Sakura Harem

20 NaruSaku — Sentimentos


Notas iniciais
Postando cedo só porque leitores novos deram as caras ontem, mas tô sentindo falta de muita gente antiga, hein. Não me entristeçam dessa forma! Karlos-san, o capítulo é seu. Espero que a espera valha a pena. Boa leitura a todos!



— Você acha que Naruto vai aceitar nossa decisão? — Kiba indagou lentamente, afagando o torso de Akamaru que gania baixinho.

— Mas isso somos nós que decidimos. Precisamos fazê-lo entender. — Lee retrucou com o punho sobre o queixo, os olhos negros fixos em lugar nenhum.

Sakura que permanecia em silêncio durante a cacofonia de vozes se ergueu duramente e murmurou:

— Vou falar com Naruto sobre tudo.

— Você, Sakura-san? — Rock Lee disse com uma surpresa que deixou a rosada levemente ofendida, mas ela não teve a chance de rebater, pois Kiba emendou:

— Você tem um plano?

— Deixem tudo comigo — disse sem esclarecer de todo. Sua voz saiu cansada e ela sentiu vontade de dormir e não acordar mais.

Tudo parecia dar errado de um tempo pra agora. Olhou nos olhos de cada um dos ninjas presente e parou por mais tempo ao fitar seu colega de time, Sai. O rosto inexpressivo a encarava de maneira persistente e algo nos olhos de carvão deixou-a enervada. E foi o que a fez pedir com um tom mais suave:

— Não digam nada ao Naruto. Por favor, me prometam, pessoal.

A neve trepidava do céu no País do Ferro cada vez mais rápido. Pontos brancos interrompiam sua visão a cada instante e descansavam sobre seus pés cobertos pelo sapato, no entanto sentia as pontas dos dedos dormentes. Sua garganta arranhava e ela sentiu vontade de chorar, mas engoliu o sentimento com esforço. Precisava ser forte. Por Naruto, ela precisava ser forte.

Sakura sabia que era mais que uma necessidade livrar o jinchuuriki da promessa que ela lhe impusera há anos atrás. A imprudência de uma jovem apaixonada o fez cometer tantas tolices suicidas que ela não conseguiu simplesmente sentar-se e esperar até que uma delas obtivesse êxito. Nunca se perdoaria se algo acontecesse com o shinobi. Então se viu na obrigação de agir. Quando Konohagakure decidiu o destino do nukenin que pateticamente ela decidiu amar, teve que agir. Conhecia Naruto o suficiente para saber que ele nunca acataria a decisão. Ele tentaria salvar o amigo que não queria ser salvo. Colocaria sua vida ao risco em prol da amizade que definhava a cada minuto corrido. Só ele não via isso. O Uzumaki estaria disposto a arriscar sua fidelidade à aldeia para salvar o ninja fugitivo de Konoha.

Amava Sasuke e isso não podia ser contestado, contudo não seria tola para fingir que o último Uchiha era uma pessoa digna de ser salva. Ele se tornara mau. Escolhera as trevas desde o início e a escuridão o acolhera. Sakura ainda daria sua vida a ele se fosse preciso, mas não deixaria, de forma alguma, que ele levasse a de seu amigo. Porque ela o amava também. E nunca suportaria ver Naruto virar-se contra seus princípios por causa de uma escolha errada de um ninja obscuro, não toleraria perde-lo. Por isso fingiu. Por isso mentiu dizendo a verdade. O silêncio se fez quando proferiu as palavras que pareciam totalmente deslocadas naquele cenário. A neve ficou mais intensa para se adequar ao peso que aquela conversa teria.

Os rostos de Kakashi-sensei, Yamato-taichou e Naruto pareciam ter sido talhados com a mesma expressão atônita, apesar de seu sensei substituto parecer mais surpreso que os outros dois. Os rapazes às suas costas não emitiram sequer um ruído.

— O que você disse, Sakura-chan? — Naruto indagou e aproximou-se um passo. — Acho que ouvi mal, você pode dizer de novo?

— Eu disse… — começou a kunoichi e mordeu o lábio de ansiedade. Nunca fora tão difícil falar com o amigo. Ela engoliu o nó que se formou na garganta e fechou as mãos em punho. — Eu disse que te amo, Naruto. Disse que o Sasuke-kun não significa mais nada para mim. — Os olhos azuis fixados em seu rosto causaram-lhe frio no estômago. Sakura tentou rir, mas um guincho rouco escapou de seus lábios. Atropelou as palavras na língua ao continuar: — Eu… devia estar maluca por gostar… dele por todo esse tempo. Escute quando alguém estiver se declarando pra você, sim?

— Mas por quê?— indagou o loiro com uma indignação confusa. Ele ergueu os braços em questionamento. — Pra que? Aqui não é lugar para brincadeiras. Não tem graça, Sakura-chan. — A Haruno quis sorrir do tom de voz duro e crítico. Era incrível como ele não deixava de ser doce com ela mesmo estando evidentemente chateado. — O que está acontecendo?

— Nada! — sua voz falhou e ela esperou que passasse despercebido. — Eu só acordei! Por que eu deveria amar um nukenin que é um criminoso? Não sou mais criança, posso encarar a realidade. — Queria tanto que isso fosse verdade. Odiou-se por não conseguir encarar os fatos como adulta. Apenas queria que alguém a envolvesse nos braços e dissesse que tudo ficaria bem no final. Que eles permaneceriam vivos e Naruto seria o bobalhão de sempre que a tirava do sério constantemente. Seu coração doeu, porque não era assim que tudo aconteceria. Por mais que desejasse com todo o coração, não era assim. Uma lágrima quase escapou, mas ela segurou com um suspiro longo. Sorriu mais autenticamente possível ao propor com ânimo: — Então Naruto, você pode esquecer aquela promessa que fez pra mim. Você pode parar de perseguir o Sasuke-kun, tá?

— O que…? — a voz de Yamato soou colérica ao lado de Naruto e Sakura só notou Kakashi interpondo-se à frente do ANBU para impedi-lo de fazer sabe-se lá o que queria fazer. A médica sentia as costas queimarem com os olhares dos amigos atrás de si. Sai estava quase ao seu lado e o rosto dele virava-se em sua direção, o mesmo olhar persistente de horas mais cedo.

— Sakura-chan, aconteceu alguma coisa? — perguntou o Uzumaki preocupado e o coração de Sakura palpitou errático. Queria contar. Queria muito, mas sabia que não conseguiria. — Isso é repentino demais.

— Não aconteceu nada! — mentiu ela reforçando o timbre. Os olhos verdes marejaram, mas a nevasca assídua ajudou-a a se recompor sem ser flagrada. — É óbvio o motivo de eu ter me apaixonado por você.

Um longo minuto se passou sem que alguém ousasse falar algo. Sakura sentia suas pulsações retumbando nos ouvidos e a respiração parecia alta demais. A atenção estava toda nela. Prendeu os lábios de nervosismo.

“Tudo o que eu quero é que você me aceite… Sasuke-kun”. Era só no que Naruto conseguia pensar. A imagem das lágrimas incontidas da kunoichi ia e vinha em sua mente sem que ele pudesse se esquecer. Obviamente ela estava mentindo, mas por qual motivo? Sakura sempre se mostrara firme, mesmo nas mais difíceis situações. Não entendia o porquê daquela cena, no entanto não podia evitar sentir o coração se inflamando com as palavras vãs da médica. Ela fazia ideia do que ele sentia? Tinha a mínima noção do quanto magoava ouvi-la dizer aquelas coisas?

E tudo pareceu ficar pior quando sua amiga avançou alguns passos e se aproximou mais do que imaginaria. Os braços delgados o abraçaram com firmeza e ele pôde sentir o cheiro floral dos cabelos dela.

— Sasuke-kun continua se afastando mais e mais de mim — disse ela num murmúrio falho —, mas, Naruto, você sempre esteve ao meu lado e me apoiou. Eu finalmente percebi quem você realmente é. Mesmo naquela vez com Pain, você voltou quando mais precisávamos de você. O herói que protegeu a vila. Hoje, todos em Konoha te admiram e eu sou simplesmente mais uma. — Naruto franziu o cenho, mas o aperto à sua volta tornou-se mais forte enquanto a kunoichi arfava elogios sussurrados em seu ombro. Ele fechou os punhos desejando ter algo para bater, mas apenas fechou os olhos e continuou a ouvir as mentiras: —… Enquanto isso Sasuke-kun continuava a cometer crimes e partir meu coração, sempre se tornando mais estranho… mas você nunca deixou de se aproximar, Naruto. Você me dá conforto. Eu gosto de você do fundo do meu coraç-

— Chega, Sakura-chan. — Empurrou-a desvencilhando dos braços da única garota que era capaz de machucá-lo física e emocionalmente com a mesma força e proporção. Perceber os olhos verdes tão cheios de lágrimas o fez se arrepender do feito imediatamente, mas não se desculpou. Apenas continuou a repreendê-la, ela não era a única que sentia vontade de chorar. — Não tem mais graça.

— Por que está tão chateado? — indagou ela com a voz falha. Naruto a olhou com extrema decepção, mas ela engoliu seco e insistiu. Precisava insistir. — Eu só disse que gosto de você ao invés de Sasuke-kun. Você conhece o ditado: Os sentimentos das mulheres mudam como o tempo no outono.

Ela realmente achava que ele acreditaria naquilo? Realmente? Sabia que a rosada de fato era mais inteligente que ele, mas o subestimava tanto assim? Não podia ser que ela o considerava burro a este ponto. O loiro sentia que perderia o controle pela primeira vez com sua amiga. Ele segurou os ombros pequenos e apertou-os com firmeza, fazendo a garota se encolher e fitá-lo com surpresa.

— Odeio pessoas que mentem pra si mesmas — respondeu claramente mantendo os olhares fixos, sem se desviar sequer uma vez. As íris verdes brilhavam pelas lágrimas contidas e os lábios pequenos soltaram um expiro causando uma pequena nuvem de calor no ar gelado demais.

— Estou mentindo pra mim mesma? — perguntou ela franzindo a boca parecendo muito chateada. Naruto assentiu lentamente, com receio da reação imprevisível da médica. Pela expressão raivosa, achou que ela o agrediria. Dessa vez o shinobi a conteria, não era um momento em que pudesse permitir ser machucado fisicamente, já que seus nervos já estavam sendo aniquilados. Sakura apenas afastou sua mão com um tapa ardido e os olhos esmeraldinos se inflamaram. — Sou eu que decido o que sinto. Se você me odeia, me diga na cara! Não mude de assunto.

Odiar Haruno Sakura? Naruto riria se a não situação fosse absolutamente reversa à graça. Ela havia entendido errado. Não havia mudado de assunto, na verdade, atingiu-o em cheio.

— Não faz sentido — rebateu sentindo a raiva abluir por seu corpo. — Você veio aqui só para me dizer isso?

pra te dizer isso? — perguntou retoricamente a rosada com um arfar indignado. — Só? Você acha que não é nada demais uma garota confessar o seu amor? — Naruto estava pronto para protestar, mas calou-se. Os olhares dos outros shinobis começavam a enervá-lo. Aquela conversa não parecia ser uma que pudesse ser discutida publicamente, mas a kunoichi estava totalmente indiferente aos homens ao seu redor. — E diz que eu só vim até aqui? É claro que eu vim até aqui! Sasuke-kun, Sasuke-kun, Sasuke-kun! — entoou ela enraivecida fuzilando o amigo com um olhar enquanto a voz se alterava cada vez mais. — É apenas nisso que você pensa! Ir atrás dele e se por em perigo. Você é o Jinchuuriki da Kyuubi e a Akatsuki está atrás de você! Se preocupe consigo mesmo, pra variar um pouco. Estou dizendo que não tem necessidade de você se por em perigo só para ir atrás do Sasuke-kun. Quero que volte para a vila, é por isso que estou aqui. !

Ela estava preocupada. Naruto percebeu pelo modo como os olhos o observavam marejados e os punhos pequenos e mortais se uniam de desespero ao se atropelar nas frases. Cada palavra tinha um peso esmagador de preocupação embebido em raiva.

Naruto apenas não pode perceber que a raiva era de si mesma, não dele.

— Acho que isso soa como uma péssima desculpa — admitiu desviando os olhos azuis da garota colérica à sua frente. Voltou o rosto em direção ao dela novamente e sussurrou: — Eu te conheço muito bem, Sakura-chan.

Ela sentia as mãos tremerem e não era pelo frio trepidante. Sua garganta se apertava dolorida e tudo que queria era bater naquela cabeça teimosa e loira até que ele entendesse que ela se importava demais com seu bem-estar para vê-lo se arriscar tanto por sua culpa.

— Então porque você não entende? — persistiu com a voz suplicante e aproximou-se um passo para sussurrar novamente, forçando-se a acreditar também. — Não ligo mais pro Sasuke-kun agora que ele é um criminoso. Então a promessa entre nós não faz nenhum sentido!

— Não é só pela promessa. — perseverou o jinchuuriki calmamente. Um fraco sorriso ameaçou nos lábios, mas logo sumiu para dar lugar a uma expressão sombria. — Agora eu meio que entendo porque o Sasuke ficou obcecado por vingança e está causando tudo isso. Sasuke amava sua família e seu clã. Por esse amor ser tão profundo, é difícil pra ele esquecer.

Sakura gemeu derrotada e baixou o rosto pesando-o na mão. Kiba perguntou alguma coisa a Naruto atrás de si, mas sua cabeça latejava dolorida, não pode focar-se. Tudo estava dando errado, ela estava mentindo desde o início porque não tinha forças o suficiente para contar ao seu amigo o que aconteceria com Sasuke. Doía nela, doía muito. E não queria que Naruto sentisse aquilo, não queria que ele soubesse o quão terrível era aquele sentimento. Eles perderiam um companheiro. Naruto perderia um amigo. Sakura perderia um amor, por mais não correspondido que fosse. O amor não era sempre uma via de mão dupla, afinal. E ela não podia mandar em seu coração, só podia obedecê-lo e torcer pra não machucar-se muito. Não estava dando certo.

Quando ergueu o rosto, estavam todos afundados em um silêncio tenso. Naruto ainda a fitava com uma estranha frieza. Sakura quis zombar de si mesma. Seria muito bem feito se o único garoto que realmente gostava dela começasse a odiar. Ela aceitaria o sentimento de bom grado se tivesse obtido êxito, mas não conseguira. Estavam na estaca zero e, agora, zangados um com o outro. Talvez devesse ir embora. E foi o que resolveu fazer.

— Estou voltando — murmurou cansada e virou as costas sem olhar o loiro uma última vez. Não queria minguar o resto da amizade com um olhar decepcionado. Também não se sentiu segura o suficiente para um pedido de desculpas. — Sai, Kiba, Lee; vamos.

Não queria que tudo terminasse assim. A dor agarrava-se a sua garganta e ela sequer teve a chance de dizer o que realmente sentia ao amigo.

Gomene, Naruto.

A viagem foi terrivelmente silenciosa. Sakura corria muito a frente dos shinobis para que não vissem as lágrimas frias que se enregelava em seu rosto. Alguém contaria a ele a verdade. Não havia por que se preocupar, alguém faria o que ela devia ter feito. Alguém com coragem. Sakura limpou o rosto com as costas das mãos amaldiçoando o vento frio que a fazia lacrimejar copiosamente.

Definitivamente, mentir para si mesma não ajudaria.

Ela freou os pés subitamente, amontoando uma grande quantidade de neve sobre os sapatos, seus dedos protestaram com o frio. Tirou o cabelo do rosto e o ergueu, deixando que os flocos frios tocassem sua pele úmida.

— Sakura, está tudo bem? — Sai indagou quando a alcançou. Kiba e Lee chegaram logo adiante. A médica reprimiu um soluço e afastou a mão que se ergueu para tocar em seu cabelo.

— Desfaça — sussurrou ela erguendo o rosto subitamente. Sai prendeu os lábios sem compreender e meneou a cabeça suavemente. — Seu clone que está escondido lá, eu o vi. Desfaça-o.

Lee olhou para o ANBU surpreso e Kiba cobriu o rosto da nevasca intensa. Sai não parecia surpreso, mas negou acirrado sem alterar a expressão plácida no rosto.

— Naruto precisa saber.

A kunoichi agarrou-o pelo colete e aproximou os rostos. Já não se importava se as lágrimas escorriam e congelavam lentamente em seu rosto. Sai suspirou pesadamente, mas ela o apertou mais, trazendo-o pra baixo para que a ouvisse.

— Eu vou voltar para contar a ele.

— Sakura-san, mas você acabou de tentar — Lee resmungou confuso, mas a rosada não se virou para olhá-lo. Sai mantinha o rosto neutro e obstinado.

— Você não consegue — murmurou levantando os olhos e Sakura quis esmurrá-lo pela sinceridade.

— Eu vou — insistiu confiante e forçou mais os braços. Sentia o tecido protestando e um grunhido escapou da garganta do shinobi. — Ele é meu amigo, precisa de mim.

— Eu sinto que é o contrário — rebateu inexpressivamente. A médica ergueu a mão, pronta para chocá-la contra Sai, — por que maldição ele tinha que ser tão sincero? — contudo ele foi mais rápido ao segurar seu punho sem aplicar força alguma para impedi-la. Uma palavra foi suficiente: — Vá.

Ela olhou o rosto sério dele e soltou um suspiro aliviado. Largou o tecido esgarçado e abraçou o ANBU subitamente, ele sequer teve tempo de reagir, pois Sakura o soltara tão rapidamente quanto o acolhera.

— Ela vai voltar? — Kiba indagou fazendo uma careta questionável.

— Sakura-san… — Lee murmurou totalmente averso à ideia.

— Por favor, continuem a ir sem mim. Eu ainda preciso conversar com Naruto — respondeu-os antes de se afastar. — Sai… Obrigada.

— Apresse-se — replicou ele calmamente depois que a garota virou as costas. — Ele já espera por você.

Quando chegou novamente onde Naruto e ela discutiram, Sakura deparou-se com o vazio. A neve caía cada vez mais abundante e frenética, atrapalhando sua visão. Ela semicerrou os olhos e concentrou-se por um pequeno momento, dando a meia volta ao seguir o chakra tão conhecido quanto o seu. Chegou a uma casa simples e se aproximou, girou a maçaneta sem hesitar, estava aberta. Ele realmente estava esperando por ela. Sentiu o calor acolhedor da residência mordiscando a ponta de seu nariz dormente, abraçou-se e subiu as escadas às pressas. Empurrou a porta deslizante para o lado e lançou-se para frente, encontrando o peito do amigo com o rosto.

— Me desculpa, me desculpa, me desculpa — ecoou sentindo as palavras arranharem sua garganta.

Braços quentes envolveram suas costas e ela sentiu como se o coração pesasse cem quilos dentro do peito. As lágrimas que eram chuva se formando em seus olhos tornaram-se tempestade, manancial e torrente; mas era Naruto ali, não precisava se envergonhar. Podia ser ela mesma, podia chorar, precisava chorar. O Uzumaki esperou pacientemente a chuva passar, acariciou os cabelos róseos bagunçados e salpicados de gelo e deixou que sua blusa fosse arruinada de água salgada.

— Está tudo bem, Sakura-chan, vai ficar tudo bem — tranquilizou o jinchuuriki embalando-a levemente nos braços enquanto a garota se despedaçava colada a ele. Ela secou o rosto no tecido úmido e separou o rosto minimamente.

— Não vai, Naruto… não vai… — Os soluços a impossibilitavam de dizer com clareza, mas ela fungou e tentou se recompor inspirando longamente. O loiro segurou-a pelos ombros e o apertou com firmeza, como antes, mas não estava chateado. Era como se toda a discussão não houvesse acontecido, ela se sentiu pior por ele ser tão bom amigo.

— Só se acalme, certo? — os olhos azuis sustentavam os verdes para abrandar os soluços. — Quer se sentar? Você está gelada. — ele a conduziu até a cama e sentou-a devagar. Puxou uma cadeira da escrivaninha no canto da parede para sentar-se de frente pra kunoichi. — Sai disse que você voltaria porque tinha que se desculpar.

A rosada prendeu os lábios assentindo lentamente. Sai realmente confiou nela, definitivamente teria que agradecê-lo depois. Nem mesmo Sakura tinha tanta certeza do que conseguiria dizer, mas ela precisava. Naruto a fitava com um olhar sereno e compreensivo e ela quis morrer antes de machucá-lo tanto. E nada podia fazer quanto a isso, porque ela tinha de ser a pessoa a contá-lo. Só eles dois entendiam aquilo. A dor era deles e precisavam senti-la.

— Não foi só por isso — soltou sentindo a voz rouca, tentou pigarrar, mas a garganta doeu. — O motivo real de eu ter vindo até aqui…

— Ah, então realmente estava mentindo — confirmou ele com um sorriso forçado. Ele levou a mão aos cabelos loiros bagunçados e coçou a nuca. — Achou que verdadeiramente poderia me enganar com toda aquelas declarações? Até parece que não me conhece, dattebayo!

— Eu não menti… Bem, não de todo — resmungou ela baixando os olhos —, mas não é sobre isso que estou falando.

— E-então… Qual o motivo real de ter vindo até aqui, Sakura-chan? — indagou ele sentindo uma crescente ansiedade. A sensação suplantou quando os olhos verdes se desviaram para o lado, esquivos. O lábio inferior e rubro da garota tremeu e ela prendeu-o com os dentes. — Sakura-chan?

— E-eu… Naruto — murmurou ela com veemência e puxou a mão do jinchuuriki apertando-a entre as suas —, me prometa que não vai sair daqui depois do que eu disser. Prometa que não vai fazer nada que te ponha em problemas.

— Mais promessas, Sakura-chan? — sussurrou o loiro tentando levantar o ânimo da rosada, porém provocou o contrário. As sobrancelhas delineadas se franziram de dor quando ela assentiu lentamente segurando mais uma torrente de prantos. — Está bem, eu prometo.

— Ótimo — ciciou a garota com um sorriso pequeno entre as lágrimas, ela mal o esboçou e fungou capturando fôlego e coragem. — Eu estou com tanto medo.

— Não precisa. Eu estou aqui, certo? — disse o shinobi colocando a outra mão sobre a dela, afagou rapidamente a pele fria. — Vou protegê-la… Apesar de você ser forte o suficiente pra fazer isso sem minha ajuda‘ttebayo! — ela meneou a cabeça e não sorriu. Os olhos verdes pareciam agoniados e Naruto começou a se enervar. — Sakura-chan, eu não posso ajudar se não me contar o que é. Sobre o que quer falar?

— Houve… uma reunião… Quando você e Kakashi-sensei vieram pra cá… — ela arfou baixinho sem levantar os olhos — e… eles se decidiram, Naruto.

— Quem decidiu o quê? — o Uzumaki indagou confuso. A rosada cruzou os braços e baixou o rosto. Naruto deslizou as mãos para os braços dela e ergueu-a minimamente para que o olhasse.

—… O destino dele… do Sasuke-kun… — admitiu ela num lamento e não ergueu o rosto para o jinchuuriki. Não. Definitivamente não era aquilo que ele estava pensando. Não podia ser. Franziu as sobrancelhas em descrença e seus dedos se apertaram na pele alva. Ela soltou um gemido baixo.

— O que decidiram sobre Sasuke, Sakura-chan? — perguntou com a voz dura e apertou-a mais. Os olhos verdes se abriram de dor quando ela finalmente ergueu a cabeça cerrando os dentes lentamente em protesto. — Quem decidiu?

— Os ninjas de… Konoha… — gemeu Sakura, mas não se desvencilhou dos dedos esmagando seus braços. — Eles vão matar o Sasuke-kun.

Naruto soltou-a bruscamente e a garota arfou desabando na cama. Inspirou fundo e se ergueu tentando não pensar na pulsação intensa e no vergão vermelho-escuro circundando seus braços.

— Não. — O shinobi sussurrou secamente. — Eles não podem fazer isso.

— É a única maneira — insistiu a garota num fio de voz.

— Eu não vou deixar — ele meneou a cabeça e olhou pra ela como se aquilo fosse óbvio.

— Você prometeu que não faria nada que te ponha em problemas — acusou a Haruno baixinho e os olhos brilharam com novas lágrimas.

— Não queria que eu quebrasse uma promessa, Sakura-chan? — indagou Naruto com firmeza e olhou-a duramente. — Eu vou quebrar — disse obstinado ao se erguer da cadeira rapidamente e dar-lhe as costas.

— E o que você vai fazer? — indagou ela com a voz alterada seguindo-o. Parou a sua frente bloqueando a porta. O loiro fintou para a esquerda e ela deslizou para lá também. — Vai matar nossos amigos por causa do Sasuke-kun? É esse o seu plano?

— E o que você vai fazer? — rebateu ele zangado. — Vai ficar parada enquanto caçam e matam o cara que você ama? Se é que você realmente o ama, certo? Me explica que merda de amor é esse que te faz querer vê-lo morto!

Seu rosto virou queimando com o tapa que Sakura desferiu. Potente e ardido. Naruto prensou os lábios reprimindo a raiva que chegava à garganta e endireitou-se lentamente. A médica o encarava arfante e os olhos verdes estavam marejados e coléricos.

— Idiota — sussurrou ela com o cenho franzido, uma lágrima que empoçou nos cílios escorreu solitária. — Você é um verdadeiro idiota se pensa isso. Eu não quero isso pro Sasuke-kun.

— Então pare de tentar me impedir e me ajude a salvá-lo — retorquiu o loiro e tentou passar mais uma vez, ela o impediu empurrando o peito largo.

— Eu tentei! — berrou ela com a voz chorosa. O Uzumaki tentou imobilizá-la, mas a rosada desvencilhou-se das mãos dele com raiva. — Tentei salvá-lo quando ele fugiu da vila! Tentei salvá-lo do caminho que ele escolheu, eu passei esse tempo todo treinando para me tornar tão forte quanto você e ele para tentar salvá-lo, mas o Sasuke-kun não quer isso! Ele escolheu o caminho dele, escolheu o caminho ruim. Ele é ruim e não há nada que eu possa fazer sobre isso! Não diga que meu amor é insuficiente ou menor que o seu porque eu desisti. Eu só estou cansada de ser machucada, estou cansada de mentir pra mim mesma, cansada de tentar salvar alguém que não quer ser salvo. Esse Sasuke-kun é diferente do que conhecíamos, ele não é mais o mesmo e eu não vou deixar você se arriscar por ele.

Naruto sentia a cabeça pulsar dolorida e o peito igualmente. A tensão era quase palpável no ar e a kunoichi a sua frente permanecia estática bloqueando sua passagem, sua visão, sua mente. Ela era a única que conseguia causar tanto desconforto e acalmá-lo ao mesmo tempo. Era a única que sabia o quanto aquilo doía. Perder um amigo, um irmão. O único que podia entender suas dores passadas. Sakura perderia um companheiro de time e seu primeiro amor. O Uzumaki não cederia tão facilmente. Ele sabia a verdade por trás de todas as atrocidades obscuras, a Haruno não. Prometera a Kakashi não contar, mas estava disposto a compartilhar o segredo com a rosada. Porque ela era a única pra Naruto também.

— Você não entende tudo, Sakura-chan — sussurrou tentando tranquilizar a expressão dura da garota ao avançar um passo lentamente na direção dela. Percebeu a marca vermelha se tornando um misto de violeta, azul e verde na pele pálida e fechou os dedos em punho sentindo a bile subir à garganta. — Eu preciso ajudá-lo a sair dessa. Ele é nosso parceiro, lembra?

— Ele não quer mais fazer parte do time, ele não se importa mais com essas coisas — choramingou ela de olhos fechados e não arredou os pés.

— E você se importa? — indagou inconscientemente o loiro ao aproximar-se mais. Ela suspirou baixinho quando ele envolveu os braços no torço pequeno. Afagou o alto da cabeleira cor-de-rosa e ela relaxou minimamente. — Você se importa, Sakura-chan, não finja que não.

— Eu nunca disse que não me importava — resmungou ela e abraçou-o também. Naruto sentiu um pequeno peso saindo de suas costas —, mas eu não posso ficar parada enquanto você destrói seus sonhos por causa dele. Você realmente quer se voltar contra sua própria vila para salvá-lo? Como acha que o verão depois disso? Nunca poderá se tornar um Hokage.

— Como eu posso me tornar um Hokage se não consigo sequer salvar um amigo? — o jinchuuriki sorriu brevemente ao notar a expressão derrotada da rosada que abaixou o rosto lentamente, escondendo-se em seu peito. — Sabe que eu preciso fazer isso, você também quer. Chega de mentir para si mesma, Sakura-chan.

— Eu não menti — sussurrou repentinamente a garota. Ela se separou minimamente do shinobi e olhou-o profundamente. — Antes. Eu realmente falei a verdade, Naruto. Eu o amo. Realmente, eu te amo. Não posso perder você.

— Sakura-chan… — pronunciou ele surpreso. Os olhos azuis muito abertos pareciam enervados e um leve rubor chegou ao rosto do loiro.

— Quando Sasuke-kun partiu… — ela fechou os olhos recusando-se a lembrar —… ele levou metade do meu coração junto. Até hoje sinto a dor do pedaço que me falta… — Sakura segurou a camiseta úmida do rapaz e sussurrou com intensidade. — Se você for agora… então não terei mais nada… Eu não posso perder o resto do meu coração, Naruto. Vai ser demais para que eu suporte.

O Uzumaki meneou a cabeça sentindo-se tonto. Não era mentira. Ele saberia se fosse, no entanto aquilo o pegara de guarda baixa. Um golpe certeiro. As mãos agarrando-se nele com tanta veemência, a voz suplicante de Sakura. Os olhos verdes ardendo para os seus. Implorando. Sasuke precisava de sua ajuda — quer ele queira ou não —, mas como poderia ir atrás dele e deixar a kunoichi tão machucada para trás? Engoliu seco desejando poder se partir em dois. Não poderia recusar nada a ela nesse momento. Porque por mais que tentasse negar, Sakura era a única garota que ele veria — sendo apaixonada por ele ou não. Ela era única.

— Por favor, fique — implorou ela juntando as mãos. — Fique aqui comigo.

Naruto soltou um suspiro agoniado e tocou o rosto molhado da rosada. Não pensou na ação, simplesmente a fez — uma atitude comum sua. A pele dela era macia contra seus lábios e ele levou a outra mão até o rosto pequeno, enclausurando-a para que não fugisse. Ela não o fez, no entanto. A boca quente era mais delicada do que imaginara e ele apressou-se em apertá-la contra a sua própria. Um ruído surpreso escapou lentamente da garota, mas ele não abriu os olhos pra ver a expressão. Apenas moveu a cabeça lentamente para um lado e capturou a pele úmida e tenra entre os dentes, puxando-a devagar para perpassar a língua para dentro da boca dela. Sakura demorou apenas alguns segundos para abrir a boca, aceitando-o dentro dela. Vasculhou cada canto da kunoichi, encontrando e envolvendo a língua dela na sua, sugando-a de leve. Ela tinha gosto de canela, dango e sal — este último provavelmente de suas lágrimas.

Os braços dela envolveram sua nuca e Naruto aceitou o movimento como um convite para avançar. Moveu as mãos do rosto para o pescoço e desceu pelos braços, evitando tocar a área afetada por seu aperto. Suas mãos encontraram-se na lombar da médica e a trouxeram pra mais perto. Sakura passeou os dedos por seu maxilar e o beijo começou a tomar sua forma. Mais profundo, mais lento, menos língua e mais dentes mordiscando-lhe. E Naruto adorou, como tudo que ela fazia. Porque aquela era a sua Sakura-chan. A atrevida que tomava as rédeas de tudo, a que tinha iniciativa. A que ele amava.

Caminhou lentamente até encostá-la na porta de correr. A madeira protestou levemente quando o fez. A médica se punha na ponta dos pés para beijá-lo com mais fervor e Naruto ponderou por um curto segundo antes e abaixar os braços até a cintura e ergue-la. Uma expiração abismada escapou dos lábios cheios e rubros pela pressão nos seus, mas ela o abraçou com as pernas. O jinchuuriki cambaleou pelo quarto e colocou-a sentada sobre a escrivaninha do canto da parede. Algo de vidro espatifou-se no chão e desviou a atenção dos amigos da loucura que estavam prestes a fazer.

— Deixe isso pra lá — sussurrou a Haruno puxando-o pela cintura e erguendo-se ainda sentada para tocar o queixo do loiro com os lábios.

— Sakura-chan — disse ele contra a vontade. Iria se odiar pelo resto da vida por isso, mas era o certo a se fazer —, não podemos. Eu não queria…

— Quem está mentindo agora? — indagou a rosada com a voz rouca e Naruto se calou ao abaixar-se até o rosto corado. Ele havia tentado, ninguém poderia dizer que não. A boca dela era doce e talvez fosse um vício que o Uzumaki acabara de adquirir. Não se importava. Puxou o nó da capa grossa que a envolvia e tocou as costas magras trazendo-a para si. Ela o apertou e os beijos se tornaram mais intensos, o som dos lábios se acariciando soando uma vez ou outra até que se tornasse insuportável ficarem apenas se beijando. A mão da kunoichi escorreu afoita para dentro da camiseta do shinobi e subiu lentamente o arranhando. Ele se afastou para puxá-la pela cabeça e voltou a se aproximar, mas ela retirava a sua própria, pedindo ajuda quando acabou se enrolando nos tecidos. Naruto finalmente arrancou a blusa vermelha dela e suspirou baixo ao tocar a pele da cintura nua. Sakura se retorceu e procurou seus lábios de novo.

O ninja mal tocou-a e se afastou para puxar os sapatos molhados da garota para baixo, os pés pequenos se encolhendo quando ele os livrou dos calçados. Puxou-a pelo quadril e a médica se pôs de pé no chão. Empurrou-a em direção à cama com ansiedade e se sentou na beirada, puxando os próprios sapatos e arrancando o hitaiate da cabeça. Sakura o imitou e tentou subir em seu colo, mas ele a impediu fazendo-a se deitar. Ele tocou a boca na base do pescoço e ela se encolheu levemente, correu a língua pela tez macia e um risinho escapou da garganta da rosada. Ele se ergueu pra olhá-la.

— Faz cócegas — assumiu envergonhada, mas as mãos apertaram os ombros do ninja para mais perto. Desejando mais. Naruto voltou a lambê-la, contudo finalizou sugando a pele fina da garganta e roçou os dentes. Um gemido foi proferido agora, ele decidiu que definitivamente preferia esse som no momento. Desceu a boca até a base do pescoço e correu para o ombro, segurando a alça do sutiã azul escuro e arrastando-o para baixo. O corpo de Sakura ficou tenso quando o Uzumaki percorreu os dedos por suas costas à procura do fecho. Ele tateou a pele lisa e sentiu a textura áspera da renda, sem limites de um lado a outro nas costas.

— Sakura-chan, onde abro isto? — indagou baixo sentindo o corpo arder. A rosada, igualmente rubra de vergonha, apenas apontou para a parte frontal mostrando um pequeno fecho de metal em formato de laço. Naruto assentiu e imaginou um presente. Pronto para ser aberto. Um som tilintante soou quando abriu o sutiã, separando minimamente os tecidos arredondados que cobriam os seios de sua colega de time, um para cada lado. As mãos da kunoichi enfiaram-se por baixo do tecido antes mesmo que o shinobi a livrasse da peça, cobrindo-se.

Sakura sentia a garganta obstruída por alguma coisa muito próxima do pavor. Por mais que entoasse a si mesma que era comum sentir-se tão insegura ao ficar nua na frente de alguém, não amenizava em nada a sensação. E ser Naruto a vê-la tão intimamente… Não sabia ser devia se sentir aliviada ou aterrorizada. Ele segurou os pulsos dela com uma mão e levou-os para cima, ela ainda se cobriu com os cotovelos, mas o shinobi percebeu que não havia firmeza em sua resignação, apenas receio. Aplicou mais força e ela cedeu fechando os olhos. Seus seios não tinham a forma certa. Deviam ser maiores, redondos e cheios; mas eram pequenos — deitada, quase inexistiam em convexidade —, uma forma sinuosa de gota com pontas rosadas. Os mamilos mínimos e delicados se arrepiaram com o ar frio do quarto.

— Lindos — sussurrou o Uzumaki. — Você é toda linda, Sakura-chan. — Correu os dedos pelo formato quase místico do seio esquerdo e rodeou a tez eriçada em espiral até tocar a pele mais rosada no meio. A médica gemeu, mas não abriu os olhos. Por que o teme não a quer? Ele definitivamente é um idiota. Arfando levemente, o shinobi se aconchegou mais na cama, deitando-se meio de lado para que sua ereção, cada vez mais torturante, não o desconfortasse. Beijou a clavícula côncava antes de fechar a boca sobre o mamilo.

— O-oh…! — uma exclamação sufocada evadiu-se dos lábios da rosada quando Naruto afagou-a com a língua. Foi sua vez de fechar os olhos, deleitando-se da sensação de ter uma textura tão suave e sensível dentro da boca. As mãos da médica apertaram-se em seus cabelos repentinamente e ele tomou aquilo como um estímulo, prendendo-a de leve entre os dentes, puxando e soltando devagar. Um tremor percorreu o corpo feminino quando ele repetiu a ação e chupou finalmente, devagar, estirando a boca e levando consigo a pele arrepiada. As pernas da garota se fecharam, apertando-se uma a outra de maneira ritmada. Naruto levou a mão ao seio umedecido e massageou-o com o polegar em movimentos circulares, enquanto dava o mesmo tratamento ao outro, imitando a ação dos dedos com a língua. — Naruto.

Ouvir seu nome sussurrado com tanto ardor causou pulsações em um local que já queimava de ansiedade. O Uzumaki espalmou a mão na barriga reta sentindo a respiração rápida da garota e enfiou-se sem cerimônias na calça apertada que ela usava. Avançou sobre o tecido lento e persistente, encontrou a barra da calcinha e atravessou esta também. A rosada emitiu um gemido de protesto e segurou seu braço, mas ele ignorou isso, pois sabia que ela sentia apenas embaraço. Seu dedo encontrou o início da intimidade da kunoichi, fazendo-o sentir a garganta seca de desejo. Arredou o braço mais para baixo e finalmente encontrou a umidade quente que mostrava o quanto Sakura o queria. E se o nível de desejo fosse avaliado por aquilo, Sakura estaria ansiosíssima pra fazer amor com ele, se não desesperada.

Acariciou a feminilidade ardente e a médica separou as coxas com um gemido de satisfação. Naruto agradeceu o espaço, mas sua mão continuava esmagada entre o tecido e a pele morna. Não que fosse ruim, no entanto ele precisava conhecê-la com mais liberdade.

— Está tudo bem, Sakura-chan. Eu só vou tirar seu short — disse a ela que ficou com uma expressão contrariada quando ele afastou a mão do corpo febril. Sentiu uma grande presunção ao puxar o tecido que se colava à pele como uma segunda, a rosada plantou os pés na cama e ergueu os quadris para ajuda-lo. Quis grunhir quando descobriu a nudez feminina e o torso erguido o fez ter uma visão mais ampla dela, mas a médica baixou as costas deitando-se novamente. Jogou as roupas por sobre o ombro e segurou os joelhos da garota, separando-os devagar. A Haruno sequer hesitou agora, deixando as pernas maleáveis para que o jinchuuriki as abrisse o quanto quisesse. A respiração do loiro se entrecortou. Sakura o levaria ao delírio.

Ela mantinha as mãos cobrindo os olhos, então não viu quando o amigo se deitou abaixo dela, colocou suas pernas dobradas com os pés apoiados sobre o colchão. A rosada apenas sentiu os lábios dele tocando sua barriga, causando uma frieza de ansiedade no estômago. A boca desceu para abaixo do umbigo e Sakura esticou as pernas, subitamente enervada.

— Fique assim — instruiu ele ao tornar a posicioná-las sobre a cama. A respiração da kunoichi começou a ficar superficial demais quando sentiu a língua de Naruto desenhar padrões abstratos em seu baixo ventre.

Kami — gritou quando ele beijou seu sexo ardente, bem no centro. Ela ergueu os pés do colchão assustada, encolhendo as pernas, mas mantendo-as dobradas; as panturrilhas grudadas às coxas. Cobriu a boca pra evitar mais um grito quando o loiro subiu respirando pesadamente até o início de sua abertura arrastando a língua como se analisasse a área a procura de algo. Ela se contorceu quando ele chegou ao clitóris e apertou-se ali. Inconscientemente, segurou os fios desordenados do cabelo dele e o manteve no lugar. O Uzumaki entendeu a dica e usou os lábios para afagá-la junto com a língua. — Eu… oh, kami… assim! — Sentou-se de tanta ansiedade enquanto sentia algo intenso se aproximando a cada lambida de seu amigo em seu corpo sensibilizado. Naruto empurrou-a, mas ela não se deitou novamente, apenas escorou-se sobre os cotovelos e levantou uma das coxas, descansando-a sobre o ombro do loiro. Ele segurou-a e afagou o músculo torneado de maneira inconsciente enquanto se afundava e se embebia cada vez mais da doce flor de cerejeira. Ela deixou a cabeça pender pra trás e mordeu a ponta dos dedos tentando evitar um grito, mas sabia que seria impossível, porque havia algo crescendo, se inflamando, como uma onda grande… E devastaria tudo quando a alcançasse. Estava tão próxima… Seu corpo tencionou… mais próxima, mas Naruto… oh, deus, ele parou.

— Eu preciso de você — sussurrou ele se erguendo, o gosto levemente agridoce da excitação dela dissipando o sabor dos lábios dela de sua língua, não sabia dizer qual apreciava mais.

O rosto torcido de desespero o deixou calmo, ela compartilhava de sua tortura. Ela sempre sabia o que ele sentia, ela realmente era sua. A única que poderia ser. Puxou a calça as pressas e Sakura o ajudou, arrancando o tecido dos quadris largos e arrastando-o até os joelhos do loiro. Ele chutou pernas abaixo depois disso e puxou-a para seu colo. As mãos pequenas e ágeis seguraram seu pescoço e ela grudou o corpo suado no seu. E o calor que sentiam era capaz de derreter a neve do lado de fora. Enrolou os dedos nos fios róseos e puxou-os para trás para ter acesso ao pescoço delgado, desceu pelo peito e beijou um dos mamilos antes de sugá-lo com mais força que antes. Ela arranhou e puxou seus cabelos, ondulando o corpo sobre o seu, excitando-o com a massagem — talvez inconsciente — dos sexos afoitos.

— Eu quero você — ciciou ela timidamente ao erguer o corpo e acariciá-lo com a mão.

Ele arfou e puxou o tecido da cueca que ainda o cobria para que ela o tocasse de verdade. A médica afastou-se para se sentar sobre a coxa do amigo e o tomou nas mãos sentindo a pele dura e quente pulsar nos dedos. Apertou-o lentamente na base e trouxe a mão até o extremo do membro rígido, fazendo-o se retrair e beliscar seu seio em resposta; o jinchuuriki baixou a mão até a intimidade dela e resvalou os dedos sobre o clitóris mais úmido agora. Eles gemeram juntos e estimularam-se mais rapidamente, totalmente ansiosos e dependentes dos toques e carícias, os desejos unidos e iguais, os corações pulsando dentro do peito com mais frenesi e as mágoas momentaneamente esquecidas para que pudessem aproveitar do deleite do prazer em meio a tanta tormenta.

Naruto empurrou-a subitamente sobre a cama e se pôs sobre o corpo trêmulo. Segurou a parte traseira do joelho e afastou-o lentamente para o lado. Sakura gemeu baixo uma súplica e apertou as costas largas do loiro para si, gemendo longamente quando a glande tesa resvalou por sua intimidade arrastando a excitação consigo e lubrificando-o com a umidade expeça de sua intimidade. Foi preciso menos que um mover leve de quadril para que ele se encaixasse nela.

Não conseguiu controlar o corpo para que esperasse por um momento a afirmação dela para continuar, nem precisava. Perdeu-se na cavidade estreita uma, duas, inúmeras vezes, repetidamente e sem perder o ritmo. Quase enlouquecendo com os gemidos roucos e instigantes da kunoichi que ora apertava-o contra si, ora unhava-o como se sentisse dor. Mas não era dor, ela gemia cada vez mais, pedindo mais; mais forte, mais fundo, e o Uzumaki a obedecia desejando que ela pedisse tudo, porque ele estava disposto a dar tudo que tinha. Tentou beijá-la, mas era difícil e o desconcentrava. A boca dos dois pareciam ocupadas demais expirando o ar que parecia cada vez mais rarefeito. O shinobi observou como olhos verdes se reviravam lentamente quando ela cerrava as pálpebras e curvava as costas de prazer e calor.

Mudou levemente a profundidade das estocadas quando a rosada envolveu sua cintura com as pernas, fazendo-o escorregar mais profundo. Um grito involuntário saindo da boca pequena e deliciosa. Naruto apertou o rosto contra o pescoço dela quando sentiu seu limite mais próximo do que imaginava. Sakura o apertou por dentro e ele moveu-se mais duramente, fazendo com que ela o pressionasse repetidamente. A médica mordeu seu ombro forte quando sentiu aquela sensação de antes se aproximando lentamente. Um fogo ardente que parecia querer carregar sua sanidade pra longe e jogá-la em um mar de sensações desconhecidas até então. Ficou quente, muito quente, e quando Naruto a invadiu mais uma vez ela alcançou a barreira que separava o intenso do insuportável. E realmente foi, pois ela não conseguiu segurar o grito, não conseguiu conter o sentimento devastador que se iniciava na intimidade e corria como fogo incitado por combustível por todo o corpo. Sua visão ficou escura por um pequeno segundo e o membro de Naruto pareceu pressionar-se mais em suas paredes sensíveis.

Ela abriu os olhos assustada e inspirou a procura de ar. O loiro tinha os dentes cerrados e levou as mãos para as nádegas arredondadas da kunoichi, puxando-a e pressionando-a contra seu corpo completamente devastado pelo orgasmo intenso. Talvez não houvesse melhor sensação que sentir o corpo feminino comprimindo o seu, incitando-o a derramar-se dentro do calor e umidade dela, deixando-a mais molhada, marcando-a como sua.

Eles se abraçaram quando enfim acabou. Dois corpos quebrados juntando-se e unindo-se em cacos, formando um só. Um só prazer, uma só dor, um só sentimento enquanto a realidade os assolava cada vez mais próxima. As contrações se despedindo e deixando em sua ausência palpitações leves e uma sensação de cansaço e paz. Tudo o que precisavam depois de tanta tensão e angústia. Afastaram-se lentamente, mas logo se uniram, deitando-se convencionalmente de lado. Frente a frente.

— Eu amo você — sussurrou Sakura com a voz cansada e Naruto puxou a mão pequena até seu rosto, beijou a ponta dos dedos e fechou os olhos recolocando-a em sua bochecha.

— Sei disso.

— Você está ficando convencido.

— Eu sou aquele que vai se tornar um Hokage, digo isto desde criança — disse o jinchuuriki com um sorriso travesso — e você diz que estou ficando convencido?

— Heh, idiota — bocejou a rosada e apertou a bochecha do amigo.

— Eu também amo você, Sakura-chan, mas você já sabia disso. — ele reclamou ao se espreguiçar e puxá-la para mais perto. — E sei que seu amor por mim não é o mesmo que o do teme.

É amor — ponderou a médica enfaticamente, fixando os olhos verdes nos azuis.

— É amor — reprisou Naruto e abraçou Sakura, beijando o alto de sua cabeça com cuidado e apertando-a com firmeza em seu peito — e é o suficiente.

Notas finais
Esse capítulo seria equivalente ao episódio 206 do shippuden. Foi muito bom escrever com o enredo original como base. Pirei demais nesse gif. Sim, só o time 7 ganha gifs, HAUAHUA, culpem os desenhistas de fanarts. As últimas ones estão quilométricas, me perdoem. A SasuSaku tá maior ainda, então me perdoem antecipado, HAUAHUAH. E, claro, façam a parte de vocês: opinem. O próximo capítulo é o último! Já tô com o kokoro na mão T^T Kissus e até breve! *suspira*