Saga das Almas- Sonolência dos espíritos
10 A Briga
Ryan estava determinado e confiante de sua vitória, afinal como um bando de meros humanos seria páreo para um Murder? A confusão estava pronta para começar, o sangue fervente de Josh versus o sangue eletrizante de Ryan.
– O que está esperando pra vir até aqui gordinho? Estou pronto pra quebrar seus ossos. – Chamou Ryan, pronto para lutar.
Josh correu em direção a Ryan, apontando um soco. Ryan se desvia deixando Josh quase cair no chão.
–Seu maldito! Agarrem ele! – Disse Josh cada vez mais irritado.
Os comparsas de Josh agarraram Ryan pelos braços, imobilizando ele, enquanto Josh preparava seu próximo soco.
– Hei Gordinho, tem um pedaço de chocolate no chão!- Disse Ryan distraindo os garotos que estavam o imobilizando. Levin se soltou e acertou um soco no rosto de Josh, que cambaleou para trás. Ryan deu uma rasteira nele, derrubando-o no chão, e apoiou o pé na cabeça dele.
– Antes de você me irritar novamente, vá comer uma salada seu obeso. – Avisou Ryan, dando as costas para Josh.
– Não fiquem aí parados! Peguem ele! – Gritou Josh.
Os três garotos foram para cima de Ryan, que começou a lutar com todos ao mesmo tempo.
Depois de alguns minutos, todos os três estavam no chão, exaustos e machucados. Ryan chegou perto de Josh que ainda estava caído, e lhe deu um chute no estômago, deixando Josh se contorcendo de dor.
Os alunos em volta gritavam extasiados, e se perguntavam uns aos outros o nome de Ryan. Consagrado por todos, Ryan atravessou os alunos que rapidamente abriram espaço para ele passar. Logo após descobrirem seu nome, uma multidão de estudantes já estava gritando “Levin, Levin, Levin!” enquanto Ryan se distanciava vitorioso, à procura de Nicky e Johnny.
...
– Esses alunos se impressionam muito fácil, queria ver eles vibrando com meu soco elétrico, ou meu redemoinho de relâmpagos. – Disse Ryan rindo enquanto narrava cada detalhe da luta. Mas não era só Ryan que estava narrando àquela briga épica da Valley Shore, todos os alunos estavam comentando sobre ela. Cochichos e fofocas perseguiam Ryan para todo lado. Todos o olhavam, uns com medo, outros com admiração ou até mesmo inveja.
– Sr. Ryan Levin? – Perguntou a diretora Silvia Shore. – Estou a sua espera na minha sala, na diretoria. Esteja lá em 5 minutos. – Avisou, enquanto se retirava formalmente.
– Como é? – Disse Ryan olhando para Johnny e Nicky.
– O que você esperava depois de uma briga dessas? Ouvi dizer que Josh está a mais de meia hora na enfermaria com dores no estômago por causa daquele seu chute fabuloso. – Repreendeu Johnny.
– E os três garotos que estavam lutando com ele não estão nada bem. – concordou Nicky. — Melhor você ir logo para a sala da diretora, ela odeia atrasos. – Aconselhou Baker.
– Ok, eu já vou. – Disse Ryan em suspiros.
Os três foram até a porta da diretoria, e Levin rezava para não acontecer o pior, a expulsão.
...
– Certo, me desejem sorte Nicky, Johnny... – Pediu Ryan, nervoso.
– Boa sorte. – Disseram Johnny e Nicky. – Você vai precisar e muito – Completou Collin.
Ryan se aproximou da maçaneta quando a porta se abriu sozinha, e ele se deparou com o rosto sério da diretora Silvia Shore.
– Entre Sr. Levin. – Convidou ela.
Nicky e Johnny ficaram esperando na porta, apreensivos.
...
– Bem, vejo que hoje é o seu primeiro dia de aula aqui na Valley Shore, serei bem clara e objetiva com o que quero lhe informar Sr. Levin. – Começou Silvia.
– Sim Sra. diretora. – Ryan estava quieto, respondia formalmente todas as perguntas de Silvia Shore enquanto pensava na sua punição, e na probabilidade de ser expulso e não poder ficar perto de Nicky no colégio.
– Me Chame de Silvia, não somos inimigos, certo Sr. Levin?- A diretora estava tentando quebrar a tensão.
– Desculpe. – Ryan estava de cabeça baixa.
– Ora, não vamos transformar isso numa visita de duas horas. Bem, fiquei sabendo de uma tal briga entre você e quatro alunos, além de uma invasão no sistema de divisão de salas do colégio. Creio que você tenha sido o responsável por algumas destas acusações, me corrija se eu estiver errada. – A diretora Shore o olhou por cima dos óculos de grau, esperando uma resposta plausível, mas não ouviu uma palavra dele. – Não vai me responder Sr. Levin? – Silvia já estava impaciente.
– Sobre a briga, não fui eu quem a provocou eu só me defendi. – Respondeu Levin.
– Hum, e a invasão do sistema? Se fez sozinha? Alguém trocou de sala clandestinamente, e isso é contra as regras do colégio. – A diretora Shore começou a ser direta.
– Não sei de nada sobre isso. – Ryan estava mentindo descaradamente, mas numa situação como aquela ele não poderia ser expulso de forma alguma.
– Não sabe? De acordo com minhas informações, o tal aluno que teve sua turma trocada se chama Ryan Levin. Colabore comigo Sr. Levin, e sua punição será menor. – Silvia começou a negociar.
– Ok, eu troquei de sala, mas fiz isso por uma razão muito pessoal! Que não posso dizer, mas entenda que é mais importante do que minha própria vida! – Ryan se desesperou.
– Se acalme Sr. Levin, retome sua formalidade. – Pediu Silvia. – Não posso aceitar seus motivos sem saber quais são. – Completou.
– Diretora, eu realmente não posso falar isso a ninguém. – Ryan estava sério. – Isso... Poderia arriscar a vida de todos que souberem. – Murmurou.
– Já que é tão pessoal assim, deixemos esse assunto pendente. Voltemos a falar do caso da briga, que deixou um braço fraturado, lesões na coxa, um hematoma no rosto e um chute no estômago que deixou um aluno há horas na enfermaria. – Disse Silvia.
– Josh que começou tudo, na sala de aula ele zombou do meu cabelo e eu zombei de volta e todos riram da cara dele, depois ele ficou com raiva de mim e trouxe três caras pra me bater, eu só me defendi com minha própria força, não tenho culpa se me provocaram e não souberam me derrubar. – Ryan já estava impaciente.
– Mas quebrar o braço de um deles não foi defesa demais? – Indagou Silvia.
– Eu sei que exagerei, mas não pude evitar. – Respondeu Levin.
– Certo, vou dar a sua punição agora. – Silvia ajeitou seus óculos e o olhou fixamente, apoiou os cotovelos na mesa e lançou a bomba. – Será suspenso por 14 dias, mas terá que vir ao colégio durante esse tempo para cumprir detenção na sala do Professor Shappen, começando por hoje, passará o resto do horário escolar em detenção, com intervalo apenas para o lanche. – Ela sabia que esses 14 dias com o Sr. Shappen seriam os piores da vida de Ryan, e logo ele saberia o porquê.
– Certo, eu entendi. – Ryan estava de certa forma, aliviado por não ter sido expulso, mas os próximos 14 dias não seriam fáceis.
– Deixarei você na sala onde está, seria trabalhoso demais ter que fazer a troca novamente. E creio que esses tais motivos que você não pode me contar sejam o suficiente para permitir isso. Está dispensado. – Concedeu a Diretora Shore.
– Obrigado. – Disse Ryan enquanto se levantava e caminhava em direção a porta.
...
– E então? – Johnny estava curioso e nervoso para saber a punição de Ryan.
– Suspensão e detenção por 14 dias. – Disse Levin, um pouco deprimido.
– Cara, você teve muita sorte de não ter sido expulso. – Johnny sorriu aliviado, a presença de Ryan era essencial para ele não cometer nenhuma besteira em relação à Nicky.
– Detenção? Em qual sala? – Disse Nicky um pouco nervosa.
– Na sala do professor Shappen, eu tenho que aparecer lá daqui a uns vinte minutos.
– Shappen?! – Disse Nicky em voz alta, o espanto dela era assustador aos olhos de Ryan que não sabia o que esperar.
– O que foi? O que tem esse professor? – Perguntou Johnny, que também estava começando a ficar com medo por Ryan.
– Ryan, prepare-se para chorar lágrimas de sangue pelos próximos 14 dias. – Disse Nicky olhando fixamente para o rosto tenso de Levin. – Ele é conhecido aqui no colégio por ser o professor mais assustador. Eu ouvi alguns boatos de alunos que passaram pela detenção dele, e só de imaginar eu já me sinto castigada... – Disse Nicky sentindo um leve arrepio.
– O que você ouviu?- Disse Ryan, esperando pelo pior.
– Melhor a gente parar por aqui, senão você vai acabar deixando ele ainda mais nervoso. E, além disso, nós nem sabemos se isso é verdade mesmo. – Advertiu Johnny, enquanto caminhava até os bebedouros.
– Johnny tem razão, é melhor você ver por si mesmo ao invés de acreditar nos boatos. – Concordou Nicky, que acompanhou Johnny ao bebedouro.
Ryan ficou em pé no mesmo lugar olhando os dois ali, bebendo água e conversando como se fossem amigos de infância, e se sentiu como uma peça à parte daquele jogo. Johnny o observa quieto e Ryan desvia o olhar, para parecer que estava bem, mas não conseguiu esconder o que lhe afligia. Seu nervosismo pela detenção era realmente notável, e faltavam apenas 10 minutos para o fim do intervalo.
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