Saint Seiya - O Tabuleiro das Eras
13 A Lâmina que Mede o Fim
Notas iniciais
O som de correntes arrastando no chão ecoava pelo corredor estreito. Mei e Shaina avançavam com cautela, atentos a cada mudança de luz e sombra. A atmosfera pesada parecia alertá-los de que estavam próximos de algo… ou alguém.
Enquanto isso, em outra ala do nível, Aeson e Yuzuriha se mantinham lado a lado. A luta contra Sorento havia fortalecido o vínculo entre eles, e a amazona agora observava o companheiro com um novo respeito. Mas antes que pudessem discutir o próximo passo, uma presença cortante como aço invadiu a sala.
— Vocês caminham… como se acreditassem que há um “fim” à frente. — A voz feminina era doce, mas carregada de veneno.
Das sombras, surgiu uma mulher alta, cabelos loiros e encaracolados caindo sobre a armadura púrpura com detalhes pontiagudos. No punho, segurava uma espada longa, cuja lâmina parecia oscilar entre a solidez e o vazio, como se estivesse parcialmente fora deste mundo.
— Alice… — murmurou Yuzuriha, apertando o punho. — Alice de Vorpal.
Aeson não conhecia, mas percebeu no tom da companheira que não era apenas mais um cavalo qualquer.
Alice sorriu. — Ainda lembram de mim. Que honra.
— Você é uma bispo — disse Aeson, firme. — Então é uma das peças que bloqueiam nossa ascensão.
Ela riu baixo. — Peões e cavalos… sempre tão apressados para se tornarem algo mais. — Girou a espada, e um brilho cortante iluminou a sala. — Mas vocês não têm ideia do que significa “medir o fim” de alguém.
O primeiro ataque veio como um lampejo. A lâmina atravessou o ar e atingiu a parede atrás deles antes mesmo que pudessem reagir. O corte não estava apenas na pedra — uma fissura na própria realidade se abriu, como se a espada tivesse partido o espaço em dois.
Yuzuriha recuou, olhos atentos. — Cuidado! Ela não corta só o que vê…
Aeson concentrou seu cosmo, lembrando-se do que havia aprendido durante o tempo em solidão. Ele não avançou de imediato, estudando o ritmo da adversária. Alice percebeu e estreitou o sorriso.
— Interessante… você não se lança de cabeça como os outros.
— Não preciso me provar para você. — A voz de Aeson era firme. — Só preciso vencer.
O duelo começou. Aeson esquivava-se por frações de segundo, usando o mínimo de movimento para evitar o corte mortal. Cada vez que a lâmina de Alice passava, o ar se distorcia como se um rasgo invisível tivesse sido aberto.
Enquanto isso, no corredor distante, Mei e Shaina avançavam em silêncio. A amazona ainda carregava o peso de não ter ascendido. A luta contra Geist em seu passado ecoava na memória. Ela sabia que estava próxima de enfrentá-la novamente, e isso trazia uma mistura de medo e expectativa.
— Você está tensa — disse Mei, quebrando o silêncio. — Está pensando nela, não está?
Shaina assentiu. — Sei que vou encontrá-la. E, quando isso acontecer, não posso ser a mesma de antes. Preciso subir… ou serei descartada como os outros.
Mei não respondeu, mas a olhou com seriedade. — Então esteja pronta. Não vai ser como da última vez.
De volta à sala de batalha, Alice pressionava Aeson cada vez mais, forçando-o a recuar. Yuzuriha tentava encontrar uma abertura, mas a velocidade dos golpes era absurda.
— Está hesitando, garoto — provocou Alice. — Já viveu cem mil milênios no vazio, mas ainda teme o corte de uma lâmina?
Aeson cerrou os dentes. — Eu não temi o vazio. E não temo você. — Seu cosmo explodiu de repente, preenchendo a sala com um calor vibrante.
A lâmina de Alice encontrou resistência quando tentou cortar o espaço ao redor dele. Aeson se moveu como se estivesse adiantando o tempo de seus próprios movimentos, antecipando cada golpe. Num instante, ele estava dentro da guarda dela.
— Golpe do Cálice Infinito! — gritou, canalizando seu cosmo em uma esfera concentrada que explodiu contra o peito da bispo.
Alice recuou, mas manteve o sorriso. — Não é ruim… mas também não é o suficiente para me derrubar. — Ela recuou alguns passos, girou a lâmina e a apoiou no ombro. — Tenho outras peças para “medir” antes de encerrar o jogo.
Com um último olhar, desapareceu na distorção que ela mesma criou, deixando o espaço voltar ao normal.
Yuzuriha respirou fundo. — Isso não acabou. Ela vai voltar.
Aeson concordou. — Que venha.
No corredor, Shaina parou de repente. Um arrepio percorreu sua espinha. Não era apenas a lembrança de Geist… havia algo mais. Uma ressonância distante, como se a armadura estivesse reagindo a uma presença invisível.
— Sente isso? — perguntou Mei.
— Sim… — Shaina fechou os olhos por um momento. — E está cada vez mais forte.
O som distante de passos ecoou pelo corredor. Shaina respirou fundo. — Ela está vindo.
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