Sam

9 .Capítulo 9


Notas iniciais
IMPORTANTE~> LEIAM AS NOTAS FINAIS & NÃO ME MATEM u.u'
Neste capitulo aparecem diversos personagens novos, desculpa por não coloca-los aos poucos, mas como Sammy está em um local totalmente novo achei que seria meio que obrigada a adicionar novos personagens, vários de uma só vez pra que ela se "enturme".
Sem mais delongas, o capitulo:

Acordei deviam ser por volta das 11 horas com meu celular tocando na mochila ao lado da cama. Estranhei de inicio o local onde me encontrava olhando tudo com um quê de curiosidade até que me lembrei de onde estava, o internato.

Assim que me situei peguei o aparelho que já havia parado de tocar vendo no visor 2 novas mensagens e 3 chamadas não atendidas, abri então a primeira mensagem: “Oi Sammy, sou eu, Kate. Vou passar na sua casa as 16:00. Me liga, Bjs.” Cliquei onde dizia “responder” e digitei a seguinte mensagem: “Nee, Kate, não estou mais em casa. Vim pro internato ontem. Mas se quiser ir lá em casa, Blz. Kissu’”

Abri então a segunda mensagem que dizia: “Como estão as coisas irmãzinha? Já esta com saudades de casa? Que pena. Sabia que a mamãe me deixou ficar com o seu quarto até você voltar e suas coisas foram pro porão? A mamãe falou que quer fazer um quarto de hospedes onde é o meu quarto.” Com muita raiva apertei o aparelho entre meus dedos e quase o atirei longe. Mais tarde ligaria para Mary e confirmaria esta história. Ela era a única em quem confiava naquela casa, mesmo que fosse apenas a governanta, ela sempre me tratara melhor que todos os outros, Mary era minha primeira mãe.

Depois de me acalmar fechei a mensagem e fui olhar de quem seriam as três ligações perdidas, toda de um mesmo numero, o qual eu não possuía na agenda do celular.

Apertei o pequeno botãozinho verde que fez com que a chamada se iniciasse, chamou três vezes antes que a vozinha infantil que tanto me cativara nos últimos dias atendesse:

-Sammy?

-Euzinha. –respondi ao deitar-me para trás ficando com as pernas para fora da cama.

-Sabe quem eu sou, né?-perguntou ela com o que juro ter sido uma pontinha de insegurança na voz.

-Deixe-me ver... –fiz-me de desentendida e demorei uns 3 segundos para voltar a falar. –Uma baixinha, com o cabelo curto, olhinhos brilhantes, covinhas adoráveis e o sorriso mais fofo de todo o universo e que também atende pelo nome de Victória Ali. É essa quem você é? –perguntei ouvindo a risada dela do outro lado da linha.

-Yeap. Eu mesma. –disse ela ainda rindo.- o único problema é que a Sammy fica me dando qualidades que eu e todo o universo sabemos não serem minhas.

-Certo, se você diz, devo acreditar. –disse brincando com meus dedos no lençol.

-E então, como é aí? –perguntou ela após algum tempo calada.

-Eu mentiria se dissesse que preferia estar em casa, tem uma sala de estar e uma pequena cozinha no “primeiro andar” e uma escada que leva a 4 quartos de tamanho mediano e um banheiro que eu ainda não fui ver como é. Como a ala feminina esta com alguns cômodos passando por reformas terei um desses apartamentos só pra mim na ala masculina.

-Sammy, você tem praticamente uma casa só pra você. –disse ela mais animada do que eu com isso.

-Exatamente, e pra melhorar, parece que as aulas só vão começar aqui daqui a uma semana.

-Saaaaaaaaaaaaam me leva praí¹? Por favor?

-Te trazer pra cá vai ser meio difícil, mas se quiser, pode vir e eu te escondo na minha mochila pra te trazer até o quarto sem ninguém te ver. –Disse em tom de gozação pelo seu pouco tamanho já até podendo visualizar suas bochechas infladas e o biquinho adoravelmente infantil que ela provavelmente estaria fazendo no momento.

-Muito grande que você é néah² Samantha Owen? –disse ela tentando segurar-se para não rir e manter a pose de enfadada³.

-Ao menos sou maior que você Chibi. –disse rindo e ouvindo logo em seguida sua mascara cair e deixar sua risada gostosa e divertida ser ouvida.

A conversa se seguiu até ouvirmos o grito de sua mãe chamando-lhe para o almoço.

-Bem, você ouviu Sammy, eu tenho que ir almoçar. –disse a pequena com um tom triste na voz.

-Tudo bem, mais tarde você me passa seu e-mail por sms? –perguntei apenas para confirmar.

-Passo sim. Beijos Sammy.

-Beijos Ali, cuide-se.

-Estou apenas indo almoçar, o que de mal pode acontecer-me?

-Um assassino pode entrar pela porta da cozinha e te matar. Um sequestrador pode esconder-se no corredor e levar-te para longe enquanto segue até sua cozinha. Não sei, muitas coisas podem acontecer. –disse falando sério apenas para receber sua risada como resposta, ela achava que eu estava brincando e então tirava sarro4 de minhas paranoias.

-Certo, certo. Cuida-te Samantha.

-Cuidar-me-ei, cuida-te também Victoria. -disse e logo após ela encerrou a ligação.

Sai da cama após o fim da ligação colocando o celular no bolso e seguindo em direção as escadas. Descendo as mesmas encontrei uma mochila e uma pequena mala no sofá, abri ambas futricando antes de identifica-las como de outra pessoa, o que só se sucedeu de fato ao notar que nelas tinham cuecas e alguns poucos acessórios com os quais não me familiarizei.

-colega de quarto, ótimo. –falei com um sorriso irônico. –ao menos não é uma garota.

Caminhei até a pequena cozinha que era separada da sala por uma enorme bancada disposta de alguns bancos altos a sua volta. Abri a geladeira branca retirando de lá uma lata de chá gelado e abri o armário ao lado da mesma retirando de lá um pacote de cereal.

Com o cereal e a lata de chá em mãos segui para a sala sentando em um dos sofás vazios e ligando o aparelho televisivo. Abri a lata sorvendo um pouco de seu liquido enquanto comia os cereais e assistia a algum filme com uma égua branca que passava em algum canal aleatório. Terminei de comer e resolvi ir para o quarto, deixando tudo sobre da bancada.

Estava precisando de um banho e depois iria conhecer a vizinhança e as dependências da escola, separei minha roupa, uma camiseta um tanto quanto larga branca, coturnos negros e um jeans desbotado.

Deixei tudo sobre a cama e segui para o banheiro, com sorte encontraria alguma toalha lá. Dito e feito, abri as gavetas inferiores do armário do banheiro e encontrei diversas toalhas, de banho e de rosto, retirei uma da pilha bem feita com as toalhas enroladas e a joguei por cima do box, liguei o chuveiro regulando a temperatura e a quantidade de agua a cair e então me despi.

Entrei de baixo d’agua e senti meus músculos relaxarem consideravelmente, toda a tensão do dia anterior indo embora junto do liquido incolor que escorria pelo piso indo diretamente para o ralo.

Banhei-me e sai do chuveiro, me enrolei na toalha branca e felpuda que me aguardava repousando sobre o box e comecei a secar-me antes de sair do banheiro.

Com os cabelos molhados ainda respingando agua por todos os lados e a toalha enrolada no corpo, saí do banheiro e entrei em meu quarto vestindo a roupa que estava sobre a cama e em seguida começando a secar o cabelo, o que, para minha sorte, não demorava muito.

Escovei os cabelos e voltei ao banheiro retirando uma das escovas de dente do saquinho lacrado e colocando um pouco do creme dental sobre suas cerdas, escovei os dentes e enxaguei bem a boca guardando a escova no suporte e saindo do banheiro fui logo descer as escadas.

Peguei os três conjuntos de chave que se encontravam pendurados atras da porta e subi até meu quarto, cada conjunto era composto por 4 chaves, duas de fechaduras de portas e duas de gavetas, resolvi testa-las para ver qual era a minha e para a minha surpresa foi a primeira que peguei para testar.

Desci novamente as escadas e coloquei as outras duas no suporte notando que estes eram numerados pela ordem dos quartos “1-2-3-4” não sabendo a ordem tentei lembrar-me dela mas logo desisti e deixei as chaves sobre a mesinha de centro.

Saí do apartamento chaveando a porta atrás de mim e segui rumo as escadas, passei por vários garotos pelo caminho e todos me olhavam com um quê de curiosidade, provavelmente achavam que eu estava a sair do quarto de algum deles, o que me fazia rir.

Já estava quase no andar seguinte, faltavam apenas alguns degraus quando esbarrei em uma cabeleira negra que foi levada ao chão junto de mim amortecendo minha queda.

-Cuidado por onde anda criatura. -falou ele de olhos fechados me empurrando para o lado.

-Cuidado você que fica subindo essas escadas correndo, daqui a pouco bate em alguém de um lugar mais alto e acaba quebrando a coluna. –disse eu me sentando no chão sobre as pernas e resmungando logo em seguida um “o que não seria uma má ideia”.

Ao ver que se tratava de uma “garota” ele logo tratou de se desculpar o que me rendeu uma bela gargalhada. –significa que se eu fosse homem a culpa seria minha, mas já que tenho seios a culpa é sua? Muito bom saber. –disse com meu meio sorriso costumeiro ao conhecer pessoas que me lembrassem mesmo que vagamente a mim mesma. –Samantha, prazer. –disse já de pé estendendo a mão para ele que já estava de olhos abertos mas ainda sentado no mesmo lugar que caiu.

-Robbie. –disse ele apertando minha mão. –O que faz por aqui Samantha?

-Esbarro em desatentos, e você? –perguntei fazendo graça e o puxando para que se erguesse.

-Fico desatento enquanto vou ao meu dormitório. –disse ele seguido de um riso nervoso.

-Seremos vizinhos então. –disse eu pensando um pouco alto.

-Não, não, a ala feminina é do outro lado. –disse Robbie.

-Por isso mesmo. –disse eu me escorando na parede.

-M-mas, você, você é uma garota, certo? –perguntou ele olhando para o pequeno volume em minha camisa na altura dos seios.

-É o que dizem os médicos meu caro Rob –disse eu rindo um pouco de sua confusão.

-Então, seu dormitório, ele não deveria ser do outro lado?

-Deveria, mas estão reformando ele, então, até lá, eu fico por aqui, dormitório –olhei rapidamente no chaveiro- E502, quarto.. –tentei puxar na memoria, mas não consegui. –não sei o numero do meu quarto. Eles são contados a partir do banheiro ou das escadas?

-Pera. Para tudo. Como assim E502? –perguntou ele retirando um molho de chaves iguais as minhas do bolso da calça agarrada que utilizava.

-Sabe, é o que diz na minha chave, sou nova aqui, não leva a mal se eu ainda não sei tudo.

-Não, não é isso, é que, este é o numero do meu apartamento.

-Opa... somos mais que vizinhos então, somos colegas de quarto. –disse eu olhando para ele e sentindo uma leve inquietação por ter mexido em suas coisas mais cedo. –Então, são suas as malas que estavam na sala. Me desculpe Robbie, eu mexi em suas coisas que estavam na sala.

-Tudo bem, não é culpa sua, afinal eles deveriam ter deixado tudo no quarto.

-Bem, nos vemos mais tarde Robbie, preciso achar mais desatentos em quem esbarrar. –falei descendo as escadas mais rapidamente seguindo meu caminho para o hall de entrada dos dormitórios.

Chegando lá encontrei diversas pessoas recebendo das mesmas olhares de curiosidade e inquietude.

Caminhei até um pequeno grupo de garotos com a aparência de nerds, me dava bem com nerds, pois não costumavam me julgar assim como eu não os julgava, digamos que era um favor mutuo que possibilitava nossa convivência em sociedade fora das rodinhas de amizade. Escorei-me numa das pilastras ao lado da grande abertura –algo como uma janela sem vidros- e os cumprimentei com um aceno de cabeça.

-Hey, você, Loirinho de camisa azul. –chamei o que estava virado para mim e me olhava com uma expressão que provavelmente significava “De onde diabos essa doida saiu e porque ela tá falando comigo?”.

-S-sim? –respondeu ele com um olhar assustado o que fez com que os outros dois virassem-se para mim.

Abri um pequeno sorriso e estendi a mão para ele, tentaria ser amigável, nunca se sabe quando se vai precisar de amigos por lugares estranhos. –Samantha Owen.

Ele ajeitou de um modo nervoso os óculos que já se encontravam no lugar e sorriu meio sem graça apertando levemente minha mão. –Gregori Lee, D407.

Indiquei com um movimento de cabeça os dois garotos que estavam inquietos se olhando como se perguntasse o nome de ambos também.

-Russel, Edwin Russel. D407. –Disse todo atrapalhado o ruivinho que usava uma camisa negra de Star Wars.

Apertei sua mão e me virei para o ultimo, esperando por ele que logo começou a falar, olhando baixo para algum ponto fixo no chão. –Elliot Gray, E505.

Conversamos durante algum tempo antes de eu acabar me lembrando de um fato inquietante. Todos estavam dizendo o andar e numero do quarto resolvi então perguntar sobre isso. –Lee?—comecei meio incerta sobre como perguntar a respeito disso.

-Fale Owen. –disse ele se ajeitando melhor no banco que ficava a frente da grande janela.

-Bem, é que, sabe, eu notei uma coisa e queria saber se isso é um habito pra não ficar fazendo papel de idiota. –falei ao colocar uma mecha insistente de cabelo para trás da orelha contando mentalmente os segundos que levaria para ela tornar a cair sobre meus olhos.

-Desembuche Samantha. –falou Edwin, ele era um tanto mais sociável que os outros dois e logo nos tornamos mais íntimos.

-É... um habito... aqui... –voltei a falar sem saber direito como perguntar, era algo simples, mas talvez eu estivesse fazendo papel de idiota e sabe como é né? Eu não queria parecer uma idiota logo na frente das únicas pessoas com quem eu provavelmente conviveria no local.

-O que? –perguntou Elliot que parecia ter desgrudado finalmente da tela de seu game inquieto com minha repentina mudança de comportamento.

-Eu queria saber se é um habito dizer o numero e o andar do apartamento de vocês quando se apresentam. É porque eu sou nova aqui e não sei como as coisas funcionam, ou se eu tenho que dizer se moro na ala masculina ou feminina. É tudo tão confuso e eu não quero perguntar isso para o Robbie, afinal eu mal o conheço e só falei com ele no corredor uma vez por ter esbarrado nele além de ele ser meu colega de quarto. –disse tudo de uma vez sem parar para respirar e espero que eles tenham entendido porque sinceramente eu não gostaria de ter de reformular essa frase de novo, eu mal lembro o que eu disse.

-Primeiro –Começou Gregori –Sim. É um habito, para o acas de precisarmos encontrar a pessoa sabermos onde ir.

-Segundo –Foi a vez de Elliot –Pode se sentir a vontade para perguntar o que quiser para nós, e como é inicio de ano letivo o pessoal ainda não vai pegar no seu pé por não saber exatamente como as coisas funcionam. Porque seria necessário dizer a ala em que você mora? Se você é garota mora na ala feminina, se é garoto mora na ala masculina, simples não?

-E terceiro –Resolveu completar Edwin com a pergunta que parecia estampada em seus rostos – Como assim seu colega de quarto? Robbie é um garoto, certo? Se ele é um garoto ele mora na ala masculina e você na feminina, como podem ser colegas de quarto?

-Ah, eu esqueci de comentar com vocês, sou do E502. Moradora da ala masculina. É por isso que eu queria saber. A ala feminina está passando por reformas então eu fui realocada em um quarto da ala masculina provisoriamente.

-Reformas anuais. –disseram os três em uníssono.

-Isso é comum por aqui? –perguntei.

-Mais do que você imagina Owen, todo ano eles escolhem um dos quartos inocupados de uma das alas e então eles reorganizam eles na esperança de que sejam ocupados no ano seguinte. –Explicava o Gray com toda a calma do mundo.

-Se tem mais de um quarto porque eu fui mandada para a ala masculina? –indaguei cada vez mais confusa, mas sem me queixar, gostava das companhias que estava a arrumar.

-No final do ultimo ano letivo, algumas garotas do K resolveram dar uma festa na cobertura da ala feminina e bem, o resultado foi que foram muito mais pessoas do que o esperado e aquilo virou uma algazarra. Alice, uma garota que morava no K602 havia se esquecido do fogão com a boca ligada, mas ventava bastante apesar de ser verão o que fez com que a chama se apagasse. O gás continuou a fluir, pois a chave não havia sido virada de volta. Erika entrou pela porta, todas as outras garotas estavam na festa então ela resolveu fumar dentro de casa sabia que seria só deixar a porta aberta e o cheiro não ficaria no local. Assim que ela acendeu o isqueiro o apartamento explodiu, por sorte o gás estava perto do fim. Ela apenas foi lançada para o outro lado do corredor, as chamas tomaram conta do andar, muitas pessoas ficaram feridas, mas nenhum dos ferimentos foi fatal. –Russel se prontificou a me explicar tudo.

Depois disso conversamos um pouco mais antes que eu resolvesse voltar para o quarto. Estava ficando tarde, já eram por volta das sete da noite e escurecia rapidamente.

Minha visita pelas dependências do internato ficara marcada para o dia seguinte, Gray, Russel e Lee me ajudariam com isso.

Subíamos as escadas animadamente ainda conversando. Os garotos me explicavam sobre as duas refeições feitas em conjunto: o almoço e o jantar, e que o jantar era servido as nove, em um prédio separado, o mesmo em que era servido o almoço por volta da meia hora.

Ao chegarmos no andar dos meninos Russel e Lee despediram-se de nós, seguindo pelo corredor enquanto eu e Elliot continuávamos a subir as escadas, apenas mais um lance de escadas e estaríamos no nosso andar.

-Hey, Owen. –chamou Gray enquanto ainda nos encontrávamos na metade da escadaria.

-Fale Gray. –disse me virando para o mesmo a fim de prestar maior atenção em suas palavras sem que parássemos de subir.

-Vai ir jantar hoje?

-Acho que não, estou sem fome. –disse dando uma pausa na fala tentando recuperar um pouco do folego, de mais a mais eram como subir 8 andares de um prédio comum. –E cansada. –ri fraco após expor meu estado.

-Tudo bem. só queria saber porque... né?! ... Você provavelmente acabaria precisando de ajuda para ir até o “refeitório” –falou fazendo as aspas com os dedos no ar, o que eu, sinceramente, achava um ato desnecessário. –então me ofereceria para te levar até lá.

-Oh, certo. Por hoje eu dispenso, mas se quiser me levar até lá amanhã, com certeza eu aceito, ficar sem almoço, dois dias seguidos? Como vou manter minha forma de barriu? –falei rindo enquanto colocava a mão sobre a barriga massageando a região estomacal. –é quase como se eu tivesse passado todos os meus anos de vida gravida de trigêmeos.

Gray riu muito de meu comentário, me fazendo rir junto consigo e assim que me virei para frente vi a parede em tom azulado com a placa grande e verde com a letra E bem visível em cor branca.

Tentei me situar olhando o numero nas portas ao longo do corredor e logo encontrei a minha, parando em frente a ela e girando a chave. –Nos vemos amanhã Elliot Gray. –falei ao estender a mão para ele esboçando um meio sorriso.

-Nos vemos amanhã, Samantha Owen. Às 11:50 estou passando aqui para te buscar. –falou ele com um sorriso sincero apertando delicadamente minha mão e fazendo a volta indo na direção oposta, indo para onde os números aumentavam.

Entrei no apartamento e encontrei tudo organizado, aparentemente Robbie havia levado suas coisas de volta para seu quarto. Passei na cozinha e nem sinal da pequena bagunça que eu havia feito, além de tudo o rapaz ainda lavava a louça suja dos outros.

-Robbie? –chamei em um tom um tanto quanto alto enquanto subia as escadas após pegar uma lata de chá gelado e duas garrafas d’agua da geladeira.

-Aqui no quarto. –disse ele e segui sua voz batendo na porta que estava semi-aberta.

-Posso entrar? –perguntei receosa com a mão na maçaneta, ainda não possuíamos intimidade suficiente para que eu entrasse em seu quarto sem pedir permissão.

-Entre. –disse ele me incentivando a abrir a porta, o que logo fiz.

Ao adentrar o quarto deixei que meus olhos varressem o local e logo notei vários objetos pessoais espalhados pelo mesmo, objetos que com certeza ele não havia colocado lá desde que chegou nesta manhã.

-Mora aqui há quanto tempo Robbie? –perguntei ao encontra-lo atirado sobre a cama com os fones de ouvido atirados sobre o peito.

-Dois ou três anos, estudo aqui desde o colegial. –disse se sentando e me convidando para fazer o mesmo.

Sentei-me ao seu lado e reparei numa pilha de CDs sobre sua escrivaninha. –Coleção especial?

-Se é minha, é logico que é especial. –disse ele com um sorriso maroto me fazendo rir.

-Diz o desatento. –falei me referindo ao incidente mais cedo.

-Olha quem falando, esbarra nas pessoas por aí e depois vem reclamar que elas são desatentas. –falou olhando para minhas mãos após me ver sorver um pouco do liquido da lata. –Chá e água? –sua cara de incredulidade era muito engraçada, por pouco não cuspi meu chá em sua face.

-Algo contra? –perguntei arqueando uma sobrancelha.

-Nada, contanto que não beba todo o meu chá gelado. –disse fazendo uma cara de “não toque nas minhas coisas” que quase me fez pedir desculpas.

-Mas, sabe... Estava na geladeira e não tinha nome de ninguém, portanto é meu chá gelado também. –falei tocando com o objeto gelado em sua bochecha.

Sentia como se os conhecesse a tanto tempo que não me importei em fazer algo assim com alguém que conhecia a apenas algumas horas.

-Certo, certo. Você venceu, o chá é seu também, mas saiba que não iremos dividi-lo com mais ninguém. –falou ao retirar uma das garrafas d’agua de minha mão.

-Isso, pegue a garrafa que eu trouxe pra você sem perguntar se ela faria falta. –disse me fazendo de emburrada.

-Pego mesmo, você esta sentada na MINHA cama, tomando do MEU chá gelado, dentro do MEU quarto, porque eu não poderia pegar a SUA garrafa d’agua? –perguntou ele rindo após todo o pequeno discurso possessivo.

-Porque ela não é minha? –perguntei rindo e logo me levantei. –Boa noite Robbie, passei só para oferecer uma das garrafas mesmo, agora vou dormir. Estou realmente cansada. Nos vemos amanhã. –ao terminar de falar, encontrava-me já na porta de seu quarto.

-Boa noite Samantha. –falou ele se jogando novamente na cama enquanto eu fechava a porta atrás de mim e seguia para meu quarto.

Terminei de sorver o liquido da lata e joguei-a na pequena lixeira ao lado da escrivaninha. Separei um moletom largo cinza e um short preto minúsculo e em seguida me troquei, deitando-me e discando no celular o numero de Mary que me confirmou tudo o que Jeremy5 havia dito.

Fiquei fula na hora mas resolvi deixar para lá, disse a ela o quanto sentia sua falta e contei das novidades, mas ela teve de desligar em seguida pois a voz estridente de Anne chamava por ela.

Retirei Fuflly da mochila acomodando-o em meus braços e deitei-me com os fones de ouvido no volume no máximo.

- another day begins
feel the ocean air on you skin
feel your heart beat pounding loud
feel the rain as its pouring down
"its been a while" he says to the Wind
with his blood shot eyes and a devils grin
he goes out into the unknown
and prays to god hell make it home
thats why we sing
we all wanna go home...
-Acabei dormindo ao som de We All Wanna Go Home de uma de minhas favoritas bandas, Hell or a Highwater.

Observações:

¹-Praí é só uma junção de para + aí –palavras apenas ditas, mas que não costumamos utilizar escritas

²-Néah, é um jeito de se dizer “né” que eu costumo usar falando, e bem, acabo colocando em alguns dos meus personagens.

³-Pose de enfadada seria algo como pose de emburrada.

4-Tirar sarro é o mesmo que zoar, curtir com a cara de alguém, coisas do gênero.

5-Jeremy é o irmão da Samantha.

Notas finais
Domingo estava com 2.880 palavras do capitulo já escritas, mas faltava-me conseguir as outras palavras para terminar o dia. Bem, eu me esforcei para termina-lo e posta-lo na segunda -passei o final de semana na casa de meu irmão, sem internet-, o único problema é que depois de domingo, veio segunda e depois de segunda terça e quando eu vi já era sexta e eu tinha me enrolado com coisas da escola e não tinha conseguido terminar de escrever. cheguei em casa hoje deviam ser por volta das 7 da noite e vim direto escrever, enrolei-me um pouco fazendo correções e alterações necessárias, desculpem-me pelo horário e pelo já habitual atraso.
Tudo isso sem contar que passei o final de semana com a Isabelly -filha de meu irmão, minha princesinha- e que estávamos ambas muito gripadas -ainda estou gripada-.
Desculpam-me?