Saint Seiya: Sob o Sangue do Escorpião
17 Uma Longa Noite
Notas iniciais
Quando a noite veio, o Santuário silenciou. Cavaleiros e seus aprendizes se retiraram, sacerdotes e sacerdotisas se recolheram nos alojamentos internos do local. Os primeiros grupos de vigilância noturna partiam para cumprir o serviço de cobrir o perímetro, para evitar prováveis surpresas. Um Cavaleiro de Bronze assessorava quatro grupos, compostos por seis homens cada, munidos com lanças e escudos.
Alguns homens aproveitaram a tranquilidade para se retirar por uns instantes e aproveitar as diversões da noite na cidade. Já outros preferiram valer-se de todo o tempo possível para descansar. Nyctimus optou pela última alternativa.
O Cavaleiro de Lobo seguia dispensado dos treinos, enquanto seus ferimentos se recuperavam lentamente. Mas isso estava longe de significar que estava inativo. Estava buscando um meio de se redimir com Íficles e trazer-lhe orgulho, depois de ter sido vergonhosamente resgatado por uma mulher. Principalmente depois de saber que a mesma fora responsável por ferir o seu superior de modo o qual ele achou covarde.
Tão logo pudesse, pediria à Athena para ir em busca de algo, algum grande feito, que ele pudesse cumprir e assim conseguir o perdão do leonino. Nem que isso custasse sua vida. Ao menos não seria lembrado como um fraco, mas por hora, tudo o que podia fazer era deitar e dormir. Ajeitou-se na cama e fechou os olhos, esvaziando a mente e se deixando levar.
“Por que deveria se deixar ser levado pelas palavras dele? Ele não reconhece qualquer um, abaixo dele, então porque seria diferente com alguém como ‘Nyctimus de Lobo’, um reles Cavaleiro de Bronze? Íficles de Leão…”
Ele se pegou pensativo, chegando a abrir os olhos castanhos e observar o teto coberto pelas sombras da noite, que pareciam desenhar as coisas de sua mente. Os pensamentos estavam fervilhando, fazendo-o respirar pesado. Estava sozinho naquele momento, uma vez que o seu companheiro de quarto estava fazendo a ronda. Por um momento se perguntou a quanto tempo estava ali e o que estava fazendo de sua vida.
Nyctimus fora levado de seu lar, em Arcadia, diretamente para o Santuário, como uma forma de garantir que seu pai não mais se desviaria dos Deuses. Seu pai, Lycaoon, Rei de Arcadia, cometera grandes sacrilégios, sacrificando qualquer viajante que chegasse em suas terras e pedisse alojamento. Os Deuses eram exigentes, e não aceitavam qualquer coisa em Seus nomes.
O último andarilho que lá chegou se anunciou como o próprio Zeus, Rei dos Deuses, e recebeu um banquete em sua honra. O Rei de Arcadia, duvidando de sua palavra, matou um de seus próprios filhos e o serviu como refeição. O Imperador dos Céus viu tal atitude como grande afronta e puniu a toda a família real presente. Apenas ele e sua irmã, Calisto (01), foram poupados, porém, o jovem príncipe nunca mais viu a sua irmã.
A última notícia que teve, foi a de que ela tinha sido acolhida pelo séquito de Ártemis. E somente isso. Lembrou de como o seu estômago revirou ao saber que a sua linda irmã, de alvos cabelos e olhos azuis, se tornaria uma guerreira da Deusa da Caça, em vez de uma princesa, esposa e mãe, como era o esperado dela... assim como aquela que lhe causou a desgraça que o abateu.
“E aquela mulher… Aquela maldita mulher. Quem ela pensa que é para fazer o que fez? Ela não é diferente do Leão. Humilhação seguida de incapacitação do cumprimento do próprio dever…?”, e bateu forte na cama com a mão. Sentiu o ferimento arder, provavelmente aberto pela pancada sobre a palha coberta de peles macias.
Levantou-se do leito com aqueles pensamentos incessantes. Caminhando pelo quarto como um animal enjaulado e olhando a noite.
“Preciso mostrar do que sou capaz. Sou um Cavaleiro. Ainda SOU um Cavaleiro e não cheguei aqui para ser desqualificado por uma vagabunda qualquer que conseguiu uma Armadura de Ouro depois de se deitar com Cavaleiros de Ouro! Mesmo Íficles foi subjugado por aquela... aquela aberração! E ele?! Quem ele pensa que é para falar daquela maneira tão desprezível, cuspindo aquelas palavras…? Um plebeu... Um plebeu meio-irmão de um semideus que certamente seria muito mais capaz de assumir o manto de Leão Dourado... Dois malditos. Malditos Cavaleiros de Ouro!”.
Olhou para a mesa com água e um cesto com os óleos, pastas e bandagens para sua recuperação, jogando-os longe tamanha a sua fúria. Faria com que pagassem por aquilo. Provaria ao Cavaleiro de Leão que era um guerreiro muito mais capaz do que ele pensava, e daria uma lição naquela meretriz traiçoeira de baixo nível.
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O riso alto de Castor preencheu a praça vazia geralmente usada pelos oradores que traziam notícias para os Cavaleiros do Santuário. E logo em seguida despejou todo o conteúdo de seu estômago atrás do palanque de pedra.
Pollux apenas o observava, cuidando para que o mais novo não quebrasse coisas ao se inclinar sobre elas. Tentava também manter o próprio equilíbrio, uma vez que o outro estava sempre o puxando para qualquer coisa, como uma criança que saia de casa pela primeira vez na vida e queria ver tudo. Não evitou de comparar mentalmente o irmão com um cão, marcando território por onde passava. Respirou fundo, só imaginando do quanto ele reclamaria quando o efeito do álcool passasse e a dor de cabeça da ressaca surgisse.
Ao menos sabia que o caçula tinha se divertido muito com as quatro prostitutas do bordel, que solicitou para lhes fazer companhia. Engasgou naquele momento apenas de lembrar do trocadilho infame que Castor fizera com uma delas, sobre trocar a flauta de osso que tocava, para soprar a flauta dele, enquanto lhe jogava uma moeda.
E a julgar pela cara que ele fizera, a meretriz tocou com maestria.
De tempos em tempos, olhava ao redor, buscando qualquer sinal de qualquer aproximação. Embora as saídas dos Gêmeos não fossem nenhum segredo, o Príncipe-Herdeiro de Esparta não queria ter o desprazer de ser flagrado com o irmão naquele estado deplorável. Seria vergonhoso demais até mesmo para alguém tão boêmio quanto eles.
Exceto pela bebedeira desmedida, não era tão incomum que os irmãos chegassem ao Santuário depois do meio da noite, após se divertirem nos bordeis de Atenas e região. Um deles com um dos melhores vinhos que o semideus já tomou, nesse tipo de local, e que se tornou o seu favorito. Principalmente porque podia “acidentalmente” atingir uma das jovens que lá serviam, com um pouco do líquido vermelho enquanto jogava kottabos (02) com o irmão. Se acertasse no local correto, poderia ter uma visão que muito os interessava pela transparência da roupa molhada das cortesãs.
Naturalmente que ele se mostrava bastante solícito em “se desculpar por aquele engano” e deixaria algumas moedas a mais para a pobre moça em questão.
E mais um puxão de Castor o fez segurar o irmão, enquanto via mais da refeição daquela noite ser despejada para fora do estômago. Pelas contas do mais velho, provavelmente a ressaca de onze jarras grandes de vinho iria render uma manhã inteira de reclamações e uma tarde de cara amarrada nos treinos.
— Castor, se ainda tiver alguma comida aí dentro, é melhor você dar um jeito de mantê-la. – Riu Pollux, enquanto impedia do mais novo cair sobre o próprio vômito. – Não quero ter que passar a noite fazendo você beber aquela água fedida daquelas infusões que as nossas servas preparam para os seus excessos.
O outro riu baixo.
— Calma, meu irmão, ainda falta muito para derrubarem o todo poderoso Castor! – Ele falou com sua voz grave, rouca e ébria. – Tem o suficiente para derrubar aquela lagarta voadora que está nos seguindo desde que chegamos.
— Pensei que estivesse bêbado demais para percebe-lo... percebe-la... bom, enfim! – O mais velho falou, balançando um ombro. – Acha que consegue fazer isso sozinho ou vai querer ajuda?
— Aposto… uma jarra de vinho… que o derrubo antes que você pense levantar um dedo! – Falou o mais novo, entre soluços e rindo de maneira idiota para o irmão, desvencilhando-se dele. – EI, LAGARTINHA… VEM CÁ BRINCAR! – E soltou uma rajada de Cosmo em alguma direção.
A energia liberada atravessou veloz a distância entre o Cavaleiro embriagado e o alvo, destruindo-o por completo. O mais velho, e sóbrio, levou uma mão ao rosto, xingando aquilo mentalmente.
— Ops! Forte demais… – O mais novo riu daquilo, parando apenas ao sentir o estômago revirar.
— Meu querido irmão, tenha mais cuidado, por favor... – O Semideus pediu, relaxando os braços rente ao corpo, pensando se seria uma boa ideia deixar o outro fazer aquilo. – Estamos dentro dos limites do Santuário. Se você se exceder, ainda mais, vamos terminar sendo obrigados a fazer reparos aqui e ainda lidar com nossas tarefas diárias!
Ele ergueu os olhos para o céu noturno, onde uma sombra desenhava uma forma alada. Aquilo não se parecia em nada com qualquer criatura que poderia estar de passagem pela região.
— Não gosto disso… – Murmurou para si e emitiu um pulsar de Cosmo.
A sombra desceu, tocando o chão. Parecia fazer alguma questão de se manter afastada dos postes e das piras acesas. Devia ter cerca de 1,70 de altura e um corpo estranhamente largo, a julgar pela silhueta. Se não tivessem visto no exato momento em que aquele invasor atravessou uma fonte de luz, quase cegando-os com o reflexo em sua vestimenta, estaria quebrando a cabeça em preocupações.
— Desgraçados, vocês dois. – Uma voz sussurrou arrastada, rosnando visivelmente irritada. – Parece que mesmo nas graças de Dionísio, ainda são atentos o bastante.
— Felizmente, apenas o meu irmão está bêbado. – Comentou o geminiano mais velho ganhando alguns passos à frente. – Já eu, a sorte não parece ter sorrido para mim. – E sorriu com cinismo.
— E será você a me enfrentar? Interessante... – O estranho falou, se aproximando.
O semideus cingiu os olhos ao constatar o que realmente tinha visto e isso o fez praguejar mais uma vez pelo irmão ter bebido como um gambá.
Pollux tinha uma vaga recordação daquele homem, em seus tempos de treinamento no Monte Olimpo. Por ser um território neutro, os Imperadores divinos e seus servos costumavam se reunir para debater seus interesses. Sempre era algo regado à muita comida e muita bebida, enquanto Espectros, Marinas, Cavaleiros e tantos outros eram obrigados a frequentar o mesmo espaço. Na época, a ordem era mantida pelos Anjos de Apollo e pelas Satélites de Ártemis, então muitos pensavam duas vezes antes de falar ou fazer alguma bobagem.
Aquele à sua frente sempre se apresentava como o Mensageiro do Imperador Hades, trajando sua armadura de um laranja forte. Flutuava suavemente com a ajuda das asas graciosas de contornos negros, preenchidas com cores vibrantes. A cor púrpura que cobria todos os seus olhos multifacetados, era a mesma de seus cabelos revoltos. Pontos de luz começaram a se formar ao seu lado, criando pequenas borboletas coloridas feitas com seu Cosmo escuro.
— Papillon, não é? – Disse o Príncipe-Herdeiro, tentando recordar seu nome.
— Confesso ser uma surpresa para mim que alguém como você saiba um de meus nomes. – O invasor disse, surgindo diante da luz de uma pira. – E você, quem é?
— Pollux, Herdeiro de Esparta. Filho de Leda e de Tíndaro, os senhores de Esparta. – Ele abre os braços. – Ou filho do Senhor de todos os deuses se preferir. Aqui, sou Pollux, Guardião do Templo de Gêmeos.
— Ah... sim... O Semideus...– O Espectro falou com alguma surpresa, mas logo um sorriso debochado se insinuou em sua face. – Agora lembro de você... estava sob a guarda do Cãozinho de Apollo, aprendendo alguns truques... Em consideração ao Imperador dos Céus, o advirto: Vá embora. Volte para sua amada Esparta. – E tornou a caminhar em sua direção.
Os irmãos cingiram o olhar diante daquele desdém. Por mais que tivessem se decepcionado com o mestre que lhes ensinou tudo o que sabiam sobre batalhas, não gostavam quando outros se referiam a ele daquela forma.
— Infelizmente não poderei atender ao seu desejo. – Respondeu gêmeo mais velho, fitando-o. – Como um guerreiro que sou, tenho minha honra e meu dever é impedi-lo de que vá além daqui. Recomendo que vá embora se não quiser problemas, Papillon. A presença de um Espectro tão próximo assim do Santuário já é o suficiente para ser tomado como uma atividade hostil.
— Lamento, mas não poderei cumprir vossa recomendação... “alteza”... – Debochou o Espectro, se colocando em posição de ataque.
Porém, um vulto passou veloz pelo Cavaleiro de Gêmeos mais velho e surpreendeu ao intruso. Tudo o que o Príncipe-Herdeiro teve tempo de fazer foi de arregalar os olhos dourados, enquanto via o punho do irmão se chocar contra a face do Espectro, produzindo um estalo característico e arremessando o oponente há alguns metros de distância.
O potencial oponente caiu inerte sobre a rua pavimentada de pedras cinzentas e se desfez em milhares de borboletas luminosas. Isso fez com que Pollux as acompanhasse com o olhar, ainda perplexo com o que havia acabado de presenciar.
— Uma ilusão...? – Sussurrou ele, um pouco apreensivo. Fosse real ou não, quando retornasse, Papillon estaria muito furioso.
Voltou-se para o irmão, vendo-o cambalear em sua direção, rindo pelo seu feito. Certamente ele não imaginava o quanto o mais velho estava lhe censurando por aquilo, ainda que soubesse ter sido poupado de uma luta desnecessária. Mesmo assim, queria bater nele, por conta de sua imprudência, e não apenas ampara-lo como estava fazendo naquele instante.
— Vamos embora, Castor. Vou deixa-lo em Gêmeos, para que cuide dessa bebedeira, e irei alertar à senhora Athena. Eu duvido muito que um Espectro como aquele não vá querer vingança contra voc...
E sua fala foi interrompida pelo novo jorro de vômito do irmão mais novo sobre seu corpo. Tudo o que Pollux pode fazer foi vira-lo para o outro lado, até que terminasse.
— Obrigado, Castor… – O Cavaleiro mais velho falou entredentes.
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Antares estava deitada sobre a cama, olhando para o teto cuidadosamente decorado com a abóbada celeste e a constelação de Escorpião pairando sobre o leito. O tecido translúcido preso ao dossel (03) não impedia que a jovem pudesse contar cada estrela ali retratada e dissesse seus nomes em voz baixa. Era o seu exercício para dormir quando não sentia muito sono.
Ainda estava um pouco perturbada, não com a morte da sacerdotisa em si, mas por não ter conseguido chegar a tempo. Talvez, se soubesse do rapto antes, pudesse ter evitado o seu sofrimento. E também havia a suspeita sobre o Cavaleiro resgatado estar sob a mesma influência. Chegou a perguntar à Athena se ela gostaria que a Amazona fosse até ele, verificar, mas fora impedida. Ele não era mais sua responsabilidade. Íficles e os Cavaleiros de Prata que estavam ao seu serviço eram aqueles que deveriam cuidar do problema.
Ela respirou fundo. Precisava dormir, e para isso tinha que parar de pensar naquelas coisas. Não queria recorrer ao método de sempre. Seu mestre deixou bem claro que não deveria ser tão dependente de chás e poções para dormir ou teria grandes problemas. Um dos que mais a preocupava era o de terminar por se tornar resistente à bebida, precisando de dosagens cada vez maiores, até que não mais surtisse o efeito desejado.
Por fim, optou por levantar da cama e trocar-se. Pensava em fazer um pouco de exercício para se cansar, quando sentiu um pulsar de Cosmo distante e estranhou. Logo em seguida, outro pulsar, este mais forte, com a intenção óbvia de chamar a atenção de quem quer que pudesse senti-lo. Um alarme.
A escorpiana vestiu sua Armadura Sagrada, ignorando a capa vermelha sobre o altar onde a vestimenta ficava, e colocou a máscara no rosto, se encaminhando a passos rápidos para o pátio de seu Templo. Mal colocou o pé fora de sua dependência doméstica quando sentiu os pelos de sua nuca se arrepiarem dolorosamente.
“Tem algo errado!”, ela pensou, tratando de se esconder nas sombras densas providas pelas colunas de pedra do corredor.
Esgueirou-se, observando meticulosamente cada canto de seu Templo, olhando pelas sombras e farejando o ar denso do local, mas nada parecia fora do lugar. Isso a deixou ainda mais intrigada. Devagar, levou as mãos espalmadas ao chão de pedra, deixando os dedos escorregarem no piso frio e deitou a cabeça sobre ele, encostando o ouvido.
Os sons dos cascos de um cavalo se fizeram ouvir, fazendo com que erguesse uma sobrancelha. Muito leve para ser Kheiron. Um novo arrepio correu por seu corpo, fazendo-a saltar e ficar de pé. Um cheiro de mofo começava a surgir e se tornar forte com alguma velocidade, não tardando a empestear parte do Templo.
“Isso não é bom”, a jovem imaginou. Se o odor ficar ainda mais forte, ela iria precisar levar a batalha para um espaço aberto, onde o olfato aguçado não a comprometesse. Contudo, isso lhe tiraria boa parte da vantagem de lutar em seu próprio espaço. Por precaução, ajustou a faixa em sua cintura, de modo que pudesse ser facilmente removida e utilizada.
Caminhou com cuidado, para não produzir sons altos. Estava estranhando toda aquela situação. Os Cosmos que pulsaram, e aquele que se aproximava, não parecia ser coincidência. Mas como um inimigo chegaria até lá, sem que fosse percebido pelos outros Cavaleiros de Ouro? Seria Kheiron tentando chegar à sua morada, vindo dos Templos mais abaixo? Teriam todos deixado isso passar? Ninguém percebeu um invasor subir?
Quem quer que estivesse chegando, se fosse um Cavaleiro, teria algum tempo para se anunciar, antes que ela assumisse ser um oponente. Seus olhos vagaram pelo corredor iluminado por archotes e piras distantes o bastante para criar pontos de escuridão quase absoluta, onde a Guardiã podia tirar algum proveito.
Então percebeu alguém se aproximando, acompanhado de uma estranha luminosidade.
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