Salve-me

6 A cabana


Notas iniciais
Andei sumida, mas assumi o compromisso de terminar essa história. Então, vamos a mais um capítulo: a família reunida na cabana. Boa leitura!

A viagem não foi longa e cada detalhe do caminho valeu a pena. A paisagem era fenomenal. A floresta cobria as encostas do vale entre as montanhas.

Dentro do carro, cantaram canções infantis e fizeram brincadeiras para o tempo passar. Avery conduzia com habilidade o casal, tornando aquele momento completamente natural, como se fossem uma família absolutamente normal por mais surreal que isso soaria para os dois poucas horas antes.

Quando a cabana apareceu entre as árvores, o cenário não podia ser mais lindo. O outono deixava dava um tom alaranjado que combinava perfeitamente com as paredes de madeira iluminadas pelo sol.

Jane deu um suspiro discreto que Kurt acompanhou satisfeito.

Levaram pouca bagagem e Kurt foi capaz de dar conta das malas enquanto Jane carregava Avery e sua bolsa de brinquedos.

Observar as duas juntas se tornou uma das coisas favoritas do mundo 0064ele. Jane era muito desajeitada ao lidar com a criança. Fazia escolhas nada comuns como colocar a menina nas costas. Avery aprovava e se divertia com a situação.

Dentro da cabana, um ambiente amplo e rústico unia a sala e a cozinha. Aparadores, armários e mesa de centro de madeira de demolição passavam a ideia de solidez e antiguidade enquanto o sofá moderno, retrátil, confortável e coberto por mantas ampliava o aconchego do ambiente.

Um quarto com apenas uma cama de casal. As borboletas se agitaram no estômago de Jane com essa constatação e automaticamente seu corpo todo reagiu fervendo. Merda! Isso poderia fazê-la corar. Será que ele planejou tudo isso? Tudo dentro dela queria que a resposta fosse sim, mas uma voz baixa e cruel lá no fundo sussurrava relembrando os danos que causara a ele e o quanto estar ali já era um verdadeiro milagre. O sofá da sala poderia servir de cama. Se Emma costumava vir até ali com ele, provavelmente era onde Kurt costumava dormir. Talvez ainda tivesse o cheiro dele. Inferno! Se ela ficasse no sofá teria uma longa noite de saudade pela frente. Outra longa noite de saudade. E dessa vez, com ele a poucos metros de distância. Mas que droga de pensamentos eram esses? Ela sequer se reconhecia. Devia estar procurando fragilidades do local para garantir a segurança de todos ou traçando possíveis rotas de fuga afinal ela era um soldado. Só um soldado.

Kurt deixou as malas no quarto e se apressou em ajeitar as coisas na cozinha. Essa tarefa deixava Jane e Avery ao alcance dos seus olhos. Elas brincavam no chão da sala. Percebeu que Jane repetia as estratégias e limites que ele utilizou com a criança naquelas últimas horas, na casa de Emma, no apartamento e durante a viagem. Essa era ela: observadora, cuidadosa, inteligente, estrategista. Habilidade refinadas demais para alguém tão jovem. Mas essas características o atingiam de forma especial. Contrariando a racionalidade e tudo que a vida e seu treinamento para o FBI lhe ensinaram, sentia-se seguro com ela.

Percebeu que os olhos dela se fixaram por alguns segundos mais na direção do quarto para então migrarem sorrateiramente até ele antes de se voltarem para a menina. Será que ela estava pensando... Não! Melhor afastar esse tipo de hipótese. A história dos dois era complicada demais para acreditar que tudo terminaria com os dois fazendo amor naquela cama. Além disso, já estava sendo muito difícil conter seu corpo que reagia desesperado por ela desde ouviu sua voz rouca conversando com Allie no seu apartamento. Se não fosse por Avery, ele teria jogado sua autopreservação no lixo assim que a outra saiu deixando os dois sozinhos. Teria feito amor com Jane em cada cômodo. Inferno! Se a coisa entre eles fosse menos complicada, já estaria flertando com ela para terem todos os momentos possíveis ali naquela cabana. Como nos inúmeros sonhos que tinha toda vez que visitava esse lugar.

As horas passavam rápido com os três juntos ali. Avery sentia-se completamente à vontade com Jane. Weller pensava se existiria algum tipo de elo biológico que desencadeava esse comportamento atípico da filha ou se a garotinha simplesmente tinha herdado dele a ausência de autodefesa quando se tratava dessa mulher.

À tardinha, percorreram trilhas na redondeza chegando a um lindo riacho que corria sobre pedras. Riram e se divertiram como nunca! A vida parecia ter encontrado um universo paralelo onde tudo era perfeito. Ou quase tudo.

Weller percebeu que Jane consultava seu telefone de tempos em tempos. Mesmo durante o passeio, ela se afastou parecendo obrigada a cumprir uma agenda remota de trabalho ou...

— O sinal aqui não é tão ruim. – Ele fez questão de mencionar quando ela voltou a se juntar a eles.

Jane puxou o ar, sabendo que teria que dar alguma explicação. É claro que ele tinha percebido seu comprometimento com o celular, afinal era um agente do FBI agora. Devia arquitetar uma mentira qualquer. Ela era boa nisso. Mas a imagem dele sentado numa pedra com Avery no meio das pernas era um convite irresistível à sinceridade.

— O sinal é melhor do que eu esperava – respondeu se aproximando.

— Ele acha que você está onde?

Ela se abaixou, pegou alguns gravetos e a haste de planta verde flexível e se sentou, manipulando as peças numa confecção minuciosa.

— Não existe ele. Não existiu mais ninguém nos últimos anos. Foquei nos meus estudos e treinamento.

— Eu estava me referindo ao seu pai – Weller arrematou sem conseguir conter o sorriso que entortava o canto esquerdo de seus lábios.

— Ah, meu pai. Ele e todos acreditam que estou passando por um teste. Uma espécie de prova final do meu treinamento. E, de certa forma, estou realmente fazendo isso. Oficialmente estou nas Montanhas Rochosas, sobrevivendo às altas altitudes, ao vento, à chuva, buscando comida para encontrar e desarmar dispositivos cuidadosamente escondidos apenas para me testar.

— Estamos nas montanhas, mas o desafio aqui é outro...

— Com certeza. Um desafio muito maior e mais interessante. Olhe, Avery, uma jangada – falou colocando a pequena jangada que confeccionou na água. – Diga adeus, ela está partindo para uma aventura mágica!

A criança se empolgou, acenando e jogando beijos enquanto saltitava no colo do pai.

— Se pai aceitará sua decisão de não realizar a prova final?

— Eu estou realizando a prova. Encontrei todos os dispositivos, instalei um chip que permitia desativá-los à distância no tempo que esperam que eu faça. Só preciso manter o monitoramento constante.

— Se já concluiu a prova, por que não os deixa saber?

— Tenho dois bons motivos para isso. O primeiro é que sou a única mulher num grupo seleto de homens. Mostrar que sou muito melhor que todos ali não é uma boa estratégia. Homens têm egos frágeis. Também estou monitorando meus colegas. Vou concluir a prova em segundo lugar. Algo que não é desprezível, mas também deixa um macho do grupo se achando melhor que eu.

— Faz sentido. Usou essa estratégia comigo também?

— Não foi preciso. Você é muito melhor que todos os meus colegas de equipe e consegue me enxergar para além de questões de gênero. Sempre me tratou de igual pra igual. Até mesmo na cama.

Weller sorriu satisfeito.

— E o segundo motivo?

— Eu não poderia ter ido até você. E isso era importante demais para mim.

Avery que estava jogando folhas secas na água recostada ao pai, se virou e colocou as duas mãozinhas no peito dele:

— Tuc tuc tuc tuc – e riu alto.

Weller corou. Essas duas eram definitivamente seu ponto fraco. Sabiam como afrouxar suas amarras e desmascará-lo. Ainda assim, não cedeu. Permaneceu olhando para a água. E não viu que Jane se quebrando para ele pelos sentimentos denunciados por Avery.

— Nós sequer sabemos seu nome – soltou num desabafo olhando finalmente para ela. Algumas coisas precisavam ser ditas.

— Mas eu sei o seu. É mais seguro assim.

— Confiança exige reciprocidade.

— Eu confiei a você o que mais tinha valor na minha vida – e olhou para Avery.

Ele voltou a olhar para a água insatisfeito. Ela expirou pesado, sabia que ele tinha razão. Odiou o que fez em seguida. Era insensato, estúpido, um erro. Mas não conseguiu se conter. Procurou algo no bolso traseiro da calça jeans. Retirou e entregou a Weller.

Ele observou o documento de identidade meio trêmulo, seus olhos varrendo as informações enquanto insistiam em se desviar diversas vezes para ela.

— Mabel Sue Higgins ...

— Agora você entende por que prefiro Jane?

Ele estendeu o documento de volta para ela.

— Aqui diz que você completou 21 anos semana passada.

— É por isso que consegui entrar para a Marinha. Meu pai é influente, mas só me aceitaram porque teria a idade necessária ao final do treinamento. Olha, Weller, sei que menti e que isso é mais um ponto na enorme lista de decepções que você acumula quanto a mim. Era a única forma de te fazer aceitar tudo. Acredite, meu pai te faria em pedaços mesmo eu sendo mais velha. Acabaria com você. Perderíamos ela. — Então, fechou os olhos e respiro fundo antes de continuar. — E eu estava com medo. Muito medo. Nunca tinha me sentido tão criança e indefesa.

Weller se levantou com a filha nos braços e passou por ela em silêncio. Jane sentiu como se seu coração estivesse sendo rasgado ao meio. Nada nem ninguém conseguia isso. Só Weller. Se amaldiçoou por tê-lo procurado. Ela nunca saía ilesa dos encontros com ele.

— Vamos pra casa. Está tarde – disse virando o corpo levemente na direção dela. — É realmente uma pena que você não consiga nos alcançar, porque Avery e eu vamos chegar primeiro.

Ele fez de novo. Fez sua cabeça girar e mudar de ângulo. Tudo dentro dela voltou a saltitar enquanto os seguia, fingindo ter dificuldade em alcançá-los e dizendo que estava muito próxima o que fazia Avery gritar e bater as perninhas.

Obviamente, Weller chegou à cabana primeiro e desapareceu pela porta. Quando ela entrou, foi surpreendida pelos dois que saltaram na sua frente, Avery se jogando em seus braços e dizendo “peguei você”. E ela sentiu seu coração completo de novo, como se nunca tivesse sido quebrado.

Juntos venceram a maratona de banho, jantar e colocar para dormir. Essa última com certeza foi a mais difícil. Avery lutou bravamente contra o sono e forçou os dois a ficarem na cama com ela.

Quando Jane percebeu que a garotinha finalmente adormeceu, se esgueirou para fora da cama e deixou o quarto. Olhou a bagunça do lugar e começou silenciosamente a recolher e organizar tudo. Estava de joelhos recolhendo brinquedos perto da pia quando Weller apareceu se espreguiçando. Deus, como ele ficava lindo naquele moletom e camiseta.

— Precisa aprender a recolher brinquedos tão rápido quanto desarma os dispositivos no seu treinamento – falou se abaixando e se juntando a ela na tarefa.

— Anos de treino não me preparariam para isso. Ela realmente é insuperável na arte de espalhar coisas. Colocar pra dormir, então, foi realmente desafiador. Como você consegue?

—Eu sou bom em tudo que faço – disse a encarando com um olhar malicioso.

Tudo dentro dela entrou em ebulição, seu corpo gritando por ele como acontecia no passado. Percebendo que ia enrubescer, ela desviou o olhar e voltou a tarefa que estava realizando.

— Em casa, na rotina do dia a dia é mais fácil. Aqui, tudo era novidade. Você é novidade. Ela só quer viver mais alguns minutos de um dia maravilhoso. Como culpá-la?

— Foi realmente um dia perfeito.

Ela se sentou e o encarou. Apesar de seu corpo continuar reagindo totalmente a favor dele, desencadeando sensações apenas por ter noção da proximidade e do som da sua voz, ela não estava disposta a se mostrar tão vulnerável. Se arrependeu imediatamente. Os olhos dele estavam sobre ela, desarmados, esperançosos, sedentos.

— Obrigada por ter me dado a chance de viver tudo isso. Imagino o quanto foi difícil para você depois do que fiz.

Havia tanta sinceridade nos olhos dela que ele só podia se render.

—Eu disse a mim mesmo que, se algum dia você voltasse, teria que dar a Avery o direito de conhecer a mãe.

—Você tem um coração muito bom, Kurt...

— Não, não tenho. Era só um jeito fácil de não precisar assumir que era eu quem queria você de volta. Eu sinto a sua falta, Jane, todos os dias.

Ela puxou o ar e chegou a abrir a boca como quem ia dizer algo, mas as palavras não encontraram o caminho. Então, estreitou a distância entre eles e, pegando a mão de Kurt, colocou-a sobre seu peito:

— Tuc tuc tuc tuc.

Ele sorriu torto enquanto a puxava para mais perto e cobriu seus lábios num beijo carregado de saudade. Suas línguas se encontravam com vontade, mas sem desespero, querendo curtir cada segundo daquela oportunidade.

Para Weller, aquele beijo era seu céu e seu inferno. Era provar algo único que ele não alcançou com nenhuma outra. A certeza de que se não fosse com ela, seria só físico e muito distante das sensações e sentimentos que ela despertava no seu corpo e na sua alma. Jane sabia penetrar todas as suas muralhas, tocar seu íntimo, fazê-lo provar o paraíso com um simples beijo. Deus, ele aceitaria abrir mão de sexo com todas as outras só para ter esse beijo sempre!

Logo os beijos dela migraram para seu pescoço. As mãos dela percorriam seus músculos firmes, como quem teme perder o que ama. Ele correspondia acolhendo-a, passando a segurança que ela precisava. O corpo de Jane roçando o dele dizia mais do que palavras alcançavam. Pedia abrigo, pedia perdão, gritava saudade.

As mãos ousadas dele se infiltraram por baixo da camiseta dela buscando o toque aveludado de sua pele. O calor dela aqueceu sua alma. Seus polegares traçaram um caminho lento pelas costas dela enquanto seus lábios criavam uma trilha de beijos em seu pescoço. Deus, valeu tudo que ela arriscou por esse dia!

Jane sonhou tantas vezes com ele, com momentos assim. Os sonhos eram bons, mas nada superava a realidade de estar nos braços de Weller. Só ele conseguia despertar o que existia de melhor nela. Os toques, seu cheiro, seu sabor. Ela tinha certeza que poderia ter um orgasmo só com isso, bastava ele sussurrar em seu ouvido.

Sem pudor, ela fez o que sentia vontade desde que entrou no apartamento dele no dia anterior: afundou as mãos entre seus cabelos e o beijou com toda a vontade que tentava negar há anos! Não um beijo cálido como vinham trocando, mas o beijo carregado de necessidade que mostrava que ela queria lutar por ele tirando qualquer outra mulher de cena. Ela precisava do controle ou da ilusão dele.

Foi então que as mãos de Weller subiram por suas costas arrastando pra cima o tecida da camiseta que ela usava. Algo tão normal e simples para o momento que estavam tendo, mas surreal e avassalador para ela. A certeza de que teriam muito mais pela frente. Tudo que já tinham compartilhado na cama no passado e as surpresas do presente. O controle sendo arrancado dela e o prazer de poder se entregar ao momento sem ele, afinal entregar o comando a Weller era uma de suas coisas favoritas no mundo.

Desesperada para sentir de novo o calor inigualável da pele dele junto a sua, Jane empurrou a camiseta dele para cima fazendo com que se livrasse dela. Por um segundo, os músculos bem marcados do peito dele a hipnotizaram. Lembrou-se das raras vezes que se permitiu ficar assim sentindo-se a pessoa mais normal e mais feliz do mundo.

Weller pareceu perceber a sutil mudança nela. Envolveu os braços e as pernas ao seu redor, abraçando-se protetoramente. E sussurrou em seu ouvido:

— Você me enlouquece, sabia?

Ela riu e se agarrou a ele. Impulsionando o corpo para frente, pode sentir a luta do pênis dele contra a calça, confirmando suas palavras, louco por ela.

— Eu saberia se fosse capaz de me manter racional quando estou com você.

Weller mordiscou a orelha dela enquanto seus dedos deslizaram suave e enlouquecedoramente por seus braços. Por fim, suas mãos alcançaram a barra do top que ela usava na clara intensão de remover mais esse obstáculo. Ofegante, Jane o deteve, olhos suplicantes e duvidosos:

—Avery... se ela...

Ele levantou o braço e se esforçou em alcançar algo que estava sobre a ilha que os separava da sala. Então, mostrou a ela a babá eletrônica.

— Ela está dormindo. Dificilmente acorda. E, se acordar, nós saberemos.

— Boa menina. Puxou ao pai – e voltou a capturar a boca dele para mais um beijo.

Sem interromper o beijo, ele a livrou do top e então se afastou um pouco para admirá-la. Levou os dedos até o rosto dela e suavemente deixou que corressem para baixo, passando por seu pescoço para mergulhar no vale entre seus seios. Brincou maliciosamente ao redor de seus mamilos, deixando-a desesperada por mais.

Ela estava tão ofegante e isso o enlouquecia. Ansiosa, desabotoou a calça dele, descendo o zíper. Então, ele segurou suas mãos e as trouxe até os lábios. Enquanto ainda as beijava, disse:

— Pode fazer uma coisa por mim, Jane? Apenas relaxe.

E se debruçou sobre ela, suas mãos amparando suas costas e a conduzindo ao chão. Sem pressa, ele se deliciou dos seus seios. Migrou rumo ao sul, brincando no seu baixo abdômen de forma enlouquecedora. Livrou-a da calça e quase a fez suplicar por mais enquanto seus dedos ousavam mais e mais acima de suas coxas. Tocou-a de tantas formas diferentes que ela foi perdendo totalmente a noção da realidade. Ela só não chegou ao clímax porque ele não quis. Parava sempre segundos antes dela chegar lá. Jane logo entendeu que estava sendo castiga por tudo que fez. Mas, céus, esse era o melhor castigo de sua vida!

Após finalmente se livrar das calças, Kurt puxou uma bolsinha que estava sobre a ilha. Ela tombou e, como estava aberta, muitos preservativos se espalharam pelo chão. Ele fingiu não se importar e pegou a primeira que alcançou apressando-se em abri-la.

— Você sempre carrega tantos preservativos? – questionou, submersa numa onda de possibilidades que detestava encarar.

— Eu sempre tenho preservativos. Aprendi a lição com Avery. Mas a resposta mais certa é não tantos assim. Comprei quando paramos na farmácia. Temos quatro dias pela frente, não é mesmo?

A ebulição dentro dela tomou conta de tudo de novo fazendo desaparecer qualquer frustração ou aqueles sentimentos possessivos estranhos que nutria sobre ele. Voltaram a se beijar e pouco fundiram seus corpos e almas em total sintonia de movimentos e sensações.

Depois do amor, ele a pegou nos braços e levou até o sofá. Aninharam um ao outro e conversaram por muito tempo.

Enquanto acariciava o braço dela, Weller sentiu algo diferente sob a pele e a questionou sobre isso.

— É um implante contraceptivo. Exigência da marinha.

— Você verificou qual tipo usaram? Alguns implantes usados pelas forças armadas têm dosagens não recomendadas de hormônios. Os boatos falam de castração química.

— Se a intensão deles era essa, acho que não funcionou – e riu.

— Você brinca com fogo, garota.

— Obrigada pela preocupação. Conhecia os boatos. Escolhi um implante adequado, apesar de não ser eu o problema naquele navio.

— Eu não gosto de pensar em você naquele navio – e beijou os cabelos dela.

— Sei me cuidar.

— Não gosto da ideia de você precisar se cuidar.

Ela riu lisonjeada com o carinho dele.

— Sou uma mulher, Kurt. Nós, infelizmente, sempre temos que nos cuidar. Talvez um dia o mundo supere isso. Podemos mudar de assunto? Só quero pensar no que estamos vivendo aqui.

Ele a abraçou mais forte.

— Você sabe que é bem-vinda se quiser ficar, não é?

Ela se agarrou a ele e deu um longo suspiro. O silêncio falou mais alto que tudo naquele momento.

Pelos próximos dias os dois se entregaram a tudo que sentiam e queriam fazer juntos. Foram uma família.

Na manhã do último dia, Weller se levantou ainda espreguiçando. Estava exausto após as poucas horas de sono que tiveram, mas não queria perder um segundo do tempo que teriam pela frente. As lembranças logo colocaram um sorriso no seu rosto.

Caminhou até a sala e Jane não estava ali. Um frio percorreu sua espinha. Respirou fundo tentando se acalmar. Talvez ela tivesse ido fazer uma caminhada. A aproximação da partida devia estar sendo difícil para ela também.

Foi até a cozinha disposto a fazer um café e esperar.

Sobre o balcão encontrou o bilhete. “Não se esqueça!” embaixo do beep que entregou a ele quando se reencontraram.

Um nó se formou na garganta dele e as lágrimas escorreram sem sua autorização. Ela partiu. De novo. E não se despediu.

Parabéns, Weller, fracassou no seu intento de mostrar que ela podia ser feliz com essa família.

Notas finais
Preciso desesperadamente conhecer as impressões de vocês. Estão gostando? O que esperam dessa história? E esse capítulo, foi o que esperavam? Vamos, façam essa autora feliz, mostrem-me que tem alguém alguém aí do outro lado. E, para você que ainda não desistir de Jane e Kurt, muito obrigada pela leitura. Até o próximo capítulo.