Sam
10 Capítulo 10
Notas iniciais
- fushou fushou na kono sekai yue ni fujouri jitsu ni teimei
sore wo damatte yari sugosu
sonna mainichi to wa osaraba bye bye
you kiss my ass!!
let's shake it down
get it up!
what I am doing is what you're thinking now
everybody nani mo kamo toppo ratte
let's shake it down
get on up! –Acordei ao som do celular que, insistente, não parava. Retirei-o do seu esconderijo muito bem projetado por mim para que ele me acordasse caso tocasse e atendi ainda sonolenta.
-Bom dia, Sammy. –disse a voz que não reconheci de imediato.
-Péssimo dia. –disse ainda sem abrir os olhos enquanto me virava para o canto com o telefone em mãos.
-O que houve, Tha? –perguntou a voz que só então eu reconheci, o que fez com que eu saltasse da cama.
-Leon? É você, Leon? –admito que cruzei os dedos enquanto esperava a resposta.
-Leon Darrow, em.. –disse ele dando uma pausa- Aii, carne e osso, e agora um roxo no braço.
Ri animada tendo meu humor mudado completamente, era sempre assim.
-Estou com saudades do meu companheiro de aventuras. –ri fraco enquanto me lembrava de todas que aprontamos antes dos 8 anos, fazia anos que nossos pais pararam de se falar e isso foi algo que nunca ficou muito claro para nós, nosso único meio de contato atualmente era a internet mas antes disso era Richard e Kate que eram amigos de ambos.
-Eu também sinto sua falta, Sammy-Wammy. –disse ele usando o apelido dado a mim por sua família.
-Desculpa-me por sumir, Lenard-Bubbles. –Usei seu nome como eu falava logo que o aprendi junto com o apelido oriundo de uma personagem do desenho infantil que assistíamos pela semelhança dos longos cabelos loiros que eu insistia em fazer duas chuquinhas quando íamos brincar.
-Eu nem me pareço mais com ela tá?! –disse ele e eu podia ver aquele biquinho e a cara emburrada do garoto como me lembrava.
-Certo, certo. –disse eu rindo um pouco, mas logo voltando ao normal. –A que devo a honra de sua ligação, Lenard?
-Saber como vão as coisas na nova escola, quando eu voltei de viagem o Thompson me contou sobre sua mudança, mas também né? Só assim pra eu ficar sabendo de você, porque ligar que é bom, mandar um torpedo, um e-mail, um sinal de fumaça, código morse, nada né, dona Samantha. –me repreendeu ele.
-Não conta pro Rick, mas é que eu esqueci minha senha outra vez. Odeio quando isso
acontece. Já disse, vou trocar minha senha. –resmunguei me xingando mentalmente por ser tão avoada.
Conversamos durante mais algum tempo sobre coisas banais até que ouvi ao fundo a voz de sua mãe, Judith, falando com ele.
-Não sei mãe, eu não vi o Patrick descer, como vou saber se ele saiu? –dizia ele um tanto quanto alto.
Judith deve ter dito algo que o deixou apreensivo porque mesmo com o tom irritadiço era nítida a sensação de desconforto que transparecia em sua voz ao pronunciar tais palavras.
-Tudo bem, você venceu, Judith, eu vou procurar por ele. –disse após um suspiro derrotado.
-Bubbles? –chamei em um tom comedido.
-Fala, Tha. -Disse ele enquanto provavelmente corria pelos cômodos do local a procura do tal Patrick.
-O que houve? –perguntei um tanto quanto curiosa.
-Patrick, o filho de Judith com Arnold, ele sumiu, de novo, esse garoto só sabe criar problemas, e sempre acaba sobrando pra mim. –disse ele suspirando cansado e logo após ouvi um estrondo um tanto quanto alto do outro lado da linha.
-Bubbles? –o chamei temerosa e o barulho do nada foi o que eu ouvi.
Resolvi insistir. –Lenard? –nada.
-Leon, me responde, por favor, estou preocupada. –disse e mesmo assim não obtive resposta.
-Leonard Smith Darrow, me responda agora mesmo ou eu juro que lhe arranco o pescoço fora assim que por meus olhos em você. –gritei e ouvi sua risada do outro lado da linha.
-Sammy-Wammy, estou bem, não me mate, foi só o pestinha caindo “acidentalmente” do segundo andar.
Suspirei aliviada enquanto ouvia batidas na porta do meu quarto.
–Entre. –falei um pouco longe do telefone.
-Entrar? Quem? Como? Quando? Onde? –perguntou Leonard do outro lado da linha, mas o ignorei enquanto via Robbie passar pela porta.
-Está tudo bem? –sua voz soou preocupada e seu olhar indicava o mesmo enquanto ele olhava por todo o quarto procurando, provavelmente, para motivos por eu ter gritado.
-Com quem está falando, Samantha Edwards Owen?
-Tudo sim, Robbie, é só o Bubbles aqui me fazendo ficar preocupada atoa. –disse apontando para o celular e rindo baixo.
-Ah, entendo. –disse ele voltando a se aproximar da porta. –namorado?
-Oh, não. –disse aumentando consideravelmente o nível do riso.
Robbie estava com uma cara extremamente engraçada demonstrando toda a sua confusão com aquela conversa.
–Bubbles é um amigo de infância. –disse sorrindo após me recuperar da crise de risos.
-Sammy, por favor, para de me ignorar e diz logo com quem está falando. –reclamou Lenard com uma voz um tanto quanto, engraçada, parecia até meu irmão tendo uma das crises de ciúmes dele.
-Leon, é o Robbie, meu colega de quarto, para com isso.
-Amigo de infância, sei... Sam, qualquer coisa, estou ali no quarto, é só gritar. –Disse Robbie saindo do quarto.
-E então, o namoradinho já foi? –ironizou Bubbles.
-Não, o Invi continua aqui no quarto comigo, não é mesmo amorzinho?
-Invi? Você estava dormindo com um cara Samantha? E nem pra me avisar, eu não teria ficado tanto tempo te incomodando se soubesse disso. –falou ele entrando em desespero.
-Invi-sivel. –disse eu caindo na gargalhada.
-Ora, sua, como pôde?-perguntou ele ainda sério, mas logo em seguida começou a rir logo após soltar um suspiro de aparente alivio.
-Como pôde você, pensar isso de mim, Bubbles. –respondi após recuperar-me.
A conversa se seguiu animada por mais alguns minutos até que algo pareceu estalar em minha mente, eu tinha algum compromisso.
-Que horas são? –perguntei a Lenard.
- onze e vinte, eu acho. –respondeu ele um tanto quanto inseguro.
-Okay. –disse dando uma pausa e enfim me lembrando do combinado na noite anterior com os rapazes. –Olha só, Bubbles, eu vou ter que desligar agora tá? Já é quase 11:30 e eu ainda não me arrumei, daqui a pouco o Gray vai passar aqui pra me buscar e eu ainda nem levantei da cama, mais tarde nos falamos, vou ligar para o Rick mais tarde e conseguir minha senha outra vez, Beijinhos, eu te amo, tá?
Nem dei tempo de ele me responder e eu havia desligado o telefone sobre a cama me levantando apressadamente e pegado a toalha logo em seguida correndo para o banheiro.
Tomei um dos banhos mais rápidos de minha vida e em quinze minutos já estava de volta no quarto, indecisa sobre o que vestir, coloquei apenas uma calcinha e sutiã aleatórios gritando pelo nome de Robbie enquanto me enrolava novamente na toalha.
-O que houve, Sammy? –perguntou ele surgindo prontamente na porta do quarto.
-Eu não sei o que vestir. –murmurei me sentando na cama.
-Eu não sou uma garota. –disse ele no mesmo tom enquanto se escorava na parede do meu quarto perto da porta.
-Mas tem muito bom gosto e eu odeio escolher roupas. –choraminguei vendo ele se dar por vencido e seguir em direção às minhas malas ainda por serem desfeitas em frente ao grande roupeiro de madeira antiga.
-Tudo bem Samantha, eu vou escolher sua roupa, mas só se você me disser aonde vai. –disse ele ao abrir a primeira mala.
Levantei-me animada e corri até ele abraçando-o e só então me dando conta de que a toalha caíra no caminho. –Obrigada e... Desculpa.
-Tudo bem. –respondeu-me ele sorrindo enquanto desviava sua atenção para as roupas.
Soltei-o e recolhi a toalha me enrolando nela novamente enquanto seguia até o banheiro para procurar por meu colar que deveria ter deixado por lá.
Dito e feito, ele estava sobre a pia.
Sorri olhando para minha imagem refletida no espelho.
Estava gostando do meu novo lar mais do que esperava e Robbie facilitava tudo agindo como um amigo de longa data totalmente gay. Esse pensamento fez com que eu ficasse em duvida quanto a sua masculinidade e decidi por fim que o questionaria sobre isso mais tarde.
Fechei a correntinha em volta de meu pescoço e apertei com um tanto de força o pingente sobre o peito antes de sair do banheiro e voltar para o quarto.
Sobre minha cama encontravam-se uma camiseta negra de mangas compridas que ficaria justa, mas não muito, uma calça jeans um tanto larga de cor azulada cheia de pequenas bolinhas brancas que eu nunca havia visto na vida, meu coturno favorito no chão e um par de meias brancas que não apareceriam.
Olhei em volta do quarto à procura do moreno e ele não se encontrava lá, devia ter ido para o próprio quarto, apertei uma tecla qualquer do aparelho sobre a cama verificando que faltavam apenas poucos minutos para que Gray passasse para me buscar.
Soltei a toalha deixando que a mesma caísse sobre o chão, coloquei a camiseta e logo em seguida as meias, após isso a calça e então os coturnos, terminava de amarra-los quando alguém bateu na porta do quarto.
-Pode entrar. –foi minha resposta.
Robbie abriu a porta e se escorou no batente com um sorriso sacana no rosto. –Seu amigo está lá em baixo te esperando, Owen.
-Obrigada Robbie, já vou descer. –disse disfarçando e deixando o cabelo já seco, mas ainda bagunçado cobrir meu rosto enquanto colocava a calça por cima do coturno. –De quem é essa calça? –perguntei como quem não quer nada.
-Era minha, mas eu enjoei, pode ficar para você. –disse e eu ergui o rosto para fita-lo. –Presente de boas vindas. –explicou.
-Se isso não fosse soar estranho e precipitado eu diria que o amo. –falei sorrindo e segui para minha mochila pegando meu anel com um lobo entalhado.
Robbie se aproximou dizendo que eu não deveria sair com os cabelos daquele modo e deu um jeito nele escovando-o rapidamente.
-Obrigada, Robbie. Estou indo. Até mais tarde. –disse beijando sua bochecha e saindo rapidamente pela porta do quarto me certificando de guardar as chaves e o celular nos bolsos da calça.
Ao chegar ao andar inferior dei de cara com Gray sentado no sofá meio sem jeito com as mãos entre os joelhos e o olhar fixo no chão.
-Gray? –o chamei ao chegar a sua frente, porém não obtive resposta. –Terra chamando Gray. –insisti passando a mão a alguns centímetros de seu rosto.
-Oi Owen. –respondeu ele quando saiu do transi alguns instantes depois de minhas tentativas frustradas. –Vamos? –perguntou levantando-se como se nada tivesse acontecido.
-Vamos. –respondi e segui com ele rumo à porta, assim que passamos pela mesma e eu a chaveei parei de frente para ele. –O que aconteceu ali na sala?
-Nada não Sam, só aborrecimentos matinais normais. –disse com um meio sorriso.
Entendendo aquilo perfeitamente abraçando-o de lado. –Eu estou aqui, certo? Sei que nos conhecemos ontem, mas pode contar comigo para o que precisar, está bem, Elliot?
-Sam, por que você é tão legal com a gente? –perguntou ele e o fitei com certa confusão estampada no rosto. –Com os nerds sabe?
-Sabe Gray, eu normalmente sou a excluída e nos últimos dias conheci uma garota, a Ali, ela foi tão legal comigo mesmo que eu não parecesse receptiva e então nós fomos separadas porque eu vim pra cá. –expliquei para ele o que aconteceu comigo nos últimos dias e ele sorriu parecendo finalmente me entender. –Então eu resolvi mudar, resolvi que tentaria fazer novos amigos e vocês, bem, vocês pareceram bem legais lá sozinhos perto daquelas janelas sendo ignorados por todos aqueles caras idiotas.
-Você é uma garota legal, Samantha Owen. –disse ele por fim, colocando um de seus braços sobre meus ombros fazendo com que eu andasse junto a ele em direção as escadas.
Estávamos descendo enquanto alguns garotos subiam dispensando olhares de incredulidade para a cena que viam, eu e Elliot, animados não nos demos conta de que continuávamos próximos e só nos demos conta deste fato quando ao Elliot ser puxado, já quase no andar inferior, eu fui parada bruscamente junto dele e quase caímos.
-Ora, ora, o que temos aqui, Elliot Gray passou a noite com uma garota? –disse o rapaz estranhamente familiar e zombeteiro.
Elliot prostrou-se em minha frente e embora tremesse estava pronto para me defender das acusações e esclarecer o mal-entendido quando o abracei de lado e sorri maliciosa. –Algo contra?
-Não, só acho que você é boa de mais para ele, docinho. –disse o garoto aproximando a mão de meu rosto.
Assim que suas mãos tocaram meu rosto me encolhi rente ao corpo de Gray fazendo-me de indefesa. –Amor, podemos ir? Estou com medo. –me esforcei para soar o mais apaixonada e assustada possível.
-Como pode preferir um nerd como ele a alguém como eu? –perguntou ele me puxando pelo braço.
Ao ser totalmente retirada dos braços de Elliot sorri com a face mudando completamente de expressão enquanto me preparava para uma bela briga.
Quando o garoto alto e asqueroso tentou me beijar mordi-lhe o lábio inferior fazendo sangrar o que fez com que ele me colocasse de volta no chão e ao ver como o garoto era, possivelmente com todos os três, aproveitei-me de faltar tão poucos degraus para derruba-lo escada a baixo.
Sorri ao ver seu corpo tocar o chão com brusquidão e desci os degraus aos pulos partindo, aos socos, para cima do garoto que começara a se levantar.
Ele parecia ter esquecido que se tratava de uma garota pois revidava com igual intensidade, e um soco no rosto fez com que meu lábio se cortasse e inchasse um pouco, boa parte de seus socos acabavam por acertar o vento, minha pequena estatura era muito útil nesses momentos.
Acertamos mutuamente mais alguns socos antes que nos separassem, sorri vitoriosa ao ver o estrago causado, um olho roxo, nariz e lábios sangrando e um rosto contorcido em dor. Minha situação não era muito diferente, lábios e nariz sangravam e algumas costelas doíam, havia sangue em minha camisa e havia sujado minhas calças novas.
Elliot estava estático no mesmo lugar que se encontrava no inicio de toda aquela confusão, os garotos ainda nos seguravam e os usei como apoio para acertar um chute no loiro antes de responder sua pergunta.
Me acalmei e fiz sinal de que não atacaria mais, assim que fui solta me aproximei cuidadosamente do garoto respondendo. –Simples, Elliot é um completo cavalheiro e jamais trocaria socos com uma garota em um corredor ou intimidaria alguém mais fraco. –terminando de falas cuspi-lhe um pouco do sangue contido em minha boca e limpei o resto com a manga da camiseta.
Segui até Gray abraçando-o e seus braços instintivamente circundaram meu corpo. –Vamos? –perguntei e ele pareceu sair do transe apenas quando já nos encontrávamos na porta do dormitório dos garotos.
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