Saga Herdeiros de Astúria Livro 2
42 Totalmente entregues
A noite em Astúria estava silenciosa, mas dentro do peito de Catarina, uma tempestade rugia. O desprezo de Caelum nos últimos dias fora pior do que qualquer ferimento de batalha. Determinada a quebrar aquele gelo, ela atravessou os corredores desertos e entrou nos aposentos do príncipe. O som da chave girando na fechadura selou o destino daquela noite.
Caelum dormia profundamente, a luz da lua delineando seus ombros largos. Catarina, sem hesitar, subiu na cama e deitou-se ao lado dele. O movimento o despertou instantaneamente.
Ele sentou-se, os lençóis caindo e revelando sua nudez sem qualquer constrangimento. Ele não se cobriu; apenas a encarou com olhos gélidos e cansados.
— Você perdeu o juízo, Catarina? — a voz dele era um trovão baixo. — Saia daqui antes que eu chame a guarda para escoltar a "Lady" de volta ao seu quarto.
— Não vou a lugar nenhum até você parar com esse teatro! — ela rebateu, sentando-se à frente dele, a centímetros de sua pele quente. — Você me ignora, me humilha nos bailes e age como se eu fosse um nada!
— Eu ajo como alguém que foi humilhado publicamente pela mulher que pretendia honrar! — Caelum explodiu, a fúria finalmente rompendo a máscara de indiferença. — Você riu da minha cara, Catarina! Você me chamou de patético diante dos meus pais!
— Porque eu tive medo! — ela gritou de volta, as lágrimas queimando seus olhos. — Eu não sabia o que fazer com um sentimento que eu não conseguia controlar. Você é difícil, amargo e teimoso, e a ideia de você me pertencer me apavorou!
— Pois não precisa mais ter medo — ele disse, a voz ríspida, aproximando o rosto do dela. — Porque eu desisti de você. Vá procurar o seu "bom partido" e me deixe em paz.
— Mentiroso! — Catarina avançou, agarrando o rosto dele com as mãos trêmulas. — Você não desistiu. Eu vejo nos seus olhos toda vez que você me ignora.
— Saia... — ele começou, mas a palavra morreu quando Catarina o calou com um beijo.
No início, foi um embate. Caelum tentou resistir, as mãos segurando os pulsos dela para afastá-la, mas a urgência dela encontrou a dele. O beijo mudou de raiva para necessidade pura. Caelum soltou os pulsos de Catarina e a puxou para baixo dele, o peso de seu corpo nu contra o dela incendiando qualquer rastro de mágoa.
A entrega aconteceu ali, entre os lençóis de seda, onde o orgulho finalmente deu lugar ao desejo. Foi um ato de urgência, mas carregado de uma ternura que nenhum dos dois jamais admitira sentir. Cada toque era um pedido de desculpas silencioso, cada carícia era a cura para os dias de frieza. Caelum a tocava como se ela fosse a coisa mais preciosa de seu reino, e Catarina se entregava ao príncipe sem as defesas que sempre usara como armadura.
Quando o fogo finalmente baixou para brasas suaves, eles ficaram entrelaçados, a respiração de Caelum pesada contra o pescoço dela. O silêncio agora não era mais de gelo, mas de uma paz frágil.
Catarina virou o rosto, encontrando os olhos azuis de Caelum, que agora a observavam com uma vulnerabilidade crua. Ela acariciou a cicatriz em seu peito, onde o livro o acertara meses atrás.
— Caelum... — ela sussurrou, a voz pequena e sincera. — Eu não queria o Drake. Eu nunca quis ninguém além de você. Eu te amo, seu príncipe amargurado. Eu te amo mais do que o meu próprio orgulho.
Caelum fechou os olhos por um segundo, absorvendo as palavras que ele achou que nunca ouviria. Ele a apertou mais forte contra o peito, beijando o topo de sua cabeça.
— Você é uma tortura, Catarina — ele murmurou, a voz rouca. — Mas acho que eu não saberia mais viver em um castelo que não estivesse sob a sua tormenta.
Ali, no escuro do quarto real, o Príncipe Herdeiro e a Loba do Norte finalmente deixaram as armas de lado, sabendo que, a partir daquela noite, não haveria mais desdém que pudesse separá-los.
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