Salvation

19 Capítulo 19


Era definitivo: eu estava completamente louca. Talvez fosse essa coisa de ser vampira e ter matada a própria mãe, sei lá, mas alguma coisa estava muito errada em mim. Eu estava ali, de frente para meu maior inimigo, a única criatura na face da Terra que tinha poder suficiente para me destruir e estava assim, totalmente entregue, desguarnecida.

Era inevitável, eu baixava a guarda quando Gabriel estava comigo e tudo piorava a cada dia que passávamos juntos. Ele perguntou o porquê, eu não soube responder. Aliás, acho que nunca saberei. O fato era que a última coisa que eu me sentia era uma vampira, uma Filha do Pecado. Não ali, não naquele momento.

- Tira a lente. – ele pediu.

Estranhei. Nós estávamos ambos nos encarando, sem respostas, em silêncio, e quando ele abriu a boca pra falar foi pra me pedir pra tirar as lentes. Não discuti, com cuidado, retirei uma e depois a outra. Pisquei várias vezes antes de voltar a olhar pra ele.

Gabriel me encarou de um jeito diferente, terno. Parecia que estava me aceitando e de um jeito que não soube explicar, eu gostei.

- Não é justo. – eu falei.

- O que não é justo?

- Você me vê, mas eu não te vejo.

Ele entendeu e assim como eu, retirou as lentes castanhas. Respirei fundo e me senti como se estivesse voltando pra casa. Só quando encarei o azul escuro de seus olhos foi que percebi o quanto estava agoniada antes, sem poder vê-los.

Eu queria Gabriel. Queria beijá-lo, queria senti-lo comigo, dentro de mim. Num impulso, me aproximei para abraça-lo, mas seus reflexos eram rápidos demais. Ele segurou meus pulsos, gentilmente.

- Sabe que eu te quero, não sabe. – falei diretamente, soltando tudo o que estava entalado na garganta, no corpo.

- Eu sei.

- Sabe que eu não vou desistir, não sabe?

- É, eu sei. – ele respondeu.

- E você, Gabriel, você me quer também? – finalmente, o que eu tanto ansiava saber saiu de minha boca.

- Sim. – ele falou tranquilamente, ainda me olhando ternamente.

Senti uma coisa estranha no estômago e lentamente soltei o ar. Era como se um peso enorme tivesse saído de mim. Dei mais um impulso pra frente, mas Gabriel me impediu de chegar mais perto, travando meus pulsos com um pouco mais de força.

Eu queria bufar e perguntar qual era o problema dele. O cara tinha acabado de falar que me queria, mas não deixava eu me aproximar? Que palhaçada era aquela? Ah, tá certo, ele era um Anjo, blá, blá, blá.

- Preciso de informações sobre o vampiro que transformou você.

- Informações? – eu falei alterada, o cara estava mudando de assunto – Como assim informações? Ele me seduziu, me comeu, bebeu meu sangue, me deu o dele, e fudeu com a porra da minha vida! Ah, e depois simplesmente desapareceu. O que mais você quer perguntar só pra desviar do assunto?

Ele me soltou e ainda parecia tranquilo demais pra um Anjo que acaba de admitir que tá a fim de uma garota – sugadora de sangue, é claro.

- Primeiro, eu não estou desviando de nada, já disse que me sinto atraído por você e ponto. Segundo, esse vampiro é um dos delegados de Julius e pode nos levar até ele, então precisamos do máximo de informações possíveis, entende?

Eu estava exaltada, sem dúvida, estava começando a ficar om raiva, mas disfarcei da melhor maneira que podia e rebati:

- Eu já te disse tudo o que eu sei sobre aquele filho da puta, a não ser que você queira as medidas exatas do pênis dele, não posso te ajudar em nada mais.

Gabriel assumiu uma expressão pensativa e andou até a janela. Eu ainda estava agitada com o que ele tinha acabado de me falar. Claramente ele não queria ir além, não iria se permitir um envolvimento comigo. Imagina, um Anjo e uma vampira? Simplesmente impossível.

Mas o fato era que eu queria o cara, muito. Ele estava de pé a metros de distancie e mesmo assim meu corpo parecia que ía explodir de desejo. Do ângulo em que eu estava, conseguia apenas ver a ponta de seu nariz reto e o cabelo bagunçado, mas era o suficiente. Meu olhar desceu até os ombros largos e eu sabia que haviam músculos muito bem torneados pro debaixo daquela camisa estúpida. Lembrei-me da sensação de quando ele me envolveu nos braços e me ofereceu seu sangue... minha nossa, sem a menor sombra de dúvida foi a coisa mais deliciosa que já provei.

Senti um calor invadindo meu corpo e uma vontade incontrolável de senti-lo. Estava excitada e com um desejo que não cabia em mim. Vi Gabriel tremer e a respiração dele aumentou de ritmo. Sabia que ele sentia minha excitação com essa coisa de sensibilidade superdesenvolvida. Mais que depressa ele se virou.

- Vou voltar pro The Klub. Tenho que dar cobertura a Anariel. Não podemos perder o vampiro.

- Você tem certeza que não está apenas fugindo de mim? – eu perguntei olhando o azul brilhante de seus olhos e andei lentamente em sua direção.

Gabriel respirou fundo e vi que ele fazia esforço para continuar me encarando, mas meus instintos diziam que eles queriam me explorar.

- Não te agradeci pelo vestido. – eu falei quando já estava perto e ele não conseguiu mais se segurar. O olhar dele desceu pelo meu pescoço e lentamente voltou até minha boca. Mordi o lábio inferior sutilmente e vi o azul profundo me desejando. Ele se forçou a desviar, mas nessa hora eu cheguei mais perto e quase colei meus seios em seu peito. Queimei quando vi os olhos dele em meu decote.

- Michaela... – eu ouvi aquela voz incrível sussurrar, mas meu olhar estava preso ao dele tão profundamente que era como eu tudo a minha volta tivesse aquele tom celeste.

Eu não era mais eu e seria capaz de qualquer coisa pra em afogar dentro dele. Senti outra onde de desejo me invadir e ele tremeu junto comigo. Vi quando mais uma vez ele começou a rezar, sussurrando palavras que eu não compreendia em um ritmo acelerado.

Passei os braços em volta de seu pescoço e mais uma vez ele tremeu. Devia ser pelo meu toque um pouco gelado. Eu sei que eu tremi quando senti a pele quente dele contara a minha. Minha voz saiu como um sussurro, nada mais. Eu já estava completamente perdida na imensidão azul que era seu olhar e no doce aroma de seu hálito.

- Por que você está rezando? – perguntei enquanto encostava meu nariz no dele – Está pedindo ao seu Pai pra que eu me afaste?

- Não – ele respondeu baixinho – Estou pedindo perdão.

E então senti os lábios dele nos meus.

Notas finais
aiaia.. como eu queria ser Mika, as vezes...huahuaa..

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