Salvation

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Gente, antes do cap, gostaria de agradecer demais as pessoas q me deixaram reviews e que me incentivam tanto com suas palavras;

JuliazinhahPatz
Amar
Isabelle0501
Nathy_Migliori
Annie122
Mary_Cullen_14

MTO OBRIGADA! ^_^

Depois que eu morri – fui transformada, que seja! – eu parei de acreditar em Deus, milagres, sonhos, simpatias ou qualquer coisa que não fosse real e visível, tangível. Um vampiro só se importa com uma coisa: sobrevivência. Tudo gira em torno do seu instinto, da sua percepção. Por isso você precisa confiar nos seus sentidos, no seu corpo.

O corpo, aliás, é o que controla você. Sede, desejo, raiva. Esses são os três sentimentos com os quais eu passei a me acostumar. Não mais amor, não mais carinho e ternura. Eu já não sabia o que era isso, fazia tempo.

Mas era isso o que eu estava sentido. Sentir os lábios de Gabriel contra os meus me trouxeram de volta sentimentos que eu jamais pensei que voltaria a sentir. Sentimentos que se perderam junto com minha humanidade, no dia em que me transformei.

Ele estava me trazendo de volta... mas não era isso que um Enviado de Deus deveria fazer?

Eu era a provocante, eu seduzia, eu o seduzi. Mas era ele quem tinha o controle. Seus lábios foram gentis e doces com os meus. Senti as mãos dele segurarem meu rosto delicadamente. Não era nada violento ou desesperado como era com os machos, não, não tinha nada a ver. Eu senti como se aquele fosse o meu primeiro beijo de verdade.

A língua dele pediu passagem e eu cedi, é claro. Como não poderia se era exatamente o que eu queria? O gosto era maravilhoso e ele me explorou deliciosamente com movimentos calmos e ritmados. Meus dedos se embolaram nos fios de sua nuca e o puxei pra mim, totalmente. Soltei um gemido baixo quando senti seu corpo perfeito se chocar contra o meu. Era quente e firme.

Gabriel também deixou sua mão escorregar para minha nuca enquanto a outra me envolveu a cintura. Eu o senti totalmente comigo, totalmente entregue. O senti como um homem em meus braços, em minha boca. Nosso beijo ficou um pouco mais quente e urgente, mas ainda era a coisa mais terna que já senti. Eu estava mole, entregue e completamente louca por aquele beijo. Meu desejo era beijá-lo pra sempre.

Mas bruscamente ele o interrompeu. Gabriel se sobressaltou e se afastou assustado. Senti um vazio extremamente incômodo, como se uma parte de mim mesma tivesse sido arrancada de repente. Eu o encarei, ainda enfeitiçada.

- Anariel. – foi só o que ele disse antes de sair voando pela janela, literalmente.

Eu fiquei uma fração de segundo parada, ainda com o gosto dele em minha boca. Rapidamente, meu corpo agiu por mim e eu pulei pela mesma janela que ele tinha aberto em tempo recorde.

Saí correndo, me concentrando no rastro doce e quase imperceptível que ele deixava pelo caminho, mas que me nariz e todo meu corpo eram capazes de reconhecer. Identifiquei que ele estava indo a leste da direção de onde ficava o The Klub. Corri o mais rápido que pude e sabia que estava perto. Passei pelas ruas desertas e mal iluminadas como um raio e nem me importaria se estivesse cheias de humanos, de vacas ou gnomos.

Dobrei a esquina e vi os dois Anjos lutando. Eram cinco vampiros contra eles. Identifiquei rapidamente os dois casais da boate e o quinto vampiro, o filho da puta que me transformou. Ele era exatamente como eu me lembrava: forte, bonito, imponente. Ele e mais as duas fêmeas encaravam Anariel, que parecia machucado, enquanto os outros dois machos rodeavam Gabriel.

Meu instinto me dizia pra correr. Mas não corri. Aquela, pela primeira vez, era a minha luta. Eu tinha a chance de acertar as contas com o macho que me fez ser o que sou hoje, então eu não cederia ao instinto da autoproteção.

Ouvi um grito alto e reparei que Gabriel acabara de cortar um dos vampiros praticamente ao meio com sua espada sagrada. Eu sabia que ele era bom. Anariel estava em desvantagem maior. Fui em direção a ele. Não para ajuda-lo, é claro, mas eu queria o macho. Surpreendi uma das fêmeas por trás e mordi sua jugular. Ela gritou e tentou escapar, mas já era tarde, eu tinha posto tanta força na mordida que tinha arrancado um pedaço do pescoço. Seu sangue jorrou com força e o corpo dela caiu contorcido no chão.

Ela não estava morta, mas estava fora de combate. Vi Anariel acertar um bom golpe no vampiro macho que só se distraiu porque me viu atacar a outra. Fui o elemento surpresa e eram muitas pro desgraçado. A surpresa um foi ver uma vampira ajudar aos Anjos e a surpresa dois foi ver que era eu, a mesma que ele tinha transformado, a mesma que todos caçavam.

Anariel causou um corte profundo na barriga do macho, que se curvou com dor. Vi apenas o reflexo de Gabriel atingindo o coração da outra fêmea com sua espada. Ele já tinha finalizado os outros dois com quem lutava.

- Está bem, Anariel? – a voz preocupada de Gabriel encheu o lugar.

O outro anjo parecia bem, melhor do que eu pensava, embora tivesse alguns hematomas e um pequeno corte no lábio superior.

- Eles me surpreenderam, perceberam que os seguia. – Anariel respondeu.

Eu me aproximei, minha boca ainda suja com o sangue da fêmea que imobilizei. Ela estava se contorcendo no chão, enquanto seu sangue escorria ralo abaixo. O macho desgraçado estava curvado sobre o corte profundo em sua barriga. Gabriel se aproximou do vampiro.

- Qual o seu nome? – ele disse apontando a espada na cara do macho.

Ele não respondeu e não deu atenção aos Anjos. O filho da puta me encarava sem piscar.

- Qual é o seu nome? – Gabriel perguntou mais uma vez, sem paciência.

- Andrew. – o vampiro falou fracamente, mas sem deixar de me encarar. Eu já estava ao lado de Gabriel e Anariel, de frente pra ele.

- Quero saber onde encontramos Julius. – a voz de Gabriel soou novamente.

O vampiro riu desdenhosamente.

Anariel não conversou e com um gesto rápido enfiou sua espada no ombro do vampiro, que uivou de dor.

- Pode morrer lentamente ou de maneira rápida, o que vai ser? – Anariel perguntou retirando sua espada do ombro do macho, que grunhiu ferozmente.

- Você não tem chance contra ele. Ele espera por você, Michaela... – o vampiro respondeu me encarando mais uma vez.

Eu estava fervendo. Soltei um rosnado alto e lhe mostrei os dentes.

- Incrível que eles... que eles ainda não tenham acabado com você. – o macho falou pra mim – eu sabia que era você... sabia quem era quando Julius me falou... mas não acreditei...

- Então você lembra o que fez comigo seu desgraçado... lembra de ter acabado com a minha vida! – eu berrei enquanto saltei na direção de verme e lhe dei um soco no meio da cara.

Ele caiu no chão, com a força do impacto e eu soltei mais grunhidos.

- Michaela, fica calma! – Gabriel me disse, tentando me afastar do macho. Mas eu não escutava, apenas olhava o responsável pela minha sina infernal e sentia ódio, um ódio profundo.

- Nos diga onde encontrar Julius. – Anariel pressionou mais uma vez.

- Eu já disse, ele espera vocês... – o macho tentou se levantar, mas sangrava muito e estava cercado.

- Eu me joguei pra frente e pressionei o corpo dele contra a parede. Uma de minhas mãos foi de encontro a sua ferida na barriga. Ele berrou de dor.

- Diga! Diga onde ele está ou eu juro que vai sofrer mais do que qualquer vampiro já sofreu na vida!

Eu estava fora de mim e minha mão estava enterrada nas vísceras de Andrew. Ele estava alucinado de dor.

- Avenida 7... – ele finalmente disse, com dificuldade, tamanha dor que eu infringia.

Senti Anariel ficar mais calmo atrás de mim, afinal, tinha conseguido a informação. Gabriel, no entanto, continuava tenso.

- Já acabou, Michaela, solte-o.

Eu não dei atenção, não o escutei. Só o que eu queria era a verdade, era uma resposta.

- Por que, seu desgraçado, por que me transformou? – eu gritei e aprofundei ainda mais minha mão em sua ferida.

O macho uivou e eu senti que estava quase desmaiando.

- Fale! – eu exigi.

- Michaela, a vingança não é o caminho, por favor, me escute!

Gabriel falava atrás de mim, mas eu não queria ouvir, só o que eu queria era saber o motivo de tudo aquilo.

Achei que o vampiro não diria nada, mas de repente, um fio de voz saiu de sua garganta imunda:

- Ele... ele me pediu que fizesse...

- Ele? Quem, quem te pediu pra me transformar? – eu estava alucinada, precisava de uma resposta.

- O Ser Alado... ele me poupou a vida em troca... em troca da sua transformação...

Silêncio. Eu não ouvia nem a respiração dos anjos atrás de mim. Então eu fui transformada porque alguém pediu pra ele? Um ... anjo? Como ?

- Quem? – eu falei – Quem? – berrei.

O macho tentou rir, mas só conseguiu ficar grotesco. Senti as mãos de Gabriel em meus ombros e ele me puxou pra trás. Quando soltei Andrew, o infeliz caiu sobre a poça de sangue escuro que havia no chão. Ele estava acabado. Vi quando Anariel se afastou e ouvi quando cravou sua espada no peito da fêmea que eu mordi, finalizando todas as testemunhas.

Gabriel continuava ao meu lado, quieto, com sua espada na mão. Eu não conseguia parar de olhar pro macho que agonizava diante de mim e as palavras dele me consumiam.

- Michaela, o ódio e a vingança nunca são o caminho. Lembre-se de sua humanidade.

Gabriel dizia as palavras em meu ouvido, mas eu estava entorpecida. Só uma coisa me traria paz naquele momento.

- Mas eu não sou humana. – eu respondi.

Com uma velocidade absurda que só o ódio conseguiu me proporcionar, eu virei e arranquei o objeto sagrado da mão de Gabriel. Ódio. Ódio era tudo o que eu sentia enquanto cravava a espada no peito do macho a nossa frente, bem no coração.

Notas finais
Comments??