Saint Seiya: Sob o Sangue do Escorpião
22 Debaixo da Sombra do Templo
Antares dispensou a ajuda de Ganimedes para retornar ao seu próprio Templo. Queria ficar sozinha naquele momento, com o tornozelo que latejava e o braço que ardia novamente. Desejava, ao mesmo passo em que temia, por um banho frio, na esperança de que aquilo amenizasse o ardor. Depois de um cochilo restaurador, pensaria com mais calma a respeito do que conversaram.
Mal pisou no corredor de Escorpião e se permitiu relaxar. Àquela altura, todos os Cavaleiros que precisavam já haviam passado por lá, então não tinha mais razão para fingir que estava tudo bem. Naquele passo, demoraria dez vezes mais para chegar onde precisava. Um preço a pagar para não forçar mais a perna e fazer com que sua recuperação se estendesse ainda mais.
Com uma guerra por vir, precisava estar pronta para o que viesse a qualquer instante.
O corredor estava fresco, se comparado com o mormaço de fora. Nenhum vento soprava para lá, porém a jovem podia imaginar o piso frio por baixo de seus pés, como sempre ficavam até próximo do anoitecer.
— Desculpe... por ainda estar aqui. – Uma voz ofegante quase a fez saltar de susto.
Desconcertada por ter sido pega de surpresa daquela forma, viu Pollux sentado debaixo de uma coluna, com as pernas esticadas. Arfava com a face ainda avermelhada, fazendo a jovem engolir a seco. Se o semideus estava naquele estado apenas por ter acompanhado a Phoenix, um simples mortal teria ressecado até a morte. Nunca imaginou que existisse uma criatura que pudesse fazer tamanho estrago apenas com sua presença.
— Eu... tentei ir o mais longe possível, mas... – O geminiano dizia, mas foi obrigado a parar para limpar a garganta novamente seca. – Precisei descansar... Irei embora assim que reunir um pouco mais de minhas forças.
Ela quase levou uma mão à boca, coberta pela máscara. Estaria ele tão fraco a ponto de não conseguir usar seu Cosmo para retornar ao seu Templo? Apressou em se aproximar dele, ficando ao seu lado, esquecendo a dor em sua perna por um momento.
— O-o senhor está bem, senhor Pollux? – A escorpiana questionou, tentando se recompor o mais rápido possível, e rezando para que ele não percebesse sua voz tremer.
— Eu pareço bem... aos seus... olhos? – O espartano questionou sem qualquer vontade, após um longo suspiro.
— Não... desculpe a pergunta tola... – Ela murmurou, abaixando a cabeça.
Sentiu as bochechas corarem por aquilo e mordeu os lábios com alguma força, como uma autopunição. Era óbvio que ele não estava bem, mas ainda assim levantou aquela questão sabe-se lá o porquê.
— Você... teria um pouco de água? – O Príncipe-Herdeiro perguntou, com a voz falhando mais uma vez.
Antares o olhou, envergonhada e compadecida. Ergueu novamente o corpo e soltou o odre do cinto. Mesmo tendo bebido um pouco na descida, era certeza de ter meio recipiente. Naquele instante, se amaldiçoou por não tê-lo reabastecido na fonte que fica nos fundos do Templo, embora não tivesse como adivinhar que justo ele estaria ali.
Ela se ajoelhou, lutando para não deixar transparecer a dor crescente em seu tornozelo. “Nessas horas, a máscara é uma bênção!”, pensou rilhando os dentes. Mas logo cedeu e deixou corpo pender para um lado, caindo sentada junto a ele, com o braço esticado em sua direção, oferecendo a bebida.
— Aqui. – A jovem disse, percebendo-o pegar o odre e leva-lo à boca de modo ávido.
Um suspiro aliviado a traiu, quando esticou a perna machucada.
— Você também não me parece bem... – O semideus apontou com uma sensível melhora na voz. – Foi por causa... do tal Espectro?
— Um descuido meu. – Ela admitiu, respirando fundo e esticando a outra perna para a frente. – O senhor é bem atento, mesmo nesse estado.
— Já estive pior... acredite... – Ele replicou, tornando a beber o resto da água. Não conseguiu evitar um sorriso sarcástico, ao parecer se lembrar de algo. – É... já estive bem pior...
— Mas... ficará tudo bem com o senhor? – A escorpiana deixou escapar, embora sentisse uma leve pontada de arrependimento por isso.
— Eu só preciso descansar um pouco... – O geminiano respondeu.
A Amazona olhou na direção da área privada daquela construção. Imaginava se por alguma razão existia alguma norma que a proibisse de leva-lo para lá e pedir para que suas escravas lhe servissem alguma coisa que pudesse ajuda-lo. Ao mesmo tempo em que pensou isso, sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
E se ele interpretasse aquilo de forma errada...?
— Bom, eu... vou buscar mais água para o senhor. – Ela disse por fim, se levantando devagar. – Quer me dar seu odre para que eu possa enche-lo também?
— Não precisa... – O semideus falou, soltando um longo suspiro. – Você está ferida.
— Estou bem o bastante para ir até a fonte e encher o odre. – A jovem sorriu de modo tímido, sentindo-se abençoada por sua preocupação. O viu entregar sua bolsa de pele para que fosse reabastecida. – Não irei demorar. – E se foi.
Mentalmente, Antares calculava o quanto sua perna iria doer e inchar quando ela finalmente parasse para descansar. Contudo, havia uma boa razão para que fizesse tanta questão de ir até a fonte. O calor estava fazendo com que a máscara metálica aquecesse ainda mais em seu rosto, e isso estava começando a sufoca-la. Precisava remove-la um pouco e refrescar-se de alguma forma.
Olhou para os lados antes de qualquer coisa, em uma rápida busca para ter certeza de que estava realmente sozinha. Desde o incidente envolvendo Castor, há quatro anos, já não baixava mais a guarda quando ia para aquele lugar.
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Naquele dia estava claro, quente e abafado. Diferente dos dias anteriores, era um sinal de que a estação chuvosa estava nas últimas. Mal Antares colocou os pés fora do Templo e já sentiu o mormaço a castigar. Gotículas de suor brotaram de sua testa enquanto caminhava na direção do pomar. Tinha por volta de onze ou doze anos, nunca teve certeza de sua própria idade.
Por um instante, levou a mão livre à cintura, onde sua máscara de metal simples estava presa à uma faixa. Quase nunca a usava, pois todo o seu treinamento estava limitado à presença do Escorpião, e mesmo ele, não fazia muita questão de que ela a usasse durante as lições. Também nunca permitia que a garotinha fosse vista por qualquer pessoa, Cavaleiro ou não, que passasse por aquele lugar.
Contudo, naquele momento, não sabia o que lhe aguardaria. Graças a uma desobediência sua no dia anterior, Scorpio tinha ficado visivelmente irritado e passara um sermão do qual fora bem claro em suas palavras.
“Um soldado que não segue ordens, não serve de nada! É um peso morto! Se você é incapaz de fazer algo tão simples, então não serve para ser um soldado. Não serve para ser uma Saintia. Muito menos para ser uma Amazona. Se não confia em seu próprio mestre e nem pode cumprir a ordem de um superior, então não há o porquê prosseguirmos com seu treinamento. Considere-o encerrado.”, foram suas palavras duras e frias.
Martelou aquilo por boa parte da noite, enrolada no cobertor, até a chuva forte que se abatera e a assustou com seus trovões. Contudo, ninguém foi em seu socorro naquela vez, fazendo com que conseguisse dormir apenas quando a tempestade acabou e os primeiros pássaros começaram a cantar.
Não ia mentir: estava se sentindo culpada por tudo aquilo. Havia desobedecido o seu mestre, aumentando sua carga de exercícios sem sua permissão, e estava dormindo pouco por conta dos pesadelos que passaram a atormenta-la. Scorpio tinha lhe ordenado que bebesse uma infusão para dormir e a menina então se recusou. Falou seus motivos, mas ele não pareceu ter interesse em ouvir.
O Escorpião estava furioso e Ágape certamente estava decepcionada com ela. Queria fazer alguma coisa para reparar isso, e seria cumprindo uma tarefa da qual seria inteiramente capaz de fazer.
A vinha se mostrava frondosa, com uma agradável sombra debaixo de suas folhas esverdeadas, embora algumas larvas rastejassem por elas e se alimentassem ali. Cachos fartos de frutas vermelhas e verdes pendiam dos suportes de madeira. Ela se deteve a apanhar aqueles que pareciam mais maduros, algo em torno de cinco cachos bem cheios.
Ao retornar, parou um pouco na fonte, onde molhou as frutas, tirando as folhas mortas e fazendo-as ficar brilhantes. O calor apenas aumentava e a aprendiz, àquela altura, transpirava. Levou as mãos em concha à água cristalina, cuja gratidão ficou expressa em seus olhos vermelhos, ao percebe-la fresca. Um jorro de água em seu rosto aliviou o desconforto do calor que sentia. Repetiu aquele processo duas ou três vezes.
Aproveitou para jogar água em seus braços e pescoço, quando ouviu passos discretos se aproximando e gelou. Alguém a viu ali, naquele lugar. Alerta, prosseguiu com o que estava fazendo, na esperança de que a deixasse em paz, mas engoliu seco ao perceber que o som chegava cada vez mais perto.
Tinha as mãos na metade do rosto quando viu, pelo reflexo, a figura alta de um homem atrás de si. A sombra dele a cobria da mesma forma que a daqueles homens que a manipulavam antes de ser levada até o Santuário. Antares tentou, contudo não conseguiu não gritar de medo e o chutou.
O atingiu no queixo, com força e violência, embora mal tivesse percebido o feito. Na sua mente, apenas o pânico de ter sido vista, caçando a máscara com uma mão, enquanto a outra cobria seu rosto como podia. E então percebeu que haviam dois homens ali e que ambos vestiam Armaduras de Ouro, sendo um deles, aquele que havia atingido.
Ela engoliu seco, na medida em que colocava a peça metálica de volta ao rosto. Sua situação apenas piorou e ela já imaginava o pesado olhar de seu mestre.
O caído era ajudado pelo outro, que parecia falar coisas a ele como “deixar a aprendiz em paz”. Não tinha muita certeza naquele momento. Uma boa quantidade de sangue descia por um corte no queixo levemente afundado, e pela boca. Possivelmente havia quebrado o maxilar e perdido alguns dentes. Parecia atordoado, se segurando no outro, o que terminou causando uma confusão à menina, pois havia percebido que os dois eram idênticos.
— Eu avisei para você não fazer isso...! – O que socorria falou em tom de sermão.
— Eu vou ensinar boas maneiras a essa fedelha! – O ferido rosnou irado, soltando-se das mãos do outro.
Assustada, ela viu o Cavaleiro empurrar aquele que tentava segurá-lo, fazendo-o se chocar contra uma pilastra. Mal se deu conta quando ele se colocou diante dela, segurando-a pelos braços com uma força descomunal. Novamente ela gritou, assustada com a rapidez daquele homem, enquanto tentava se soltar.
Antares se agitava e debatia, sem conseguir se libertar, enquanto ele sequer parecia se abalar com sua resistência. Ela sentiu as braçadeiras apertarem cada vez mais em seus braços. De súbito ele a sacudiu, abrindo sua guarda, obrigando-a a encarar aquele rosto de homem feito, mas de olhos de um castanho-avermelhado cheios de raiva.
Mal fizera isso e a menina sentiu os ossos de seus pulsos atritarem uns nos outros, lhe causando grande dor. Ela gritou de agonia, tendo os olhos rubros e cobertos pela máscara a lacrimejarem.
— Irmão, já chega! – Gritou exasperado aquele que o acompanhava, correndo em sua direção. Um filete de sangue descia por seu lábio ferido pelo golpe dado pelo seu gêmeo. – Ela é apenas uma aprendiz! Você vai terminar arrumando problemas com o mestre dela!!!
O Cavaleiro e a garota mantiveram-se engalfinhados daquela forma por um curto tempo, até que ela sentiu uma forte pancada no rosto. A menina se desequilibrou e foi ao chão com força. A peça que protegia sua face deslizou pelo chão, indo para longe, quebrada em uma pequena parte.
Novamente o outro tentou interferir, impedindo que o agressor avançasse novamente contra a jovem, segurando-o por debaixo dos braços e prendendo-o.
Assustada, ela ergueu a cabeça, tendo os cabelos bagunçados a cobrir parte de sua vista. Não sentia nada nas mãos, além de uma grande dor que a impedia de mover os pulsos. Como deu, tentou se arrastar o mais longe possível daqueles dois, que se engalfinhavam.
— Ficou louco, Castor?! Ela é só uma criança!!!
— Me larga, Pollux! – Gritou o homem furioso. Seus olhos faiscando em vermelho.
Um pisão no pé daquele que o segurava, fez com que aquele chamado Castor se libertasse. Uma cotovelada fez aquele chamado Pollux afastar-se o suficiente para o agressor se ver novamente livre para avançar sobre a garota.
— Eu vou mostrar a essa fedelha como respeitar um Cavaleiro Dourado! – Rosnou marchando a passos pesados, na direção dela.
Encheu uma mão em seus cabelos e a ergueu do chão, ignorando completamente o quanto ela gritava e se agitava. Acertava-o com chutes, mas nenhum deles parecia surtir efeito como havia acontecido com o primeiro.
Com um impulso, Castor a empurrou pela cabeça, fazendo com que Antares novamente fosse ao chão. Sua face atingiu a pedra do pavimento com alguma violência, fazendo um corte em seu rosto.
Ela sentia a cabeça e os braços doerem como nunca antes. Sua mente estava completamente confusa com aquilo. Nem mesmo se deu conta do sangue que descia abundante do ferimento. Seus ouvidos latejavam, fazendo com que ela ouvisse os sons de forma distorcida, como se ecoassem. Os dois homens pareciam estar brigando novamente, a julgar pelo pouco que conseguia discernir.
— M-mestre...! – Ela tentou chamar, contudo, sua voz não soou mais alta que um sussurro.
Passos em sua direção. Antares estremeceu e se encolheu, em uma reação puramente instintiva. Sentia como se tivesse voltado àqueles dias, antes de ter sido resgatada por Scorpio, e fechou os olhos com força, esperando pela nova explosão de dor que não veio.
O Cavaleiro de Ouro gritou, e foi o seu sangue quente que a atingiu. Seu corpo se projetou para a frente, quase caindo sobre ela, quando uma sombra se colocou entre os dois e o atingiu. Um novo raio vermelho o empalou diretamente pelo peito, arremessando-o para trás e quase fazendo sua cabeça se chocar contra o chão.
— CASTOR!!! – Gritou Pollux, vendo o outro ser bruscamente ferido.
Não era preciso de muito para saber quem havia sido capaz de fazer aquilo. Scorpio estava lá, com suas garras incandescentes, pronto para rasgar qualquer um que ousasse se aproximar da menina.
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Antares piscou os olhos, como que despertando de um devaneio desagradável. Kheiron já a tinha advertido para tomar cuidado para que suas lembranças mais fortes não a acometessem daquela forma e a deixassem em transe. Olhou ao redor, sem ideia do tempo em que ficou ali, na fonte, desligada da realidade. Mas a julgar pelo sol e pela ausência de rugas em seus dedos, não perdera mais que alguns minutos ali, e então respirou aliviada.
Tampou os odres cheios e os prendeu à cintura. Tirou a máscara rapidamente e mergulhou a cabeça inteira na fonte, somente para sentir o choque da pele quente e suada na água fresca tomando sua nuca. Com um movimento tão ágil quanto o inicial, puxou o corpo para cima, jogando o peso para trás, fazendo um arco d’água respingar contra a Armadura de Ouro e o chão com força. Não era o ideal, mas serviria até Pollux sair de seu corredor.
Retornou em passos mais lentos que outrora. Sentia o ferimento pesar sua perna, enquanto a queimação se expandia do tornozelo para o pé e o joelho. Mas, precisava suportar. Só mais um pouco.
O geminiano permaneceu onde estava, parecendo quase desacordado. Ela se aproximou devagar, ajoelhou-se ao seu lado.
— S-senhor Pollux... – A jovem o chamou, colocando uma mão sobre a ombreira dele e o sacudindo de leve. – Eu trouxe sua água.
— Ah! – O Príncipe-Herdeiro de Esparta abriu os olhos, tomando o odre e bebericando, ao menos metade num único gole. Foi-lhe um prazer sem tamanho sentir aquele líquido fresco descer por sua garganta e trazer algum conforto ao calor que sentia. – Eu já tinha… ouvido lendas sobre… a Phoenix… mas não imaginava… que ela fosse… tão intensa…! – E bebeu mais água. – Foi como sentir… meu sangue fervendo… Jamais senti… meu corpo assim… tão quente…!
— Meu mestre me falou um pouco sobre ela, mas nunca pensei que a veria pessoalmente um dia... – A Amazona replicou, suspirando profundamente. – Disse que ela era um péssimo oponente para ser enfrentado e agora eu entendo o motivo...
— Não sei seu mestre… mas para um humano é quase impossível! – Comentou o Cavaleiro abrindo um sorriso, acabando de vez com o último gole de água. – Bom… Acho que um banho… e uma cama… ajudam repor as energias que… – E fez menção de se levantar. – ... Gastei para suportar aquilo.
— Sim, um bom banho e uma cama. – Ela concordou, ajudando-o a ficar de pé.
Antares levou uma mão ao cinto tomando o seu odre e o ofereceu para ele.
— Aqui. Leve este com você, para caso precise durante a descida.
O geminiano sorriu com gentileza, pegando a bolsa de couro de ovelha, fazendo-a corar por debaixo da máscara, principalmente ao sentir os dedos dele tocarem os seus. Ela desviou o olhar, tímida.
— Bom... tenha um bom retorno, senhor Pollux. – A escorpiana falou, buscando controlar a voz, despedindo-se dele.
O espartano mostrou a ela um sorriso gentil e se colocou a caminhar apenas alguns passos, mas parou pouco antes da entrada da Oitava Casa quando riu contidamente. Antares não compreendeu aquela reação e ficou a olha-lo com receio.
— Enquanto foi buscar água… lembrei de uma ocasião quando estive aqui… e daquela fonte. Ainda hoje me responsabilizo por aquilo. Mais uma vez, peço desculpas pelo ato estúpido do meu irmão. – Ele disse somente, com algum pesar. Acenando uma despedida antes de desaparecer nas escadas, sem dar à jovem a chance de falar qualquer coisa a respeito.
Ela o olhou surpresa, sem esperar aquelas palavras. Em silêncio, levou uma mão ao pulso, lembrando mais uma vez do que tinha acontecido, enquanto o via desaparecer nas escadas. A dor de ter os pulsos esmagados e dos gritos de Pollux para que o irmão parasse de agredi-la.
Sabia que o mais velho tinha tentado protege-la do mais novo, embora tivesse falhado. Ouviu dizer mais tarde que Castor era alguém difícil de ser parado quando ficava muito irritado com alguma coisa. Mesmo para o semideus, de quem nunca se separava. Por conta disso Scorpio precisou intervir, lançando uma chuva de agulhas envenenadas que fariam o sangue do geminiano caçula aquecer e incapacita-lo por bons dias.
A Amazona balançou a cabeça, tentando afastar aquelas imagens e as sensações que lhe causavam. Precisava voltar para o interior de seu Templo e tratar dos ferimentos, antes que eles piorassem mais do que estariam para piorar.
— Obrigada... – Murmurou a escorpiana, dando as costas para a passagem e sumindo entre as colunas.
De tão cansada que estava, sequer percebeu que alguém a observava escondido nas sombras.
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