Sakura Harem

21 SasuSaku — Entrelaçados


Notas iniciais
Primeiramente, um grande, enorme e gigantesco obrigada à Salt e Carol_patterson pelas lindas recomendações. Cada texto teve sua particularidade que me deixou no chão de tanto amor. Vocês são umas lindas, agradeço de coração ♥ Bom, chegamos ao fim. Espero que essa one esteja tão legal quanto grande. Espero mesmo. Boa leitura, gente antiga e gente nova (que não para de aparecer)!

Aquela noite era negra como seus pensamentos. O céu estava tão escuro quanto aqueles olhos que ela esperava ver. Alguns raios se perdiam ao longe e a brisa fria arrepiou o seu pescoço descoberto.

Sakura apertou o tecido da capa contra a pele e estremeceu. Talvez devesse voltar para casa. Olhou para o chão a tantos metros abaixo de seus pés e novamente estremeceu. Não estava muito distante de sua residência, mas sentiu que era o seu dever e sina estar ali, apesar de ser algo, no mínimo, amedrontador. Estava próxima, mas não o suficiente. A verdade era que se sentia mais distante do que nunca esteve. Suas pernas fraquejaram e ela arrastou um pé para trás uma vez.

“Não”, concluiu determinada e avançou, “eu preciso fazer isso!”

Deu um salto para a escuridão e, com um leve giro de mãos, segurou no telhado grosso com os dedos firmes impulsionando o corpo para dentro. Aterrissou no cômodo escuro com um baque surdo, silencioso o suficiente para que um civil não ouvisse, no entanto escandaloso até demais para um ninja. Reprimiu um suspiro, não estava ali para passar despercebida. Obviamente era teria de ser ouvida… O calor receptivo a acolheu, mas ela ainda tremia. Seus joelhos se esticaram enquanto sentia um reconhecimento ansioso tomar-lhe a calma. Aquele quarto... Ela estava exatamente no... Endireitou-se às pressas e retirou a capa sentindo agora um calor súbito lhe aquecer as faces.

― Sabia que viria. ― Um timbre sombrio ecoou no fundo do quarto, na parte mais escura.

Sakura se virou para a voz com ânsia súbita.

― Sasuke-kun ― proferiu o nome com surpresa. Ora, por que surpresa? Claro que era ele. Quem mais ela encontraria no distrito Uchiha, afinal?

Ele usava aquela camiseta branca semiaberta de mangas longas e as calças azuis presas por uma corda roxa entrelaçada aos quadris masculinos. Os braços alvos estavam cruzados sobre o peito quase totalmente exposto. Ela não encontrou aquela habitual espada que parecia tão parte dele quanto um dos braços. Não soube dizer se aquilo era bom ou não.

Sasuke já sabia o porquê dela estar ali? Ele a olhava como se já soubesse tudo. Arrogante como sempre fora. Aquilo a deixou mais tensa e não conseguiu sequer abrir a boca. O shinobi sustentou o olhar. A garota mantinha as mãos unidas junto ao corpo, o rosto adquirira dois tons mais rosados que o cabelo desgrenhado. Os olhos verdes não se mantinham fixos em lugar nenhum e isso começou a enervá-lo.

― O que quer? ― perguntou antes de pigarrear baixinho. Ele tinha uma leve ideia do que seria dito pela menina, mas sentiu o estômago se contrair antes mesmo da resposta. A Haruno apenas suspirou baixo e fez uma careta. Não olhou pra ele quando perguntou:

― Está indo embora? ― Tentou parecer casual ao se aproximar com passos trêmulos da sombra de Sasuke.

― Aa ― afirmou ele afastando-se para a escuridão devagar.

― Logo?

― Logo ― ecoou parecendo impaciente. Parado onde estava, ela só podia ver o formato do maxilar e uma pequena linha de luz que contornava o cabelo escuro, tão escuro os olhos e o destino que o nukenin escolhera para seguir.

Ela encurtou a distância entre eles com súbita fluidez, um ato impensado. Podia distinguir as feições dele agora. O shinobi novamente recuou, mas Sakura foi mais rápida e envolveu os braços nele com insistência. A pele nua do peito dele lhe pareceu terrivelmente gelada… Ou talvez fosse seu rosto que estava quente demais. O Uchiha permitiu ser abraçado, apesar de senti-lo completamente rígido, mas não retornou o gesto.

― Sasuke-kun, eu... ― Sakura hesitou tentando engolir o nó na garganta e temendo ser rejeitada mais uma vez. A respiração dele pareceu oscilar por um momento e ela pôde ouvir o som rítmico do coração dele descompassar. ― Você vai embora e... eu já lhe disse uma vez, mas eu preciso dizer...

― Eu sei. ― Cortou-a antes de desvencilhar-se dos braços delgados, afastando a bochecha dela de sua pele. O calor intenso que ela emanava o deixou assustado. ― Você já disse. E sabe a resposta.

Sakura prendeu os lábios e não ousou olhar para cima. Ela deu dois passos para trás cambaleante, como se tivesse levado um choque, o que de inverossímil maneira aconteceu. O shinobi sequer entendia aquilo? Cerrou as pálpebras quando doeu. Doeu tanto. Ela abriu os olhos e tentou rebater, mas sua voz se perdurou por um tempo, o ar pareceu evaporar de sua garganta. O clima estava pesado. Tornou a unir os lábios confusa.

Se pudesse... Se pudesse apenas esquecê-lo. Queria tanto não ser tão vulnerável àquele sentimento, porém por mais que tentasse... Sasuke era a única opção que seu coração aceitaria. Ele era a única paz para sua dor e única dor que lhe tirava a paz. Ugh. Aquilo era tão doentio que beirava à loucura. Um sentimento tão terrível que a fazia esquecer-se de si, uma dor tão lancinante que não podia ser curada. Realmente... O amor a enfraquecia como um tumor maligno espalhando-se pelo seu corpo definhado.

― Eu nunca quis isso ― sussurrou por fim, tão baixo que talvez Sasuke não ouvisse. ― Nunca quis te amar. Não você.

Aquilo pareceu surpreendê-lo. Os olhos negros fixaram-se nos seus levemente confusos, mas ainda enevoados naquela obscuridade corrupta e indiferente. E Sakura quis apertar aquelas íris sombrias para fora das órbitas. Quis dilacerá-lo, machucá-lo da mesma maneira que ele fazia com ela. Queria matá-lo! Ela o amava tanto a ponto de querer isso. Engoliu com esforço um soluço, mas machucou fisicamente fazê-lo. Seu grunhido foi alto o suficiente para assustar o shinobi a sua frente. Sakura cobriu o rosto para ocultar o som, em vão. Não notou quando a mão pálida do garoto se ergueu por uns segundos, insegura, e novamente retornou ao seu lugar.

― Sakura... ― ele começou e não concluiu. A médica-nin ergueu a cabeça lentamente, cansada. Confusa. Haveria uma maneira de acabar com aquilo? Talvez uma mão atravessando sua caixa torácica e arrancando seu órgão vital resolvesse o problema.

Ou talvez precisasse de uma dose de realidade.

Se descobrisse o que o ninja a sua frente realmente pretendia, talvez pudesse deixá-lo. Se tivesse a certeza de que ele é o que diz ser, poderia esquecê-lo. Mas precisava da verdade. E Sasuke nunca lhe pareceu totalmente verdadeiro. Teria de arrancar dele aquela máscara. Como?

― Você é a pior pessoa que já conheci, Sasuke-kun.

― O... que?

― Eu nunca deveria ter sentimentos por um Uchiha. ― sua voz pronunciou o sobrenome com asco. A expressão de Sasuke congelou-se. A garota fungou, retomando a coragem e continuou com sua terrível ficção: ― Você não é uma pessoa digna de receber amor. Sempre foi frio com que tentou se aproximar, rejeitou todo o carinho que lhe deram… Arrogante e frio, você é uma pessoa tão horrível, Sasuke-kun! E eu, tão tola, me apaixonei por essa pessoa tão cruel! E-eu não mereço isso… Essa dor que sinto por sua culpa, irei senti-la resto da minha vida, porque você é um maldito insensível!

Era comum Sakura falar tanto, mas nunca suas palavras atingiram tanto o ninja. Os olhos de Sasuke estavam desvairados, um reflexo louco mergulhado em surpresa. O negror cintilava em uma agonia tão atônita que Sakura achou que talvez aquela não tivesse sido uma boa ideia. Mas não podia deixar de admitir que sentiu um grande alívio ao poder compartilhar um pouco de sua dor com ele.

― Você... ― Ele arfou e depois continuou de maneira sombria ― não sabe o que é amor.

― E você, Uchiha Sasuke, acredita que sabe? ― perguntou espantando as lágrimas se alojavam em seus cílios inferiores ― Realmente teve tempo o suficiente com os seus parentes para entender o significado de amor? Você perdeu sua família há anos e foi seu próprio irmão que a dizimou! Ne, agora você está caçando-o para matá-lo?! Vingança? Este é o significado, Sasuke-kun? Que sabe você sobre amor?! O que algum Uchiha sabe sobre amor, me diga!

Os olhos deles endureceram. Duas brutas obsidianas afiadas se tornando rubis de sangue diabólicas. Sakura cerrou os lábios achando que não devia pressioná-lo tanto, mas não se importou totalmente. O herdeiro do Sharingan passou por ela e bruscamente a tirou da sua frente com um empurrão. Ele fez um esforço hercúleo para não machucá-la, mas Sakura gemeu quando foi de encontro ao chão. Sasuke cerrou os dentes ao vê-la cair, mas continuou caminhando, alcançando a porta com passos apressados. A kunoichi levantou-se rápido e o moreno se voltou para ela, parando-a com um olhar homicida.

― Não se aproxime ― murmurou, os olhos totalmente vermelhos agora, afogados em um ciclone escarlate e negro que girava cada vez mais rápido. Ele deu mais um passo para a porta e Sakura o ignorou ao avançar também ― ou eu vou matá-la.

― Eu duvido disso ― blefou a menina e direcionou mais um pé próximo ao vingador. Mal ergueu a perna e sentiu a mão dele em seu pescoço. Ela arfou quando os dedos longos e trêmulos abraçaram seu pescoço com fúria. As lágrimas escorreram de seus olhos e o ar de repente tornou-se escasso. Ela levou as mãos ao pulso dele por puro reflexo.

― Sakura ― advertiu ele com a voz contida. Tentou soar indiferente e só tentou. Os dedos se afrouxaram devagar e exponencialmente, mas não deixaram a pele livre. Ele suspirou duas vezes profundamente antes de soltá-la com brusquidão. Os olhos retornaram ao habitual negror triste ―, não duvide de mim.

Aquela expressão. Quase chorou com aquele olhar dolorido dele. “Sasuke-kun, estou mentindo. Eu te amo. Nunca vou deixar de te amar. Por favor, não acredite em mim. Eu largaria tudo... Deixaria tudo por você. Perdoe-me por te magoar... Sasuke-kun...”

Idiota ― sussurrou para si mesma com raiva. Ele estava ali destilando todo o seu ódio e desprezo e ela simplesmente queria protegê-lo de todos aqueles sentimentos sombrios. Sasuke obviamente não notou que o insulto era para ela mesma.

Ele franziu a testa enquanto lentamente Sakura se afastava dele por dois passos. Com os olhos fixos nos do shinobi, a kunoichi ergueu a mão e sacou uma kunai do bolso. O vingador pôs-se em posição de defesa, mas não avançou. Ignorando isso, a garota levantou a mão que empunhava a arma e levou-a até o rosto, passou a lâmina pelos cabelos, subitamente lembrando-se do dia em que o decepara sem hesitar. Com um único movimento, seu hitaiate foi rasgado e caiu no chão. Sasuke observava com uma leve confusão o que a garota fazia.

― Se não me ama ― sussurrou enquanto correu a kunai para o tecido da própria camiseta ―, então me odeie. ― Rasgou-o com facilidade e este também caiu no chão ao lado do hitaiate. O ar frio banhou sua pele nua, seus seios se eriçaram, mas ela não se importou. Avançou os passos que foram recuados. Sasuke arquejou por um curtíssimo segundo, mas se recompôs, apesar da expressão estarrecida no rosto. Com um suspiro corajoso ela continuou: ― Se não pode me dar carinho, então me machuque... ― Ousou se aproximar mais dele e aumentou o tom de voz. ― Me mostre seu ódio, Sasuke-kun. Mostre pra mim quem você realmente é. ― Ela puxou os shorts juntamente com a roupa íntima para baixo, sentindo seus cabelos resvalarem pela calça do vingador, ela olhou para os pés estagnados no chão antes de se erguer, chutou o monte de tecido pernas abaixo ao ficar ereta e concluiu: ― Só assim eu poderei deixá-lo ir.

― Você... ― Ele murmurou baixo e por um momento Sakura achou que seria insultada. "Irritante" ele diria, e então a deixaria como fizera outrora. Mas não. O nukenin se aproximou lentamente de braços cruzados. Parou tão próximo a ela que o hálito frio gelou seu rosto. O olhar dele não desceu para seu corpo nu, como imaginou que ele faria. Só se manteve em seus olhos. Tão indiferentes que Sakura crispou os lábios de nervosismo. O moreno sorriu levemente, mas não parecia um sorriso feliz: ― Não tem ideia do que está pedindo, sua tola.

“Você não sabe o que eu estou pedindo, seu tolo”, quis dizer. Podia ver no brilho das íris negras que ele entendera tudo errado. Um cego que não enxergava porque não queria. Ela desejou correr e se cobrir daquela indiferença assustadora que ele insistia em fingir. Ele mentia tão bem. Sakura não suportaria por muito tempo, estava quase cedendo, quase fugindo. Quase desabando em um monte inútil de lágrimas, mas não. Se tinha que mudar, a hora era aquela.

E era a hora de se libertar daquela doença.

Se livraria de Sasuke.

Libertaria seu coração daquele peso. Ela engoliu todas as inseguranças e bateu o pé uma vez.

― Eu... ― Os olhos verdes se arregalaram com súbita determinação. ― eu sei muito bem o que quer-

A frase não foi concluída. Sakura perdeu o fôlego quando seu corpo se chocou com a cama. Sua cabeça estaria latejando se não fossem os travesseiros. Suas mãos estavam imobilizadas. A ação não pôde ser assimilada com exatidão porque seu cérebro estava cheio demais para notar qualquer movimento, mas agora ela viu. O rosto de Sasuke estava tão próximo ao seu que ela quase gritou exultante.

“Controle o coração, ele não te ama, ele não vai te amar. Ele vai machucar você.”

― Você não vai gostar disso ― avisou ele ao soltá-la para deslizar a mão pelo pescoço delicado e prender os dedos no cabelo sedoso da garota.

― Vou, sim ― mentiu ela. Sentia o gosto amargo na boca por antecedência. Apertou os punhos quando ele suspirou, o nariz roçando em seu queixo de maneira possessiva. ― Eu gosto de tudo que você faz, Sasuke-kun ― admitiu num murmúrio tímido.

― Não vai. ― Ele repetiu. Sakura gemeu quando os dedos dele se apertaram em sua nuca. Sasuke forçou-a a pender a cabeça para trás com um puxão nos fios róseos. O pescoço branco ficou vulnerável e ele tirou proveito disso.

Ah! ― Sakura retorceu-se quando os dentes do shinobi literalmente a morderam. Não um roçar de dentes, nem um arranhão, mas sentiu-os se cravando em sua pele tenra. Os caninos pareciam ter atravessado levemente a derme. Suas mãos ergueram-se para afastá-lo dali, mas ela percebeu que não podia desistir. Não se quisesse se livrar daquela dor pior que qualquer mordida. Recolheu os braços e apertou a mão contra os lábios. A pele ferida pulsou como se estivesse viva, a língua quente banhou o local magoado e por um momento a dor se extinguiu, mas depois voltou queimando. Sasuke não usou mais os dentes com tanta força, porém, em alguns momentos, ele retornava à pele afetada e pressionava os lábios frios ali como que para reforçar suas reais intenções.

O shinobi se sentou sobre os tecidos e puxou a kunoichi junto consigo. Sakura estava um pouco zonza, mas Sasuke não percebeu. Ele segurou o maxilar feminino com o polegar e o indicador enquanto o restante dos dedos sustentava o queixo. Ergueu o rosto dela até o seu. A rosada não queria olhar nos olhos dele, mas foi inevitável.

Quanto tempo não esperou por aquilo? Quanto tempo perdeu ao imaginar como seria quando seus rostos estivessem tão próximos que poderia sentir a respiração dele misturar-se a sua? O quanto desejou com toda a sua alma que ele a beijasse carinhosamente?

E ele beijou. Não carinhosamente, mas tão sedento que Sakura novamente perdeu o ar. Os lábios moviam-se flexíveis nos seus, a língua parecia perdida, mas quando encontrou a sua tudo pareceu naturalmente certo. O som úmido ecoava no quarto vazio maculando o silêncio opressor. Sakura gemeu roucamente contra a boca dele. Aquilo doía mais que o pulsar incansável da mordida em seu pescoço. Receber um beijo de Sasuke naquele momento era uma agressão tão terrível que Sakura não podia sequer classificá-la. Uma mão sustentava seu queixo e a outra segurava a nuca enquanto acariciava com o polegar o lóbulo feminino. Os dedos não permitiam que a médica se afastasse, mas não havia tentado. Aquilo estava enfraquecendo seus objetivos, seu corpo, sua alma.

Não ceda. Sakura, não se esqueça de quem ele é. Não se esqueça do que ele sente em relação a você.

Nada.

Ele não sente.

Ele não te ama.

Quebrou o beijo com um movimentar de cabeça. Sasuke parou devagar e recostou a testa na dela, mantendo os olhos fechados. Sakura quis deslizar as mãos pelas feições dele, beijar-lhe as pálpebras, mas não o fez. Quando notou que ele novamente se aproximou para roubar-lhe um beijo ― e mais um pedaço de seu coração ― ela virou o rosto, ofertando seu pescoço ferido e seios cálidos com um erguer de tronco. Uma sombra cruzou a face dele, mas se foi tão rápido quando apareceu. Sasuke acatou a oferta. A mão que segurava o queixo feminino deslizou com calma para o pescoço, o polegar roçou o machucado e garota suspirou. Os dedos desceram para o ombro esquerdo, delineando o sulco da clavícula, descendo pelos seios e parando bem na ponta daquele tímido arredondado de pele branca. Os mamilos eram tão cor-de-rosa quanto os cabelos dela, se não mais. Sasuke abaixou lentamente o rosto até seu nariz tocar o meio dos seios pequenos. Sem qualquer sinal de aviso, ele tomou um dos círculos franzidos na boca com volúpia. Sakura reprimiu um grito e não percebeu que suas mãos enterraram-se nos cabelos pretos do shinobi. Ele umedeceu a pele macia com sua saliva e sugou o mamilo com tanta sofreguidão que Sakura sentiu uma leve ardência quando ele libertou a pele molhada para deslizar a boca para o outro seio. As sensações se retomaram. Sasuke chupou a carne rosada devagar desta vez, circulando a língua em volta do mamilo, instigando-a, deixando-a quente. Sakura só tentava evitar que seus gemidos escapassem altos demais. Ele retirou o seio da boca hesitante e a respiração arfante chicoteou a derme sensível. O ninja sorriu quando percebeu os poros se dilatando lentamente e os finos pêlos se eriçando. Como uma provocação, lambeu mais uma vez a auréola arrepiada e soprou-a. Rosnou baixo quando sentiu as unhas arranharem timidamente suas costas.

Sakura deitou-se calmamente quando Sasuke induziu-a a fazê-lo. Seu corpo vibrava fisicamente, ardia de prazer e calor. Sasuke era tão bom naquilo que Sakura percebeu que seduzi-lo fora uma péssima ideia. Pior que isso, talvez acabasse amando-o mais que antes. Depois de partilhar tanta intimidade, não seria difícil de acontecer.

Mas não vai, prometeu a si mesma, Ele está fazendo isso porque está ressentido pelo que eu disse. Ele vai me machucar, me machucar mais. Tenho que lembrá-lo.

― Sasuke... ― sussurrou separando as sílabas lentamente, desprezando os sufixos.

Ele despiu a camiseta facilmente, pois metade do tecido já deixava a mostra seu peito. A kunoichi sentiu a garganta se apertar quando ele desamarrou a corda roxa, puxou as calças escuras para baixo e, imitando uma ação anterior sua, chutou-as pernas abaixo junto com roupas íntimas e sandálias.

A Haruno fechou as pernas abruptamente quando ele se aproximou. “Não vou conseguir”, pensou assustada. Podia sustentar as carícias, aguentou com esforço os beijos, mas... não suportaria tê-lo tão próximo de si. Sabia que quando o corpo dele estivesse tão unido ao seu naquela conexão que só podia haver quando duas pessoas pertenciam uma ao outra para sempre, um pacto de amor... Sabia que não haveria volta. E então estaria para sempre mergulhada naquela dor. Nunca seria correspondida.

Sasuke estava inconsciente disso, certamente. Ele progredia lento, deslizando a mão pela perna macia da kunoichi que se encolhia a cada centímetro percorrido. Ele trocou os dedos pelos lábios, fazendo-a ofegar. Não pelo calor e arrepios que aquilo lhe causou, mas pela calidez que Sasuke manteve… como se acarinhasse cristal. Como se ela fosse preciosa, como se ele... a amasse.

Tão tola.

Estava se iludindo e todo seu esforço seria em vão. Daria sua virtude para um plano premeditadamente fracassado? Não podia se dar ao luxo.

Ergueu o corpo da cama e empurrou o shinobi que já apertava o rosto contra sua barriga, mordiscando a pele macia acima do umbigo. Sakura engoliu a vergonha que lhe afogueou as faces, se pôs de joelhos e apoiou os antebraços sobre o tecido macio. Deitou o rosto sobre as mãos e ergueu os quadris o máximo que pôde...

Aquela posição... Mordeu a parte interna da bochecha… era fria o suficiente. No sentido romântico, claro. Não veria o rosto dele, não veria nada.

Sasuke pareceu um pouco confuso, mas não pode deixar de reparar no quanto aquela posição deixava-a vulnerável para si. Ele tinha a visão ampla de toda a feminilidade de Sakura, além das nádegas redondas erguidas. A pele da intimidade reluzia e fez com que seu próprio corpo pulsasse. Ardeu tanto que ele teve escorregar a mão para entre as pernas e massagear a ponta de seu membro até que a ilícita dor do desejo se dissipou parcialmente. Por que aquilo? Aquela garota... O que estava pensando?

― Eu não pedi seu amor ― ela respondeu como se lesse a mente dele ―, lembra-se? Eu nunca pedirei o que você não pode me dar. Eu nunca te pediria algo que sei que não tem. ― Sasuke se aproximou dela e Sakura fingiu que seu corpo não tremeu de medo ao sentir a pele dele em contato com a sua. Não pôde decifrar os olhos lutuosos, porque não o via e agradeceu por isso. Escondeu o rosto nos pulsos e continuou: ―… Então, S-sasuke-kun... Me dê algo ruim, algo mau... Porque isso eu sei que você tem e é a única coisa que pode me dar.

Ela fechou os olhos e aguardou ansiosa. Não ousou falar mais nada, só cerrou os lábios. Podia sentir o calor do shinobi atrás de si...

― Sakura... ― pensou ter ouvido um sussurrar. Um timbre tão suave quanto o roçar de asas de uma borboleta. Talvez fosse alguma alucinação de sua cabeça tão cheia de desejo e medo. Porque não era possível Sasuke ter chamado por seu nome com tanto carinho, era?

Então algo a rasgou por dentro, afastando qualquer linha de raciocínio de sua mente. Não conteve o grito, mas abafou-o nas cobertas assim que retomou consciência. Mais uma onda de dor lancinante atingiu seu centro em cheio. Não havia maneira alguma de amenizar aquilo. Seu chakra estava instável, nunca conseguiria utilizá-lo. As mãos de Sasuke seguravam cada parte de suas nádegas com firmeza, separando-as para acolhê-lo completamente. E estava funcionando. Sakura o sentia até o seu fundo, marcando com fogo seu íntimo e sua alma. O fogo, o poder dele. Tão forte que suas pernas tremeram sem interrupções. Seus dedos eram garras cravadas nos cobertores. Seus gemidos se tornavam cada vez mais altos de acordo com os movimentos do vingador. A cada investida aquilo ficava pior, mais fundo, mais rude, mais Sasuke.

Aquele era o verdadeiro Uchiha Sasuke, então? Ela engoliu com esforço o choro e prendeu os lábios quando ele empurrou-se pra dentro dela mais uma vez. A rosada fechou os olhos. Era daquilo que precisava. Daquele choque, daquele pavor, daquela dor. A dor a faria acordar. Poderia então esquecê-lo.

―… m-mais forte… ― implorou quando queria justamente o contrário. A investida dele fez com que lágrimas escorressem, elas eram frias contra o rosto quente. Aquilo era terrível, feria profundamente. Ela estava próxima, quase sentia a dor física suplantar aquela outra que lhe perturbava há mais tempo. Uma incursão mais rude e ela seria livre.

Ele fez o que Sakura mais ansiava agora.

― Sas-suke-kun... não...

Afastou-se dela devagar e a kunoichi quis berrar de alívio. Ela queria sair dali… Fugir… Ele devia ir embora agora. Sim, deixá-la ali, não devia sequer falar com ela, apenas ir. Isso, Sasuke-kun! Vá embora e me deixe aqui sangrando e queimando de dor. Isso, sem dúvida, vai funcionar! Finalmente serei livre para amar quem retribua.

O Uchiha não foi embora, no entanto. Com cuidado ele ergueu a menina, apoiando a mão espalmada na barriga lisa e puxando-a com cuidado para trás. A cabeça dela tombou em seu peito, lânguida e atordoada. Sasuke enlaçou a cintura trêmula com o braço e segurou o rosto franzido, virando-o para o lado devagar, para que ela o olhasse.

― Me perdoe ― sussurrou com a voz rouca em seu ouvido. A kunoichi franziu a testa confusa. Sasuke pediu perdão? ― Eu não... não devia ter... Você pediu que... Merda, eu só...

― Pare ― gemeu agoniada. ― Não peça perdão, você não pode!

― Sakura...

Reunindo as forças que sobravam, ela virou-se de frente e empurrou o moreno na cama, sentando-se no colo masculino em seguida, sentindo o membro ainda ereto roçar-lhe a intimidade. Sasuke reprimiu um gemido.

― Continue. Ne, você estava gostando, certo? Sasuke-kun, eu sei que você quer isso! Não precisa fingir que se importa comigo.

― Não estou fingindo, Sakura. Você estava gritando… Inferno, gritando e se retorcendo de dor!

― Mas eu quero que você continue!

― Não. ― Ele disse obstinado e parecia raivosamente surpreso. ― Desde quando sente prazer em ser machucada?

A fúria da garota suplantou os níveis racionais. Ela avançou contra ele em completa loucura. Sasuke não se desviou. Deixou que as mãos se agarrassem aos seus cabelos, que as unhas cravassem em seu couro. Ele deixou que os olhos cheios de lágrimas se aproximassem dos seus, deixou que as lágrimas quentes banhassem o seu rosto, e a potência sonora da voz que bateu contra seu rosto deixou-o atordoado.

Eu odeio. Eu odeio ser machucada, Sasuke-kun. Odeio tanto que me odeio por sentir essa dor. Desejo todos os dias da minha vida morrer por sofrer por sua causa. Mesmo que me machuque, eu não posso... Não consigo deixar você. Tudo isso é culpa minha. Eu simplesmente não posso deixar de te amar. Eu não posso, não vê isso? Eu te amo e você não corresponde e mesmo assim eu continuo te amando! Eu sofro porque quero e me odeio por isso! Eu consigo me odiar, mas não consigo odiá-lo, Sasuke-kun! Não vê o quanto isso é doentio?!

Sasuke tinha os olhos tão abertos que doíam. A garota montada em seu colo agarrava seus cabelos como se sua vida dependesse disso. Ele pode sentir alguns fios sendo lentamente arrancados, mas não se importou. Como poderia se importar com aquela dor quando tinha uma garota tão ferida sobre ele? Aqueles sentimentos tão confusos e destrutivos. Ele sabia como era. Por Kami, ele sabia. Seu fôlego... Não havia fôlego. Precisou de um tempo para inspirar o ar, os olhos verdes perturbavam seu raciocínio de uma maneira assustadora. Como explicá-la, como dizer a ela? Como prometer se não havia convicção em si mesmo? Como deixá-la amar...?

Se nele não havia nada digno para receber tal sentimento?

― Sakura... ― parecia a única coisa certa para dizer. A única coisa que não parecia perigosa de pronunciar. Não queria uma luta com a kunoichi que parecia mais que disposta a cair em uma briga, nua e desvairada. A ideia o excitou de maneiras terrivelmente erradas.

― Continue. ― Ela pediu com a voz chorosa e para enfatizar roçou o corpo no seu. A fricção entre os corpos livres de roupas fez Sasuke revirar os olhos devagar. ― Me machuque, me machuque forte e me faça te odiar. Me faça sentir nojo de você, me faça gritar de dor até que minha voz suma. Me mostre o quanto você é vingativo, cruel, sádico ― repentinamente a voz raivosa tornou-se desesperada, a respiração da kunoichi saía superficialmente dos lábios cheios ―… me mostre alguma coisa... Algum sentimento, mesmo que ruim, Sasuke-kun, por favor! Porque essa sua indiferença é o que mais me machuca. ― Sua voz falhou, falhou tanto que o fim da frase foi quase ininteligível.

Ela não aguentou mais. O choro agudo como de uma criancinha ecoou pelo quarto e foi interrompido pelos soluços e arquejos a procura de ar. Sasuke permaneceu atônito por um momento, observando a pele macia dos ombros tremendo ritmicamente com o choro. Seus braços a envolveram inconscientes. Desta vez não houve tempo para hesitar. Enclausurou-a com o próprio corpo. Sakura deixou-se encostar-se a ele por um instante e ficou rígida depois.

― Você não devia... Está errado... Estraguei tudo... ― Nada do que ela dizia parecia ter sentido pra ele. Mas afinal aquilo era amor, não? Quando houve sentido nesse sentimento? O choro ia sumindo, mas os soluços continuavam fazendo com que ela se contraísse sobre ele, deixando-o duplamente consciente do corpo dela no seu.

― Me desculpe.

― Não vou aguentar desta vez ― murmurou ela contra o peito dele. ― Eu vou morrer, Sasuke-kun.

― Não deixarei que te machuquem, Sakura. ― Nem mesmo eu, quis completar, mas apenas segurou o maxilar dela e ergueu o rosto úmido para o seu. A boca avermelhada era tão convidativa que não resistiu.

― Não faça isso. ― Ela sussurrou e ele inalou o cheiro inebriante de algum doce, saliva e lágrimas. O modo como o lábio inferior se grudou no superior lentamente o fez conjecturar que seria loucura não beijá-la agora.

― Por quê?

― Vai ser impossível conviver com mais essa lembrança. E-eu não suportaria.

― Sakura...

― Eu vou dar o meu máximo para viver com isso — ela forçou um sorriso e fungou —, vou me empenhar e me tornar uma ótima médica, vou fazer de tudo para esquecê-lo, Sasuke-kun. Eu não vou importuná-lo mais a partir de agora.

― Mas eu...

― Por favor ― os olhos verdes se tornaram urgentes ―, não minta. Pra você pode ser fácil, mas você não entende como é pra mim. Deixe-me fazer minhas promessas, deixe-me acreditar que existe um futuro pra mim sem você.

Sasuke abriu a boca, mas fechou-a e meneou a cabeça. A frase estava ali. Tão próxima dele e dela, pronta e na ponta da língua, mas...

― Eu não posso.

― Não pode?

― Não.

― O que você não pode?

Colou a boca nela com pressa. Sakura gemeu, protestou, mordeu a boca de Sasuke, mas ele perseverou e imobilizou o rosto pequeno. Segurou a nuca delgada e afundou-se nela, encontrando a maciez e o calor habitual da médica. A língua do vingador e da kunoichi brigaram por domínio; a dela forçando-o a sair e a dele agarrando-se à sua rival como se precisasse lhe contar um algoz segredo. A médica gemeu e cedeu lentamente quando o shinobi não desistiu. Uma lamúria rouca escapou da garganta do moreno quando a língua quente da menina envolveu e acariciou a sua. Ele sugou o lábio inferior, sentindo o sabor intenso de lágrimas, mas não se importou. Ele estava beijando. Beijando Haruno Sakura. E aquilo era o que realmente importava.

Quando separaram-se, puxaram o ar que havia sido esquecido de ser inalado.

― Não posso... deixar que me esqueça. — o shinobi resmungou ainda arfante desejando dizer outra coisa.

― Isso realmente é...

― Você é importante pra mim. — Tentou mais uma vez, mas acabou dizendo outra verdade.

Expor seus sentimentos agora lhe parecia perigoso e apavorante.

― Não! ― ela exclamou com raiva, espantando as lágrimas inutilmente, pois mais uma torrente escorria. Sasuke cerrou mais os braços em volta dela, impedindo-a de se mover. Ela não podia fugir justo agora. Ele realmente estava se esforçando.

― Você é. ― insistiu o vingador. ―… Sakura, eu... ― Fechou os olhos com força e inspirou. A garganta doía. Eram apenas três palavras. Soltou o ar e separou os lábios... mas a ninja os cobriu com dedos trêmulos.

― Você não pode querer que eu sofra desta maneira, Sasuke-kun… Mesmo que não se importe com o que sinto, não pode querer me machucar a este ponto.

Ela achava que ele ia mentir.

Inferno, ele não ia.

Seu peito doía. Era tão estranho aquele sentimento. Sasuke sabia bem que o sentia. Mas como poderia prometer à ela quando nem ele sabia bem como agir em relação àquilo? Como podia ele tirar toda a bondade de algo tão puro quanto a menina em seu colo agora? Poderia prometer algo que talvez não pudesse cumprir?

― Sakura, eu não posso. Não agora.

― Você...

― Eu não sei se vou voltar… Não posso prometer a você — ele foi cruel o bastante para emendar sem hesitação: —, mas irei tentar.

― Sasuke-kun... ― ela meneou a cabeça e a mão voltou devagar para cobrir os lábios masculinos. Ele desviou os dedos dela com os seus próprios, mas segurou a mão quente contra o seu rosto frio, mantendo-a ali.

― Eu não tenho nada pra te dar. ― ele admitiu num tom de voz baixo. ― Eu não sou... bom pra você.

― Eu não me importo ― Sakura quis morder a língua. As palavras escaparam de sua boca sem que percebesse. Mas que isso importava agora? Até onde ela fora para que ouvisse algo assim de Sasuke? Já estava perdida, não? Aquilo não a machucaria mais do que já estava.

― Você tem que se importar. Olhe... olhe pra você ― ele apontou para as manchas avermelhadas espalhadas pela pele acetinada. Ele segurou delicadamente o seio esquerdo manchado de violeta. ― Olhe isto. Fui eu que te machuquei. Como posso conviver com isso? Não posso continuar te ferindo assim.

Uma risada baixa arranhou a garganta da kunoichi.

― Isto não é nada. Isto não dói.

Ele entendeu o que ela quis dizer.

― Eu também não posso continuar a te ferir dessa maneira. Sakura, não vê? Eu preciso encontrar... outra maneira... Preciso ver... Não posso prometer ficar, não quando...

― Vá. ― ela pôs uma mecha do cabelo para trás da orelha e ergueu os olhos verdes para o shinobi. ― Se precisa ir, vá. Não preciso que me prometa nada. E não precisa se martirizar por isso.

Ele crispou os lábios. Francamente! Como poderia querer beijá-la e estrangulá-la ao mesmo tempo? Ela entendia? Entendia o que ele queria dizer? A frase estava ali sufocando-o! Ele procurava uma maneira de pô-la pra fora e ela queria que ele simplesmente a engolisse. A indignação machucava de tantas formas que Sasuke rosnou.

― Você é mesmo irritante! Não estou me martirizando, estou tentando... O que quero dizer...

― Eu não quero ouvir. ― Sakura meneou a cabeça, os olhos subitamente assustados. Se ele mentisse, se ele dissesse aquilo. Seu coração... A esperança... Não poderia se iludir. Cobriu os ouvidos com pressa, mas Sasuke segurou suas mãos com obstinação. Ele prendeu os pulsos dela uma mão e com a outra segurou o queixo. A kunoichi desviou o olhar, fechou as pálpebras, tentou se soltar.

― Escute!

― Pare...

― Sakura, eu vou voltar.

― Pare de mentir. ― ela mantinha os olhos fechados e Sasuke se irritou.

― Que droga! Olhe pra mim. Agora! ― ele libertou os pulsos dela e segurou o rosto teimoso com as duas mãos. A ninja abriu os olhos hesitante. O rosto do vingador era pura determinação. O Sharingan se ativara e ele ao menos havia percebido. O carmim vívido hipnotizou os olhos verdes, impossibilitando-a de se desviar deles. As mãos do Uchiha seguravam-na com uma firmeza inflexível. Ela não fugiria. ― Eu. Vou. Voltar.

Ela cerrou os lábios e recusou-se a chorar. Negou lentamente e o shinobi manteve seu rosto preso entre os dedos.

Não... — ela soluçou.

― Sakura, acredite em mim. ― ele não aguentou mais. Puxou o rosto para o seu e a beijou com ânsia, apenas um ofegar rouco escapou dos lábios da menina, mas ela não recuou. O gosto da boca doce o deixou tonto.

Sakura tinha que acreditar. Ele voltaria pra ela. Apertou-a contra si, causando arrepios e leves contrações em seu corpo. A sensação que sentiu ao tomá-la foi tão forte que afastou-se por um momento dos lábios para abraçá-la. Precisava sentir não só os lábios, mas o corpo todo contra o seu. Segurou os cabelos róseos e pressionou a cabeça dela em seu ombro, a respiração arfante da rosada batendo contra seu pescoço. A outra mão desceu pela coluna e pressionou a base das costas dela, os seios esmagaram-se contra seu peito. Ele desejava apertá-la até que se fundisse ao seu corpo, queria trazê-la para dentro dele, para dentro de seu coração.

― Acredite em mim. ― implorou novamente com a voz em chamas.

― Eu acredito, Sasuke-kun. ― sussurrou ela colada em cada linha de sua pele. ― Esse é o problema.

Ele não falou nada, apenas puxou-a com cuidado pelos cabelos e fixaram os olhares. Ela era tão linda. Os olhos verdes marejados ardiam ao olhá-lo. Contemplavam todo seu rosto com adoração e uma leve sombra temerosa.

Nunca mereceu aquilo, mas — ainda assim — como pôde... Como conseguiu fugir daquele olhar por tanto tempo?

Sasuke acariciou a bochecha da garota e acompanhou o formato dos lábios. Uma lágrima quente tocou seu polegar e ele espalhou o líquido pela pele macia.

― Não mereço você. ― suspirou ele quando observou mais lágrimas molharem seu dedo. ― Eu devia... O que mereço... Eu devia estar... ― desistiu. Nada parecia ser certo. Ele principalmente, os sentimentos dela para com ele acima de tudo. Por que ele? O que Sasuke tinha feito para receber tão grande emoção? Que havia feito para ser tão estimado? Seria ela louca? Não via o quão vazio ele estava? Ela não podia, nunca devia ter se aproximado. Só de pensar...

― Sasuke-kun, eu te a-

― Não diga. ― repreendeu-a rapidamente e cortante, a kunoichi se assustou, mas o obedeceu. ― Nem pense mais nisso, por favor.

― Mas-

― Só quero ouvi-la quando for digno.

Os dentes dela cintilaram com a luz pálida do cômodo. Os lábios rosados esticados e úmidos de lágrimas tremeram levemente. O seu gargalhar foi baixo, mas pareceu tão espontâneo que Sasuke franziu a testa confuso.

― Ne, talvez demore um pouquinho.

Uma piada. Era bem a cara de Haruno Sakura zombar de suas desgraças como pessoa. No entanto, o semblante alegre combinava muito mais com aquele rosto. Obviamente, Sasuke não conseguiu rir, mas grunhiu um "tch" forçadamente gracejado antes de concordar duramente. A risada doce logo morreu e o quarto afundou-se em silêncio. Os olhos verdes não saíram dos seus e o brilho divertido foi se apagando até que ela baixou as pálpebras e as bochechas ficaram rubras.

― A-acho que devo ir.

Sasuke não concordou, mas não fez objeções. As pernas dela se ergueram, levantando-se lentamente de seu colo, tentando não fazer muitos movimentos bruscos. O shinobi tentou com muito custo não olhar para o corpo curvilíneo nu, mas seus olhos não lhe obedeceram de todo. Ele reprimiu um gemido baixo quando o calor dela deixou sua pele, com uma leve pulsação de saudade. Seus pensamentos se dissiparam quando ele focou a visão nas coxas torneadas. O sangue quase ressecado tomava conta da parte interna de uma delas e... Kuso! Saía tanto assim? Seus dedos se fecharam em um dos braços enquanto a rosada se levantava com calma da cama.

― Hn... ― ele começou e gesticulou furtivamente com o queixo para o local. Sakura pareceu confusa, mas olhou pra baixo com curiosidade. Um esgar escapou de sua garganta e o rosto ficou mais vermelho. ― Você precisa de um banho.

― Oh… E-estou bem, só preciso de minhas, hm, ahn...

Os farrapos formavam um monte próximo à porta e Sakura parecia ter se esquecido. A kunai descansava sobre pilha.

― Te emprestarei umas minhas. ― O Uchiha se ergueu segurando o lençol para cobrir o que não queria deixar a mostra. ― Tome um banho antes. Vou encher banheira.

― Eu me lavo na ducha, não há necessidade de...

― Vou te levar.

― Sasuke-kun, não precisa...

― Você está com o equilíbrio afetado ― murmurou ele e, como para afirmar, as pernas da garota fraquejaram por um mínimo segundo, mas ele a sustentou interpondo ao seu lado. ― Vamos ― disse ao segurá-la pela cintura e caminhar com passos calmos até o banheiro.

Antes de chegar à porta, Sasuke resolveu largar o lençol no chão. Manteve uma distância significativa entre Sakura, só usando o braço para mantê-la de pé. Empurrou-a para dentro do box e teve de entrar também para ajustar a temperatura do chuveiro. Seu corpo se retesou quando a água quente atingiu seu cabelo.

― Hn ― grunhiu baixo e Sakura pigarreou.

― Talvez você também precise de um banho. ― Ela baixou os olhos e gaguejou.

A face do Uchiha pegou fogo. Como ela se atrevia a olhar tão pra baixo? Essa garota! Ele deu um passo para trás e colocou-a em seu lugar.

― Não preciso.

― Mas eu... sujei você. ― Ela apontou timidamente para seu corpo e ele notou. Droga, droga. Ela devia olhá-lo ali? Mas realmente estava sujo. ― Me desculpe.

Virou-a de costas para si e resmungou.

― Eu vou. Depois.

A garota ocultou um riso baixinho e sentiu ser direcionada à torrente. Gemeu quando a água quente encontrou e massageou sua pele e cabelos. Aquilo era tão bom. Livrou-a de uma tensão que parecia que ia durar pra toda a eternidade. Ela esfregou com leveza a pele arrepiada e suspirou baixo, ouvindo alguma coisa também. Abriu os olhos para perceber um braço estendido a sua frente, segurando um pequeno sabonete lilás. Ela o pegou. O cheiro doce impregnou suas narinas quando o enfiou debaixo da água quente. Esfregou-o nos seios, ombros, mas quando ergueu os braços para alcançar toda a extensão da cintura a mão do shinobi a impediu.

Sasuke reclamou o sabonete para si e abaixou os braços da garota devagar. As mãos dele tocaram sua pele nua... Sakura podia estar no inferno agora e não se importaria. Não se importava com mais nada. Não havia muita espuma, mas os dedos dele deslizaram facilmente pela tez encharcada da garota. Sakura não via, mas aquilo estava matando-o aos poucos. Ali, na claridade branca do banheiro, ele podia ver todo o estrago que fizera no corpo frágil. E o matava também porque ela não tinha a mínima noção do quanto o excitava. Ele arrastou a mão pelos seios, sem se demorar muito, subiu para a clavícula fugindo de qualquer parte instigante. O vingador segurou a mão dela sob a sua e manipulou-a com delicadeza até o pescoço, Sakura gemeu.

― Sasuke-kun... ― disse baixinho quando sentiu a respiração pesada do shinobi na sua orelha.

― Cure-se. ― Ele pediu a ela. Sentir o corpo delicado tão sensível e marcado o deixava nauseado. ― Sei que pode.

Sakura respirou fundo e coloriu as mãos de verde. A luz estava trepidante, mas funcionou. Ele sabia que Sakura podia apenas concentrar o chakra e canalizá-lo para a ferida, mas não acreditou que ela estivesse lúcida o suficiente para aquilo. Ela inspirou fundo quando sentiu a ardência ceder gradualmente. Sasuke mantinha a mão dela firme sobre a área e depois de um tempo afastou-a dali. Olhou minuciosamente para a tez. Os orifícios que seus dentes deixaram na pele se fecharam rapidamente, deixando na ausência apenas um leve tom azulado na palidez.

O hematoma nos seios foi o segundo ferimento a sumir — mais fácil que o primeiro, pois esse estava mais superficial. O Uchiha tremeu e sentiu o corpo se aquecer quando os mamilos resvalaram, sem querer, nas palmas de suas mãos. Sakura murmurou alguma coisa que não ele ouviu. Resolveu ignorar aquilo e escorregou os dedos para a barriga, encontrando outro tipo de calor mais abaixo.

Sakura se assustou com o toque, mas mordeu os lábios ocultando o sobressalto. Não havia nada de sexual naquilo, mas ela gemeu rouca e longamente, sentindo lágrimas de vergonha fluírem por sua face corada. Sasuke apenas limpava toda sua pele íntima com cuidado, separando os dedos pelas dobras sensíveis e usando a água para livrá-la de qualquer impureza. O indicador escorreu para mais baixo devagar, sentindo cada relevo da médica que arquejou segurando o braço do Uchiha. Sua respiração saia em baforadas. O box se tornara uma pequena sauna, deixando os dois envoltos em uma bruma quente. Sakura quis morrer quando sentiu sua entrada se contrair sobre o dedo do moreno. Envolvida em seu próprio e incontrolável desejo, a rosada não ouviu o gemido baixo que Sasuke não conseguiu ocultar com um cerrar de lábios. Para a tristeza e alívio da Haruno a mão dele fugiu com uma leve hesitação dali, mas o ninja ainda esfregou as coxas femininas, limpando-a em definitivo. Ela estava livre do sangue agora. E, por consequência, dos toques dele.

Sakura pigarreou envergonhada e levou a sua própria mão para baixo, se retesando quando precisou introduzir de leve a ponta do indicador para que a cicatrização fosse mais eficiente.

― Heh, está feito ― concluiu virando-se para o vingador. Ele tinha os braços fortemente cruzados sobre o peito, o que fez Sakura questionar o porquê do maxilar estar tão cerrado. ― Sasuke-kun... Está tudo bem?

Aa.

― Ne, acho que agora é sua vez. ― Ela tocou o ombro tenso dele, mas o Uchiha mal se moveu. Ela tentou mais uma vez e ele cedeu com um suspiro. O sabonete foi surrupiado das mãos masculinas e a garota começou a deslizar os dedos pelos nós tensos das costas. Ela percorreu a pele dele apenas duas vezes e rapidamente Sasuke se virou e segurou seu pulso. O rosto dele estava agoniado.

― Pode ir se vestir agora. ― Ele a soltou devagar, a voz estava contida. A Haruno deixou a mão livre percorrer o peito molhado dele.

― Eu... quero te ajudar ― ela disse fingindo não perceber as pernas tremularem por conta dos olhos escuros tão fixos nela ― como você me ajudou ― concluiu com um sorriso afetado. Ele negou lentamente, mas parecia completamente favorável. Fechou os olhos quando os dedos tímidos pressionaram sua pele, ela foi delicada ao ensaboá-lo, fazendo-o se arrepiar quando a sentiu descer pela barriga limpando tudo com muita calma. Calma demais.

Então ela o tocou. Kuso! Sakura realmente era louca. Ela espalmou os dedos por toda a sua extensão e acariciou torturante aquela parte mais sensível.

Não ousou tocá-la. Seus dois braços que se mantinham cruzados com firmeza esticaram-se, se apoiando na parede. Os punhos cerrados como nunca. A mão dela o limpava e era só isso. Respirou fundo e tentou pensar em algo que lhe trouxesse paz, mas a rosada fechou os dedos sobre ele, moveu a mão macia, apertando-o com cuidado, os dedos fazendo pressão no extremo do seu corpoInferno!

Sakura ― ele avisou. Sua voz mal foi um sussurro e pareceu-lhe quase um lamento. A kunoichi parecia curiosa com sua excursão, mas aquilo o enlouqueceu. Precisava manter a mente sã ―, já terminamos.

Os olhos verdes ergueram-se para os pretos. Ele poderia ficar mais atraente do que estava agora? Os cabelos lisos e escuros colados no rosto corado, os lábios delineados semiabertos arfando e aqueles olhos perigosamente fixados nos seus. A rosada mordeu os lábios e soltou-o. Não se afastou dele, no entanto. Na verdade colou a pele dele na sua e a água do chuveiro levou a espuma do sabão lentamente. Ele mantinha as mãos espalmadas na parede, como se Sakura fosse tóxica. Ela se pôs na ponta dos pés, mas Sasuke ergueu o rosto tornando-se inalcançável.

― Sasuke-kun...

― Não quero machucar você.

E então ele envolveu a cintura encharcada e a puxou para baixo. Para longe de seus lábios. Sakura engoliu seco e cedeu por um momento, mas aproveitou a umidade do corpo e o sabão, deslizando com facilidade para cima e mesmo com o aperto do braço na cintura delgada, Sasuke não conseguiu segurá-la. Abraçou o pescoço dele e o trouxe para baixo pondo seu peso no aperto, ele desistiu. Os narizes se tocaram e antes que provasse mais uma vez daquela boca, ela sussurrou:

― Então não me machuque, Sasuke-kun.

Talvez nunca se acostumasse com aquela sensação. A boca de Sasuke parecia ter sido feita restritamente para ser beijada. A língua era maldosamente carinhosa, os braços que a restringiam, agora a puxavam para mais perto segurando-a pelas nádegas e tirando seus pés brevemente do chão. Sakura não pôde deixar de notar o calor pulsante que o membro dele fazia contra seu ventre. A kunoichi gemeu entre os lábios dele e friccionou-se contra o membro rígido, seu centro se contraiu, clamando por algo que aplacasse aquela ardência. Por ele.

― Não devíamos. ― Sasuke sussurrou contra sua boca, mas a mão firme a apertou mais contra o próprio corpo.

Devíamos. ― ela rebateu com um resmungo levemente manhoso. Não precisou falar mais nada. O ninja ergueu-a e a garota envolveu a cintura dele com as pernas. Ele fechou finalmente o registro do chuveiro e saiu do box às pressas.

Não pararam para se secar. O nukenin dirigiu-se de volta para o quarto e a depositou mais uma vez na cama, dessa vez mais calmo, no entanto mais ansioso que antes. O corpo dela estava encharcado, respingando, assim como o dele, mas Sasuke não se importou, na verdade nem pareceu notar. A boca dele se apertava em seu pescoço, subindo lentamente e mordendo devagar o lóbulo da orelha. A respiração quente ali a fez se contorcer. A mão dela se entrelaçou nos fios escuros. Ele tentava ir com calma, mas a própria Sakura o impedia, arfando em protesto quando agia devagar. Beijou a boca macia da sua kunoichi mais uma vez e caiu nos seios úmidos. Não os sugou desta vez, apenas correu a língua sobre o bico rosado devagar. Para cima e para baixo, circulando quando ela gemeu de maneira mais entregue. Repetiu o processo no outro mamilo e beijou-os com cuidado antes de continuar descendo.

O Uchiha puxou as pernas da garota para cima, separando-as devagar. Sakura parecia um pouco relutante, mas não reclamou. O vingador enfiou o rosto entre suas coxas macias e a língua inseriu-se exatamente onde pulsava.

― Ah, céus! ― exclamou assustada.

Sentiu Sasuke mover a língua para cima e novamente ele atingiu outro ponto sensível. Ela gemeu alto. Aquilo era abrasador! Ele fazia tão devagar que ela precisou mover os quadris timidamente contra a boca dele. Sakura, como sempre curiosa demais, ousou olhar para baixo e quase gritou com a visão. Os olhos dele mantinham-se fechados enquanto sua boca estava colada em seu centro, embebedando-se da umidade dela, mas repentinamente as íris negras sustentaram as verdes, sem deixar de sugar e estimular o clitóris excitado. Sakura gemeu mais alto e não ousou desviar o olhar, mas teve que cerrar as pálpebras quando Sasuke fixou o lábio superior no início de sua abertura e o inferior se moveu uma única vez para cima, prendendo sua pele entre a boca macia enquanto a língua se contorcia ali. A respiração da garota se entrecortou e suspendeu quando ele a chupou forte. Aquilo a fez sentir um ardor insuportável. Implorou por alguma coisa, chamou o nome do causador daquilo tantas vezes que perdeu as contas. Ele a acariciava cada vez mais exigente e quando uma onda que se iniciava daquele ponto pulsante a afogou, Sakura não reprimiu um grito. Afogou-se em um mar de calor e espasmos. Seus dedos se apertaram nos cabelos dele enquanto tudo ao seu redor era suplantado por contrações. Fechou os olhos e cerrou os dentes arqueando as costas levemente da cama e delirou com os tremores que a assaltavam.

Até que acabou, com leves espasmos a sensação foi se dissipando lentamente e deixou em seu lugar uma tranquilidade lânguida.

― Sasuke-kun... ― ela tentou dizer. Ele beijou o pequeno monte rosado antes de subir de volta para ela. ―… isso foi tão gostoso.

― Aa... ― ele sorriu de leve e tirou o cabelo úmido dos olhos. Sakura acariciou aquele rosto com delicadeza. Os olhos dele ainda mostravam indícios daquela agonia do banheiro. Ela puxou o ombro para si, induzindo-o a ficar por cima. Sasuke agiu como se ansiasse por aquela aceitação dela, mas ele parou quando Sakura ergueu os quadris, ofertando-o a ele. ― Tem certeza? ― indagou com angústia. Parecia temeroso, as pontas dos dedos afagavam os seios de forma tensa. Ela segurou-o pela nuca e manteve os olhos nos dele. Determinada. Ele estava assustado.

― Você não vai me machucar, Sasuke-kun. ― levou a outra mão para a nuca dele e aproximou os rostos. Os olhares se embaralharam, mas continuou olhando. ― Eu… eu acredito em você.

Ele grunhiu e beijou a boca dela devagar, não fechou os olhos, manteve-os abertos enquanto os lábios se tocavam e se conheciam com curiosidade. Quando a Haruno separou-se para respirar, ele aproveitou para segurar a coxa roliça e mover o torso entre elas, abrigando-se no calor dela. Sakura separou mais as pernas e inspirou fundo. O Uchiha apoiou uma das mãos na cama e com a outra ele tomou o pênis na mão e roçou a extremidade por entre a umidade abundante da kunoichi. Ela gemeu contra sua boca e arqueou mais os quadris, quase o erguendo da cama. O vingador afagou mais algumas vezes a pele molhada da médica, deslizando devagar para cima e para baixo, pressionando-se contra as partes mais sensíveis dela e sentido o próprio corpo vibrar de ansiedade e se contrair com o calor. Continuou se movendo, sem realmente entrar nela; Sakura suspirava e reclamava tentando pegá-lo erguendo o quadril, mas Sasuke a segurava e continuava a torturá-los com aqueles carinhos. Até que se tornou insuportável para os dois e então, ele escorregou uma última vez pra baixo, se enfiando com cautela para dentro do aperto úmido. A respiração da garota se entrecortou, as mãos passearam do pescoço para a base das costas pressionando-o para si. Ele não se moveu e Sakura resfolegou.

― Continue ― implorou e ele afundou-se mais alguns centímetros sem ajuda da mão agora. ― Sasuke-kun! ― choramingou ela impaciente.

― Calma ― pediu ele com a voz rouca quando sentiu unhas cravarem em suas costas.

Pouco a pouco ele se abrigava dentro da quentura e maciez receptiva de Sakura. Embaixo dele ela tremia, arfava e ansiava por alguma coisa que não sabia o que era exatamente. Mas a ânsia se inflamava quando o ninja ia devagar... Ela precisava de um movimento mais intenso do quadril dele e então alcançaria... Se livraria daquela sensação deliciosa, no entanto agonizante que sentia.

― Aah, Sasuke-kun. Por favor! ― Levemente resignado, ele a obedeceu. A pressão exercida pelos movimentos incisivos fazia seu baixo ventre se contrair. Aquilo era tão estranho, mas um estranho bom. Sakura não sabia bem o que sentia, mas estava gostando de tê-lo tão próximo a si e não queria que ele parasse.

Sasuke segurava os gemidos e suspirava a todo o momento. Havia vincos em sua testa e ele suava. A cada incursão em Sakura ele se tornava mais tenso, o corpo ficava mais rígido e os movimentos mais duros.

― Sakura... ― ele murmurou baixo e quase perdeu o equilíbrio quando a entrada dela se fechou contra ele. ― Porra!

Não demorou muito para que as convulsões começassem a tomar seu corpo. As contrações inconscientes de Sakura aceleraram o processo. Ele enfiou a mão por entre os corpos suados e alcançou aquele ponto sensível da kunoichi para unir as sensações dela com as suas. A Haruno chiou manhosa e seu interior se tornou mais estreito. Sasuke manteve os movimentos circulares sincronizados com os seus próprios, até seus gemidos se misturaram em certo momento. O seu fim foi quando os quadris femininos se ergueram da cama e se atritaram aos seus. Os lábios avermelhados proferiram seu nome como uma oração e Sasuke delirou. O fogo o consumiu, e ele sentiu como se tivesse absorvido seu próprio Gōkakyū¹. Blasfemou quando uma onda de prazer o atingiu em cheio onde pulsava, xingou quando um espasmo fez suas pernas enfraquecerem e estremeceu interruptamente, cada músculo de seu corpo se contraindo e descontraindo, sem controle. Naquele momento não pôde segurar-se, naquele momento não houve restrições, vinganças nem máscaras. Só Uchiha Sasuke. Na verdade, nem mesmo ele. O vingador nunca imaginaria que havia no mundo algo tão poderoso quanto o que sentiu.

Sakura arqueou o corpo com o ciclone de sensações que a invadiu assim o sentiu preenchê-la com sua essência, suas unhas se cravaram nas costas do Uchiha que estremecia com uma expressão distorcida no rosto acima de si. Ela resfolegou e tentou puxar o ar entre os dentes cerrados quando o orgasmo a atingiu forte, intenso e ela não segurou o grito, mas abafou o som ao apertar o rosto no peito do vingador, tremendo e suando cada vez mais até as sensações cederem pouco a pouco, levando consigo suas forças, deixando-a arfante e lânguida abaixo de Sasuke. Suas pernas amoleceram a volta dele e desabaram na cama enquanto tentava acalmar as pulsações aceleradas.

― Você está bem? ― sussurrou timidamente quando teve a certeza de que podia falar.

O ninja reprimiu um grunhido. Ficar em silêncio parecia ser uma negação pra ela. Seu coração batia desacertado e falar lhe parecia muito difícil agora, mas esforçou-se.

― Estou ― tranquilizou-a com um afago na bochecha.

― Heh... ― Sakura bocejou e soltou um sorriso frágil ― Isso é bom.

Ele saiu de cima dela devagar, contra a vontade. Deitou-se de costas e suspirou com um alívio súbito. Um peso tão grande havia sido retirado de cima dele que quase poderia flutuar. Fechou os olhos e sorriu discretamente ao sentir o corpo pequeno da kunoichi se mover até se colar ao seu, deixou um braço descansar na cintura úmida e quente. Longos minutos se passaram e a sensação de leveza começou a lhe dar sono. O leve farfalhar das árvores lá fora contribuiu para isso. Só então percebeu que Sakura estava mais silenciosa que o habitual, os braços apertados contra os seios, cobrindo-os pudicamente. Os olhos verdes brilhavam e ela parecia um pouco aérea, o que definitivamente não lhe era um hábito.

Você está bem? ― reprisou a pergunta dela. Sakura se sobressaltou, dando um leve pulo ao ouvir a voz tão próxima de seu ouvido.

― H-hai.

― Não parece. ― acariciou as mechas cor-de-rosa sentindo os olhos ficarem pesados de repente. Bocejou.

― Você vai embora. ― sussurrou. Ele entendeu. Ergueu o corpo devagar e puxou-a para mais perto. Pegou os braços delgados que cobriam os seios e depositou-os em seu peito. Os cabelos quase secos faziam-lhe cócegas no queixo.

― E vou voltar ― concluiu inalando o perfume do sabonete nos cabelos dela. Sakura ergueu a cabeça e apoiou o queixo sobre um dos braços. Ela estava tão perto. ― Seus olhos... Eles são lindos.

A médica ficou confusa.

― Está realmente bem, Sasuke-kun?

― Aa... ― ele disse e piscou, mas os olhos não tornaram a se abrir. A garota tornou a deitar o rosto em seu peito. ― Sakura?

― Hm?

― Eu vou voltar ― repetiu ele e pressionou o indicador e o dedo médio na testa dela. Ela não entenderia aquele gesto o que o fez sorrir antes de cair no sono, ressonando levemente.

― Prometa, Sasuke-kun. Sasuke-kun? ― ela levantou o rosto e mordeu os lábios ao notar a expressão calma no rosto do shinobi. Esticou-se com cuidado e beijou-lhe a bochecha e os lábios tranquilos. Fechou os olhos também e tentou imitá-lo, mas as borboletas no estômago a assaltavam ininterruptamente, marcando a ferro em sua memória o que eles acabaram de fazer. O rubor a dominou e ela escondeu o rosto no peito do Uchiha, tentando — inutilmente — dormir tranquila.



― Sasuke-kun? ― grunhiu sentando-se na cama.

Olhou desnorteada ao redor e se deparou com o silêncio calmo. Um pássaro cantou ao longe. As cortinas azuis tremularam com a brisa fria da manhã. O Sol banhava preguiçosamente o quarto e acariciava seus seios nus. Inspirou profundamente e tentou arrumar o caos que estava seu cabelo. Olhou por baixo das cobertas, percebendo que aquele manto não estava ali ontem à noite. Usava calções de algodão branco que ficaram largos na cintura e pernas. Também não se lembrava de tê-los vestido. Seu rosto adquiriu um tom forte de vermelho ao imaginá-lo vestindo-a enquanto dormia. Livrou-se dos cobertores e saiu de cócoras do leito, pondo-se de pé. Dobrou a roupa de cama e colocou-as bem organizadas perto dos travesseiros. E ali um pedaço de papel, colocado estrategicamente embaixo de uma blusa preta de mangas e uma calça azul escura, chamou sua atenção. Sakura desdobrou as roupas e as cheirou profundamente. Tinha o cheiro dele. Apertou as roupas contra a pele nua e pegou o papel, sentindo uma leve ânsia ao virá-lo para cima.

As kanjis foram rabiscadas casualmente, a caligrafia dele era um pouco rústica, mas bem clara. A mensagem era simples. Até um pouco monossilábica. Típico dele. Sakura riu baixinho. Seu coração se apertou e respirar ficou difícil, mas não sentiu-se mal. Não como antes. Pôs o papel contra o peito ― junto das roupas ― e o apertou. Era uma promessa dele, afinal.

― Eu acredito, Sasuke-kun. Vou esperar.

Levantou-se subitamente animada e correu até o banheiro, sabendo que não o encontraria ali. Estava sozinha, mas não seria por muito tempo, ela sabia.

Porque ele voltaria para ela.

"Eu prometo", Sasuke escrevera horas antes, na falta de palavras melhores. Sakura tinha que acreditar. Olhou para o corpo pequeno e sublime sobre sua cama, doce em seu sono. A menina ressonava calmamente entre os tecidos, um braço cobrindo os olhos e um dos seios róseos a mostra. Com um suspiro tocou a bochecha da kunoichi e a cobriu. Sakura resmungou ainda em sonho e embicou os lábios rubros, murmurando o nome do Uchiha antes de virar-se de lado e ressonar baixinho. O moreno se levantou contra a vontade, olhando uma última vez para a garota sobre sua cama. Ele a veria ali outra vez, contudo memorizou bem aquela cena.

Amo você. ― sussurrou finalmente ao chegar à porta. Poder dizer aquilo era uma libertação que pensou que nunca teria. Encheu-lhe de determinação e trouxe um sorriso ao rosto sério. Saiu antes do Sol nascer, mas sabia que não demoraria a retornar.



FIM

Notas finais
¹ Gōkakyū. Técnica da Grande Bola de Fogo. SasuSaku ♥ MELHOR CANON, MAIS AMADO, MAIS LINDO, MAIS INTENSO, MAIS ROMÂNTICO. SIMPLESMENTE SASUSAKU! Sei que vocês deviam querer algo mais explícito, selvagem, sei lá. Mas esse foi a primeira one que eu escrevi deles. Quis romantizar, detalhar sentimentos e tudo mais. Espero que tenham gostado, porque eu amei ♥ Eu tô triste, tô empolgada, tô tudo ao mesmo tempo. Não queria abandonar SH *coração partido*, mas foi divertido, muito mesmo. Vocês foram os melhores leitores que eu poderia pedir, amei todos os comentários e recomendações, mensagens e favoritos. SH sem os leitores não seria nada. Obrigada por compartilharem as mesmas perversões que as minhas, HUAHUAHAUHAU. E, sério, usem camisinha. Se a Sakura fosse real, teria metade de Konoha (e Suna) na barriga (e no... eca, estômago), então, HAUAHUAHUA, ok, vocês entenderam. E, como eu prometi, já tem uma nova fic no ar! Não me abandonem, gafanhotos! Tá aqui o link: https://fanfiction.com.br/historia/638616/Igneos/ SÓ VAI TER SACANAGEM, JÁ AVISO! HAUAHUAHUAH. Afinal, sou eu, pervertida-chan, que está escrevendo. Então, corram pra lá ♥ Obrigadas, lindos, lindas, lindes! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!