Salva pelo inimigo
12 Capítulo onze
Théo se afastou lentamente e ficamos em silêncio um olhando para o outro. Eu acabei de beijar um vampiro porque senti vontade! Será que sou louca por isso? Desvio o olhar. Isso não deveria ter acontecido! Por mais que ele me ajude e esteja fazendo o que está fazendo por mim, não é normal um vampiro ficar com uma humana! Vampiros tem que ficar com vampiros e humanos com humanos! Não pode ser diferente.
— Está tudo bem? – ele pergunta e sua voz sai baixa. Balanço a cabeça dizendo que sim, mas é mentira. Estou surtando com os pensamentos de como isso tudo foi errado!
Me afasto dele e deito na cama. Puxo o cobertor que provavelmente ele colocou ali pra mim e me cubro. Ainda estava com frio. Não olhava na direção dele agora e nem queria olhar.
— Desculpa Sofia. Achei que por você não ter falado nada eu poderia continuar, mas claro que você não faria isso. Já te forçaram tantas vezes, não é?
— Não falei nada por causa disso...
— Então por que não falou?
— Porque eu quis que acontecesse.
— Não entendo – suspiro e sento na cama de novo. Só que agora estava distante dele.
— Théo isso é muito estranho! Você é um vampiro e eu uma humana! Na minha mente só encaixa eu ficando com vampiros porque me obrigam!
— Eu não te obriguei a nada Sofia – responde sério.
— Eu sei, mas...
— Está tudo bem. Vamos fingir que isso não aconteceu.
— Mas...
— Vai ser melhor assim – fala antes que eu termine a frase. Parecia meio aborrecido. – Agora deite e durma um pouco. Não vou deixar eles entrarem aqui.
— Vai ficar aqui dentro?
— Não.
— Tudo bem.
Théo sai do quarto e eu me jogo na cama. Droga!
†††
Acordei com um barulho no quarto e sentei na cama assustada.
— Calma, sou eu – diz Théo. Suspiro e deito na cama de novo. – Está melhor?
— Acho que sim.
— Tire a temperatura de novo.
Pego o termômetro e coloco debaixo do braço. O silêncio estava me incomodando tanto agora. Sempre tinha momentos em que ficávamos em silencio, mas depois do que aconteceu mais cedo, isso está me deixando doida! E é porque ele me cortou e não quis saber o que eu ia dizer. Não acusei ele de nada, é só um medo que tenho.
— Você está chateado comigo? – pergunto baixo.
— Por que estaria?
— Não se faz de idiota Théo! Você sabe muito bem do que estou falando.
— Eu não tenho que ficar nada com você. Não deveria ter feito isso. A culpa foi toda minha.
— Mas eu não te impedi. Eu não disse nada! Mesmo quando eles me forçam, eu falo alguma coisa porque eu nunca quero.
Théo fica em silêncio me encarando agora. Ele deve estar tão confuso quanto eu. Nem eu sei porque estou tão preocupada com esse assunto, ele já disse que é para fingir que não aconteceu, mas eu não quero fingir nada! Quero que seja esclarecido, só isso.
— O que você quer então Sofia?
— Entender.
— O que?
— Porque você quer me ajudar e porquê... Quis me beijar – ele respira fundo, mas não desvia os olhos de mim.
— O dia que você começar a enxergar o que tem de bom, vai entender isso.
Viro os olhos. Por que em vez de falar esse tipo de coisa, ele não me responde? Que coisa chata! Deito na cama de novo e fico em silêncio olhando o teto. Estou muito confusa com tudo e ele não me dá uma resposta! Custa muito?
Arregalo os olhos quando ele se aproxima e apoia as mãos ao lado do meu corpo. Estava com os joelhos apoiados no colchão, isso por cima de mim, estava entre os braços e pernas dele. Théo me olhava sorrindo levemente. Não consegui nem reagir a isso.
— Por que acha que um vampiro não pode se relacionar com uma humana?
— Porque são diferentes.
— Me diga nossas diferenças.
— Você é gelado... – ele ri.
— Que mais?
— Bebe sangue de humanos.
— Já disse de que tipo de humanos eu bebo – se defende e eu não consigo segurar o sorriso.
— Tudo bem. Mas o que um vampiro vai querer com uma pessoa que pode ser sua “comida”?
— Nem todos os vampiros são iguais Sofia.
— Então me diga as diferenças – Théo sorri.
— Sou de uma família diferente. Não matamos pessoas assim como você está acostumada a ver por aqui. Sempre são os que já estão condenados ou que fizeram algo muito grave e não se arrependeram disso.
— Hum... Tipo uma família justiceira?
— Não é bem assim. A gente precisa se alimentar, mas não gostamos de tirar os humanos melhores do mundo. Ou algo assim.
— Você é mesmo estranho – digo rindo.
— Um estranho bom ou ruim?
— Acho que bom – ele sorri.
— Posso te beijar Sofia? – paraliso com a pergunta direta e comprimo os lábios.
Ele pode te beijar Sofia?
Aceno com a cabeça. Théo aproxima o rosto do meu e fica me encarando bem perto, mas não me beija.
— Posso ou não Sofia?
— Pode.
— Você não sabe mesmo o que quer, não é?! – viro os olhos e tento sair debaixo dele, mas ele aproxima mais o rosto acabando com o pequeno espaço que tinha entre a gente.
Minhas mãos involuntariamente seguram seu rosto. Não sei descrever muito bem como é o beijo dele. Só sei que é muito bom. E por ele ter essa temperatura, deixa tudo diferente...
Théo sai de cima de mim, mas não para o beijo. Estava deitado ao meu lado agora. Sinto sua mão fria segurar minha cintura e tremo levemente. O que eu tenho de bom para fazer um vampiro trocar dois milhões e ainda querer me beijar?
Me afasto um pouco quando percebo que estamos com os lábios colados tempo demais. Théo me olha confuso.
— Eu só não quero ir além disso...
— E quem disse que ia?
— Não sei – digo insegura.
— Você precisa aprender a confiar em mim.
— Desculpa...
— Está tudo bem. Eu entendo você, ser obrigada a ficar com eles não deve ter sido nada fácil, mas eu nunca vou fazer isso com você e espero que nisso você acredite.
— Acredito em você – ele sorri.
— Que bom Sofia – o termômetro apita com um barulho fraco, até esqueci disso. Pego e olho. – E ai abaixou?
— Sim. Está trinta e oito agora.
— Melhor que quarenta...
— É. Falta muito para o prazo deles acabar? – mudo de assunto drasticamente.
— Não. Só alguns dias e assim poderemos ir embora e você vai ficar livre.
— Será que eles não perceberam nada? Não são tão tapados assim. Tenho medo que descubram.
— Isso não vai acontecer.
— Como sabe disso?
— Posso ouvir quando estão por perto.
— E se fizerem silencio? – Théo ri.
— Não vai adiantar.
— Tá bom. Se você está tão seguro disso, vou tentar ficar também.
— Relaxa e esquece eles – se aproxima e me beija de novo.
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