Sam
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Bem, pra variar me atrasei, tenho uma boa desculpa pra isso, o capitulo começou a ser escrito na quinta de manhã, mas eu tinha que ir pra escola então tive que parar, quinta a tarde minha "filhotinha" -Lombinha- veio me visitar e acabou por dormir aqui, ela não me deixou escrever, de sexta pra sábado eu estava morta e não consegui fazer nada, sábado meu koi teve cá em casa e lá se vai minha escrita, bem, pensei "vou escrever depois que o koi for pra casa" ele foi meio tarde e eu acabei tendo que ir dormir na casa da minha vó.. acordei no domingo e "agora vai" daí minha vó me chama e diz "Emmanuele, nós vamos almoçar no teu tio" depois disso... bem, tive que curtir um pouco minha bebêzinha antes que ela fique velha demais pra ganhar colo da titia..
Acordei cedo naquela manhã olhando para a tela escurecida do notebook e um sorriso um tanto quanto infantil brotou em meus lábios ao ouvir mentalmente parte da canção de ninar.
–Bom dia Fuflly. –disse abraçando fortemente meu coelho de pelúcia.
Sentei-me na cama esfregando os olhos preguiçosamente enquanto bocejava. –Hoje vai ser um longo dia.
Movi meus dedos de forma lenta pelo mouse apenas para ver o horário em que Rick saíra e surpreendi-me ao notar ter sido 02:57AM com a mensagem de “Boa noite bobinha e vê se não baba muito se não você vai se afogar”. Ri do modo que ele ainda tinha para demonstrar o quanto velara meu sono.
–Só você mesmo Rick. –respondi com um “até a próxima” e desliguei o computador sem nem ao menos ler as conversas aleatórias que foram abertas durante a noite enquanto eu dormia, provavelmente nenhuma delas seria importante.
Levantei da cama indo em direção ao banheiro e tomando longo e demorado banho, no qual refleti sobre tudo o que estava acontecendo, era engraçado ver como tudo estava se modificando em tão pouco tempo, eu tinha feito uma amiga, um adulto conversara normalmente comigo, Richard havia me ligado e pra estragar a onda de coisas boas, eu iria me mudar.
–Certo Sammy, hora de sair desse banho se não quiser ficar igual a uma uva passa. –disse desligando o chuveiro chacoalhando a cabeça e fazendo com que a água respingasse por todo o banheiro.
Segui para o quarto e abri o guarda-roupas retirando de lá uma calça escura e uma camisa branca feita por Kate especialmente para mim com Fuflly desenhado, “presente de dia das crianças para minha grande criança” disse ela ao me entregar o presente meses atrás.
Vesti-me e fui para a cozinha encontrando a mesa do café posta e meus pais sentados na mesma. Tomamos o café silenciosamente e terminei de me arrumar para sair ao pegar Fuflly e a sacola com o presente de Vicky e então seguimos para as dependências da escola.
Chegando ao prédio de tons envelhecidos adentramos a sala da diretoria encontrando o excelentíssimo diretor Sr. Parkinson que sorriu ao me ver na porta levantando-se da cadeira com seu paletó marrom desabotoado indo nos cumprimentar na porta.
–Entrem, entrem. –disse ele. –vocês devem ser o Sr. e a Sra. Owen. –disse apertando a mão de meu pai e depositando um selo leve com os lábios na mão de minha mãe, virando-se em seguida para mim e depositando beijo suave em minha bochecha. –É um prazer vê-la de novo mocinha, e melhor ainda saber que dessa vez não foi por aprontar mais alguma.
–Típico né Samantha? Terceiro dia de aula e você já veio até a secretaria. É por isso que estamos te mandando para um internato. –disse a mulher que diziam ter me gerado, com um olhar de superioridade que me enojava.
–Vamos querida não fale assim da Sammy. –pediu meu pai ao ver meu rosto arder em brasa enquanto eu me segurava para não começar outra discussão em publico, sabia que eles odiavam conflitos presenciados pelos outros e não queria dar o gostinho de que ela passasse o ano comentando sobre o ocorrido com Samuel.
–Mas meu bem, você acabou de ouvir, dois dias de aula e ela já conheceu o diretor, alguma ela deve ter aprontado. –ao ouvir tais palavras caminhei lentamente até a mesa do Sr. Parkinson sentando-me em sua cadeira giratória e começando a vasculhar os papeis em minha frente após ler meu nome em metade deles, era meu histórico escolar, com todas as minhas suspensões, expulsões e advertências.
O homem grisalho caminhou até mim pondo suas mãos firmes e já marcadas pela idade sobre meus ombros apontando-me um papel que indicava o inicio deste ano letivo. –Mostre a ela. –sussurrou e eu assim o fiz, entregando o papel para a mulher que quase tinha um ataque ao me ver sentada na mesa do diretor lidando com o homem como se a muito fossemos amigos.
Maior ainda foi seu choque ao ver que não havia nenhuma advertência ou observação a meu respeito. –M-mas, mas, como? Isso não é possível. Tem certeza de que esta é a nossa Samantha? O senhor não confundiu-se?
–Não senhora, Samantha foi chamada a meu escritório ontem após eu ver o numero de problemas que ela causou na antiga escola e para conversarmos a respeito de sua mudança logo no inicio do ano letivo, o que é algo bem incomum. –seu sorriso indicava tanta sinceridade que até eu mesma acabei acreditando por um instante.
–Bem, Sr. Parkinson, eu agradeço pelos esclarecimentos, teremos de conversar por um momento a respeito disso com o senhor, esclarecer melhor os fatos antes de pegarmos os papeis de Sammy para levar minha garotinha para internato.
–Claro, claro, só acho que esta é uma conversa que devemos ter apenas nós três, sem Samantha por perto, um momento, eu já volto. –disse direcionando-se a porta –Samantha, me acompanhe por favor.
–Estou indo, estou indo. –respondi meio desanimada, aquela conversa estava me entediando.
Assim que passamos pela porta o velhote virou-se para mim e sorrindo perguntou:
–Mãe ou madrasta?
–Mãedrasta –respondi rindo ao ver que mais alguém concordava comigo que aquela mulher não deveria ser minha verdadeira mãe.
–Lamento querida.
–Eu também.
–Bem, chegamos. –disse ele ao parar em frente a uma sala de aula que eu logo identifiquei por ser a de Ali. –espere-me aqui.
–Sim senhor capitão. –respondi batendo continência após lembrar-me de foto que vi de relance em seu escritório, na qual o homem tão gentil tinha a cara fechada e uns vinte anos a menos utilizando farda militar.
–General, na verdade. –disse ao adentrar a sala de aula pedindo licença ao professor, homem baixinho de expressão fechada.
Momentos depois ele saiu e logo atrás dele eu vi a cabeleira conhecida junto das covinhas mais fofas do universo e as mãozinhas que já se preparavam para enlaçarem meu pescoço. –Sammy, você veio.
–Yeap Chibi, eu voltei, com o seu presente. –disse ao mostrar a sacola em minha mão vendo os olhinhos amendoados brilharem em excitação por saber o que era. –Obrigada mesmo Sr. Parkinson, eu morreria de saudades da Chibi.
–Não há de quê meninas, só não façam muita bagunça pelos corredores, sabem como é, a Samantha vai embora daqui a pouco, mas você, mocinha, -disse ele apontando pra Victoria- vai passar os próximos três anos aqui.
–Sim senhor, General. –respondi vendo a baixinha rir muito da brincadeira feita.
–Descansar soldado, dispensadas. –disse ele entrando na brincadeira e só faltou a pequena cair no chão de tanto rir, visto que até encolhida já estava.
–Vamos Vicky, vamos lá pra cima. –disse pegando sua mão e guiando-a até o telhado da escola onde nos sentamos e começamos a conversar.
Eu estava tão animada por estar com ela, suas covinhas e seu sorriso infantil juntamente com os olhinhos brilhantes, tudo nela me lembrava uma criança e pela deusa*, como eu amava crianças, ao menos aquela criança, ela era tão adorável e parecia que nos conhecíamos a anos.
–Saaam eu tô curiosa, me diz logo, o que você tem aí? Diz, por favorzinho, eu quero tanto saber. –dizia ela gesticulando de forma espalhafatosa sem conseguir parar quieta um segundo se quer enquanto caminhava de um lado para o outro tentando adivinhar o que seria.
–Bem, eu não vou contar. –disse sentando e cruzando as pernas enquanto minhas costas se apoiavam na parede gelada que indicava o final da escada.
–Então só tem um jeito de eu descobrir. –ao dizer isso ela pegou o pacote de minhas mãos e como qualquer criança ansiosa rasgou o embrulho vendo ali um lindo coelhinho negro de olhos azuis.
Eu ria da animação da pequena enquanto ela pulava de um lado para o outro de tanta alegria perguntando-me a todo instante se aquilo era real.
–Sim Vicky, ele é seu, só seu e de mais ninguém. –disse pela enésima vez em menos de cinco minutos.
–Eu ainda não acredito, estou tão feliz Sammy. –disse pulando encima de mim e me abraçando fazendo com que nós duas caíssemos.
–Eu percebi. –disse em meio aos risos fazendo cocegas no corpo pequeno sobre o meu.
–Nee Sammy, como, como eu posso chama-lo? –perguntou ela em tom baixo e comedido enquanto seu rosto esboçava um sorriso um tanto quanto diferente.
–Eu não sei. –falei no mesmo tom colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha vendo seu sorriso aumentar.
–O que acha de Dimmy? –perguntou ela sussurrando enquanto seu nariz roçava levemente no meu.
–Eu gosto de Dimmy. –respondi apertando sua cintura entre meus dedos mantendo seu corpo rente ao meu enquanto ia me sentando aos poucos usando o outro braço para me apoiar.
–Vicky? –sussurrei ao já estarmos sentadas.
–Eu. –respondeu ela olhando nos meus olhos.
–O que estamos fazendo? –perguntei ao me dar conta de como estavamos.
–Eu não sei Sammy, vi isso em um filme e resolvi tentar. –disse ela abrindo novamente o sorriso infantil sentando-se melhor sobre minhas pernas, aumentando a distancia entre nós.
–Certo, certo. Muito engraçadinha Victoria Ali. –disse tocando a ponta de seu nariz com meu dedo indicador varias vezes. – não faça isso de novo, as pessoas podem entender errado, sim?
–Otay Sammy –disse ela ao me abraçar escondendo o rosto no meu pescoço.
Passamos mais alguns minutos desse jeito antes que eu recebesse um SMS de meu pai dizendo que estava na hora de irmos.
–Sam, você promete que não vai me esquecer? –perguntou a pequena abraçada a mim.
–Eu prometo –disse beijando o topo de sua cabeça— eu deixei meu celular escrito na etiqueta do Dimmy então não evite em me ligar ou mandar mensagens Chibi, eu sentirei sua falta, mesmo te conhecendo a tão pouco tempo, você já me é muito especial, sim?
–Idem Sammy, nós vamos nos ver nas férias né? –perguntou com aquele olhar encantador.
–Claro que vamos, acha que eu perderia de ver minha Chibi-chan com neve até a cintura?
–Mas aqui não neva Sammy...
–Eu sei, mas nós vamos fazer nevar. –disse me afastando conforme meu pai me obrigava a ir.
–Até mais Sr. Parkinson, venho lhe visitar na próxima vez que eu vier a cidade, então nem pense em voltar ao quartel. –disse ao passar por ele
–Pode deixar mocinha.
–Não duvide de mim Ali, nós vamos fazer nevar nessa bodega. –gritei do portão ao virar pra ela e ver a pequena sorrindo a se despedir.
Notas finais
*deusa = Nyx, personificação da noite.
Kissus&BalasDeCocaComSal
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