– Poxa Célia! Deixe-me ir! – Apelou uma garota, recostando-se com a parte de trás do quadril na mesa, cruzando os braços.
– Pela ultima vez, Bela. Athena Foi muito clara quando disse “cavaleiros de prata na ronda”. – Falou ela, enquanto amarrava faixas nos pulsos e palmas das mãos.
– Não é justo! Eu quero ajudar. – Insistiu a garota. Ela tinha uma pele em cor de canela, e cabelos castanhos, cumpridos e lisos.
– Você terá tempo para isso, acabou de ganhar sua armadura de Pégaso. – Ela calçou as botas, as amarrando bem. – Pode preparar uma tigela de frutas para mim, por favor?
Bela, ainda amuada, voltou-se para a mesa e começou a preparar o lanche da mestra, logo então soltou um risinho. – Viu a cara de Jack quando o derrotei?
– Vi sim, esperava mais dele.
– Foi bem feito, para ele aprender a não ficar se gabando! – Ela colocou duas peras, um cacho de uvas roxas, e uma maçã na tigela.
– Cuidado que isso pode acabar acontecendo com você em! – Célia colocou sua armadura de prata de Cassiopeia nas costas.
– E não acha que não tomo? – Bela acochou bem o nó do pano que ela colocou em volta da tigela. – Todos os dias eu me lembro do que Seiya fez e me pergunto se sou digna dessa armadura.
– Pare de bobagens! Você a ganhou de justa forma, não precisa se preocupar. – A amazona pegou a tigela, assanhando os cabelos da aprendiza.
– Não Célia! – Ela saiu de perto, rindo e ajeitando os cabelos, jogando a franja para o lado.
Ela também ria, abriu a porta e parou, se voltando para Bela. – Ah! Antes que eu me esqueça. Seiya vai passar aqui daqui a pouco.
– Para quê?
– Não sei, parece que é algo importante. Bom, até mais Belinha. – Disse saindo e fechando a porta.
– Até... – Ela suspirou e se sentou na cama, que ficava na parede do lado direito do cômodo. E olhando para o chão se pôs a pensar. – Mais o que será que ele quer...? Talvez possa ser sobre alguns golpes de luta. Ou sobre o ocorrido com Athena no dia da seleção! Será que vão precisar de mim para alguma coisa? – Ela virou para trás, deitando com os braços abertos, olhando o teto. – Aí, aí! Que agonia...
Bela respirou fundo e se levantou. Desde o dia que ela foi acolhida pelo santuário, depois do acidente de seus pais no desfiladeiro, que estava ciente que a vida ali não seria nada fácil. Mais cedo ou mais tarde algo ruim aconteceria e ela não ia poder falha. Quanta pressão.
– Que fome. Logo Seiya ira chegar e eu não vou poder comer na frente dele. – Disse tirando a mascara. Ela tinha um belo rosto, de olhos levemente puxados e de cor castanha – era de descendência indiana. Sua boca pequena não era muito chamativa. E seu nariz era só um pouquinho arrebitado. Logo a mesma tinha pegado um pêssego, o comendo.
Quando estava quase terminando, alguém começou a bater na porta.
– Já estou indo. – Disse comendo bem rápido e voltando a colocar a mascara, indo até lá. – Oi Sei... – Nem teve tempo de terminar a frase e percebeu que não era seu amigo que estava lá fora.
– Olá Belinha. – Disse o garoto assim que ela abriu a porta, entrando, sem nem dar tempo dela o expulsar. Tinha uma pele branca, olhos castanhos e cabelos negros e ondulados.
– O que você quer Jack? – Falou se afastando.
– Vim lhe dar os parabéns. Está mesmo conseguindo subir na vida pisando em todos. – Fechava a porta, indo para perto da mesa, onde Bela estava.
– Ainda a armadura? Deve só está se roendo para estar no meu lugar.
Suas feições, de ironia foram para raiva num instante. – Aquela luta não foi justa, aconteceu um grande engano.
– Quer dizer então que o Grande Mestre e Athena estão enganados? Me poupe. – Ela virou o rosto, colocando a mão no quadril.
– E o que mais pode ser? Você não é digna desta armadura, é apenas uma mulher.
– Te derroto outra vez aqui mesmo. – Ela ficou um pouco brava, parando com o rosto bem perto ao dele.
– Mal ganhou a armadura e já quer quebrar as regras? – Disse sorrindo.
Bela bufou baixinho, fechando os punhos com força. Jack então começou a andar mais para ela, que foi se afastando aos poucos.
– Não pretendo lutar com você.
– Porque sabe que vai perder.
– Você sabe que não é por isso... – Ele parou de andar quando a colocou contra a parede. – Quer fazer isso só para me deixar irritado, parece que não se lembra. – Jack ficou a encarando nos olhos da mascara.
– Não sei do que está falando.
– Poxa... A clareira, há dois anos. – Disse olhando para o outro lado.
Bela ficou surpresa, havia se lembrado agora da declaração do jovem aprendiz a cavaleiro. – Jack, aquilo era verdade?
– Mais é claro. Cada palavra. – Ele se voltou para ela, se aproximando mais. – Desde quando te conheci no meio do treinamento que eu me apaixonei... – Colocava a destra na parede, olhando-a. – Depois de ter me rejeitado, eu fiquei com muita raiva. – Ele abaixou um pouco a cabeça, sorrindo sem jeito. – Acho que essa raiva pela armadura é só manha.
– Mais que história sem cabimento Jack. Você sempre fez tudo para me irritar!
– Você fica fofa irritada, Pégaso. – Ele a olhou sorrindo, então colocou a outra mão na nuca dela. – E essa rendição. É um cartão verde?
– N-não é nada. – Gaguejou, virando o rosto. – Só quero ver até onde vai essa mentira.
– Não é mentira. Bela, pode não acreditar mais eu ainda sou apaixonado por você... – Ele foi passando a mão de sua nuca para seu queixo, tocando a mascara. – Mesmo sem ver seu rosto.
Ela lhe deu um forte tapa na mão, não queria que ele tirasse sua mascara. Na mesma hora a porta se abriu, era Seiya. Ele olhou para a amazona de Pégaso, que se afastando da parede e o aprendiz a cavaleiro, que tinha rapidamente se afastado dela e ficou confuso. – Jack? O que faz aqui?
– Nada de mais. – Bela foi para o outro lado da mesa, que ficava perto da cama de Célia, ao lado esquerdo do cômodo. – Ele só veio me perturbar outra vez.
O garoto ainda a olhava, um pouco atônito. Logo então suspirou, fechando os olhos.
– Ainda sentido pela armadura? – Seiya olhou para ele com as sobrancelhas erguidas.
– Nãos mais. – Ele se voltou para o cavaleiro de Sagitário. – Acho que ela está em boas mãos. – E olhou para a garota, que estava com a cabeça um pouco baixa. – Estava querendo encher essa amazona um pouquinho, mas já vou indo. – Sorriu, indo até a porta, passou por Seiya e quando estava passando pela porta olhou sobre o ombro esquerdo para Bela, piscando o olho.
A amazona balançou a cabeça, olhando para o outro lado.
– Que bom que ele já superou. – Seiya fechou a porta, indo para perto da mesa.
– Esse garoto é maluco. – Disse ela, passando por ele e indo até a janela, dando uma breve olhada na direção que Jack seguiu, e depois se voltou para o cavaleiro apoiado na mesa, se recostando no parapeito da janela. – Mais, e então, o que trás um cavaleiro de ouro aqui, no alojamento de uma simples amazona de bronze? – Brincou ela, cruzando os pés.
– Athena está chamando por você, a partir de hoje ficara no prédio do Grande Mestre.
– O que? Como assim? – Ela se desencostou da janela.
– Saori quer alguns cavaleiros e amazonas com ela para mais proteção. – Ele pegou uma maçã, comendo.
– O que está acontecendo afinal? – Bela cruzou os braços. – Desde o torneio, há quatro dias, que todos andam meio estranhos.
– Melhor conversarmos depois. Não queremos alarmar à toa todo o santuário. Vem comigo. – E dizendo isso, abriu a porta e saiu.
– Hey! Seiya, espera aí! – A amazona se levantou, pegou a urna da armadura de Pégaso e saiu.

Michel estava sentado em sua cadeira de Grande Mestre, com as bochechas rubras, olhando Athena a seu lado esquerdo, que não parava de rir. — Ela não é a única?
– Parece que não. – Ela colocava as mãos no braço da cadeira. – Mais eu acho isso bom, mudar os ares.
– Sim. Só que foram muitas... Quero dizer, ao mesmo tempo.
– É verdade, mais não foram todas. Agora, que coincidência mais cômica! – Saori se pôs a rir mais uma vez.
Neste momento as grandes portas da sala, que pareciam alcançar o teto, se abrem e Shun passa por ela, indo até junto aos degraus de pedra, onde ficava a cadeira do Grande mestre, e fez uma pequena mesura.
– Shun! – Saori se voltou para ele, sorrindo.
– Athena. Grande Mestre. Desculpe atrapalhar mais me disseram que o novo cavaleiro de Andrômeda já chegou e eu gostaria muito de poder vê-lo.
– Oh, sim... É, o cavaleiro... – Michel olhou para Saori, sem jeito.
Ao ver o constrangimento do Grande Mestre, ela riu um pouco e olhou para Shun. – Siga por este corredor e depois dobre a direita. – Disse apontando para o corredor do lado direito dela. – Vai encontrar o quarto facilmente.
– Obrigado. – Ele fez uma mesura e seguiu por onde ela disse, se perguntando o que tinha acontecido de tão engraçado. Mais ao olhar para frente ficou super animado. – Meu substituiu! – Comentou enquanto andava, sorrindo. Há muito tempo estava ansioso por isso. – Como será que ele se chama? Será que vamos nos dar bem? – Ele dobrou a direita no fim do corredor, distraído. – E os outros...? Meu Deus! Será que Ikki vai se dar bem com seu substituto?! – Foi então que notou que não sabia qual era o quarto. Mas então viu que havia nomes nas portas. Unicórnio; Pégaso; Fênix; Dragão; Andrômeda! Ele sorriu, animado, parando em frente à porta e a abrindo devagar.
No quarto ele viu, ao fundo uma janela; de frente a ela, na parede, tinha um guarda-roupa; de frente a porta, uma cama; na parede oposta uma mesinha, e ao lado, perto a janela, uma porta. Junto à cama havia uma amazona, seus cabelos eram ondulados, castanhos e eram um pouco abaixo do ombro, com uma mascara. Ela parou de desfazer a mala e olhou para o cavaleiro.
– Ah! Desculpe atrapalhar. Meu nome é Shun, sou o cavaleiro de ouro de Virgem.
– Prazer. Me chamo Tamina, sou a nova amazona de bronze de Andrômeda. – Ela se virou para ele, com a destra no quadril.
Shun arregalou um pouco os olhos, ficando vermelho. – Ah... Amazona.
– É. – Tamina riu, colocando uma camiseta no cabide e o guardando dentro do guarda-roupa. – Por quê?
– Nada. Só fiquei surpreso. – Ainda um pouco vermelho, e começando a entender o que aconteceu com Michel, ele chegou perto dela. – Posso ajudar?
– Não precisa, não trouxe muitas. – Ela colocou um short na gaveta. – Você é o antigo cavaleiro de Andrômeda, né?
– É, sou sim. – Ele sorriu.
Tamina parou o que fazia, ficando de frente a ele. – É um prazer conhecer você! Sempre ouvi muito de meu mestre sobre as suas lutas e de seus amigos por Athena. Vocês eram demais.
– Que nada. É nosso dever proteger Athena, dever seu também agora.
– É sim. – Ela riu, voltando a organizar a mala. – Você sabe se mais alguém chegou?
– Parece que Shiryu e seu pupilo. – Shun entregou um vestido branco para ela.
– Obrigado. – Pegava, guardando. – Shiryu... Cavaleiro de Dragão.
– De Libra agora. Muita coisa mudou. Às vezes sinto falta dos momentos que nos uníamos e que salvamos Athena, mas as lutas...
– Nunca fui muito fã de lutas também, mas se for necessário.
– Exatamente.
E se puseram a conversar. Enquanto isso, um rapaz passou pelo corredor. Ele tinha cabelos lisos e um pouco assanhados, de cor castanha clara, e olhos negros.
– Onde será que fica a saída...? – Se perguntava, olhando para os lados.
Então, quando chegou ao começo do corredor, olhou para o lado esquerdo e viu o Grande Mestre conversando com Athena. Olhou para frente e viu um comprido corredor, indo para ele.
– Vamos ver o que descubro por aqui...
Ele continuou a andar, e notou que naquele corredor só havia uma porta ao seu lado esquerdo, enquanto do direito só tinham janelas fechadas com cortinas de veludo vermelho. Chegou perto da porta e ao abri-la só deu em outra sala, que lhe parecia uma simples sala de estar. Suspirou e chegou perto das cortinas, notou que eram delicadas demais para serem tocadas e que ficaria a marca de seus dedos. Logo viu a cordinha dourada ao lado e teve a brilhante idéia de dar uma puxadinha de leve. Não queria que o notassem bisbilhotando, mas amava fazer isso.
Ele segurou a corda com todo o cuidado e ao puxar ela, nada aconteceu. Resolveu puxar com um pouco mais de força, mas a cortina nem se mexia. Quando puxou com mais força, ela se abriu de uma vez, correndo pelos trilhos em um barulho estridente que ecoou um pouco.
O garoto tinha se afastado de lá, com o coração aos pulos. Olhou para os lados e quando viu que ninguém apareceu, chegou perto da janela, cerrando um pouco os olhos por causa da forte luz do outro lado das vidraças. Viu então um pequeno jardim, com um banquinho de madeira, um pequeno postinho antigo, com uma fonte não muito grande e simples. Mais a frente ele viu um corredor de varandinhas com colunas arredondadas de pedra, que seguia uma para sua esquerda, trancando o jardim em um quadrado, e a outra continuava em frente. Ele então espremeu o nariz no vidro e olhou para os lados, querendo encontrar uma passagem. Viu então ao lado esquerdo. Começou a andar em frente, e no fim do corredor dobrou a direita, encontrando logo a porta, abriu-a e viu um pequeno caminho de pedras, foi até lá e olhou para os lados, respirando fundo. – Que lugar grande.
Foi então que ouviu uma melodia suave ao longe e uma jovem, de vestido branco, pele bem morena e cabelo comprido e negro apareceu no corredor, dobrando à direita mais a frente e continuando a andar.
Ele ficou muito surpreso com o canto, olhando a jovem. – E-espere... – Disse indo rapidamente atrás dela.
No exato momento que este entrou no corredor, pela parte que não tinha varanda, se chocou contra alguém, fazendo os dois caírem sentados.
– Ai! Você não olha por onde anda? – Falou a outra pessoa. Era uma amazona. Ela tinha uma pele amarelada e cabelos castanhos e lisos, de pontas verdes.
– Me desculpe, não tive a intenção. – Ele estendeu a mão para ela.
Ela o olhou, segurando sua mão e se levantando.
– Rachel? Esta tudo bem aí?
– Mestre Hyoga! – Ela se virou para ele após levantar. – Esta tudo sim, só nos esbarramos.
– Ah sim. – Hyoga vinha chegando perto, acompanhado por Shiryu. – E quem é você, garoto?
– Meu nome é Gustavo, sou discípulo de Shiryu.
– Ah! Oi Gustavo. – Falou o outro cavaleiro, de olhos fechados.
– O que fazem por aqui? Estavam atrás do canto também?
– Não, acabamos de chegar. – Falou a amazona.
– E que canto? – Shiryu cruzou os braços.
– O da garota indígena. Mais ela não era amazona, não usava mascara.
– Que eu saiba não tem ninguém aqui assim... – Hyoga cruzou os braços, franzindo o cenho.
Gustavo sentiu seu coração congelar, ficando estático.

Notas finais
Um fantasma? Eu acho que não. Pessoas, vou demorar um pouco para postar o próximo, mas quem quiser pode olhar no spirit, onde a fic está mais desenvolvida. https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-saint-seiya-saint-seiya-new-generation-3329172 Kissus de cereija e até mais