Notas iniciais
Alheia das preocupações de Athena, Antares obedece suas ordens e se recolhe para descansar. Mas seu desgaste estava muito mais visível que ela imaginava estar demonstrando.

Athena recebeu sua preciosa Amazona com os braços abertos e um sorriso gentil no rosto. Ouviu com atenção ao primeiro relatório e a dispensou logo em seguida, para que pudesse fazer os registros da missão e repousasse pelo resto do dia. Uma regalia da qual a Deusa da Sabedoria optou por lhe conceder, uma vez que sabia muito bem o quão desagradável uma tarefa como aquela poderia ser.

A jovem bem que tentou disfarçar e quase a convenceu com sua atuação, porém a deidade optou por não arriscar. O próprio Scorpio havia sugerido que, pelas primeiras missões, desse o restante do dia de descanso para que pudessem observar o seu comportamento. Tal como ele precisou de algum tempo e espaço para se adaptar à vida no Santuário, quando chegou há vinte anos, a sua filha também poderia precisar disso. E até o momento, ela estava correspondendo às expectativas da Divindade.

Sua nomeação causou uma bagunça: Guerreiros zombavam e protestavam, contudo, logo se calaram ao ver que nada mudaria. Mas nenhum ousou desertar. Se o fizessem, seriam caçados.

Antes, o papel de ir atrás dos fugitivos e desertores cabia justo ao Cavaleiro de Escorpião anterior, e as histórias de seus feitos ainda assombravam algumas mentes. Quem iria querer arriscar da aprendiz ser tão eficiente quanto ele? Escarneciam dela, era verdade, mas no fundo, a racionalidade lhes cobrava algo do qual evitavam pensar: Como a Amazona teria sobrevivido ao treinamento do Escorpião Dourado se fosse tão mole quanto todos diziam que era?

Em contrapartida, a moral das Amazonas e das aspirantes se elevou muito. Naturalmente houve quem se opusesse a ela, mesmo entre as mais jovens, contudo, as coisas se acalmaram. Antares estava cumprindo bem suas funções internas bem as vistas de todos, conduzindo treinamentos dos grupos de aprendizes e realizando rondas nas vilas mais próximas.

Não havia uma queixa de fato contra ela, e isso satisfazia Athena o suficiente. E isso era um problema a menos para lidar. Esperava apenas que, com o tempo, algum feito a lançasse de vez ao sol e findasse aquela perseguição estúpida. Desavenças internas eram os piores obstáculos de uma boa estratégia.

Mas quanto ao que escutara da escorpiana, sobre o desfecho da sacerdotisa, aquilo sim estava incomodando. Se uma acólita poderia ser atormentada de tal modo, ao ponto de suplicar pela morte para não ceder aos sussurros corruptores, então deveria submeter o Cavaleiro de Lobo a um exame mais atencioso.

Era uma provocação, contudo não poderia deixar impune. Se o fizesse, mais humanos seriam vítimas de Hades. Zeus nomeou a Deusa como a Guardiã do Mundo dos Homens. Não podia simplesmente apanhar seu exército e lança-lo diretamente contra o Submundo, onde o próprio ambiente poderia ser considerado hostil. Precisava planejar bem seus passos, do contrário, levaria centenas de guerreiros para uma morte certa e uma derrota vergonhosa. Muito menos enviaria Pegasus para liderar suas hostes.

O Cavaleiro era um seguidor fiel e poderoso, não podia negar, porém, assim como Antares, faltava-lhe experiência. Em campo de batalhas, liderando um exército inteiro, principalmente.

Pegasus era filho de Poseidon e de uma criatura de nome Medusa, um semideus, como tantos outros espalhados pela Grécia. Tinha lutado contra o próprio pai na Guerra Santa ocorrida há quase vinte anos e desde então não saíra de seu lado. Nem mesmo para cumprir missões pequenas ou simples nas proximidades. Muito menos ele demonstrou empenho em fazer algo do tipo. Não por desinteresse, como Scorpio anos antes da chegada da pequena Antares, mas por recear desviar-se de suas tarefas.

Era o seu guardião, junto com as Saintias, e seu confidente, para quem contava suas dúvidas e suas expectativas. No Olimpo, um dos poucos lugares do qual ele não podia acompanha-la, os demais deuses do Panteão se referiam a ele como “O Cãozinho de Athena”. Mas ela sabia que sua função ia muito além da de um bajulador. Ele a venerava com um fervor que não observava nem mesmo nos mais devotos dos serem humanos.

E isso a agradava.

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Uma vez liberada da audiência, Antares se colocou a ir para o seu Templo, onde cumpriria as últimas obrigações antes de finalmente poder usufruir do descanso. Uma vez que um Cavaleiro retornava de uma missão, por menor que ela fosse, era necessário que escrevesse um relato com o máximo de detalhes possíveis. Posteriormente, esse documento deveria ser entregue no Templo de Athena, onde passaria a integrar a biblioteca lá existente, onde viria a servir de item de consulta para os futuros Cavaleiros.

Os primeiros registros foram escritos pelo próprio punho da Deusa da Sabedoria, anos antes da Primeira Guerra Santa. Segundo o seu mestre, muito daquilo que estava registrado fora de grande serventia aos Cavaleiros que pouco ou nada entendiam sobre os Deuses, além de algumas histórias.

Alguns dos documentos possuíam conteúdos de livre acesso, sendo usados pelos Cavaleiros como fonte de conhecimento a ser repassada para seus aprendizes. Já outros eram considerados confidenciais, sendo artigos do acervo pessoal da Deidade ou de suas Saintias.

Ainda assim, em uma época em que a tradição oral ainda era forte e poucos eram os letrados (01), era uma imensa vantagem para os Cavaleiros que se soubesse ler e escrever. E nesse ponto, Antares tinha muita sorte.

Em Atenas, de onde viera, meninas eram instruídas apenas nos ofícios domésticos e, às vezes, aprendiam a ler e a escrever. Seu foco era voltado para a manutenção do lar e aos cuidados com a família. Enquanto isso, os meninos aprendiam desde cedo a aritmética, literatura, música, escrita e educação física. E ela tinha sido educada em todas aquelas coisas, algo que nunca teria acontecido se não tivesse sido resgatada por Scorpio, há mais de seis anos.

Na verdade, se ele nunca a tivesse levado dali, dificilmente estaria viva...

Lembrava o quanto ficou apavorada ao ser levada por ele, mas o simples pensamento de permanecer naquela vida miserável e desumana em que se encontrava a fez segui-lo. Nem imaginou que poderia estar saindo de um problema para outro igual ou pior. Apenas queria ir para o mais longe possível.

Para longe Daquela Mulher e de todos aqueles que apareciam naquela casa para vê-la.

O estômago embrulhou e ela balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos que vinham. Tudo o que não queria para aquele momento, era ter que lembrar de qualquer coisa relacionada ao passado. Apenas queria chegar ao seu Templo e fazer o que tinha de fazer.

Ao passar por Sagitário, cruzou com Kheiron de tal modo que mal o ouviu falar com ela, parando apenas quando a mão grande e forte dele se fechou em seu braço. Isso a fez se virar assustada, erguendo as garras rubras para ataca-lo.

— Antares, calma! – Disse o centauro, com um tom brando, embora ainda elevasse a voz. – Calma! Está tudo bem, menina?

— Hã...? – Ela piscou por debaixo da máscara, sem entender o porquê da pergunta e percebendo estar enxergando tudo borrado. – S-senhor Kheiron...?

— Calma, está certo? – Ele continuou, folgando o aperto de seus dedos no braço da jovem, notando-a mais consciente. – Você entrou no meu Templo, sem se anunciar nem nada. Falei com você duas vezes e também se manteve em silêncio. – Explicou com as sobrancelhas arqueadas para cima, em um semblante preocupado. – Eu não tenho os ouvidos aguçados do Caçador, mas pude ouvi-la respirando de longe. Você está bem, pequenina?

— Ah... s-sim, estou... – A Amazona respondeu atordoada, respirando fundo. Nunca trocou uma palavra sequer com o Cavaleiro de Sagitário que não fosse qualquer formalidade ou a respeito dos tratamentos os quais precisou se submeter ao longo do treinamento. – O-obrigada por perguntar... Acho...

— Antares... – Ele murmurou, fazendo-a saltar discretamente, e isso o fez erguer uma sobrancelha desconfiado. E então sorriu, soltando completamente seu braço. – Garotinha, você cresceu.

Ela não entendeu a razão daquelas palavras e não conseguiu evitar voltar-se em sua direção. Estava tão óbvio assim que não estava tão ilesa quanto queria que pensassem? Seus lábios corados tremeram em uma pergunta que não saiu, contudo, ele a respondeu do mesmo modo.

— Lembro de quando chegou aqui, há uns seis anos, pendurada no pescoço de Scorpio, assustada como um coelho. Tinha medo da própria sombra e mal falava, temendo uma punição até mesmo por ousar respirar... – Kheiron rememorou com um olhar tão cheio de serenidade que a própria escorpiana sentiu o seu corpo relaxar um pouco. – Foi uma recuperação lenta e difícil. Tanto o seu corpo como a sua alma estavam feridas de tal modo que comoveria até mesmo aos Juízes do Submundo. E pelo que vejo, ainda há o que ser feito, não é?

— E-eu estou bem, senhor Kheiron. – A escorpiana respondeu com a voz um pouco trêmula. Sabia o quanto ele estava certo com suas palavras, porém não queria corroborar. Queria mostrar para todos que era perfeitamente capaz de passar por aquilo. – Só preciso de um pouco de descanso. Mas obrigada pela preocupação.

O centauro sorriu apiedado diante de sua determinação. Via aquilo com bons olhos, pois mostrava que a mesma queria e se empenhava em mudar e tornar-se aquilo que deveria ser.

— Embora ainda conserve alguns traços de menina, vejo que se tornou uma mulher que já não teme o som da própria voz e que se tornou mais forte e mais confiante. Consegue caminhar e correr com suas próprias pernas, e isso é um bom sinal. Marca seu crescimento não apenas como uma criatura racional como também uma guerreira de grande valor...

— Ah... obrigada? – A jovem respondeu, embora não soubesse exatamente o que ele queria com aquilo.

— Não me agradeça ainda, criança. Eu nada fiz além de uma constatação óbvia. Claro que nem todos tiveram atenção o bastante para aquele dia, até pouco depois de sua sagração. – Ele riu, não evitando de colocar uma mão grande em seu ombro. A sentiu tremer e isso o consternou um pouco. – Mas, jovem Escorpião, não confunda força com teimosia. Nem tente afogar suas preocupações com afazeres. Eu sei que o que fez não foi algo fácil, principalmente para você, mas se permita sentir. A existência não está limitada apenas às alegrias, nem apenas às dores. É um equilíbrio entre essas duas coisas, por mais que os humanos insistam em deixar a balança pender sempre para um dos lados. Permita-se sentir ambas, do contrário, terminará por endurecer o coração e a alma de tal modo que restará apenas o frio.

Ela lançou um olhar surpreso em sua direção, embora não tenha dito coisa alguma. Viu ali aquele mesmo “homem-cavalo”, como ela o chamou nas primeiras vezes em que o viu, que ajudou Scorpio e Ágape a cuidarem de seu estado quando chegou. Ele suportou suas rejeições com muito mais calma que seu próprio mestre, aguardando pacientemente até a menina se acalmar.

O sagitariano era o mais gentil dos estranhos com quem havia interagido naqueles primeiros dias. Ironicamente, era o que mais a assustava com aquele corpo híbrido. Contudo, ele nunca a tocou sem antes perguntar se podia fazê-lo, e sempre permitiu, chegando a pedir por muitas vezes, pela presença da escrava favorita do Guardião do Oitavo Templo para vigiar a tudo.

O centauro sabia que a cura da jovem escorpiana não estava completa, e por isso ainda fazia questão de acompanha-la periodicamente. Fisicamente não restara uma cicatriz ou marca, no entanto, sua alma ainda trazia muitos ferimentos. Aqueles eram os piores, pois não dependiam de infusões, emplastros ou unguentos. Era preciso muito tempo e compreensão para aquele tipo de tratamento... Tal como Scorpio precisou quando chegou ao Santuário, mais selvagem que um leão ferido.

— Sei que não é de minha conta, mas ousarei recomendar que, ao chegar em seu Templo, beba um pouco de infusão feita com camomila [02]. Quente de preferência, e bem devagar. Preste atenção nas sensações que acompanharem o ato e tente sentir todas elas. – Kheiron explicou de modo paternal, levando uma mão aos cabelos desarrumados de Antares. – Irá ajudar a acalmar esses nervos sem fazê-la mergulhar nos sonhos.

Ela assentiu com a cabeça, ouvindo-o atentamente.

— Se achar que precisa, peça a suas servas para que coloquem algumas gotas de óleo de camomila na água que usa para lavar o rosto ou em seu banho, junto com algumas flores secas. Se não houver, peça para que uma delas venha até aqui e eu prepararei uma mistura de plantas para isso. – Ele apontou, imaginando o quão surpresa ela estaria. – Não posso ver seu rosto, mas a exaustão está muito evidente em sua forma de caminhar.

— Ah! D-desculpe! – Antares deixou escapar, fazendo-o rir.

— Não precisa pedir desculpas, minha jovem. – O centauro falou, dando-lhe passagem. – Isso é muito mais comum do que pensa. Até mesmo o Oráculo de Virgem deixa o cansaço transparecer de vez em quando. Não há nada de errado nisso, desde que seja feito entre aqueles em quem confia. Estamos acertados? Se precisar de algo, avise.

— Muito obrigada, senhor Kheiron. – Ela agradeceu, ainda que um pouco sem jeito e se retirou.

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Era próximo do fim da tarde quando Athena decidiu descer de seu Templo para vistoriar seus Cavaleiros. Pensava que, desse modo, poderia anuviar um pouco os pensamentos que pairavam em sua cabeça, para melhor pensar. Sua ausência era a única coisa certa para os próximos dias, mas não sabia quem deixaria em seu lugar para conduzir o Santuário enquanto estivesse fora.

Não podia ser qualquer pessoa. Era necessário alguém capacitado para tal, que tivesse o respeito dos demais Cavaleiros ou que soubesse impor sua autoridade, e se fazer obedecer. Alguém que pudesse conduzir seu exército caso uma guerra eclodisse enquanto ela estivesse no Olimpo, resolvendo assuntos referentes aos Deuses e aos mortais.

Crisômalo de Áries era arredio demais para uma responsabilidade como aquela, da qual não fazia ideia de quanto tempo seria necessário se ocupar de mais uma posição. Asterion de Touro, já estava muito ocupado treinando seus aprendizes, os quais logo seriam postos a prova para se tornarem novos Cavaleiros.

Castor e Pollux de Gêmeos foram treinados para as guerras dentro da tradição espartana, e levados ao Mundo Celeste, ainda crianças e pelas ordens de Zeus, onde completaram sua educação bélica. Desfrutavam de uma boa reputação para com os demais guerreiros, mas era sabido que havia uma desagradável contenda entre os irmãos e o antigo Cavaleiro de Escorpião. Algo que, àquela altura, não sabia dizer se poderia ser transferido para sua sucessora, Antares, portanto esse risco não era válido.

Anupo de Câncer não era alguém que se importasse com posições, preferindo fazer o seu trabalho na mais completa solidão, para ter tudo ao seu controle. Um hábito de quando ele ainda era um sacerdote de sua terra natal. Íficles de Leão era impulsivo demais, além de ser de conhecimento geral que não era a pessoa mais querido e também estava incapacitado no momento.

O Oráculo de Virgem talvez fosse a melhor das opções que tinha, uma vez que desconhecia qualquer desvio de caráter dele ou desavença com os outros. Tinha vivência, sendo o mais velho de todos ali presente e sendo respeitado, inclusive por Scorpio. Era reservado e cumpria bem suas funções, embora fosse difícil até mesmo para a Deusa saber exatamente o que ele pensa ou deixa de pensar.

Nikandros de Libra certamente não seria o melhor para aquele momento, onde provavelmente teria que conviver com a tensão de um ataque das hostes de Hades. Ela sabia muito bem o quanto ele estaria ansioso para se encontrar com um dos Juízes do Inferno, para uma provável vingança. Tudo o que a Deidade queria naquele momento era evitar uma guerra e não mergulhar nela. Se não fosse por isso, talvez o escolhesse.

Antares de Escorpião era uma opção completamente fora de questão por sua inexperiência, além da óbvia resistência que ainda existia por sua nomeação. Ainda precisava de muito amadurecimento. Kheiron de Sagitário preferia se manter como estava, cuidando dos feridos e caçando alimentos para quem precisasse, em vez de cuidar de todo aquele microcosmo que era o Santuário.

Aegipan de Capricórnio parecia estar indiferente a tudo, mas estava fora naquele momento, cumprindo uma missão. Com sorte, ele voltaria antes de sua partida, porém ela não iria apostar em algo que precisasse do acaso. Ainda mais por saber que ele preferiria estar cuidando pessoalmente das investidas.

Ganimedes de Aquário não podia assumir aquele papel. O outrora Príncipe-Herdeiro de Troia, fora levado ao Olimpo pelo próprio Zeus, para servir aos Deuses. Colocá-lo em uma posição de liderança como aquela seria complicado, pois a única autoridade acima dele estaria fora. Por fim, Cadmus de Peixes, um antigo sacerdote de Afrodite, poderia ser algo que tornasse a relação das Deusas ainda mais complicada que já se encontrava.

Afrodite era alguém que não aceitava perder, nem para outras Divindades, nem para mortais. E das últimas vezes em que se encontraram, a tensão era perceptível. Não duvidaria nada se porventura ela terminasse instigando o seu amante, Ares, o Deus da Guerra Sangrenta, a confronta-la mais uma vez. Nem que fosse apenas para aborrece-la com mais uma demonstração desnecessária de sua superioridade diante de seu meio-irmão divino.

Já descartara Pegasus de suas opções, além de tê-lo enviado para uma missão distante, naquela mesma tarde.

Por um momento pensou em Scorpio para tal papel, e riu logo em seguida. Ele não era de todo uma má escolha: conhecia bem a rotina do Santuário e seus Cavaleiros, tinha um excelente espírito de liderança e sabia perfeitamente como lidar em uma situação delicada como aquela. Era um comandante exemplar quando queria e um dos melhores carrascos que já teve o prazer de conhecer.

Porém, uma parte dos Cavaleiros de Ouro jamais o seguiria. Interpretou bem demais o seu papel de “fera sanguinolenta” na última Guerra Santa, ao ponto de ser odiado por alguns. A própria Athena não havia gostado disso no começo, por conta das baixas em seu próprio exército, e da qual ela julgou desnecessária. Contudo, o terror que ele causou com isso foi o suficiente para acovardar uma boa quantidade de Marinas, fazendo-os fugir só de ouvirem seu nome ser entoado por suas hostes. Claro que matar um General-Marina, e sair pelo campo de batalha com sua cabeça presa ao cinto da Armadura de Escorpião, teve grande parte do impacto.

Contudo não havia nada o que poderia fazer além disso, ele tinha pedido sua baixa do posto de Cavaleiro de Ouro por ter decidido constituir família. A experiência obtida com a filha que ele tirou das ruas de Atenas o mudou de uma forma curiosa, embora não completamente inesperada. Não para a Deusa da Sabedoria, que já o conhecia de muito tempo antes do Caçador se tornar seu subordinado.

Ainda assim, não era sua alternativa. A Deidade respirou fundo, levando as mãos ao rosto cansado. Teria que arriscar de uma forma ou de outra, então optou por aquele que parecia oferecer menos riscos.

— Partita! – Ela chamou.

— Sim, Athena. – A voz de uma mulher se fez ouvir atrás dela.

— Tenho um pequeno serviço para você.

Notas finais
01 – A educação na Grécia Antiga, assim como MUITAS COISAS, variava de Cidade-Estado para Cidade-Estado, mas de um modo geral o gênero determinava como o cidadão seria educado. Contudo, ser educado não significava que o cidadão soubesse ler e escrever, uma vez que os materiais necessários nem sempre eram acessíveis, fazendo com que muito ainda fosse transmitido pela tradição oral. 02 – Como muitas garotas e mulheres sabem, camomila (Matricaria recutita) possui muitas propriedades, sendo o seu chá o uso mais comum, para combate à cólicas e facilitar o sono. É uma das ervas mais conhecidas do mundo desde a Antiguidade como medicação para muitos males. Como não encontrei o nome antigo da planta, fiz uso do mais conhecido, que deriva do grego moderno, “chamaimelon” (macieira rasteira).