Salvation
27 Capítulo 27
Notas iniciais
bjim
Bom, eu ainda estava ganhando dinheiro. Meus investimentos iam bem, afinal de contas. Fiz algumas movimentações bancárias, transferindo o dinheiro da poupança para a conta corrente, caso precisássemos sacar mais alguma grana. Eu não sabia quanto tempo a mais ficaria com Gabriel. Não conseguia para de pensar no que me disse, que seria convocado, que seria julgado, que tinha escolhido tentar achar uma outra forma de me salvar.
Será que podia ser? Eu levantei do computador e olhei a hora, eram sete e meia da manhã e provavelmente o café já devia estar sendo servido. Cheguei mais perto para acordá-lo, precisava se alimentar, mas ele dormia tão profundamente, que não tive coragem.
Eu resolvi tentar buscar algo pra ele. Abri a porta do quarto e andei pelo curto corredor. Não havia janelas, o que era bom. Provavelmente, o café estava sendo servido lá embaixo e eu sabia que seria arriscado descer, mas a parte estúpida em mim mandou continuar.
Assim que cheguei ao pé da escada meus olhos começaram a doer. A claridade era muito incômoda. Provavelmente o tempo estava um pouco nublado, caso contrário eu não teria conseguido nem chegar até ali, mas a luminosidade já era o suficiente para me fazer recuar. Respirei fundo e com esforço, mantive os olhos entreabertos. Havia um saguão com um balcão grande onde fizemos o check-in quando chegamos. Eu senti a presença de um humano ali. Atrás do balcão principal havia um salão e senti que o cheiro do café vinha de lá.
Havia mesas com toalhas brancas e algumas pessoas sentadas nelas. O barulho do tilintar dos talheres era suave. Senti o cheiro das frutas e dos pães vindo de lá. Para chegar ao salão de refeições eu teria que passar pelo saguão, mas a porta de entrada da pousada era grande e estava aberta, expondo a luz do dia.
Eu tomei coragem e segui em frente. Não cheguei nem perto do balcão principal, minha pele ardia loucamente e estava começando a ficar vermelha. Meus olhos doíam insuportavelmente.
- Bom dia, srta, posso ajudar? – eu ouvi o humano dizer, mas a dor era lacerante. Que merda, onde eu tinha me metido?
De repente senti um par de braços fortes me envolver e soube na hora que eram do meu Anjo. Ele me puxou pra trás, rapidamente, enquanto dizia pro humano que estava tudo bem, pra que não se preocupasse. Ele me levou de volta pelas escadas até o primeiro andar, onde ficava nosso quarto.
- O que você está tentando fazer? Se matar?
A voz dele era preocupada e levemente histérica, enquanto ele fechava a porta do quarto e me mantinha entre os braços.
- Me... me desculpe. – eu disse de olhos fechados e com a pele ardida.
- O que você estava pensando, Michaela? Por que desceu?
Ele me soltou e senti que me encarava enquanto sentávamos na cama. Eu estava ficando louca, só pode, tentar fazer uma maluquice dessas.
- Eu não quis te acordar, você me parecia cansado e eu pensei em pegar algo pra você comer, eu...
OK, não consegui dizer mais nada. Eu já estava me sentindo totalmente estúpida e falar aquilo só me fez perceber o quão idiota tinha sido. Mas que merda, eu não estava em meu juízo perfeito.
Senti as mãos dele acariciando meu rosto e meu cabelo e sentia aquele olhar preso em mim.
Minha pele estava começando a voltar ao normal, mas meus olhos ainda doíam bastante. Senti apenas o leve puxão que me deu e também os lábios macios dele sobre os meus. Meu corpo respondeu na hora e eu o abracei.
Gabriel jogou seu corpo sobre o meu e me deitou sobre o colchão. Ele estava diferente, me beijava com intensidade e eu comecei a ficar excitada demais com aquilo. Como sempre, ele tremeu levemente ao sentir meu desejo, mas não parou de me beijar. Foi tão gostoso, tão intenso e inesperado. Eu levei as mãos para suas costas largas e musculosas na medida certa e ele deixou a mão deslizar até meu quadril.
Quando ele interrompeu o beijo, eu o puxei de volta e ele gemeu. Senti a ereção de em minha coxa e quilo quase me enlouqueceu. Céus, eu o queria tanto que o desejo não cabia em mim. Mas ele se afastou de novo.
- Você é completamente maluca. Eu não quero que faça uma loucura dessa nunca mais, me entendeu?
A voz dele era grave eu podia jurar que estava me dando uma bronca, mas pro azar dele aquilo só me excitou ainda mais – se é que era possível.
Abri os olhos um pouco e eles lacrimejavam bastante, ainda sensíveis. Ele estava apoiado no colchão, aqueles braços fortes estavam um da cada lado da minha cabeça e o rosto perfeito na minha direção. Eu ofegava bastante também.
- Maluco é você de me beijar desse jeito. Não sabe o risco que corre, Anjo, não sabe o quanto te desejo.
Ele levantou bruscamente e passou as mãos no cabelo preto, ofegante. Eu ainda tentava me acostumar com a ardência nos olhos e a calcinha úmida entre as pernas. Gabriel parecia nervoso.
- Eu fiz algo errado? – perguntei com um jeitinho manhoso. Eu sabia do conflito que ele estava vivendo, mas sinceramente, não estava nem aí pra ele. Eu queria mais era que ele perdesse totalmente o controle comido e estava empenha nisso.
- Não precisava descer, era só me acordar. – ele disse controlado.
Eu levantei e andei até a figura atlética e perfeita que tanto mexia comigo.
- Não... não se aproxime, por favor. – ele disse firme, levantando uma das mãos.
Eu parei. Novamente senti aquele incômodo gosto da rejeição.
- Mas que merda Gabriel, qual é a sua? Tá certo, eu fui até lá, fiz burrice, mas não mete essa pra cima de mim que eu sei muito bem que essa sua raiva não é por isso. Você só está com raiva de você mesmo porque não consegue se decidir o que fazer.
Droga, eu não nunca aprendi a controlar minha boca grande. Ele ficou parado na minha frente, ainda respirando com dificuldade e visivelmente excitado e eu ali, o desejando, como sempre. Por que tudo era sempre tão difícil?
Ele baixou a cabeça e respirou fundo.
- Obrigado. Por tentar trazer meu café.
Cruzei os braços. Ele ainda estava desviando do assunto. Ele se virou e caminhou até o banheiro. Ficou um tempo lá e saiu arrumado, bom, ajeitado, já que vestia a mesma roupa levemente amarrotada com a qual dormiu.
- Vou sair pra tentar investigar alguma coisa, descobrir algo sobre você e sua família. Estou levando um pouco do dinheiro e vou aproveitar pra comprar umas roupas, se você quiser, trago umas pra você ou pode comprar as suas quando anoitecer, se preferir.
Ele passou por mim e foi até a porta, mas eu fui atrás e segurei seu braço.
- Espera!
Gabriel me encarou com aquele mar azul profundo.
- E como ficamos?
- Eu já te agradeci pelo o que fez.
- Não estou falando disso e você sabe.
- Eu não sei Michaela. Sinceramente, eu não sei o que sentir ou o que fazer quando estou com você.
Eu ía responder e ía ser bem agressiva, mas a voz ficou travada em mim. Eu soltei o braço dele devagar. Ele ainda me encarava quando levantou a mão e afagou meu rosto com o dedo. Depois saiu.
Eu fiquei ali, parada, sentindo o resto do perfume dele se esvair. Ele passaria o dia atrás de respostas, atrás do meu passado, enquanto eu ficaria ali presa naquele quarto, trancafiada do mundo, como sempre. Se eu acreditasse em Deus eu poderia rezar e pedir um pouco de juízo. Mas como eu não acreditava, o que me restou foi tentar dormir.
Notas finais
bjs
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