Saint Seiya: Sob o Sangue do Escorpião
5 A Partida
Notas iniciais
— Então... a comemoração foi muito boa. – Ganimedes falou em tom baixo e sério, enquanto se aproximava.
Não ia mentir e dizer que não ficou feliz por ver Antares ser bem sucedida naquele teste. Viu quando ela chegou ao Santuário, com idade incerta, medo nos olhos e de ossos aparentes. Estimava que tivesse algo por volta de nove ou dez anos na época, embora tivesse certeza de que Scorpio sabia aquela resposta, mas nunca a diria. Muito menos importava naquele instante.
O aquariano parou diante da mesa, bem de frente para o escorpiano, que tomava uma taça de vinho vagarosamente. Sem cerimônias, pegou um cálice que ali estava e a encheu com a bebida, que estava em uma ânfora de prata. Sorveu um longo gole, sentindo o sabor frugal do líquido descer suavemente pela garganta.
— Me lembra os vinhos de Troia, nos tempos de meus pais. – Comentou o Cavaleiro de Aquário, olhando para o copo. – É quase nostálgico. – Confessou.
— Os vinhos de Troia eram diferentes. Não eram ruins, mas hoje parecem estar meio aguados. – Disse o ex-Cavaleiro de Escorpião.
— Talvez eles precisem de seu príncipe de volta. – Disse Ganimedes, observando a reação do amigo. – Uns bons anos lá poderiam resolver esse problema... Quem sabe eu não arrumo uma bela moça para aquecer minha cama e me encher de varões?
Scorpio conteve o sorriso que quase despontou de seus lábios. Aquela provocação não funcionaria, embora a simples ideia de que o amigo fizesse algo como o descrito lhe despertasse ciúmes. Nunca negou que era possessivo, ainda que pudesse se controlar na maioria das situações, e ele sabia muito bem disso. A afronta era proposital.
— Suas servas não podem fazê-lo? – Questionou o anfitrião, levando sua taça à boca.
— Amigo... se eu fizesse isso, não poderia assumir o filho de uma escrava. – Disse o visitante, sem titubear, embora tomasse certo cuidado. – Um príncipe só pode tomar uma princesa como esposa.
— Mas pode ter amantes. – Espetou o escorpiano.
— Sim, homens casados também podem. – O aquariano espetou de volta, com um sorriso cínico.
— Não o farei, Príncipe de Troia. – Respondeu o Caçador, esvaziando seu cálice. – Ela não merece esse desgosto depois de tudo o que fez.
— Depois de colocar uma coleira no Grifo e transformá-lo em um gatinho, você quer dizer. – Disparou o troiano, deixando o resto de sua bebida de lado, e cruzando os braços. – Você poderia arrumar coisa melhor.
— Poderia, concordo. – Assentiu o ex-Cavaleiro, balançando a cabeça. – Mas ela me basta. E você sabe bem disso.
O Cavaleiro de Aquário cruzou os braços e virou a cara, respirando fundo. Já o conhecia muito bem para saber que aquela conversa, fosse de modo discreto ou indiscreto, não teria um resultado diferente. Ainda que, qualquer que fosse sua escolha, não poderiam passar por cima das ordens de Athena.
— Tudo bem, então vamos acabar logo com isso! – Resmungou Ganimedes, em um raríssimo momento de mau-humor. – Acho que elas já foram dormir.
— Alguns ratos ainda estão na cozinha. Sente-se aí e beba mais um pouco. – Comentou Scorpio, com um olhar perigoso e um sorriso maldoso.
Fazia muito tempo que o aquariano não via o amigo fazer aquela expressão. Engoliu a seco, voltando os olhos verde-água para o copo onde bebia. Compreendeu muito bem o que ele quis dizer com aquilo. Até esperava que aquilo fosse acontecer daquele modo, mas não imaginou ver aquele semblante novamente, em tal ocasião.
— Se me envenenar, fica sem seu presente. – O visitante falou prontamente, voltando-se para seu anfitrião.
— Eu não desperdiçaria veneno com alguém como você. – O escorpiano rebateu, olhando-o nos olhos.
— Obrigado pela consideração, amor. – Falou o troiano, dando de ombros.
— Disponha. – Replicou o Caçador.
— E então...? O que faremos enquanto os ratos não se recolhem? – Questionou Ganimedes, retomando sua taça de vinho e bebendo.
— Bebemos. Relembramos. Brindamos ao meu filhote por vir. – Respondeu Scorpio, tomando a jarra de prata e enchendo os copos.
— Beber não é o problema, relembrar é nostálgico... – O Cavaleiro parou de falar, olhando-o aturdido. – O que disse?
— Uma nova criança com o meu sangue está para vir. – O ex-Cavaleiro explicou, mexendo seu cálice. Havia um sorriso sereno em seu rosto. – Foi o motivo pelo qual eu antecipei o teste de Antares.
— Criança... com seu sangue...? – O visitante estava perplexo, piscando sem parar. – Tudo bem. O que há nesse vinho para eu estar bêbado tão rápido? Não parece nada com o vinho que eu servia no...
— Nada. É vinho comum, embora a ocasião permitisse outro. – Replicou o anfitrião, rindo daquilo. – Sim, Ágape espera uma criança minha.
— C-Como... Co-Como assim espera um filho seu? Que brincadeira é essa, Theron? – Indagou o aquariano, fitando-o surpreso.
— Sabe que eu não brinco com essas coisas, não é? – O escorpiano devolveu, ficando sério.
— Theron... – O troiano murmurou e olhou na direção do corredor de onde viera. – Tá falando daquela sua escrava de estimação...?
— Sim, estou falando de minha favorita. A qual eu libertei e já não é mais uma escrava, mas minha companheira. E a quem Athena e Apollo me concederam as bênçãos de ter. – Revelou o Caçador, tomando um novo gole e estreitando os olhos vermelhos. – Algum problema com isso?
— Você me pergunta se... – Ganimedes se calou, levando a mão à boca com o punho fechado. – Não. Isso não é possível... – Ele riu nervoso.
Scorpio respirou fundo com aquilo, porém nada falou. Já esperava que o velho amigo não fosse reagir muito bem à notícia. O escorpiano apenas esperava que ele não fosse idiota de tentar atacá-la com suas palavras frias ou fazer-lhe qualquer mal. Sabia que o aquariano não seria tolo.
Podiam ser amigos e ter uma longa história juntos, no entanto, haviam limites. E eles eram bem claros quanto a isso.
— E-Eu... não sei o que dizer. – O visitante comentou por fim, se deixando relaxar na cadeira e empurrando o vinho.
— Talvez não haja o que ser dito. – O anfitrião rebateu, tomando mais um gole. – Afinal... Há muito as coisas rumavam para algo assim, não?
O Cavaleiro ensaiou um sorriso triste, mordiscando os lábios.
— Sim... e eu deveria esperar por isso desde que trouxe a pequena Antares. – E olhou para ele, segurando as lágrimas. – E... o que vai fazer...?
— Ágape é única, Ganimedes. Os Templos Zodiacais não são um bom lugar para uma criança de peito, muito menos um lugar tranquilo para uma mãe. Além disso, você sabe melhor que ninguém: Eu nunca pertenci a esse lugar, eu apenas... recebi permissão para estar aqui. – O ex-Cavaleiro contou, baixando a cabeça. – Antares é a nova Guardiã do Templo de Escorpião, e ela é muito mais capaz disso do que eu fui. O sol se pôs com o meu tempo aqui, e agora irá se levantar com o dela.
— Tem hora que me arrependo de ter lhe apresentando... – O troiano engoliu as palavras. – Acredita... que será feliz...? Você nunca me pareceu querer uma família, ainda mais com os humanos que sempre desprezou. – E o olhou com pesar.
— E quem confia em humanos? Nem mesmo a Senhora Athena confia. – O Caçador disse com naturalidade. – Alguns, poucos, fazem valer todo o sangue que é derramado por eles. Muito poucos. Nossa longa vivência já nos mostrou bem isso, com Antares. – E desviou o olhar para o lado, tornando o seu semblante sombrio.
— E essa escra... digo, “companheira”... – Ganimedes disse com desdém. – É alguém que julga valer à pena...?
— Sim, Ganimedes, ela é. – Confirmou Scorpio, sem qualquer hesitação. – Não há uma mulher como Ágape. Nem mesmo as ninfas tem a sua dedicação.
O Cavaleiro apenas assentiu, levantando-se em seguida, sentindo o peso daquelas palavras em seu peito.
— Voltarei para Aquário. Verei se faço o patrulhamento hoje. – Ele comentou somente, virando o rosto. – Parabéns, Theron.
— E assim como não há nenhuma mulher como ela. Não há nenhuma criatura como você. – O ex-Cavaleiro completou, fechando os olhos. – Não é à toa que me ajudou a cuidar de minha... minha filha, mesmo sem ter qualquer obrigação com isso. – Disse abrindo-os em sua direção. – Mas eu estou saindo agora. Seria justo eu pedir a você que cuide de nosso maior tesouro?
— Não precisaria me pedir isso. – O visitante sorriu, segurando e engolindo as lágrimas. Virou-se para ele, suspirando. – Eu cuidaria dela mesmo se não tivesse me pedido. Considero ela minha filha também, Theron. Devia saber disso. Nossa menina.
— Sou mais do que grato por isso, velho amigo. – O anfitrião disse, se levantando e tocando a face do outro.
Sem qualquer aviso, o escorpiano o puxou para si, em um beijo caloroso, deixando o aquariano completamente sem reação. A mão livre do Caçador segurou ao troiano pelos cabelos ondulados, com força e, tal como fazia em seguida, relaxou o aperto, em uma suave carícia com a ponta dos dedos.
Aquela ação surpreendeu o troiano que o olhou arregalado, sentindo a face queimar com aquele beijo tão inesperado. Um súbito calor tomou conta do troiano como há muito não sentia, fazendo-o estremecer e apenas sentir aquele breve momento nas mãos do escorpiano. Quando ele o soltou, Ganimedes ainda o fitava aturdido. Intencionava dizer algo, mas os lábios apenas se mexiam sem proferir uma única palavra. Por fim...
— Sabe... onde me encontrar... se precisar... – O Cavaleiro falou, e sorriu com o mais sincero sorriso desde que informado pelo escorpiano de que seria pai. – Acho que agora podemos... resolver aquele problema.
— Sim, acho que agora é um bom momento. – Scorpio respondeu com um ar brando.
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Antares despertou em seu quarto, pouco antes do sol nascer. Fizera questão de dormir por mais uma vez nos aposentos onde, um dia, dividiu com Ágape ao longo daqueles anos. Tinha uma sensação nostálgica em seu peito. Ainda que já fosse considerada uma mulher adulta (01), sua mente era um turbilhão de medo e ansiedade, mesmo ainda sentindo os efeitos do forte chá de valeriana (02) que havia tomado ao dormir.
Vestiu-se como se fosse um dia comum, embora as roupas deixadas para ela fossem diferentes, de um material reforçado, embora leve o bastante para não limita-la. Uma túnica curta, cuja saia ia até a altura de seus joelhos, em cor branca.
Seria seu primeiro dia oficialmente como uma Amazona.
Como de costume, seguiu para a cozinha, onde encontrou Ágape acabando de assar uns pães e Scorpio sentado. Conversavam sobre qualquer coisa, quando a viram entrar animada e a cumprimentaram. O mestre a esperava para Saudar o Sol, como ela aprendeu nos últimos anos. Não era um ritual que pertencia ao culto de Athena, mas que o escorpiano estava autorizado a fazer. Somente depois tomariam um desjejum.
Animada, a jovem o tomou pela mão grande e forte, e o puxou. Se dirigiram para o pátio do Templo, voltado para o Nascente sem obstáculos, junto à escada que levava a Libra. Quando o céu atingiu as primeiras cores alaranjadas no horizonte, o ex-Cavaleiro de Escorpião olhou para sua sucessora e fez um gesto. Seria ela quem conduziria aquele momento.
Um pouco nervosa, a Amazona assentiu, fechando os olhos. Respirou fundo, esvaziando a mente, e ergueu as mãos na altura da cintura, como se oferecesse algo a alguém. Além das montanhas, o sol começava a se erguer, derramando sua luz dourada sobre o mundo, trazendo seu calor. Uma sensação da qual a garota sempre achou revigorante, principalmente por lembrar de um par de olhos áureos.
Apenas quando o astro saiu completamente se mostrou completamente no céu, os dois uniram as mãos sobre o peito e curvaram-se em respeito. Haviam terminado e podiam então quebrar o jejum.
Laranjas estavam cuidadosamente cortadas sobre a mesa, junto com pedaços de maçã e bagas de uvas doces e grandes. Eram tão bonitas que dava pena de comê-las. Para acompanhar os pães quentes, manteiga recém-batida, uma peça generosa de queijo de cabra e alguns ovos de perdizes com azeite fresco.
— Os novos servos a aguardam, Antares. – Disse o Caçador ao terminar de se alimentar. – Ágape já deu as instruções iniciais, como de costume. – Completou e a olhou, vendo-a somente sorrir.
— Apenas o básico. De resto será conforme queira. São garotas jovens, não será difícil lidar com elas. – Disse a mulher suspirando. – Apenas terá de se impor. É a mestre dessa casa agora, aquela a quem todos devem obedecer.
— Sim, mãe. – Antares respondeu, com um aceno da cabeça. – Mas... o que aconteceu aos outros servos? Não os vi ainda... – Questionou.
—Só tem duas formas de um escravo sair dos Templos, não? – Replicou Scorpio, com um semblante sério. – Lembre-se sempre disso. A menos que decida libertá-las de suas obrigações, dando a elas o status de “Mulheres Livres”(03). Ao meu ver, não é algo que seja bom para elas, depois de servirem aqui.
— Entendo... – Ela murmurou, baixando a cabeça momentaneamente. – E, quando posso conhecê-las?
— Suas escravas a aguardam no pátio dos fundos. – Disse a gestante com uma voz doce. – Eu iria com você, mas seu pai achou melhor que já assuma os deveres desde agora.
— Certo, então... eu irei lá. – A escorpiana falou, torcendo os dedos nas mãos. – Esperam eu fazer isso para me despedir de vocês?
— Claro, filha. Não vamos sair sem antes nos despedirmos. – Respondeu Ágape com a voz embargada, mas controlando-se.
— Então, já venho, mãe. – A jovem falou, se retirando.
O pátio dos fundos era o maior espaço externo do Templo, onde havia acesso para a fonte de água que abastecia a morada. Havia um pequeno pomar escondido por ali, de onde saiam as suculentas uvas que eram postas no quarto de Scorpio. Como cultiva-las em um terreno como aquele foi algo do qual todos os escravos que eram encaminhados para aquele lugar tiveram que aprender com esmero. Porém, naquele momento, não era as frutas que a levava ali, mas a curiosa dupla parada, com as mãos pousadas para frente.
Uma jovem de cabelos castanhos e cacheados, presos no topo da cabeça, em um penteado um pouco elaborado, mas prático. Tinha quase a mesma altura da outra, de longos cabelos também castanhos, mas de pele levemente mais escura. Ambas tinham contornos delicados e não pareciam trabalhadoras braçais, muito embora não aparentavam ser desprovidas de alguma graça.
Então, a Amazona se deu conta de que aquela era a primeira vez em que interagia com uma pessoa comum em anos, e com quem teria de conviver. A percepção disso a deixou bastante acanhada.
— Hum... Oi... – Arriscou, pensando no que falar.
— Senhora! – Reverenciou a primeira, acompanhada da segunda. Sua voz era suave e polida. – Fomos designadas para servi-la aqui no Templo. Uma senhora, grávida, já nos instruiu sobre nossos deveres, mas disse que precisávamos esperar pela senhora. – Completou.
A escorpiana sentiu-se um pouco desconfortável com a forma como fora chamada, entretanto nada disse. Tinha que se acostumar. Olhou de uma para a outra, meio que sem saber como continuar.
— Ah... eu me chamo Antares e... qual os seus nomes? – Quis saber, enquanto tentava pensar em algo.
As duas escravas se entreolharam. Não estavam esperando aquilo, mas uma mulher altiva e cheia de força, e não uma jovem como aquela. Os últimos dias foram apenas escutando os terrores do morador do Oitavo Templo, que tinha o hábito de fazer seus escravos desaparecerem. Era óbvio que sabiam de seus destinos. De qualquer modo, haviam conversado um pouco entre si, quando foram designadas para aquela morada, e combinaram que buscariam fazer o melhor. Nenhuma das duas pretendia morrer ali.
— Eu me chamo Agave. – Disse a de pele mais clara, com uma voz suave, apontando para si.
— E eu me chamo Kalipto. – A outra falou, com firmeza na voz.
— O-o que a senhora gestante falou? – A filha de Scorpio questionou, pensando se algo mais precisava ser dito.
— Falou sobre o barulho... – Disse aquela que se apresentou como Kalipto. – Dos nossos deveres e obrigações para com o Templo e com a senhora. – Complementou.
— Então... acho que não tem mais nada a ser dito... – Confessou a jovem, levando uma mão ao rosto, pensativa. – Então... vamos entrar. Há quartos para escravos próximo à cozinha, podem deixar suas coisas lá, e começarem o trabalho.
As duas se entreolharam, mas seguiram a ordem dada. Apanharam suas coisas, envoltas em um pano simples, e entraram em silêncio, seguindo para os aposentos citados. Ágape e Scorpio aguardavam a filha do Caçador, ainda na cozinha, sendo que sua mãe chorava silenciosamente.
— M-mãe... aconteceu algo? – Questionou Antares, se aproximando aflita.
— N-Não... não é nada. – Explicou a mais velha, abrindo os braços para a mais nova e a chamando. – Apenas saudades que sentirei daqui... principalmente de você...minha estrelinha! – Sussurrou ao abraçá-la. – Não queria chorar, mas... não consegui.
— Ah! Mãe! Eu irei visita-la! Não terá muito tempo para sentir minha falta! – A garota tentou consola-la, embora não soubesse se tinha como cumprir aquilo. Não fazia ideia de sua rotina pelos próximos dias ainda.
— Claro que vai. Entre uma missão e outra, pode nos fazer uma visita. – Piscou o homem, abraçando-a também. – Quando sentir medo ou insegura, saiba que pode contar conosco e eu virei sempre que quiser. – Murmurou ele.
— Muito obrigada, meu pai! – A jovem sorriu e lançou um olhar para as novas servas, que saiam de do quarto onde haviam depositado suas poucas posses. – Então... acho que está na hora de eu realmente começar o dia, não é?
— É hora de começar a fazer seu nome a partir desse dia, Antares de Escorpião. – Disse ele fitando-a, sorrindo. – Mas antes, quero entregar algo. – Falou, pegando algo com a mão e mostrando.
Uma generosa fita de um vermelho acetinado que fez os olhos da Amazona brilharem. Ela olhou dele para o objeto e abriu um imenso sorriso. Em um impulso, abraçou ao pai com força e beijou-lhe a face, como se fosse uma criança.
O Caçador retribuiu aquele gesto e, ao se soltarem, ele a virou de costas, passando a fita por seu pescoço. A escorpiana ergueu os longos cabelos, para facilitar aquele gesto. Sentiu três voltas suaves em sua pele, folgadas o bastante para passar um dedo tranquilamente. O que sobrou, descia por suas costas em duas delicadas tiras.
— Agora Scorpi, minha radiante estrela, é a sua vez de mostrar a todos o seu brilho. – Scorpio se pronunciou com orgulho, focando o rosto da filha.
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