Salve-me
2 A casa
Notas iniciais
Mal se esgueirou pela janela adentro e já se enfiou na cama, embaixo do edredom. Quando se viu segura, as memórias daquela noite a assaltaram e um sorriso tolo invadiu seu rosto. Merda! Isso acontecia toda vez que se lembrava dele. Isso e tantas outras sensações mais. Como o incômodo gostoso que ele deixava entre suas pernas e essas borboletas agitando-se no seu estômago. Precisava aprender a controlar isso e ser mais cautelosa especialmente com esse sorriso que podia trai-la.
Mas agora estava sozinha. Que mal tinha deixar tudo que se agitava nela sair? Ela mordeu o lábio inferior e abraçou o travesseiro eufórica. Queria pular, correr, dançar... Dançar? Que ideia maluca, ela não sabia dançar. Mas sentia como se pudesse fazer isso agora.
“Controle-se!” a repreensão de Ellen soou em suas lembranças. Ela respirou fundo. “Controle-se!” repetiu mentalmente agora assumindo a responsabilidade. Essas ideias bobas eram pueris demais e ela era uma mulher, não uma adolescente tola!
Duas batidas rápidas soaram na porta e o rosto desengonçado e espinhudo do irmão invadiu seu quarto:
— Acorda, Bela Adormecida de araque! Tá atrasada. Esteja pronta na cozinha em dois minutos se não quiser arriscar ter caca de nariz no meio dos ovos do café da manhã – e mostrou a língua saindo antes que o travesseiro arremessado por ela atingisse a porta.
Ela bufou enquanto verbalizava mentalmente um “idiota!”. Quando é que Roman ia crescer? Não deixava as atitudes infantis, era lento e dispersivo para tudo e tão sentimental!
Saltou da cama e alongou o corpo. Os poucos cochilos que teve naquela noite foram o bastante para deixá-la em condições de encarar o dia. Era melhor se apressar antes que Roman cumprisse o prometido.
Entrou na cozinha e foi direto até a geladeira. Precisava de um copo de leite gelado. Cumprimentou Ellen com um sonoro bom dia. Enquanto se servia, sabia que a mãe tinha os olhos sobre ela.
— Suas lições de búlgaro e mandarim estão atrasadas.
Inferno! Ela se esqueceu que deveria atualizar as lições na noite de quarta.
— Tive uma forte enxaqueca ontem à noite e acabei me deitando mais cedo. Farei tudo hoje à tarde.
— Você também se esqueceu do francês no sábado passado.
Ela se amaldiçoou. Como deixou isso passar?
— Tudo estará em ordem após essa noite, eu prometo.
— Tem alguma coisa que você queira me contar, Remi?
— São nove línguas diferentes, Ellen. Eu só me confundi com a lição de francês...
— Ótimo! O serviço da casa ficará exclusivamente por sua conta nas próximas duas semanas. E quero o dobro de flexões no treino de hoje antes da escola. Isso vai te ajudar a se manter mais focada no que realmente interessa.
Seus dedos de apertaram ao redor do copo. Ela queria bufar e esbravejar que aquilo não era justo, mas sabia que isso só deixaria Ellen irritada aumentando ainda mais suas obrigações nos próximos dias. Então, levantou o queixo e encarou a mãe assentindo para demonstrar que reconhecia suas próprias falhas e que estava de acordo com as regras dela.
Já na academia do porão, deixou suas frustrações se transformarem em pancadas no saco de treinamento. Ela poderia dar conta do serviço e das lições extras, estava ciente do atraso na escola também, e ainda assim conseguiria escapar para se encontrar com Weller. Mas com Ellen em alerta, precisaria desacelerar sua saídas noturnas. A mãe era astuta.
No decorrer da semana, os diálogos com Ellen foram fechando o cerco.
— Homens só querem uma coisa. E, quando conseguem, você se torna carta fora do baralho.
Remi a encarou com o olhar vazio:
— Por que estamos tendo essa conversa? Você sabe que o máximo que aconteceria seria um pênis a menos para contar a história.
— E nós duas respondendo a um processo grave de lesão corporal. Por isso “brincadeiras inocentes” devem ser evitadas. Escute, Remi, lealdade exige foco. Você precisa estar preparada para honrar tudo que fiz por vocês.
Ela assentiu com determinação. Quando Ellen deixou seu quarto, se jogou de costas na cama bufando e tampando a cabeça com a almofada.
“Merda! Merda! Merda!” A mãe estava a espreita, esperando um mero deslize seu para desmascará-la. Ela teria que abortar os encontros por algumas semanas. Deixar a poeira baixar e, assim, reconquistar a confiança perdida.
Devia ser esse sorriso tolo que invadia seu rosto ao lembrar de Weller que a entregou. E ele não saia de sua cabeça. As lembranças a assaltavam a todo momento.
Pronto, lá estava ela sorrindo de novo. “Homens só querem uma coisa...” E ele já teve o que queria. Mesmo assim, era tão doce e carinhoso com ela. Deixou que ela avançasse cada sinal, esperava seu consentimento para cada toque, sempre gentil e preocupado com ela. Rasgou-se para Remi expondo medos e planos. E, em absolutamente todas as suas projeções de futuro, ela estava lá. Weller era diferente e Ellen teria que concordar com isso quando o conhecesse.
Mas o cerco de Ellen se mostrou mais difícil de romper do que Remi poderia imaginar. E os dias passaram rápido demais. Quando ela se deu conta, a formatura na Academia do FBI aconteceu e todos os agentes em treinamento partiram depois disso.
Com as provas da escola chegando, ela precisou se dedicar. Ellen não aceitaria menos que a nota máxima. Remi lutou bravamente contra as ondas de um diferente tipo de dor que até então ela desconhecia e que a ausência de Weller provocava. Repetiu para si mesma que não tinha tempo essas reações infantis ou a constante vontade de chorar. Manteve o foco.
E a mãe não lhe deu trégua fazendo um estranho cansaço se abater sobre ela. Remi sabia que estava sendo testada, não podia falhar. Não decepcionaria Ellen, a gratidão que a movia seria eterna.
Assim os dias foram passando e a distância se tornando seu algoz. Não que tivesse desistido, só buscava uma nova forma de conciliar as coisas.
Quatro meses depois, enquanto guardava as comprar do mês, percebeu as caixas de tampões acumuladas no seu armário. Uma bizarra possibilidade a sufocou fazendo seu coração acelerar.
Remi puxou o ar algumas vezes tentando se acalmar. Isso não devia passar de uma ilusão estupidamente romântica e infantil. Não devia ser real. Não podia ser real. E nunca aconteceu nas suas experiências anteriores.
Infelizmente, ela não foi a única a perceber o acúmulo de tampões. Antes que pudesse processar tudo aquilo, Ellen se materializou atrás dela.
— São muitas caixas, você não acha?
— Meu ciclo é uma bagunça – tentou responder com frieza.
— Pode ser. Mas eu não gosto de situações indefinidas – e estendeu um teste de gravidez para ela.
— Isso não é necessário, Ellen...
— Faça!
O tom na voz de Ellen não permitia objeções. Remi pegou o teste e foi para o banheiro. O visor a acusava antes mesmo do resultado. E, por fim, apontou a realidade: grávida.
As coisas ficaram bem difíceis a partir dali. O olhar de Ellen a fuzilaram com uma decepção que a atingiu por completo.
— Para o carro!
Minutos depois ela estava na maca do consultório médico. Dezoito semanas, o médico desaconselhava o aborto. Ela acompanhou a conversa entre a mãe e ele em silêncio, como se estivesse num pesadelo.
Quando voltaram para casa, ela se deitou na cama abraçando os joelhos. Não chorou. Sequer sabia se ainda sabia chorar. Sentia-se uma criança, tola e sozinha.
Por três longos dias a mãe sequer falou com ela e mal comeu. Confusa e triste, Remi não conseguia processar tudo aquilo e ainda tinha que lidar com as perguntas incessantes de Roman.
— Arrumem suas coisas. Vamos nos mudar – Ellen declarou numa manhã.
— Mudar de novo? Para onde? – Roman quis saber.
— Vocês saberão quando chegarmos lá. Sua irmã está grávida e não posso deixar essa vergonha se abater sobre nossa família.
O garoto arregalou os olhos em choque.
— Vou deixar claro como as coisas vão funcionar a partir daqui. Chegando em nossa nova casa, Remi ficará em estudos domiciliares. Nada de escola e nada de rua. Todo o serviço da casa será obrigação exclusivamente dela agora.
— Sempre dividimos os serviços da casa. Faço questão de fazer minha parte. Pode ser muito pra ela – o garoto se prontificou preocupado.
— Vai contrariar minhas ordens, Roman?
Ele se encolheu na cadeira.
— Eu dou conta, Roman. Gravidez não é doença. E posso conseguir um emprego para ajudar nas despesas.
— Nada de trabalho fora, nunca deixei faltar nada para vocês dois. Não quero que saibam da sua gravidez. Foque na sua preparação para as forças especiais.
— Farei toda a preparação necessária e ajudarei Roman no ingresso já que com o bebê...
— Não terá bebê, Remi. Essa criança não estava em nossos planos. Já falei com um advogado que conheço. Ele conseguirá um casal de confiança e com uma situação econômica confortável para ficar com a criança. Você seguirá nossos planos.
O chão se abriu embaixo de seus pés e tudo ficou escuro por alguns segundos. O tornado emocional que se apoderou dela parecia a jogava de um lado para o outro não deixando que Remi fosse capaz de racionar. A gravidez foi uma surpresa inesperada. Ela não era do tipo maternal, nem sequer planejava isso para um futuro distante. Mas não pensou em dar seu bebê para a adoção em momento algum.
Confrontar Ellen agora não era uma opção. Conhecia a mulher e sabia que isso só pioraria a situação. Pela primeira vez em anos ela se sentiu fraca demais para enfrentar a realidade e se deixou guiar.
Nos dias seguintes, após a mudança, Remi começou a jornada para localizar Weller. Sabia que ele era de Clearfield, na Pensilvania. Vasculhou a lista telefônica e não foi difícil localizar um número. Foi demorado porque tinha que ser muito cautelosa. Ellen acreditava que o pai do bebê era um menino da escola e ela preferia que isso continuasse assim.
Remi tinha poucos minutos no horário do almoço para tentar realizar a ligação do telefone público que ficava a três quarteirões dali. Após diversas tentativas frustradas, finalmente conseguiu:
— Pronto! – a voz quase infantil soou do outro lado da linha.
— Oi. Eu gostaria de falar com o Kurt.
— Ele está viajando. Quer deixar um recado?
— Não, não. Obrigada.
Ela tentou outras vezes, nas próximas semanas. Algumas vezes, o homem bêbado atendeu. Ela desligou rápido. Um dia, quando o pegou sóbrio, arriscou:
— Por favor, eu gostaria de falar com o Kurt.
— Ele não está, gracinha.
— Poderia me dizer quando posso encontrá-lo?
— Acho que a pergunta certa seria onde encontrá-lo.
— E onde seria? – ela não gostava daquela brincadeira.
— Nova Iorque.
Remi fechou os olhos processando aquilo. Encontrá-lo numa megalópole seria como procurar uma agulha em um palheiro.
— Você poderia me passar um número de telefone através do qual eu possa falar com ele?
— Olha, fofura, eu tenho o número. Mas se você quiser, terá que vir buscá-lo. Sabe onde me encontrar e já deve saber que um Weller vale a pena.
Ela bateu o telefone enojada.
A barriga cresceu devagar. E continuou discreta por bastante tempo. Seu quadril disfarçava bastante. Um dia, após os treinos na academia instalada no porão, Remi se recostou na parede sentada no chão e o bebê começou a mexer. Roman se aproximou e os dois se divertiram com aquilo. Gostavam de conversar com o serzinho.
— Eu aposto que é um menino. Ellen vai se apaixonar por ele quando nascer e desistirá da ideia de adoção. Eu vou te ajudar a cuidar dele, Remi. Vou ensiná-lo a jogar beisebol. Também posso conseguir um emprego em meio período para as despesas. Tudo vai dar certo.
Remi sorriu para o irmão. Roman era tão inocente. Ela já não tinha tanta ilusão. A cada encontro com o advogado, o cerco se fechava. Ela assinava mais papéis e se sentia um mero objeto portador de um produto caro que estava sendo negociado.
Se ela odiou Ellen por isso? Em alguns momentos sim. Mas a mulher tinha um discurso eficiente. Sabia como fazer Remi se sentir despreparada para ser mãe. Mexia em antigas feridas, trazendo sutilmente o passado à tona de forma acusadora contra Remi. E não a poupava sequer quando o assunto era Roman.
— Ele está sempre muitos passos atrás de você e atrás da maioria. Tem sérias dificuldades em controlar as emoções. Os traumas que vocês viveram causaram danos diferentes em Roman. Sem minha proteção, ele acabaria numa instituição para doentes mentais, você sabe disso. Conhece o histórico de ocorrências dele – a voz de Ellen tinha um tom quase doce naquela noite.
Por isso, fugir não era uma opção para Remi. Seu irmão precisava de Ellen e ela entendia perfeitamente a sutil ameaça que a fala da mãe continha. “Lealdade é a melhor forma de gratidão” lembrou-se da frase constante da mãe.
Ela queria ser leal a Ellen por tê-los tirado do inferno que foi o orfanato em que cresceram. Deus, ela daria sua vida por essa mulher. O que passaram lá era, no mínimo, desumano. Em memória de seus pais, prometeu que não abandonaria o irmão, o protegeria a todo custo. Mas também queria seu bebê mesmo sem estar preparada para isso. A verdade é que ela estava terrivelmente sozinha.
Sentindo-se esmagada, numa noite de tempestade ela entrou no quarto de Ellen sorrateiramente indo até a cama da mulher. Silenciosamente, se deitou ao lado da mãe disposta a arcar com as consequências. Só precisava com urgência receber alguma forma de carinho.
Ellen não se moveu, mas Remi sabia que estava acordada. Também não se opôs, deixando Remi continuar ali. Aquilo significou muito para ela. Minutos depois, a mulher se remexeu, pegou a manta e cobriu Remi. Aquilo era o mais perto de amor que Remi já provara fora dos braços de Weller.
Por algumas semanas ela desistiu de entrar em contato com ele decidida a cumprir seu pacto de lealdade com a mãe que, ao seu modo, cuidava dela. Foi então que, numa consulta de rotina, o médico disse que o bebê estava pronto e poderia nascer a qualquer momento a partir dali.
Um instinto desesperado de proteção se apoderou dela. Remi precisava falar com Weller. Se ele lhe dissesse não, ela aceitaria e faria tudo como Ellen queria. Mas precisava tentar. Ela tinha que ter certeza.
Escapou da casa no horário do almoço e foi até o telefone público.
— Pronto.
— Sarah, oi. Você não me conhece, mas preciso falar com o Kurt. Você poderia me passar o número dele? – Disse desesperada.
— Olha, moça, o Kurt não me autoriza a dar o número dele para as mulheres que ligam procurando por ele.
— Sarah, por favor. Tenho algo muito sério para falar com seu irmão.
—Kurt vai estar aqui no final de semana. Se é realmente sério, venha até aqui e converse pessoalmente com ele. Não é nada pessoal, só não posso passar o número, me desculpe – e desligou.
Ela tinha uma chance e não desperdiçaria isso.
O Universo pareceu conspirar a seu favor. Ellen passaria o final de semana fora. Roman teria treino pela manhã e reforço escolar à tarde. Isso deixaria Remi com várias horas descobertas, sem ser vigiada.
A ansiedade cobrou seu preço. A asia aumentou e, no dia anterior à execução do plano, seu intestino não colaborou com ela.
Eram quatro horas até Clearfield de trem. Tempo demais. Por isso, ela roubou o carro e foi até a cidade vizinha há uma hora e meia de distância. Só lá embarcou no trem para uma viagem bem mais curta. O blusão de moletom com capuz de Roman garantia a privacidade que ela precisava. Impossível notar sua barriga metida naquela blusa imensa.
Enquanto o vagão se movia sobre os trilhos, sentia a cólica que ia vinha, com a barriga endurecendo. Essas contrações de treinamento vinham acontecendo a semanas.
Ao saltar do trem, ela se amaldiçoou por não ter comido naquela manhã. A fome estava cobrando seu preço e Remi não tinha dinheiro sequer para um salgadinho.
Caminhou por dezenas de quarteirões até localizar o endereço. Sentia o sangue pulsando rápido em suas veias quando bateu na porta da frente. As borboletas em seu estômago se agitaram em antecipação pelo reencontro e aquele sorriso bobo voltou a invadir seu rosto meses depois.
A porta se abriu rápido. Uma moça loira, trajando uma camisa masculina mal fechada a encarou:
— Pois não?
— Sarah...
Céus, a irmã de Weller parecia muito mais velha do que ela imaginava. E muito mais sensual também.
— Não, eu não sou a Sarah. Ela não está. Volte mais tarde – e foi fechando a porta.
Remi foi rápida e, colocando a mão, impediu o final do contato.
— Espere. Estou procurando Weller. Kurt. Kurt Weller.
A outra sorriu com deboche.
— Sinto muito, ele está ocupado – e soltou a camisa deixando ver que por baixo, usava apenas a lingerie. – Volte outro dia. Eu cheguei primeiro.
Remi recuou deixando que a porta se fechasse. Sua respiração se acelerou e ela precisou puxar o ar várias vezes enquanto se virava para retornar à rua. Após alcançar a calçada, caminhou rápido, sentindo cada pulsar do seu coração que parecia querer a sufocar.
Ela mal conseguia pensar. Só andou fingindo ignorar quando as lágrimas banharam seu rosto.
Não tinha vencido nem o segundo quarteirão quando a dor forte irradiou das suas costas para a frente fazendo-a parar e se apoiar uma antiga caixa de Correio. Assustada, ela só esperou. E passou. Aquilo a fez recobrar um pouco da consciência. Secou as lágrimas e retomou a caminhada. Pelo menos agora, sabia o que deveria fazer, só existia um caminho.
Foi recuperando o ritmo dos passos devagar e com determinação. Levantou a cabeça. Inferno! Repreendeu a si mesma por estar sofrendo por uma ilusão.
Colocou a mão sobre a barriga carinhosamente. E balbuciou baixinho:
“Eles serão ótimos pais. Eu li todas as fichas e depoimentos. Você merece ter a melhor família do mundo. Me desculpe por tudo isso.”
Mal terminou e sentiu a mão firme se fechar em seu braço a fazendo parar abruptamente. Seu olhar rapidamente sondou seu algoz para buscar uma saída.
Pés descalços, pernas bem torneadas com os músculos tensos pela corrida, bermuda desbotada, pelos e músculos do abdômen à mostra. Ele estava sem camisa.
— Moça, você queria falar comigo?
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