Notas iniciais
Desculpem pela demora, ocorreram alguns contratempos que me impediram de postar este capítulo anteriormente.

Enquanto caminhava pelo corredor que terminava na sala de detenção do Professor Anthony Shappen, Ryan pensava em como seria o sofrimento que enfrentaria durante os próximos 14 dias.

Ryan, Johnny e Nicky pararam bem em frente à porta, e olharam um para o outro, esperando alguém dizer algo que acabasse com aquele silêncio. Alguém estava cantarolando algum tipo de solo de guitarra dentro da sala de detenção, mas ninguém ousou mexer na maçaneta da porta.

– Então é aqui o portão do inferno? – Disse Ryan tentando quebrar o próprio nervosismo.

– É sim, Pode entrar! – Disse uma voz alegre, de dentro da sala.

Os três tomaram um susto enorme assim que a porta se abriu, revelando quem estava cantarolando lá dentro.

– Entre Senhor... – O Professor Shappen parou para verificar o nome de Ryan num papel que estava no bolso de sua camisa. – Ryan Levin, o sujeitinho que quebrou o braço de um cara hoje no pátio, e burlou o sistema de divisão de salas do colégio. Você é dos bons hein? – Disse Shappen.

Ryan estava sem reação para responder perguntas, ele olhou para Johnny e Nicky, como se dissesse que eles já podiam ir, Johnny assentiu e avisou Nicky, gesticulando com o polegar, que eles deveriam dar o fora.

– Entre garoto, eu não tenho o dia todo. – Disse Shappen enquanto entrava na sala.

Levin o acompanhou olhando para trás e observando Nicky indo embora.

Havia mais cinco alunos na sala, que automaticamente olharam para Ryan.

A porta então se fecha. Ryan esperou as chamas daquele suposto inferno lhe alcançarem, mas ao invés disso, uma mão acolhedora lhe ofereceu uma lata de refrigerante gelado.

– Bem vindo ao clube! Pega aí. – Disse um dos alunos que estava na sala.

– Hãn... Valeu... – Disse Ryan, um pouco confuso. – Eu estou na sala certa? – Perguntou, analisando os cantos da sala.

– Mas é claro! Sente-se Levin, fique à vontade. – Disse Anthony.

Ryan olhou para os lados, e notou os alunos se dispersarem do modo de detenção e voltarem para o que estavam fazendo.

–Isso não deveria ser a sala de detenção, onde eu passaria os 14 piores dias da minha vida? – Indagou Levin sem entender absolutamente nada.

– É uma boa pergunta sabe... Acho que é mais legal montar um clube do que ficar sentado olhando pra cara de vocês. – Respondeu Shappen, enquanto empunhava sua Gibson vermelha, e aumentava o volume do amplificador. – É aqui onde se aprende a viver Ryan! – Shappen começou a tocar riffs aleatórios, e vários solos empolgantes, os alunos se voltaram para o pequeno espetáculo de guitarra e começaram a sentir o som com movimentos de cabeça.

Aquela situação deixou Ryan confuso, porém aliviado. Pensou em Nicky, pensou em tudo o que eles poderão viver depois dela esquecer de tudo o que viveu antes de Gabrielle ressuscitar. Ele mal podia esperar pelo ano novo, mal podia esperar para ter a garota que ama em seus braços.

– Sabe tocar algo Levin?- Perguntou um dos alunos. – A propósito, me chamo Jimmy. – Completou.

– Toco um pouco de guitarra... Nada de especial. – Disse Ryan, depois de despertar dos seus devaneios.

–Então venha cá tocar com a gente!- Disse Shappen finalizando um solo aparentemente dificílimo.

Ryan caminhou para pegar a guitarra, deixou a lata de refrigerante em cima do amplificador e ajeitou a guitarra em suas mãos. Começou a tocar a introdução de Thunderstuck do AC/DC, e os alunos começaram a prestar atenção. De repente ele mudou para os riffs de Iron Man do Black Sabbath, E depois para a introdução de Little Wing de Jimi Hendrix, e os garotos comemoravam a cada mudança de música. Ao finalizar todos aplaudiram, e o elogiavam enquanto ele devolvia a Gibson para o professor.

– Você tem muito talento e potencial, pode viver disso se quiser. – Disse Shappen.

– Não, não... É só um hobbie mesmo. – Respondeu Ryan.

– Cara, você é o guitarrista que faltava pra nossa banda, não quer fazer parte dela? – Perguntou Jimmy, segurando o ombro de Ryan.

– Foi mal, acho que não sirvo pra essas coisas. – Desculpou-se Levin.

– Você quem sabe, mas se mudar de ideia é só falar comigo. – Jimmy se virou e foi até um dos cantos da sala. – Ei Shappen, eu trouxe o meu baixo, podemos fazer um som mais completo agora. – Jimmy pegou o contrabaixo e plugou no amplificador.

Anthony pegou a guitarra de Ryan e começou a tocar Love Me Two Times, do The Doors, e Jimmy o acompanhou com o baixo. Anthony tinha a voz grave, e cantava a letra como se fosse o próprio Jim Morrison.

...

Johnny e Nicky caminhavam devagar enquanto imaginavam o que Ryan estaria passando naquele momento. O silêncio era ensurdecedor, Johnny tentava dizer algo que quebrasse aquela situação, Nicky só esperava algo dele enquanto caminhava reclusa.

– Hum... O que faremos agora? – Começou Johnny.

–Não sei... não consigo parar de pensar em como Ryan está ferrado agora... Me sinto culpada de fazer algo divertido enquanto ele está... Hum, sofrendo. – Nicky lembrou a si mesma os motivos maiores dela se culpar, não queria mais outros.

– Entendo, também me sinto mal, mas o que podemos fazer a respeito? – Johnny a olhou depois voltou sua face para frente.

Nicky permaneceu calada, secando o suor de suas mãos discretamente. Seu corpo inteiro suava frio. Baker apertou seus olhos e começou a balançar a cabeça de um lado para outro.

– O que foi? Você está bem? – Johnny segurou os ombros de Nicky e ficou em frente a ela, olhando-a nos olhos. – Nicky o que houve? Quer que eu chame ajuda? – Baker tirou as mãos de seus olhos, revelando as lágrimas escorrendo devagar.

– Nicky... Por que está chorando? – Johnny estava confuso e preocupado.

Nicky se inclinou para frente, e devagar ela se aproximou do rosto de Johnny, que ia se afastando gradualmente a cada passo que ela dava.

– Não podemos, eu não posso fazer isso, eu sinto muito. – Johnny tentava evitar um desastre.

– Por favor... – Nicky apoiou as mãos nos ombros de Johnny.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.