Saga Herdeiros de Astúria Livro 2
9 O Peso das Coroas
As paredes de pedra do castelo, que antes pareciam protetoras, agora pareciam se fechar sobre Aria e Caelum. O peso da linhagem Heraldrick, que um dia os uniu, agora ameaçava separá-los da forma mais dolorosa possível.
Aria estava sentada no divã de seu quarto, as luzes apagadas, deixando apenas o luar banhar suas mãos trêmulas. O silêncio foi interrompido pelo ranger suave da porta. Claire entrou, mas não havia a doçura habitual em seu rosto; havia uma melancolia profunda, de quem revivia fantasmas do passado.
Claire sentou-se ao lado da filha e segurou suas mãos frias.
— Eu vi o seu rosto no jardim, Aria. E vi o de Caelum — começou Claire, a voz baixa e carregada de advertência. — Você sabe o quanto eu e seu pai lutamos. Nós enfrentamos o exílio, a incerteza e a fúria de Roma para ficarmos juntos. Mas nós não éramos sangue do mesmo sangue.
— Mas mamãe, o que eu sinto... — Aria tentou interromper, as lágrimas voltando aos olhos.
— Escute-me bem — Claire apertou as mãos da filha. — Eu não quero que você passe pelo que passei. Eu não quero que você seja caçada ou que seu nome seja manchado pela vergonha. O que está acontecendo entre você e Caelum não é apenas um escândalo, é a destruição da nossa dinastia. Se você continuar por esse caminho, Aria, você perderá a coroa, perderá a paz e, eventualmente, perderá a si mesma. Pare agora, antes que o fogo consuma tudo o que amamos.
O Sermão do Príncipe
Enquanto isso, no pavilhão de Valmor, Richard entrava nos aposentos do filho como um general entrando em um campo de batalha perdido. Caelum estava parado de pé, olhando para a escuridão da janela, a mandíbula travada.
— Você aprendeu muitas coisas na Academia, Caelum — a voz de Richard era gélida, destituída da ternura que demonstrara no porto. — Aprendeu a usar a espada, a estratégia e a dor. Mas parece que esqueceu a lição mais básica: a honra.
Caelum virou-se, o olhar desafiador mas respeitoso. — Eu não escolhi isso, pai.
— A escolha é a única coisa que separa um homem de um animal, Caelum! — Richard deu um passo à frente, a voz subindo de tom. — Você é o Duque de Valmor. Seu dever é ser o escudo dela, não o motivo de sua queda. Se você prosseguir com esse sentimento, você será a ruína de nossa casa. Você quer ser lembrado como o primo que roubou o trono da rainha? Quer que o sangue de Astúria seja amaldiçoado por sua causa?
Richard aproximou-se e colocou a mão no peito do filho, sobre o lugar onde o coração batia acelerado.
— Esse caminho só leva a um lugar: a destruição total. Se você a ama, tenha a coragem de ser o homem que ela precisa que você seja, não o que os seus desejos pedem. Afaste-se dela, Caelum. Por ela, por nós e pela sua própria vida. Não me obrigue a ver meu único filho ser tratado como um traidor pela própria família.
O silêncio que se seguiu foi cortante. Richard saiu, batendo a porta e deixando Caelum com o peso de uma escolha que parecia impossível. Naquela noite, em quartos separados, Aria e Caelum entenderam que o amor deles não era apenas um segredo, era uma declaração de guerra contra tudo o que Astúria representava.
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