Depois que Théo pegou Frank desobedecendo suas “ordens” e ainda ter quebrado a porta do quarto, ele queria me levar para outro quarto da casa. Tinha muitos, ele não precisaria ficar no de Frank. Queria ficar, mas eu pedi para não fazer isso. Ele quer que eu fique no quarto dele a partir de agora e eu não gosto do quarto de Frank, pois me traz recordações ruins... Théo entendeu meu lado e respeitou meu pedido.

Ele me levava em seus braços para o quarto mais afastado da casa. Não sei se é porque ele é gelado, mas estou com bastante frio agora... Levanto levemente a cabeça que está apoiada no peito de Théo e olho seu rosto. Parecia calmo e me carregava como se não pesasse nada. Ele abaixa a cabeça e me olha. Deve ter percebido que o encarava, quero desviar o olhar, mas não o faço. Ele sorri e então olha pra frente, já estava em frente à porta do quarto. Théo me carrega até a cama e me coloca deitada. Me encolho, pois o frio continua.

— Acho que está com febre mesmo... – ele pega a pequena sacola da farmácia e olha dentro. – Coloque isso debaixo do braço – me entrega um termômetro. Faço o que ele diz.

Ficamos em silencio esperando o tempo para ver a temperatura. Não olhava na direção de Théo, mas sentia que estava me encarando.

— Não pensei que Frank fosse tão espertinho assim...

— Pois ele é e muito. Ainda tenho medo de que consiga o dinheiro se quer saber.

— Isso ele não consegue.

— E se conseguir? – olho para ele agora.

— Não vai.

— Como pode ser tão seguro disso?

— Porque o único que empresta quantias tão altas assim é o meu pai e eles já estão devendo.

— Seu pai sabe que quer trocar esse dinheiro todo por mim?

— Não.

— E como você acha que ele vai reagir quando descobrir? – pergunto nervosa.

— Não vai ligar.

— Eu ligaria se perdesse dois milhões por algo como eu... – Théo dá uma risada.

— Ainda bem que existem pessoas que enxergam suas qualidades Sofia. Você mesma não vê.

Não respondo e fico o olhando com uma sobrancelha levantada. O que isso quer dizer afinal de contas? Antes que possa perguntar o termômetro apita avisando que passou o tempo. Tiro ele debaixo do braço e olho. Quarenta graus. Uau!

— E ai?

— Quarenta graus.

— Melhor tomar um banho morno para abaixar isso...

— Você me ajuda a ir até lá? – Théo sorri.

— Claro.

Ele me ajuda a chegar ao banheiro, mas percebo que posso andar sozinha. Até porque se algo acontecer ele vai saber... Théo me deixa sozinha. Tomo um banho morno que mais parece gelado e depois volto para o quarto. Théo está sentado na cama e levanta.

— Eu estou bem – sigo até a cama e me deito nela. Ele senta de novo.

— Se sente melhor?

— Um pouco.

— Quer comer algo?

— Não... Estou um pouco enjoada.

— Vou pegar água para você tomar o remédio – seguro a mão dele quando ia levantar e ele me olha surpreso.

— Não demora... – Théo sorri e acaricia meu rosto levemente.

— Pode deixar.

Ele sai do quarto e eu respiro fundo. Não deveria ter pedido isso! Mas nem pensei, quando vi que ia sair me senti em pânico. Pensei logo que Frank poderia voltar e terminar o que queria no outro quarto...

Um tempo depois ele volta com um copo de água. Sento na cama e pego o copo de sua mão. Ele me entrega o comprimido.

— Por que demorou tanto? – tomo o remédio.

— Estava falando com Mark.

— Sobre o que?

— Ele veio me perguntar o que aconteceu.

— Hum...

— Não se preocupa, ele não vai mais chegar perto de você.

— Como tem certeza?

— Eu não vou deixar – diz me olhando nos olhos.

Fico em silencio olhando ele. Por que se importa tanto? O que ele vai ganhar com tudo isso? Eu não consigo mesmo entender... Théo acaricia minha mão e faz com que eu olhe. Sua pele é muito clara, eu sou branquinha, mas ele é muito mais que eu. E é feito o gelo. É como se ele estivesse mesmo congelado. Seguro sua mão e olho seu rosto. Ele sorri levemente e continua acariciando. Queria saber o que fazer para retribuir o que está fazendo por mim. Mordo levemente o lábio, queria abraçá-lo e não sei porque tinha essa vontade. Ele não desviava os olhos de mim e muito menos parava a caricia.

Não sei se ele entendeu o que eu queria ou se podia ler mentes, mas começou a se aproximar de mim lentamente e passou os braços ao redor da minha cintura. Estava sentado de frente pra mim. Seguro os braços dele com as mãos e aperto um pouco. Seu queixo está encostado em meu ombro e é uma sensação boa apesar de ser gelado. Ficamos na mesma posição por um tempo. Queria abraçar de verdade, mas tinha um certo receio, então continuei só segurando os braços dele. Théo segura meus pulsos e coloca meus braços em seu ombro. Envolvo o pescoço dele em meus braços e olho seu rosto. Estava sério me olhando.

Estávamos próximos demais! Depois que ele colocou meus braços naquela posição, ficamos mais perto ainda. Respiro fundo. O que está acontecendo aqui? Théo coloca uma das mãos em meu rosto e eu fecho os olhos ao sentir gelado. Mesmo assim não tiro os braços de onde estavam. Como fechei os olhos, só me dei conta do que estava acontecendo quando seus lábios frios tocaram os meus. Estremeci, seu toque é delicado, bem diferente do que estou acostumada...

Théo fica uns segundos só com os lábios encostados nos meus. Acho que esperava eu falar algo, ou empurrá-lo, não sei. Mas como não fiz isso, ele aprofundou o beijo.

E foi a primeira vez que beijei um vampiro porque quis.