porque minha perna escorregou e não queria parar mais. Eu ia levar um belo de um tombo se Harry não tivesse segurado em minha cintura por trás.
– Calma, eu tô aqui.
– Harry, eu posso ir pra casa?
Ele riu e encostou o queixo no meu ombro.
– Você não vai pra casa até aprender a andar de patins, acredite.
Eu revirei os olhos e bufei.
– Não adianta, Harry, eu nunca vou aprender a usar esse negócio.
– Ah, você vai sim. Eu vou andar e você faz o mesmo, ok? Tipo... tipo, como se você fosse minha sombra. Eu vou te segurar o tempo todo, é só pegar o impulso das minhas pernas.
– Não tô gostando dessa ideia.
– Você confia em mim?
Eu me virei para olhar em seus olhos. Eu não disse nada, então Harry levantou as sobrancelhas.
– Confio.
Ele segurou em minha cintura e me puxou pra mais perto dele. Depois, ele deu um passo lentamente para a direita e eu fiz o mesmo. Até que não foi tão ruim. Três passos depois e eu já tinha pegado o jeito.
– Viu? Tá patinando. – Harry sussurrou em meu ouvido.
Depois de eu ter “aprendido”, Harry entrelaçou seus braços em minha cintura e colocou a cabeça no meu ombro, como se fôssemos um casal normal. Casal. Essa palavra parecia tão boa no momento, mas ao mesmo tempo, tão distante.
Ficamos patinando por um tempo, até que nossos olhares se encontraram.
Se algum dia meu coração pudesse parar de bater, com certeza teria sido naquele instante. Os olhos verdes de Harry me deixaram paralisada. Ele desviou os olhos para a minha boca involuntariamente e eu fiz o mesmo. Por que ele precisava ter lábios tão lindos?
Ali estava eu, depois de tanta resistência, prestes a beijar Harry Styles. Mas, quer saber? Eu não me importava mais. Era isso que eu queria.
Nós fomos chegando mais perto até que...
BAM!
Nós batemos em alguém e caímos no chão. Os quatro. Espera, os quatro?
– Tinha que ser a Natália. – Leticia resmungou
– Eu? A culpa é sua se não me viu.
– Ai. – Harry disse colocando as mãos na cabeça.
Ele e Zayn se levantaram e nos ajudaram.
– Bom, acho que chega de patinar por hoje. – Zayn disse rindo.
– Acho que eu vou pra casa, então. – Leticia disse – Prova de química. Já viram, né?
– Vamos todos, então. – Zayn disse.
Eu ia aceitar a proposta, mas Harry foi mais rápido.
– Zayn, pega o carro e leva a Le, tá? Eu quero ficar mais um tempinho com a Nath.
– Você que sabe.
Nós saímos da pista e colocamos os tênis novamente. Zayn e Leticia foram embora, então eu me virei pra Harry e ergui uma sobrancelha.
– Quer um café? – ele perguntou
Como estava muito frio, eu não recusei. Nós andamos um pouco e chegamos a uma Starbucks. Pedi um café caramelado e Harry pediu um cappucino. Nos sentamos em uma mesa ao lado da janela, onde tínhamos vista privilegiada da neve que caía lá fora. Olhando ali de dentro, onde tudo estava quentinho e aconchegante, a visão dos flocos de neve caindo nunca pareceu mais bonita.
Nossos pedidos chegaram. Eu tomei um gole do meu café e perguntei a Harry:
– E então, por que me trouxe aqui?
– Ah, está frio. Eu só pensei que você quisesse se esquentar um pouco depois de ter caído de bunda no gelo.
Eu olhei pra ele com uma cara emburrada e ele riu. Já falei que a risada do Harry é muito gostosa?
– Pode parar de rir e falar sério, por favor?
– Eu só queria passar um tempo com você.
– Harry...
– É tão difícil assim acreditar em mim?
– É.
– Por que?
Eu não respondi. Abaixei a cabeça e tomei mais um gole do meu café.
– Por que, Natália?
– Por nada. É que da última vez que você me chamou pra sair... você tinha algo a dizer.
Eu não queria tocar naquele assunto, porque ainda estava confusa o bastante, mas eu precisava saber o que se passava na cabeça de Harry. Precisava saber se ele ainda tentava entender se queria algo comigo ou se, naquele momento, nós éramos apenas bons amigos e sempre seríamos.
Ele respirou fundo.
– Você pensou no que eu te disse?
– Sim, mas não tenho nada a te dizer.
– Como assim, não tem nada a me dizer?
– Harry, eu não sei. Quer dizer, você viu o que aconteceu na pista agora a pouco. A gente quase... nós quase...
– Nos beijamos? – ele terminou – Por que é tão difícil dizer isso?
– Não é.
– Mas, você gaguejou.
Eu fiquei quieta.
– Qual é, Nath? Por que esse medo todo? Eu não pretendo beijar você e depois te largar por aí. Você é minha amiga agora e eu estou gostando muito disso.
– É exatamente por isso, Harry. Eu sou sua amiga agora. E se nós tivéssemos nos beijado e isso tivesse estragado tudo?
– Estragado tudo, o quê?
– Eu não sei. Foi você quem disse que queria minha amizade antes de saber se gostava de mim ou não. E se você não gostar?
– Sabe qual é o problema? É que eu não sei o que você sente. Eu fiz de tudo pra me aproximar de você nessas últimas semanas. De tudo, Natália. E eu gostei de cada momento. Se eu fechar os olhos, posso lembrar de cada detalhe, mas e você? Eu não posso tomar uma decisão, não posso saber o que eu quero, se eu não sei a sua opinião.
– Por que você precisa da minha opinião? São os seus sentimentos. Eu não posso influenciá-los. Eu posso falar que não gosto de você e te magoar, tanto como posso dizer que gosto de você, quando você não gosta de mim. O que você faria, então? Ficaria comigo por pena.
– E qual das duas opções é verdadeira?
– Eu não sei.
Harry levantou as mãos.
– Está fugindo de novo.
– Fugindo do quê? – perguntei perplexa.
– Você tem medo de se apaixonar, Nath. Eu não sei por quê, mas você tem. Não estou pedindo que fique apaixonada por mim, só quero uma resposta. O problema é que você não quer pensar nessa resposta porque tem medo. Tem medo de que eu seja o mesmo Harry Styles cafajeste de sempre, se disser que sente algo por mim. Assim como tem medo de perder minha amizade se disser que não sente.
Eu o encarei, totalmente perplexa. Era como se Harry tivesse lido minha alma, minha mente, meus sentimentos. Ele jogou na minha cara tudo o que eu não tinha entendido até agora, e com certeza não foi fácil de aceitar. O que tinha acontecido com a menina da pista de patinação que não ia se importar em quebrar a cara?
– Harry, me leva pra casa, por favor?
– Mas...
– Eu prometo que vou pensar. Não vou te deixar sem uma resposta dessa vez. Eu prometo.
Olhei em seus olhos por um instante e ele concordou.
Harry foi até o caixa pagar a conta e depois me abraçou para enfrentarmos o frio. O clima ainda estava estranho entre nós, quando entramos no táxi. Ele parecia arrependido de ter jogado aquelas coisas na minha cara e eu estava surpresa pelo repentino choque de realidade.
Durante o caminho, eu fiquei apenas encarando a neve caindo pela janela, sem dizer uma palavra. Até que Harry me puxou pra perto delicadamente e me abraçou, encostando minha cabeça em seu peito. Ele fez carinho nos meus cabelos e disse baixo, para que apenas eu escutasse:
– Me desculpa. Não quero que se sinta pressionada a nada, Nath. É que... essa dúvida, essa bagunça toda. Isso está me matando.
– Não. Sou eu quem te deve desculpas, Harry. Não quero que você sinta como se eu não me importasse, nada disso. Quero que você saiba que cada coisa que você preparou pra mim até agora, foi perfeita. Eu penso nessas últimas semanas, todo dia, acredite.
O táxi parou em frente à minha casa e nós descemos. Harry me abraçou forte e eu fechei os olhos. Queria pedir desculpas e dizer que nunca queria perdê-lo, mas não consegui. As palavras ficaram entaladas na minha garganta.
– Até amanhã, Harry. – foi tudo que eu consegui dizer.
Ele me soltou e eu dei as costas. Tudo o que eu queria era entrar em casa, deitar na minha cama e ouvir música alta até pegar no sono, mas Harry me puxou pela mão e me deu um último abraço, beijando demoradamente um ponto entre o canto da minha boca e minha bochecha.
Fechei os olhos pra tentar aproveitar o melhor do momento. Quando eu tomasse minha decisão, pode ser que momentos assim não existissem mais. Harry me abraçou forte e mordeu meu pescoço de leve, o beijando em seguida.
– Pensa direito, tá? Eu vou esperar pela sua resposta, mas não demore muito. Pode ser que eu perca a cabeça em alguma festa qualquer.
Nós rimos e ele entrou no táxi novamente. Naquele momento, nem passava pela minha cabeça (e nem pela dele) que aquela frase fosse fazer sentido futuramente.
Fale com o autor