Saint Seiya New Generation
1 Sonho
Os tempos caóticos se deram fim. Depois de duras lutas encontraram a tão sonhada paz e também receberam as sagradas armaduras de ouro, não por falta de merecimento. Aos poucos o santuário começou a se reerguer, o trabalho exigia ser sigiloso.
E desde então três anos se passaram. Era o meio da primavera, e também um dia especial. No santuário, na arena de batalha, estava-se escolhendo o novo Grande Mestre, mas tinha algo errado. A arquibancada estava lotada, os competidores já aguardavam, mas Athena não chegava.
Na parte superior, em um camarote, havia uma extensa mesa onde se podiam ver quatorze cadeiras, qual, a do meio era de Athena, que estava vazia.
À direita da cadeira dela, se seguia essa ordem: A do novo Grande Mestre; A do cavaleiro de ouro de Touro, onde se sentava uma jovem de máscara prateada que ainda estava em treinamento, seus cabelos ruivos e ondulados estavam soltos e chegavam à metade de suas costas. A cadeira de Câncer, qual se encontrava outra jovem, trajando a armadura de ouro que ganhou recentemente e sua máscara, seus cabelos extremamente compridos e negros estavam presos em uma trança, caindo-lhe sobre o ombro esquerdo. Na de Virgem estava Shun, vestido da armadura de ouro. A de Escorpião estava vazia; Na de Capricórnio se encontrava um rapaz de cabelos castanhos e repicados, de olhos azuis, ele ainda estava em treinamento. E ao seu lado a de Peixes, onde uma jovem dama, de cabelos loiros curtos e de pontas vermelhas se sentava, usando a armadura de Peixes e uma máscara prateada com um ponto na maçã esquerda do rosto.
À esquerda da cadeira de Athena, estava: A cadeira de Áries, onde Kiki se sentava, vestindo a armadura de ouro; por Mu e Aldebaran serem grandes amigos, o novo cavaleiro de Áries se responsabilizou a treinar a amazona de Touro, o que não é nenhum sacrifício para ele. Do lado dele, estava à cadeira e o discípulo de Gêmeos, ele tinha cabelos pretos e lisos de olhos castanhos. A de Leão; de Libra; Sagitário; e Aquário estavam vazias.
– Que estranho... – Observou Kiki, se voltando para a amazona de Touro do outro lado. – O que terá acontecido?
– Não sei, mas olha com quem ela foi se atrasar. – Respondeu ela, se virando para Kiki.
– Diana. – Ele a repreendeu.
– Ah Kiki! Você os conhece há mais tempo que eu. Não pode negar que tem um clima entre os dois.
– Olha o respeito. – A amazona de Câncer se voltou para a menina.
– Mais é verdade Carol. – Disse Shun. – Desde aquela época que era obvio.
Kiki riu um pouco. – Realmente, agora que me lembro de como o Seiya ficava bobo na frente dela.
– Vocês acham mesmo? Eu nunca percebi nada, só que o Seiya é bobo todo o tempo, eu noto isso às vezes, quando ele me ajuda a treinar. – Comentou o cavaleiro de Gêmeos.
– Mais ele é mesmo... – Shun concordou, balançando a cabeça.
– Agora que você também sempre foi muito distraído John. – Comentou Carol, mexendo na trança.
– Mais bem que eu queria saber o que aconteceu... – Diana apoiou o cotovelo no braço esquerdo da cadeira, segurando o queixo.
Entre a sala do grande mestre e a estatua de Athena, Saori pediu que lhe fosse feito um jardim, e era nele que estava agora. Deitada na grama em baixo de uma cerejeira, olhando o céu e ouvindo o canto dos pássaros. Sobre seu colo havia metade de uma guirlanda de flores que ela estava fazendo, nela tinha violetas, pequeninos narcisos rosa, margaridas amarelas, e bem-me-queres brancos. Perto de seus pés, estava uma cesta rasa de flores, onde estavam às outras que ela tinha colhido para poder continuar a guirlanda. Ao lado de sua cabeça, estava o novo livro de cifras para piano e em baixo dele um caderno de composições.
Ela respirou fundo, fechando os olhos, estava começando a ficar com sono. Foi ai que ouviu uma voz começar a cantar uma melodia distante e suave. No inicio ela não ligou, foi então que se deu conta que estava sozinha. Rapidamente ela abriu os olhos e uma ponta de medo ia a dominando, mas a voz era tão doce e harmoniosa que foi a acalmando, fazendo-a relaxar. “E por que não relaxar? Afinal o mundo está em paz, todos estão felizes e eu ainda tenho meus cavaleiros. Está tudo perfeito!” Pensou Saori, sorrindo.
Foi aí que um forte e inebriante perfume começou a pairar no ar, e ela pode ver que a árvore começava a dar flores novamente. Achando aquilo meio confuso, ela sorriu e ficou a observá-la. De repente houve um tremor e algo se amarrou em suas pernas, começando a apertá-las. Então Saori levantou a cabeça e percebeu que eram as raízes da árvore que faziam isso.
– Mais o quê?! – Disse nervosa, tentando se sentar, mais não tinha forças.
E cada vez mais que as raízes apertavam suas pernas, a melodia ia ficando insuportavelmente mais alta. Começando a se desesperar e ainda tentando se sentar, Saori apoiou os braços no chão e tentou se erguer, então ela viu seu cajado apoiado no tronco da árvore. – Já sei, tenho que alcançar a Nike! – E esticou o braço para ele. Logo mais raízes vieram se agarrando a sua barriga e pescoço, os apertando. Mais ela continuou a tentar.
– So... Corro... Seiya. – Ela tentava pedir ajuda mais estava ficando sem ar, e quando finalmente conseguiu encostar um dedo no cajado, ele virou.
A voz deu um grito estridente e Saori acordou de uma vez, ofegante e com o coração aos pulos. Ela olhou para os lados, pegou a Nike e se levantou de uma vez, tentando se acalmar. Foi então que notou que tudo estava normal. Nenhum cheiro, nenhum cantar, nem flores na árvore. – Um sonho...
– Saori! – Seiya entrou correndo no jardim, chegando perto dela.
– Seiya! – Saori se voltou para ele.
– Estava vindo lhe chamar e percebi como esta nervosa, o que houve?
– Ah, não foi nada de mais, só tive um pesadelo.
– Que bom. — Ele sorriu, se aproximando mais dela, e ao perceber o que disse ficou vermelho. – Quer dizer... Q-que bom que não foi nada! E, e que você está bem. Por que você é muito importante e se tivesse sido alguma coisa...
Saori riu, o olhando. – Eu entendi seu bobo. – Balançando a cabeça, ela chegou um pouco mais perto, e ao olhá-lo, notou que este a encarava bem em seus olhos, se aproximando mais dela e colocando devagar as mãos em seus braços.
– Saori! Seiya! – Chamou Shina, entrando junto de Marin no jardim.
Os dois se afastaram, vermelhos.
– Todos estão esperando a senhorita na arena. – Falou Marin.
– É mesmo...? – Falou ela um pouco perdida, olhando Seiya, então de súbito ela suspirou, surpresa. Havia se lembrado do torneio. — Ai meu Deus! A seleção é hoje! Vamos logo. – Ela começou a andar, apresada, sendo acompanhada pelos outros.
– Eles estão demorando Vênus... – Comentou o garoto de cabelos castanhos para a amazona de Peixes.
– Realmente, que coisa estranha. – Ela respondeu para o aspirante a cavaleiro de Capricórnio.
– Devemos nos preocupar?
– Acho que não é nada Cloves, mas vou ir atrás deles. – E quando a mesma se levantou, avistou quando Seiya abriu a porta e Saori passou por ela. – Já chegaram. – Disse se sentando.
– Desculpe. Desculpe. Desculpe... – Dizia Saori para cada um dos cavaleiros enquanto passava por eles.
Seiya se sentou na cadeira de Sagitário, e ao olhar para o lado, viu os outros o encarando com sorrisinhos, deixando ele vermelho. – M-mais... O que foi?
Eles riram um pouco, então voltaram a olhar para frente, onde Saori tinha se dirigido. Ao parar em frente à janela, ela conseguiu ver toda a platéia lá em baixo, que começou a dar vivas, gritos, e assobios de comemoração. – Sejam todos bem vindos! – Disse ela.
E mais uma vez a platéia foi ao delírio. Enquanto isso, uma amazona de prata vinha chegando perto de onde Marin e Shina se sentaram.
– Desculpem ter demora meninas, a luta já começou? – Perguntou. Ela tinha os cabelos pretos, lisos e curtos, e usava uma máscara.
– Não Célia. Saori acabou se atrasando. – Respondeu Marin, olhando para a colega enquanto ela se sentava.
– Quem vocês acham que vai ser o novo Grande Mestre? – Falou Shina, ainda olhando para a arena.
– Sinceramente, eu estou em duvida. – Marin cruzou os braços.
– Eu também. Tanto Michel quanto Eric são ótimos. – Disse Célia, olhando para Saori, que fazia seu breve índice antes da luta.
– Realmente é difícil, mas eu torço por Michel. – Shina ainda olhava para a arena, se esticando como se procurasse algo.
– Sim, tomara que se dêem bem. E como vai Bela, Célia? – Marin olhou para a companheira.
– Muito nervosa! Por Seiya ser seu amigo, ela acha que tem mais responsabilidades.
– Mais que bobagem. – Marin balançou a cabeça.
– Pois é. E é verdade o que dizem? Sobre as armaduras de bronze?
– Não sabemos ainda. – Shina se voltou para a curiosa amazona de prata. – Tudo indica que sim, mas não todas.
– Queria poder saber onde estão... – Comentou Marin, pensativa. – Mas estou mais preocupada com o pesadelo de Saori.
– Pesadelo?
A luta começou, chamando um pouco a atenção delas.
– Sim Célia. Se for isso que ouvimos, Saori teve um pesadelo agora pouco. – Falou Marin, enquanto o garoto de cabelos cacheados, no centro da arena, deu um soco que lançou o loiro para longe, fazendo abrir o chão por onde os pés do garoto passavam.
– Isso Michel! – Comemorou Shina, como se seu time de beisebol tivesse marcado. — Geralmente, quando ela tinha um pesadelo era algo ruim que aconteceria. – Comentou, olhando Eric se levantar e partir para cima do outro, com vários socos.
– Tomara que dessa vez não seja nada. – Disse Célia, se voltando para a luta.
Os dois tinham se afastado, partindo de uma vez um para cima do outro, dando diversos socos. Eric então deu um salto mortal por cima de Michel, lhe dando uma rasteira depois.
– Para alguém que sabe tanto de teorias e filosofia, você não é muito bom na prática. – Comentou após se levantar.
– A coisas mais importantes que só força bruta. – Michel se levantou rapidamente, dando vários socos no adversário. – E você precisa entender isso se quer mesmo ser grande mestre.
– Cale a boca! – Disse lhe dando um soco no queixo. – Não me veia com esse papo furado de favorito. Podia ser o de Saga, mas ele era só um traidor.
– Ele já teve o perdão de Athena! – Michel ficou irritado, dando um soco forte em Eric, que defendeu, mas ainda foi um pouco empurrado para trás.
– Opa! – Olhava para o oponente, rindo. – Consegui estressar o coitadinho?
Michel trincou os dentes, e quando foi lhe dar um chute, este agarrou seu pé, o girando e lançando longe, o fazendo bater na parede.
– É só isso que tem Michel? – Gabou-se, orgulhoso.
O rapaz se ergueu um pouco, ofegante e limpando o sangue do queixo. – Não mesmo... – Seus olhos ficaram vermelhos, então, em uma velocidade mais rápida ainda, ele parou de frente a Eric. Que quando viu os olhos de Michel, perdeu um pouco os sentidos por alguns segundos cruciais. Tempo suficiente para que ele levasse uma investida do adversário, dando fim à luta com um soco na barriga de Eric, lançou-o longe.
A platéia se levantou, soltando gritos de comemoração.
– Viram! – Shina começou a rir. – Eu sabia que ele ia ganhar! – Disse dando um pulo, e comemorando. Fazendo as amigas, que estavam em pé ao seu lado, rirem, batendo palmas.
Ofegante, o rapaz sorriu um pouco, seus olhos voltaram ao normal e ele observou toda a arena, levantando os braços. Então olhou de canto para a porta a esquerda dele, onde viu uma sombra, de olhos vermelhos, o olhando, e começando a desaparecer aos poucos.
Saori se levantou para ir anunciar o feito, quando viu o brilho dos olhos vermelhos em tempo de desaparecerem sua visão embaçou e ela tombou para frente, ouvindo ao longe os outros gritarem por ela. Logo tudo apagou.
Os cavaleiros de ouro, e outros em treinamento, as três amazonas de prata, e o novo Grande Mestre, estavam sentados em uma das salas do templo de Athena. Todos calados, esperando que Kiki, Shun, e Seiya aparecessem com boas noticias de como Saori estava. Então a porta se abre e Kiki saiu dela. Todos se levantaram, preocupados.
– E então? – Perguntou Diana.
– Calma pessoal. Ela só teve um breve desmaio, mais já está acordada.
– Que alivio... – Suspirou Vênus.
Então, antes que mais perguntas fossem jogadas no pobre ariano, Shun, Saori e Seiya apareceram à porta, os dois ajudavam-na a andar, pois ainda estava um pouco tonta.
– Saori! – Falaram surpresos.
– Olá. – Disse calmamente, com um sorriso fraco.
– Está tudo bem com a senhorita? — Carol perguntou, chegando um pouco mais perto.
– Sim, estou bem, deve ter sido só uma queda de pressão.
– Não seria melhor que permanecesse repousando, Athena? – Perguntou John, olhando-a.
– Já passou. Obrigado por se preocuparem. E afinal, nos temos que começar os preparativos para a festa do novo Grande Mestre. Vênus, Carol, Diana, Cloves, posso contar com vocês para supervisioná-la?
– Mais é claro Athena. – Respondeu a amazona de Peixes.
– Pode deixar com a gente. – Cloves sorriu.
– Que bom! – Ela sorriu de volta.
Eles fizeram uma breve mesura e saíram do cômodo. Saori então se soltou, indo até Michel.
– Cuidado Saori. – Falou Seiya, preocupado e ainda com os braços um pouco estendidos a sua volta para protegê-la.
– Eu estou bem, não se preocupe. – Disse, parando e frente do garoto. – Michel, meus parabéns. Você se mostrou exemplar desde o começo, e foi seu duro trabalho que fez você chegar onde está hoje. Espero que seja um bom mestre.
– Eu serei Athena, e lhe protegerei até o fim.
– Vá agora para seus aposentos e prepare-se, você é o convidado de honra. – Disse sorrindo.
Ele concordou com a cabeça. – Certo, com licença. – Fez uma mesura e saiu.
Saori então se sentou e abaixou a cabeça.
– O que foi Saori? – Perguntou Marin, olhando para ela.
– Está tudo tão confuso... Primeiro o pesadelo. Depois os olhos vermelhos e o desmaio.
– Espere, que olhos vermelhos? – Perguntou Shina.
– Quando eu me levantei, vi na porta do vestiário uma sombra preta com olhos vermelhos, e então tudo se esvaiu, minha vista foi se escurecendo aos poucos e eu só consegui ver aquele brilho, logo então desmaiei.
– É realmente estranho... – Kiki colocou a mão no queixo, pensativo.
– Deve haver alguma coisa rondando o santuário!
– E que coisa, Seiya? – Perguntou John.
– Não tenho idéia. Mais temos que encontrá-lo, e rápido.
– Devemos colocar o santuário em alerta? – Perguntou Marin.
– Ainda não, não por esta noite. É um momento de festa. – Saori se levantou, apoiando-se um pouco no cajado.
– Mais, Saori, aqui você é um alvo obvio para ataques surpresas.
– Eu concordo como o Shun. Isso é arriscado Athena. – Falou Célia.
– Calma. Vai estar tudo bem, vocês estarão comigo esta noite. – Disse começando a andar. – Mais logo amanhã de manhã eu quero que mandem mensagens para os outros cavaleiros de ouro, os quero aqui. Marin, Célia, Shina. Vocês vão chefiar um grupo diferente de cavaleiros de prata para fazerem vigia nos arredores do santuário, todo cuidado é pouco.
– Sim. – Concordaram.
– Saori, tive uma ideia!
– E qual foi Shun? – Saori parou a porta do quarto, se voltando para ele.
– Nossas antigas armaduras de bronze têm novos guerreiros agora. Por que não os chamamos para cá? Aí nos podemos ajudá-los a treinar e podemos ainda reforçar a guarda.
– Ótima idéia Shun! Kiki. Pode localizá-las e mandá-las para cá, por favor?
– É claro Athena. – Disse levanto as mãos para a testa.
– Mais agora não! – Disse rindo. – Deixe para ver isso amanhã.
O jovem cavaleiro sorriu, concordando com a cabeça.
– Agora vou me retirar, estou cansada. Até a festa amigos.
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