Sam
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Vemo-nos novamente nas notas finais.
Ao chegar em casa naquela manhã terminei de guardar minhas coisas colocando alguns livros em minha mochila junto com o notebook e um álbum de fotografias meio antigo.
Almoçamos todos juntos e o silencio que brotava no local pela primeira vez em muito tempo não me incomodara, estava pronta para ir, estava afim de ir, para o mais longe possível daquela família problemática a qual eu tenho certeza, não pertenço.
-Vamos Sammy? –perguntou meu pai alguns minutos após eu ter me jogado no sofá da sala e começado a passar pelos canais da TV sem interesse algum nos programas que passavam no horário.
-Vamos Samuel. –disse eu ao levantar-me do sofá e bagunçar um pouco mais os fios loiros e curtos que eu utilizava já há algum tempo naquele comprimento.
Enquanto eu assistia a TV ele deve ter colocado as malas no carro, pois não encontrei nenhuma ao entrar no quarto para busca-las.
-Suas coisas foram enviadas de avião para a nova escola hoje de manhã, Mary enviou para nós. –disse Samuel ao aparecer atrás de mim na porta.
-Certo, então vamos, não vejo a hora de pegar o avião e poder dormir. –disse ao ajeitar a mochila nas costas.
-O único problema é que não iremos de avião. Sammy, nós iremos de carro, sua nova escola fica só a sete horas de viagem daqui e precisamos de um tempo só nosso, como tínhamos quando você era menor.
-Então tá, contanto que eu possa dormir ou ler em paz, eu não ligo pra como vamos. –disse passando por ele e indo em direção ao carro.
Ao adentrar o automóvel pela porta do carona logo tratei de colocar minha mochila sobre o banco traseiro e ligar o Ipod em volume alto o suficiente para deixar de ser capaz de ouvir tudo que meu pai dizia, provavelmente seriam apenas recomendações sobre como me portar lá e sinceramente, eu já havia ouvido aquilo no mínimo 30 vezes desde a primeira vez que fui até um prédio destinado a educação -sim, isso significa que já fui expulsa de creches e escolas infantis também-.
-"Hey, keep on rolling Baby I want to explode
Oh yes, need you darling with the growling exhaust note
A love addict Come light my fire
A love addict I'm already a love addict
Yeah! Just free your mind Yeah! Let's get it on now
Yeah! Just free your mind Yeah! Let's get it on now" -animada, eu cantava Love Addict, da banda Vamps enquanto ouvia a maravilhosa voz de Hyde, o vocalista, que ressoava em meus ouvidos quando passou a ser bem mais baixa por meus fones terem sido arrancados de mim com um puxão brusco por parte de meu pai.
-Samantha Owen. -gritou o loiro de 34 anos que eu chamava de pai após parar o carro em um posto de gasolina em ponto desconhecido, por mim, do trajeto que faríamos até a "escola".
-O que houve Samuel Owen? –perguntei ironicamente enquanto colocava, outra vez, os fones de ouvido; diminuindo, porém, o volume dos mesmos.
-Você vai ficar em um internato, desta vez é diferente. Poderia ao menos fingir que se importa em ficar tanto tempo longe de sua família.
Virei-me para o homem com um sorriso de escarnio no rosto deixando a risada melancólica escapar por meus lábios antes de conseguir dizer qualquer coisa.
-Família? Que família Samuel? A que está me mandando pro quinto dos infernos sem se importar com como eu estou em relação a isso? Porque, desculpa-me, mas esta não é minha família.
Ele não sabia o que dizer, fazia meses que não conversávamos direito, depois que Richard se mudou eu me fechei ainda mais em meu mundinho particular, do qual apenas poucas pessoas participavam e para a felicidade de meus pais, eles não faziam parte destas poucas e desafortunadas pessoas.
-O que vai querer? –dando-se finalmente por vencido ele perguntou ao abrir a porta do carro e ir em direção ao posto de conveniências 24horas.
-Balas e qualquer coisa doce que eu possa beber. –disse ao aumentar o volume da musica voltando a me focar na mesma.
-“I wanna dance the night away with you
I wanna love because you taught me to
I wanna laugh all your tears away
I wanna sing ’cause every single note and word it’s just for you
Hope it’s enough?
I wanna tell you and this is the only way I know
And hope one day you’ll learn the words and say
That you finally see, how I feel” –eu cantava animada um trecho de Notes’n’words –One Ok Rock– quando vi pelo canto do olho Samuel adentrar novamente no veiculo com as sacolas das compras em mãos alcançando-me a maior delas, com uma variedade considerável de doces e algumas latas de refrigerante.
-vamos? -perguntei minutos depois ao notar que o homem continuava com o carro parado.
-Vamos. –disse ele girando a chave e dando a partida.
Seguimos mais algum tempo antes que eu pulasse para o banco de trás e me deitasse dormindo um longo sono.
O restante do caminho foi feito com apenas mais duas paradas, as quais foram intercaladas com minhas sonecas e leituras, sempre regadas a muita musica alta.
Chegamos ao nosso destino já era noite, deviam ser por volta das 22:00 e o internato de aparência não tão acolhedora estava com boa parte de suas luzes acesas. Fomos recepcionados por uma mulher de aparência carrancuda trajada em cores negras, com os cabelos já tingidos de branco dando-lhe sinais da velhice.
-Sejam bem-vindos a nossa escola. –disse a mulher com um sorriso amarelo. –você deve ser Samuel, e esta, Samantha? –disse ao apertar nossas mãos.
-Isso mesmo. –Samuel sorria alegremente, indicando o quão contente estava em me deixar na mão de estranhos.
-Senhor Samuel, não sei se foi informado, mas, devido a reformas na ala feminina Samantha terá de ingressar seu ano nesta escola na ala masculina, conversamos com sua esposa Anne e ela disse que estaria tudo bem. –neste momento um sorriso enorme estampou-se em meu rosto, sem minha família e sem garotas frescas e arrogantes a minha volta, começava a pensar que talvez aquele local fosse o paraíso.
-Sim, fui informado mais cedo, mas como Samantha não é de se sociabilizar muito creio que não haverá muitos problemas. –disse Samuel com um sorriso um tanto quanto patético nos lábios, era triste ver como ele se importava comigo.
-Até mais querida, nos vemos daqui a algumas semanas nas férias de inverno. –disse meu pai ao retirar minha mochila e o restante dos doces do carro e alcança-los para mim.
-Serão alguns meses Samuel, mas nem farei tanta falta assim, não é mesmo? –perguntei irônica.
-Isso, isso. Bem, não importa, tenho de ir agora, comporte-se mocinha. –disse ao dar um beijo no topo de minha cabeça e seguir para o carro logo dando partida e saindo da minha visão.
-Venha Samantha, lhe mostrarei seu quarto e amanhã encarregarei alguém de mostrar-lhe as dependências do Campus. –disse a mulher já seguindo por um dos muitos corredores.
Dobramos algumas vezes, subimos muitas escadas, mas enfim chegamos ao nosso destino. Os andares eram altos, possuindo em torno de 4 metros de altura, o que me deixou um tanto quanto assustada de inicio, mas assim que a mulher abriu a porta de meu quarto eu passei a entender o porque; eram dois andares por quarto, quer dizer, quartos.
Você entrava pela porta e encontrava uma sala de estar de tamanho razoável junto de uma pequena cozinha e uma escadaria que levava para o segundo andar onde possuíam 4 quartos e um banheiro e a julgar pelo que me fora dito eu teria um daqueles apartamentos só para mim.
Abri a porta que me fora indicada e encontrei minhas coisas todas lá, joguei minha mochila no chão e atirei-me na cama espaçosa, sendo logo em seguida deixada sozinha.
Mal cheguei e já peguei no sono, estava cansada. O dia havia sido deveras muito longo.
Notas finais
Bem, era isso. Espero que tenham gostado, porque eu, sinceramente, não gostei do resultado final.
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Kissus&BalasDeCocaComSal
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