Notas iniciais
Gêmeos e Escorpião estão em maus lençóis, e Melinoe está prestes a declarar sua vitória, quando algo assustador acontece.

O barulho era infernal e fazia seu coração pesar, mas foi o suficiente para fazer com que Pollux reunisse forças para pegar uma pedra com ponta afiada e golpear o próprio braço, ao ponto de abrir um corte profundo. A dor do ferimento conseguiu trazê-lo de volta à realidade, vendo-se de joelhos, com a cabeça apoiada contra o chão.

O rosto estava vermelho e molhado, as veias do pescoço estavam salientes, e seus ouvidos pareciam latejar. O corpo estava tremendo, quase sem forças. O semideus respirava ruidosamente, tentando compreender o que havia acontecido. O que era real e o que não era. Foi então que o grito de uma mulher encheu os seus ouvidos, fazendo com que se esforçasse para erguer a cabeça e ver o que estava acontecendo.

Castor estava caído há poucos metros dele, imóvel, mas não descorado como tinha visto há pouco. Seus olhos dourados procuraram pelo corpo do irmão o ferimento que ele tinha causado por acidente, ficando ainda mais confuso ao não ver qualquer sinal de sangue.

“Mas... mas o que?”, ele pensou, com a mente ainda entorpecida.

Tinha certeza do que havia feito. Sentiu quando seu braço afundou até o cotovelo no peito do irmão, a quem tinha confundido com um inimigo. O teve em seus braços, percebendo a vida se esvair dos olhos castanhos do mais novo. A dor da culpa o corroendo por dentro desde o instante em que percebeu o erro que tinha cometido...

Os olhos do semideus se encheram de água e ele se permitiu à expectativa de, talvez, não ter assassinado o amado irmão. Foi quando se deu conta de que ainda não estava fora de perigo.

Alguém caia, mas foi amparado pela oponente que o dominara. Aos poucos, ele conseguia ver que se tratava de um Cavaleiro de Ouro pequeno. O coração pareceu parar de bater por alguns instantes quando sua mente anestesiada conseguiu processar a única possibilidade ali possível.

“E… Escor…. Escorpião…!”, pensou o Príncipe-Herdeiro, e a cada pensamento era como sentir sua cabeça querendo explodir, impedindo-o de conseguir fazer qualquer ação que pudesse ajudá-la naquele momento. Viu o irmão no chão, salivando incessantemente por aquilo. Se não fizesse algo, temia o que poderia acontecer ao caçula. Restava-lhe apenas um algo a fazer.

— Ah… O que é isso? – Piscou Melinoe, desviando o olhar para não muito longe dali. – Não gosto disso. Não… Não gosto de nada disso. ODEIO ISSO!! – E se voltou para em direção dos gêmeos, vendo uma forte luz dourada emanar do mesmo, ao mesmo tempo que ele gritava, pela dor e pela angústia que parecia tomá-lo novamente. – Nananinanão, Gêmeos! Feio. Muito feio!

A ninfa do Submundo emanou o seu Cosmo profano, fazendo-o envolver ao Filho de Zeus. Ele sentiu a mente nublar mais uma vez, fazendo com que a energia áurea desaparecesse, e o fez cair no chão, arfando. O corpo parecia pesar como se o mundo estivesse sob suas costas, fazendo-o ver aquele tenebroso pesadelo outra vez e culpou-se. Se fosse mais forte, teria eliminado a invasora, sem expor ao irmão e à Amazona àquele perigo desnecessário.

— Ah! Menino feio! Feio, feio, feio! – A Espectro disse, segurando Antares pelos cabelos, e voltou sua atenção para ela. Ver a imagem de seu rosto refletido na máscara fez com que o sorriso voltasse àquele rosto pálido e doentio. – Que máscara bonita! O que será que tem por baixo dela? – Disse, levando a outra mão à peça.

— N… Não… faça… isso…! – Disse Pollux, arrastando-se.

— E por que não? – A inimiga quis saber. – Ouvi dizer que as Amazonas de Athena precisam manter suas faces cobertas... Imagino o quão curiosos vocês estejam em descobrir como é o rosto dessa aqui, que ocupa o mesmo posto que vocês... – E riu. – Tem outra? Ah, que seja!

Com um gesto, atirou a máscara da escorpiana para junto do Príncipe-Herdeiro e voltou sua atenção para aquela a quem mantinha presa. O espanto a atingiu tão logo viu como sua jovem vítima era por debaixo daquele objeto.

— Ora... mas... que belo rosto... E esses olhos...! Como é possível?! – Melinoe deixou escapar, antes de rir insanamente. – Mas que surpresa AGRADÁVEL! Meu amado pai vai ADORAR ter uma alma como essa em seus domínios!!! – E exibiu Antares inerte diante de Pollux.

Ele estremeceu ao ver a Amazona de Escorpião com o rosto desprotegido, ainda que pouco pudesse ser visto graças às longas mechas dos cabelos dela. Podia perceber os lábios vermelhos entreabertos, mas não mais que isso.

“Se eu… eu pudesse… ti… tirá-la daqui… com… com a Outra… Dimensão… Todos nós…”, pensava ele, mas temia que os perdesse nas infinitas dimensões ou mesmo que os matasse. A imagem ferindo mortalmente Castor repetia-se incessantemente, de inúmeras maneiras diferentes, com o irmão morrendo em seus braços. De certo, seria o mesmo pesadelo que o caçula estava aprisionado.

A Estrela Terrestre achou graça daquilo e não se poupou de continuar com a provocação, tomando a escorpiana pela face e voltando-a para ela. Era possível ouvi-la arfar. Certamente sofria com o que quer que Melinoe a tivesse feito ver.

— Um lindo rosto como esse... é algo bom demais para ser verdade... – Falou, deslizando os dedos pelas bochechas da jovem. – Já vi a alma de muitas mulheres mortas por rivais. Alegavam ser vítimas da própria beleza... Ah! Se elas vissem o que tenho aqui... – E riu, aproximando os lábios finos e encarnado dos de sua refém. –Se achariam feias! Não...! Descobririam que sequer poderiam ser consideradas bonitas! Rasgariam sua face! E depois a queimariam com óleo fervente!!!

Pollux viu quando a boca de Antares se abriu em um novo grito, dessa vez completamente diferente do primeiro. Foi algo gutural e primitivo, um rugido de uma besta selvagem, fazendo com que ele se arrepiasse por completo. Fazia quase dezessete anos que escutara algo como aquilo e esperou do fundo de sua alma que nunca ouvisse novamente.

A invasora mal teve tempo de reagir, sentindo apenas uma pressão em seu ombro esquerdo. Com um reflexo, debateu-se e afastou a Amazona com um forte empurrão. Só então percebeu que parte de sua Surplice tinha sido destruída e que tinha sido ferida.

A Amazona de Escorpião estava de pé, curvada há alguns passos, bem à sua frente. O cabelo azul cobria o rosto, mas era possível ver o sangue escuro escorrendo pelo queixo, ferido por lascas da verte metálica de sua oponente.

— O quê…? – Indagou-se a Espectro, olhando aquilo. Pela primeira vez, estava assustada com o que via, mas ainda assim continuava a sorrir de maneira insana. – Im-Impres…. Impressionante…! I-Isso parece com... É como o descreviam…! – E riu daquilo, mal conseguindo completar o raciocínio. – O que foi? O sonho que lhe dei não agradou o bastante, menininha…?!

Em resposta, ela urrou novamente, mais alto e com mais força, exibindo presas salientes em sua boca suja com o sangue da outra. Avançou contra a ninfa do Submundo com passos que pareciam trôpegos, contudo rápidos o bastante para conseguirem pegar Melinoe despreparada, atirando-a contra o chão com grande violência.

Pollux se sentiu angustiado ao presenciar aquilo. Lhe era desagradavelmente familiar e não queria ver aquilo acontecer à escorpiana. Se fosse para combater um Espectro, que o fizesse de modo que pudesse medir as consequências de suas atitudes, e não atacar como um animal raivoso, como estava fazendo naquele instante.

Tentou gritar, mas sua voz não saia, pois ainda estava muito enfraquecido.

— Es... corpião... Escorpião...!– Ele tentou sussurrando, aumentando o volume, esperando conseguir fazer com que ela o ouvisse. – Pare com isso! N-não é você!

Enquanto tentava, os rugidos e rosnados dela rasgavam seus ouvidos, remontando-lhe o riso diabólico que Scorpio fazia questão de emitir, quando combatia daquele modo. O único anúncio que dava antes de entrar no campo de batalha e o lavar em sangue e corpos. Uma Besta sanguinária se deleitando em uma matança desnecessária.

“Não!”, ele pensou, fechando os olhos com força por algum tempo. “Ela não é como ele! Ela é diferente do mestre que a treinou! Eu sei que é!”. Dizia para si mesmo, enquanto continuava a traze-la de volta para a razão.

— Escor... pião! Escorpião! – Dizia, até que parou, inspirando profundamente, antes de conseguir fazer com que sua voz soasse alta e forte o bastante. – ANTAAAREEEEEEES!!!

Isso fez com que ela hesitasse em seu ataque, dando à Estrela Terrestre muito ferida a chance que precisava para se colocar a uma distância segura. Aquela alegria insana havia dado lugar a um terror quase desmedido.

— I-isso não ficará assim, seus malditos! – A invasora murmurou enfraquecida pelo medo. – E-eu vou matar todos vocês agora! – Completou, abrindo os braços para executar novamente o seu golpe.

— N… Não vai… fazer… isso…! – Disse o geminiano com os dentes cerrados, esticando o braço e concentrando máximo de Cosmo que conseguia naquele momento.

Ele só teria uma chance de fazer aquilo e nem tinha certeza de que seria o bastante. Apenas sabia que tinha que fazer algo, antes que o pior acontecesse. Mas antes de conseguir deferir uma rajada, viu uma linha dourada cruzar o ar e atingir a louca ninfa do Submundo.

Uma rosa negra rasgou parte da Súrplice da Espectro, que se surpreendeu com aquilo, recuando de outras rosas que iam ao seu encontro. Melinoe praguejou, fazendo com que a Amazona voltasse sua atenção para ela, que se viu sem outra alternativa senão fugir.

Curvada como um animal, Antares avançou contra a invasora, que desaparecia em meio às trevas. Sua risada insana ecoou na escuridão, abafando o som dos pesados passos que se aproximavam. A escorpiana rugiu como uma fera frustrada, fazendo com que o semideus cobrisse os próprios ouvidos.

Cadmus e Ganimedes se chegaram logo em seguida, respirando fundo e se deparando com os espartanos caídos e com a ateniense fora de si.

— Isso não é nada bom... – O pisciano murmurou, esperando que sua voz não atraísse a atenção dela. Já havia presenciado Scorpio naquele estado e lembrava muito bem dos estragos causados na Guerra Santa contra Poseidon: Quem ficava em sua frente era rasgado sem piedade, e os sobreviventes certamente não esqueceriam nunca mais o terror que presenciaram. – Não imaginei que ela fosse tão parecida assim com o mestre... Devo acreditar que você tenha uma forma de solucionar isso, não é mesmo, Aquário?

— Tenho, mas mesmo eu não ousaria me aproximar dela no estado que a vejo. – O troiano falou e se voltou para os geminianos. – Tem algo que possa fazer para… sei lá! Algo que possa amenizar essa situação deles?

Cadmus assentiu, deixando seu Cosmo emanar sutilmente e permitindo que um jardim florescesse naquele lugar, sobretudo onde estava os Gêmeos. Lírios desabrochavam conforme os envolvia, enegrecendo suas pétalas quando murchavam, fazendo novas surgirem, mais e mais. Para a escorpiana, o pisciano apenas fez uma nuvem de pólen voar em sua direção de modo que a mesma aspirasse, ainda que as flores também a envolvessem.

— Seja rápido. As flores não terão efeito em você, mas ajudarão a acalmá-la. – Disse o Cavaleiro de Peixes, conseguindo se aproximar do mais velho, acolhendo-o nos braços. – O que aconteceu aqui?

— Castor e eu... fazíamos a nossa ronda... quando aquela ninfa... do Submundo apareceu. – Pollux dizia exausto. – Antares... Escorpião veio... Deve ter sentido nossos Cosmos... – E o geminiano desmaiou, ao lado do irmão inconsciente.

O Cavaleiro de Aquário, por outro lado, buscava se aproximar da escorpiana, que já o tinha notado e voltava-se em sua direção, em uma postura ameaçadora. Perdeu a conta de quantas vezes viu Scorpio naquele mesmo estado animalesco, embora soubesse que o velho amigo tinha um bom controle do que fazia.

Diferentemente dela.

Com cuidado, o troiano ocupou-se de distraí-la. Precisava ganhar tempo para que o perfume criado pelo Cavaleiro de Peixes a enfraquecesse o bastante para que ele pudesse se aproximar.

Podia ver as pequenas presas salientes e a saliva misturada com sangue escorrendo para o queixo, fazendo um rosnado baixo, mas perigoso. Se fizesse algum gesto, poderia terminar por fazê-la atacar e, se a experiência não estivesse errada, ela tentaria rasgar seu pescoço onde o gorjal não alcançava. Era o que o pai dela fazia nessa situação. Se não tomasse alguma providência, a escorpiana poderia tentar escapar e se embrenhar pelos muitos bosques locais. Se não acontecesse um acidente envolvendo aprendizes, guardas ou Cavaleiros de patente baixa, seria um milagre.

— Merda...! – Murmurou ele, constatando a situação delicada. – Peixes, como está a situação aí? Tem como tira-los daqui? Acho que vou precisar esfriar a cabeça dela de um jeito mais literal.

— Sozinho não poderei carregar os dois, e se sair daqui, posso controlar melhor os lírios ou mesmo ajudá-lo contra ela se preciso. – Respondeu o pisciano. – Os dois não são o problema. – E intensificou a nuvem de perfume dos lírios contra Antares. – Vá!

Ganimedes fez com que seu Cosmo explodisse, criando uma ventania gélida sobre Antares, que encolheu-se e usou os braços para se proteger. Como ele esperava, isso a fez dar meia-volta e tentar fugir, porém ele não permitiria aquilo.

— Lamento, querida, mas você não vai a lugar algum nesse estado. – Falou, erguendo uma mão. “Theron vai me matar se eu arrancar um fio de cabelo dessa menina, mas eu não tenho outra escolha”.

Estilhas de gelo se formaram pontiagudas, do chão para o alto, se conectando entre si, até formar uma densa muralha cristalina, o que pareceu irritar ainda mais a escorpiana. Novamente ela se voltou na direção dele, exibindo as presas, enquanto rosnava. Um filete de sangue descia pela bochecha corada até o queixo, indicando um corte provocado ao fazer a muralha de gelo se erguer. O cabelo desgrenhado cobria os olhos quase completamente, impedindo que seu rosto fosse visto em sua totalidade.

A Amazona respirava fundo e se se colocava contra a barreira, tal qual um predador acuado faria. Não demorou muito para que sua postura começasse a ficar mais relaxada, e os rosnados cessassem.

— Isso, continue agitada e respirando o pólen desses lírios, minha garota... Já deve estar começando a fazer efeito... – O Cavaleiro de Aquário observou. – Cadmus, quando eu me aproximar dela, disperse o perfume.

— Tem certeza disso? – Estranhou o pisciano alternando do Cavaleiro de Aquário para com de Escorpião. – Não acho que seja uma boa ideia.

— Você sabe que minhas ideias nunca são boas. – O troiano pontuou com um sorriso cínico no rosto. – Mas acredite em mim, se tivesse alguma ideia melhor, eu falaria. Ela precisa de uma ajuda externa para acordar.

— E quer que eu dissipe o lírio com a possibilidade dela atacá-lo e desmembra-lo? – O Guardião do Último Templo surpreendeu-se com aquele pedido. – Se deseja assim, assim o farei, mas não me culpe depois...

— É, eu sei, isso parece bem idiota, mas é isso mesmo. Dissipe o lírio. – O aquariano confirmou, ajeitando a capa sobre o braço.

Cadmus pareceu hesitante, mas acabou por ceder, dissipando a névoa que pairava sobre a escorpiana. No entanto, se manteve alerta quanto a qualquer investida da mesma conforme o aquariano se aproximava, sempre recomendando cuidados ao companheiro.

— O-o que está... acontecendo...? – O pisciano ouviu a voz do semideus murmurar.

Olhou em sua direção, vendo o espartano atordoado tentar se sentar, levando uma mão trêmula à cabeça. Isso fez Peixes pensar no quão terrível pode ter sido o confronto com aquela Espectro, para ter derrubado a Castor, um mortal treinado no Olimpo, e a abalar Pollux, um dos homens mais fortes que conheceu.

— É melhor continuar deitado. – O pisciano respondeu, virando-se para ele, ainda que estivesse buscando manter a atenção no que Ganimedes fazia.

— Escorpião... onde ela...? – O geminiano quis saber, olhando confuso para o outro, que lançou um olhar na direção da jovem.

— Ela está bem, Príncipe-Herdeiro de Esparta. – Peixes respondeu, voltando sua atenção ao que estava acontecendo mais a frente. – Eu acho...

O troiano havia diminuído a distância que os separava consideravelmente. Estava com a capa estendida nas mãos, e a jogou sobre a Amazona, que se agitou e tentou correr. Rápido, o aquariano a prendeu em um abraço. Ela se debateu e urrou novamente como um animal, presa pelo outro, contudo seus movimentos não tardaram a ficar mais lentos.

Nesse momento, o Cavaleiro de Aquário conseguiu firmar um joelho no chão, forçando-a a acompanha-lo. Conseguiu senta-la com cuidado, sendo o primeiro a perceber quando os rosnados se transformaram em uma respiração sofrida. Só então, ele relaxou um pouco, permitindo que ela afastasse sua capa e finalmente descobrisse a cabeça. Tudo com cuidado, para evitar que seu rosto ficasse a mostra.

— Mas o que ele está...? – O espartano questionou sem compreender aquilo que via.

— Consegue andar, Pollux? – Indagou Cadmus, tirando-lhe a atenção. – Posso pedir ajuda. Carrego seu irmão enquanto se apoia em mim. Vai precisar descansar, somente depois irá dizer o que exatamente aconteceu aqui.

Mas ele não respondeu, olhando para o que acontecia mais afastado, ainda que sua vista estivesse um pouco turva.

Ganimedes, há alguns metros de distância, tendo a cabeça de Antares apoiada em seu ombro, abraçando-o de modo desesperado. Ele parecia sussurrar palavras de tranquilidade para ela, bem próximo de seu ouvido, enquanto passava a mão nos cabelos azuis-escuros e cheios da jovem.

Por um momento, aquela visão o incomodou, mas não soube dizer bem a razão. Se foi por conta da proximidade existente, da qual nenhum dos dois fez questão de esconder. Ou se foi por, ainda que um brevíssimo instante, ter contemplado os olhos escarlates daquela Amazona inundados de terror, tal qual o dia em que chegou ao Santuário, há cerca de seis anos.