Sakura Harem
17 MadaSaku II — Reencarnações III: Interminável
Notas iniciais
O frio silêncio pairou no ressinto por um longo tempo antes que o ninja recém-chegado se adiantasse para dentro com passadas largas. Sakura sentiu seu estômago se contrair, parecendo cheio de gelo quando seu noivo avançou lentamente, com apenas alguns míseros metros os distanciando, ela podia sentir a tensão emanando do amplo corpo.
Os olhos negros que costumavam fazer suas pernas estremecerem em arrebatamento estavam transformados num fulgor escarlate como magma, giravam como um furacão em completa loucura, sedentos por devastação. Suas pernas bambearam de medo. Madara estava sem controle, contudo ela nunca vira aquela expressão antes. Sentiu medo, muito medo.
Hashirama deu um passo à frente antes que o Uchiha chegasse a si. Protegeu-a com o próprio corpo, mas ela ainda podia ver o noivo avançar obstinado e em completa fúria. Ele parou quando notou-a escondida atrás de seu inimigo. Aqueles pares de diamante sanguinolentos se fixaram no rosto do Hokage por um mínimo segundo e depois recaíram nos verdes da jovem. Ela engoliu seco e lágrimas brotaram. Ele parecia terrivelmente triste por debaixo daquela máscara gélida, uma besta-fera vil e amargurada.
— Saia de perto dela — sussurrou com a voz tão baixa que ela mal ouviu, no entanto ele sustentava uma expressão assustadora que tornava a frase mais perigosa.
— Não vai machucá-la, Madara — disse o Senju firmemente, sem a entonação assassina de seu noivo, mas igualmente obstinada. Os olhos vermelhos como os do próprio demônio faiscaram mais intensamente com a voz calma do Primeiro Hokage. Um sorriso lento e cético espalhou-se no rosto do moreno, Sakura estremeceu.
— Acha que tem algum domínio sobre ela? — sibilou o Uchiha com a voz gelada e rígida. — O que? Vai roubá-la de mim como fez com tudo que era meu por direito? Ela é minha — disse com a voz subindo duas oitavas, as íris inflamando-se como lava —, afaste-se agora.
— Não, por favor! — exclamou a jovem desesperadamente assim que Hashirama ergueu o braço para impedir seu noivo de aproximar-se mais. O Deus shinobi olhou-a seriamente como se fosse louca, mas tinha uma expressão preocupada no rosto. Ela suspirou sofregamente tentando expelir o bolo que se formava em sua garganta. — Eu vou com ele, Hokage-sama.
— Não deixarei que ele a machuque mais, Sakura — disse Hashirama duramente, esquecendo-se dos sufixos, a rosada estremeceu quando os dentes de seu noivo se cerraram audivelmente.
— Deixe-me ir — insistiu e saiu de trás dele, sentiu as pernas fragilizadas oscilarem por um momento, mas conseguiu se recompor.
Seus cabelos estavam soltos e bagunçados, mas não teve coragem de tentar prendê-los. Tropeçou ao lado de seu noivo e estremeceu com a aura de ódio que ele emanava. Tocou o braço tenso mesmo assim, sentindo a frieza da armadura sobre os dedos e desejando que ele nunca mais a usasse. Sentiu os olhos escuros sobre si e tentou ignorá-los sem sucesso. Hashirama a fitava com grande apreensão, mas ele não se moveu para impedi-la.
— Madara… — sussurrou o Hokage lentamente, a voz ardia de angústia. O corpo do shinobi ao lado da jovem ficou mais tenso.
— Você é um maldito traidor — murmurou o Uchiha com a voz gélida, envolveu a cintura feminina com um braço possessivo. — Teremos nosso acerto de contas, mas não agora.
Sakura meneou a cabeça em discordância. Era tudo que ela não queria. Uma guerra. Estragara tudo. Tudo! Sentiu o coração pesar dentro do peito e apertou o braço de seu noivo. Daria sua vida para vê-lo sorrir mais uma vez como antes, no entanto… Os olhos vermelhos desceram até ela, mirando-a com uma intensidade capaz de fazê-la desfalecer. Começou a ofegar enervada.
— E quanto a você… — sussurrou ele com a voz mais suave, contudo ainda fê-la sentir calafrios. — Vamos para casa.
Ela assentiu rapidamente e prendeu os lábios quando os dedos longos de seu noivo soltaram sua cintura e seguraram seu braço com firmeza, girando-a e arrastando-a até a porta. A rosada olhou de soslaio para o Hokage, percebendo que a atenção dele estava em si. Não conseguiu sussurrar um “obrigada”, sequer um “perdoe-me”. Apenas virou as costas, ainda sentindo os olhos dele a observando. Suspirou aliviada quando a parede ocultou essa sensação, mas prendeu a boca para não soluçar.
— Quer voltar atrás? — indagou Madara bruscamente, parando-a com um puxão. Sakura levantou os olhos para os dele com hesitação, tinha medo daquelas cores dançando dentro das íris. — Quer ficar com ele? — Negou violentamente com a cabeça, não ousando falar. Baixou os olhos para os pés, notando-os descalços somente agora.
— M-meus calçados… — disse num fio de voz —… eles ficaram n-oh! — arfou em sobressalto quando ele agarrou sua cintura e a puxou com facilidade para cima, sustentando-a com uma só mão.
Sakura sentiu o corpo tenso de seu noivo acolhendo-a, hesitou em envolver o pescoço com um braço, mas — bruscamente — Madara o fez. A rosada deitou a cabeça no peito largo e rígido sentindo os metais da armadura lhe causar desconforto, não mais que a expressão assustadoramente álgida do moreno. Desviou os olhos dele, apoiando o queixo na placa vermelho-brasa que cobria o ombro do ninja e observou o prédio Hokage ficando cada vez mais distante.
Engoliu seco e cerrou as pálpebras ao ter novamente aquela estranha sensação de que estava sendo observada.
Chegaram ao distrito Uchiha mais rápido que esperava. Madara caminhando com passadas absurdamente rápidas e Sakura saltando sobre seu braço, desconfortável sobre as redomas de ferro que o envolviam. Entremeou os dedos nos sedosos fios negros tentando conter o nervosismo quando ele finalmente chegou à grande varanda da casa principal.
Ele parou à soleira da porta, depositou-a sem muito cuidado no assoalho de madeira. Entrou numa velocidade espectral na casa, a rosada não pensou em segui-lo. Envolveu o próprio corpo com os braços, sentindo tanto frio que seus dentes tilintaram um no outro, apesar do fim de tarde estar apenas fresco. Jogou para o lado os cabelos róseos e ondulados por conta da trança, tentando conter a rebeldia dos fios com os dedos. Lágrimas novas escorreram de seus olhos e um soluço escapou da boca presa.
— Madara, por favor… — suplicou consternada quando ele retornou sem que ela percebesse. Tentou desvencilhar-se das mãos másculas, mas ele afastou-se por conta própria, como se ela o tivesse queimado.
— Você tem o cheiro dele — sussurrou o moreno, horrorizado.
Sakura travou a língua, incapaz de protestar com tamanha acusação atirada em seu rosto. Sentiu as pernas trêmulas a ponto de desabá-las sobre os joelhos. Sabia que seu perdão não seria concedido desta forma, mas era o que desejava fazer. Sentiu-se suja quando as mãos de Madara a envolveram mais uma vez.
Ele içou-a nos braços como se pesasse menos que uma folha e arrastou-a casa adentro. Um grito fugiu de sua garganta sem que percebesse quando as mãos fortes e ágeis adentraram-lhe pelo decote singelo e esgarçaram a seda suave, fazendo-a em pedaços como se fosse feita de papiro. Ela levou um dos farrapos ao ombro e envolveu os seios nus, tentando cobrir-se, mas ele puxou seus dedos com facilidade, arrancando fora o único tecido que ocultava sua nudez completa.
O Uchiha reuniu todos os retalhos do que fora um de seus vestidos favoritos — um presente dele — e juntou-os em um monte, oferecendo a ela em seguida. Sakura segurou os retalhos, mas sustentou uma expressão confusa no rosto úmido e corado.
— Queime-o — ordenou o moreno segurando-a pelos ombros e girando-a, ela olhou o fogo da lareira crepitando por um longo segundo, as chamas pareciam fracas e inofensivas se comparadas ao ódio cáustico dos olhos de seu noivo. — Faça o que eu digo! — impacientou-se ele chacoalhando-a duas vezes.
Os braços delgados vacilaram, mas ela atirou a pilha de tecidos nas labaredas sussurrantes que se tornaram mais brilhantes, incandescendo em sua pele quando as chamas laranja e vermelha lamberam e consumiram a seda nobre que antes usava.
As mãos revestidas de aço empurraram seus ombros nus e ela não conseguiu reprimir um arrepio. Deixou-se ser guiada pela grande casa, manteve os olhos fechados, escutando a respiração pesada do homem atrás de si.
Ouviu um som úmido ecoando no ressinto e uma neblina quente envolveu sua pele assim que sentiu o toque de Madara deixá-la. Abriu os olhos hesitante e percebeu que estava em um dos grandes banheiros. Pelo aparato do cômodo, só podia ser o do próprio líder dos Uchiha. Ser a prometida dele não lhe dava liberdade de transitar pelos seus aposentos com tanto alvedrio, além de não ter coragem suficiente para tais atitudes. Sentiu seu rosto se avermelhar só de imaginar.
As vezes em que se amaram foram em seu aposento, quando ele a visitava à noite sem que ninguém soubesse, tão silencioso quanto as próprias sombras. Ele vinha sôfrego, mergulhado em fúria, com os olhos negros desfocados de amargura. E Sakura o cobria com beijos e abraços, acalmando a tempestade gélida dele com todo seu calor e luz. Madara sempre tentava ser gentil, mas a força sobre-humana era em demasia para que ela não sentisse dor com um ou mais apertos que ele lhe dava… Mas tê-lo tão plácido em seus braços, sem aquela frieza habitual… Sakura sentia como se o seu noivo tivesse voltado a ser como antes.
Um som metálico chamou sua atenção dos devaneios. Os olhos verde-esmeralda se viraram e encontraram o emissor dos ruídos. Madara arrancava, metal por metal, a armadura do corpo largo, não a olhava, mas ela podia ver — pelo canto das pálpebras dele — o brilho incandescente das íris. Queria muito perguntar como aquilo era possível. Sabia que o Uchiha era um ninja, sabia de sua força e habilidades excepcionais… no entanto…
— Seus olhos — disse com sua voz cantada, não esperando uma resposta. Apesar de imensamente mais mordaz, conhecia aquela expressão irritada para saber que ele não estava disposto a dirigir-lhe a palavra.
Quando o moreno finalmente viu-se livre de todo o peso do metal, aproximou-se da jovem dama. Não pode deixar de notar a nudez lúbrica da rosada. A pele parecia ter sido beijada pela lua de tão branca, os cabelos eram tão róseos quanto as flores que ela levava como nome; roçavam em sua cintura delgada. Os seios arredondados eram acanhados em tamanho, mas a curvatura da carne firme e o formato anelar dos mamilos eriçados fazia sua virilha arder de desejo. Não ousou olhar para abaixo das ancas sinuosas.
— Entre — vociferou com a voz dura.
Sakura sobressaltou-se com a voz, os olhos grandes tremularam para onde ele indicava. A grande banheira fumegava aos seus pés. A água parecia turva, mas era a cor de ébano do mármore que lhe dava um aspecto sombrio. Voltou o olhar para Madara e encontrou uma expressão altiva e impaciente, as mãos — agora livres do metal, contudo ainda duras — empurraram-na ligeiramente em direção à banheira. Ela projetou um dos pequenos pés para frente e provou a temperatura. Quente demais. No entanto sentiu as mãos calosas a direcionarem mais indócil que antes. O Uchiha a segurou pelas axilas e depositou-a no calor intenso. Suas pernas tremeram e arderam com o contato súbito, mas a rosada afundou-se até o pescoço e deixou que seu corpo todo cozesse na banheira. Talvez fosse ela que estivesse fria demais, no entanto não pode controlar as lágrimas tão ardidas quanto a água que a envolvia escorressem de seus olhos.
As mãos fortes apertaram seus ombros e Sakura sentiu um líquido espesso e gelado escorrer de seu cabelo para a nuca. O cheiro de canela e jasmim impregnou-se em seu nariz e quando entrou em contato com a água quente tornou-se mais intenso. Um tecido áspero foi usado por Madara para esfregar suas costas e pescoço. Ele fez um gesto para que se erguesse, ela o fez cambaleante, apoiou-se na beirada da banheira redonda e ele a sustentou pela cintura. O tecido arranhou a pele de sua barriga e ela podia jurar que ouviu um suspiro resignado do moreno, no entanto sua própria respiração ficou suspensa quando ele arrastou o pano embebido em líquido aromático nos seus seios.
Madara segurou mais um suspiro ao tocar os róseos botões rígidos, vendo-os se arrepiar mais ao saírem do calor da água. Ergueu a mão para limpá-los de toda a imundície que o Senju os transmitira. Sua mão estacou, no entanto, ao perceber uma insígnia semicircular próxima da aureola rosada, pequenos pontos avermelhados que se ligados um a um poderiam ter, muito evidentemente, sido feitos por dentes. Seus dedos se fecharam em punho e a espuma do tecido escorreu pelo seu pulso. Sentiu a garganta seca, desejando... Soltou um rosnado abafado e puxou o corpo pequeno para frente, tornando a esfregá-la, com mais firmeza nos seios, mais forte até que aquelas malditas marcas sumissem da pele. Esfolaria a tez maculada se necessário.
Sakura gemeu sob suas mãos, mas não protestou. Apoiou as mãos pequenas e úmidas nos ombros fortes sob a túnica de linho negro que ele vestia, o tecido nas mãos do shinobi percorria cada pedaço sujo de seu corpo com intensidade, provocando ardências aqui e ali.
Madara levantou-se largando o pano no chão e retornou com um balde cheio, derrubou o conteúdo na garota, levando todo o excesso do líquido cheiroso e restos de espuma. Puxou-a com cuidado da água turva e envolveu-a em uma de suas toalhas. O corpo pequeno perdeu-se no tecido grosso, o Uchiha segurou-a como um recém-nascido, carregando-a para fora dali.
Sakura abriu os olhos ao ser depositada no chão, ainda próxima de seu noivo. Seu corpo vibrava com a brisa fresca que serpenteava pelas janelas semiabertas, as cortinas ondulavam e a noite já era negra lá fora. O ninja sentara-se à ponta da cama e colocara-a entre suas pernas. Observou as mãos grandes trabalhando em seu corpo com uma delicadeza empenhada, mesmo que ele ainda fosse duro, mas não propositalmente.
Quis deslizar as mãos pelos cabelos escuros cheios de gotículas d’água, contudo não encontrava coragem para isso. Continuou se equilibrando nos ombros dele, sentindo o estomago de revirar de ansiedade e pavor quando notava o brilho carmim dos olhos. Não conseguia parar de pensar que tudo acontecera por sua causa. Podia ter dado certo, podia ter dado um fim a todos os horrores da guerra se eles tivessem a chance de conversar, podia vê-lo sorrir mais uma vez, podia…
— Perdoe-me — sussurrou aflita, puxou o rosto masculino com as duas mãos. Madara ergueu a visão para ela com o cenho franzido. Ela passou os polegares nas sobrancelhas negras e mirou nos olhos diabólicos sem estremecer pela primeira vez. — Eu falhei com você, não devia… Eu apenas queria que… — mordeu os lábios —… Nunca imaginei… Tentei te proteger-
— Deitando-se com outro? — indagou ele com a voz rouca. Os dedos delicados se enrijeceram em seu rosto, mas logo tornaram a acariciá-lo com veemência. A face feminina se tornou implorativa, os olhos verdes pareciam dois lagos profundos, repletos de lágrimas.
— Foi um erro — ciciou ela com a voz doce embargada —, não fui com este intuito, no entanto…
— Ele a forçou? — O timbre tornou-se duro e os olhos buscaram os seus com um ódio irrefreado. As mãos rígidas envolveram seus braços com súbita força que o shinobi não conseguia conter. Sakura segurou um protesto dolorido, não pelo aperto, mas pela culpa que a remoeu. — Ele a machucou?
— Não — rouquejou meneando a cabeça, sentiu os cabelos úmidos pesando mais, roçando no início de suas nádegas. — A culpa foi minha, eu o tentei… O Hokage-
Seu corpo afundou no colchão macio, o cheiro que emanava dos lençóis era o que mais apreciava. Suave, mas potente; o cheiro de seu noivo. No entanto sua garganta se apertou quando Madara a prendeu com as pernas e tudo que ela podia ver agora era ele. O corpo imponente estava sobre o seu, o cabelo cor da noite emoldurava o rosto distorcido de orgulho ferido e rancor. E as orbes, duas joias lapidadas vindas direto do sétimo Inferno, incineravam qualquer bravura que ela podia ter reunido.
— Por que? — vociferou ele com a voz em chamas ao inclinar-se até o rosto pálido como alabastro. — Por que você também tinha que me trair? Eu confiei, confiei em você. Era a única, tinha certeza que era.
— Perdoe-me, por favor — repetiu interrompendo-o, suas mãos estavam presas pelas pernas, mas conseguiu puxá-las do aperto. Agarrou os dedos no tecido esgarçado da túnica escura e ergueu o rosto até o dele. — Por favor.
— Você era a única — ele tornou a dizer em negação. Sakura chorou e abraçou o pescoço de Madara com ânsia. O calor que ele emanava não a acalmava, na verdade a deixou mais desesperada, pois sentia o corpo largo estremecendo de puro ódio. A respiração ardente chicoteou a pele de seu pescoço, fazendo-a se arrepiar. A mão larga se espalmou em sua lombar e ergueu seu corpo do colchão, prensando-o contra ele. — Eu devia ser o único pra você, Sakura.
— Você é — ciciou a rosada enrolando os dedos nos cabelos negros e arfando como se o ar lhe faltasse.
A pele de Madara era tão quente quando a água e os toques precisos faziam-na resfolegar e se retorcer, pela primeira vez não de medo e receio. Sentiu o rosto atrevido apertar-se em seu pescoço e lhe mordiscar sem delicadeza. Seu corpo se acalorou e umedeceu quando os dedos ásperos acariciaram sua pele sem consciência de sua ferocidade.
A verdade era que gostava da força de Madara, gostava da possessão de seu toque e dos movimentos bruscos. Mas sentia uma sensação obscura atenuar as sensações, um anseio de que seria sua última noite ao lado dele. Por isso, agarrou-se nele com os braços e pernas, permitiu que ele a beijasse com rispidez, os lábios macios e ferinos devastando os seus como se ele não pudesse se conter.
E não podia.
— Eu o amo, Madara, juro — arfou quando conseguiu desgrudar as bocas.
— Só a mim? — indagou ele arrastando a boca pelo rosto dela.
— Eu o amo... — Sakura gemeu e arquejou pelo aperto que recebeu de seu noivo. — Madara, eu-
O moreno limitou-se a respirar pesadamente e calá-la com mais um beijo rude, mordendo a carne sensível e afundando a língua na doçura dela.
Sakura enfiou as mãos pequenas por debaixo da roupa que ele usava, sentindo a maciez e rigidez dos músculos, como diamante revestido por cetim. Arranhou a pele quente e espalmou os dedos nas cicatrizes pequenas, longas, disformes. Um rosnado escapou dele e fê-la estremecer de desejo. Quando o quadril largo roçou em seu baixo ventre foi a vez dela gemer, ergueu a cintura e esfregou-se na ereção ardente, umedecendo-se mais no íntimo, desejando-o dentro de si o mais rápido.
O Uchiha sentou-se e sua noiva levantou-se mais dificultosa, arrastou-se até ele e ajoelhou-se entre as pernas longas do moreno. Ele não precisou lançar mais que um olhar para que ela se aproximasse e puxasse sua roupa superior, arrancando-a pela cabeça e deixando o peito largo nu, para o deleite de sua visão. Beijou a tez trêmula e desceu até o abdome que ia e vinha com a respiração calma, arriscou arranhar os dentes no umbigo, mas se interrompeu quando a mão dele puxou seus cabelos com firmeza e a afastou minimamente. O braço livre de Madara desceu até seus calções e, com destreza, ele desfez os nós do cordão, abrindo o tecido.
Sakura teve um vislumbre do membro viril rígido de luxúria, ousou deslizar o dedo na pele quente, contornando uma veia tensa até tocar a extremidade mais túmida, de tom rubro e mais sensível às carícias. Ele soltou um grunhido animalesco e puxou-a pela nuca até que o rosto feminino descansasse em sua coxa. Tomou seu sexo com os dedos, excitando-se com movimentos lentos, notando o rosto da jovem enrubescer tão próxima a ele.
— Toque-me, minha noiva — sussurrou ao direcioná-la até seu membro hirto. Sakura hesitou por um curto segundo, mas tomou-o entre as mãos delicadas. Madara suspirou com o toque doce, ela moveu os dedos incerta, no entanto um tremor lascivo tomou conta de seu corpo atingindo diretamente seu sexo que se retorceu desejando ser estimulado. — Use seus lábios.
A rosada ergueu os olhos para os seus, um brilho inocente e picante mesclando-se com a confusão. Madara puxou os cabelos róseos para o lado, deixando o pescoço à mostra, não deixando de notar os inúmeros hematomas ali presentes, afagou a pele macia e entremeou os dedos nos fios da nuca, conduzindo-a. Sakura deixou-se maleável e ele se retraiu quando os lábios macios e a respiração fervente roçou sua pele. Um mover cálido daquela boca correu por sua tez sensível, fê-lo oscilar como em um delírio.
— Abra a boca — murmurou num fio de voz. Ela o obedeceu.
Deslizou o membro para a cavidade arfante e contraiu-se mais uma vez quando a língua suave enrolou-se em si como se o inspecionasse. O músculo úmido desceu uma vez quando ele empurrou o quadril lentamente contra ela e tornou a subir, esfregando-se na ponta, provando de sua essência que escorria lenta pela mínima fenda. Madara rosnou e tentou abrandar o aperto nos cabelos róseos quando percebeu o rosto pequeno franzido em desconforto. Arrancou-a dele com cuidado, a sucção final fazendo-o ver o quarto girar por um segundo. Tomou a face rubra entre as mãos e atacou os lábios cheios, provando de seu sabor salgado misturados a doçura habitual de Sakura, os ruídos que ela emitia deixava-o atordoado.
A jovem sentiu o corpo se acalorar quando os beijos foram descendo até seus seios. Os lábios vorazes atacaram seus mamilos tensos, sugando numa cadência esfomeada até ela arqueasse as costas para fora da cama com a intensidade da sensação. Madara terminou afagando suavemente os bicos molhados com os lábios e continuou descendo, tornando os beijos cada vez mais úmidos e intensos. Ela sabia o que ele faria, e não queria. Ainda podia sentir o ardor de outra boca que se encontrara com sua intimidade e o peso que tomou seu coração foi tão forte que ela mal podia respirar. Agarrou os cabelos negros e puxou com toda a força que tinha, não era suficiente sequer para impedi-lo, no entanto ele percebeu sua tensão e parou.
— Não quer que eu lhe dê prazer? — inquiriu o Uchiha com os olhos vermelhos flamejantes.
— Não assim — mentiu ela sentindo-se mais quente que o próprio fogo. — Desejo-o dentro de mim, não posso esperar mais.
Madara anuiu retornando a ela com rapidez. Afundou a boca no pescoço delicado e separou as coxas roliças com o joelho. Sakura abriu-as com ânsia e enlaçou os braços na nuca do moreno, apertando os sedosos fios cor de sombra.
— Cedeu a ele assim, tão facilmente? — questionou Madara com a voz dura, contrariando suas mãos, afagando-a com tanto carinho.
A rosada ofegou mortificada e lágrimas de surpresa e culpa encheram-lhe os olhos. O rosto do fundador de Konohagakure se crispou quando ela não lhe respondeu. Ele apertou o membro contra a intimidade quente e alagada de excitação, afundando-se com facilidade, mas ainda lento pelo corpo estreito.
— Ele a fez estremecer desse jeito?
— Madara… — gemeu ela ao senti-lo ir fundo depois de alguns minutos a instigando devagar, com movimentos curtos e fortes. O corpo dela ia se expandindo para abrigá-lo por completo.
Sakura ofegou sofregamente quando ele começou a se mover mais forte, saindo quase totalmente e retornando a entrar, fazendo seu corpo saltar da cama a cada investida rígida e carregada de volúpia. Enterrou as unhas nos ombros fortes e ele sequer sentiu, absorto e imerso em seu corpo até o último centímetro, permitindo o membro adentrar sua intimidade com toda a potência. Deslizou as mãos até as costas largas e apertou-o na base, queimando com todas as percepções sensuais que a assaltavam.
— Diga-me, shitashi, ele a fez gemer dessa maneira? A fez se contorcer com tanto desespero?
— Oh, não… não, não… Ooh, k-kami… — suspirou ela sentindo mais lágrimas escorrerem. Sentia-se a ponto de explodir em chamas quando o corpo grande a esmagava e o seu sexo apertava-o dentro de si, impedindo-o de se afastar, no entanto desejando que ele investisse mais rápido, mais forte, até que ela desfalecesse nos braços fortes.
— Você o ama, Sakura? — sibilou com a voz brutal reverberando o aposento silencioso. A garota gritou quando Madara segurou uma das pernas dela e ergueu, indo fundo dentro de sua cavidade, apertando-se contra a intimidade sensível, roçando os sexos a cada estocada. — Quando eu matá-lo... você se importará?
— Ah… n-não, Madara… por favor, p-por favor — gemeu ela desesperada e afogou as lamúrias ao cravar os dentes no pescoço tenso de seu noivo.
O fogo estava engolfando-a, causando espasmos longos e intensos, fazendo seu corpo se arquear, afastando-se da cama quando sua visão se perdia na escuridão. O membro dele a ocupava totalmente, massageando seus pontos sensíveis e deixando-a desnorteada e tonta. O Uchiha beijou seus seios pulsantes, chupando os bicos com força e prendendo-o nos dentes. Ela berrou alarmada com a grande convulsão que a tomou, iniciando-se em sua intimidade e se propagando para o resto do corpo como um raio rasgando o céu.
Suas pernas o abraçaram no momento em que atingiu o clímax, ela arfou e arquejou buscando o ar e a voz, cerrou os olhos com força e só havia fogo atrás de suas pálpebras, tomando seu corpo, corrompendo sua alma até o fundo. Estremeceu incessante abaixo do corpo quente de seu noivo, inspirou profundamente apertando-se a ele uma última vez quando uma súbita letargia a envolveu. Mal sentiu o peso dele sobre si, queria-o pressionado contra cada linha de seu corpo, bem daquela maneira, pois o fim estava mais próximo. Ela podia sentir em seu âmago.
Juntou os lábios dele nos seus para despedir-se. Ele mal retribuiu, tão mergulhado nas trevas do ódio e volúpia. O suor escorreu do queixo tenso, seus poros exalavam pecado.
E foi esse pecado que o fez agir, inconsciente das consequências de seus atos.
Sakura mal soltou um gemido com o golpe, mas abriu os olhos verdes para fitá-lo com intensidade até que sua visão de duplicasse e esvanecesse lentamente. As íris vermelhas estavam intensas nas suas, mas ela notou as sombras do arrependimento faiscante nos olhos apertados. A rosada levou as mãos até as dele, agarradas à lâmina silenciosa que agora se alojava em seu ventre. Inspirou profundamente, mas não sentia a dor, porque ele sabia como feri-la sem que sentisse. Ele era bom em matar. Como um deus. Seu Hades.
— Meu amor… — sussurrou com candura ao tocar o rosto agora tão frio quanto o escuro que a carregava para o sono.
— Mentiu pra mim! — rosnou ele entredentes, o timbre trêmulo. Os olhos vermelhos tornaram-se cintilantes. — Você se importa com ele! Você o ama... Você... — gemeu com a voz chorosa, Sakura sentiu lágrimas pesadas e frias banhando a ponta de seus dedos. Os braços fortes a envolveram finalmente, abraçando-a apertado. O sangue verteu morno da pequena e mortal abertura em sua pele, manchando a brancura delicada de carmesim. E Madara entrou desespero. — Kami, eu não podia… Não posso controlar, e-eu não queria…
— Shh — silenciou a tempestade dele tocando o peito largo e quente, tão quente sobre seus dedos. A vida a deixava aos poucos. — Nós erramos, estamos sempre… errando… Não chegaremos a lugar algum até que… deixe de lado esse ódio… N-não terá sua vingança n-nunca… e eu…
— Não me deixe, por favor — implorou ele em completa agonia, os olhos tornaram-se negros como sílex e a desesperança era mais evidente na voz. Apertou-a com força e balançou o corpo languido de sua noiva tentando acordá-la de seu torpor. — Eu não quis, Sakura, por favor. Me perdoa, fique viva, me perdoa, por favor.
— Não vou em definitivo — acalmou-o com a voz falha e o moreno baixou o rosto em derrota. Deitou a cabeça nos seios cálidos e umedeceu a pele delicada com lágrimas frias. — Eu volto, você me disse uma vez… eu sempre volto.
— Minha culpa, foi minha, minha culpa.
— Nossa culpa — insistiu a jovem erguendo o rosto masculino com a última força que lhe restara. — Não chore. E-eu... o verei em breve — afagou o maxilar travado e cruzou os dedos nos dele, mirando os olhos negros e alagados. — Eu prometo que não desistirei tão fácil da próxima vez… Prometo que meu amor será maior que seu ódio… Acredite em mim, Indra, acredite em mim.
O Uchiha apertou as mãos pequenas nas suas e sufocou um grito dolorido quando o corpo de Sakura abandonou o calor e amoleceu sobre o seu.
Os olhos verdes tremularam uma vez, ainda observando os orbes negros afundados em uma obscuridade sem fim.
Perdeu-se naquelas sombras.
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