Saga Herdeiros de Astúria Livro 2
45 O Encontro na Água
O sol da tarde brilhava sobre o terraço onde as quatro mulheres mais poderosas do castelo compartilhavam um chá de ervas e segredos. Aria, com a mão repousando sobre a barriga redonda, conversava com Claire sobre o futuro, enquanto Katrina observava as flores com seu olhar atento. Catarina, porém, parecia distante, batendo a colherina na xícara até que um mensageiro se aproximou e entregou um pequeno bilhete lacrado em cera azul.
Ela abriu o papel e sentiu o rosto queimar instantaneamente.
"A água da cachoeira está perfeita hoje, mas falta a sua companhia para torná-la suportável. Não demore, ou serei obrigado a buscá-la diante de toda a corte. – C."
Catarina sentiu um calafrio de desejo percorrer seu corpo. Ela se levantou apressadamente, ajustando a postura.
— Perdoem-me, rainhas e minha querida Aria... mas lembrei-me de um assunto urgente sobre as cavalariças que Julian me pediu para verificar — mentiu ela, com um sorriso que não enganou ninguém, especialmente Katrina, que arqueou uma sobrancelha com um ar de "eu sei exatamente para onde você vai".
Catarina correu pela trilha secreta que levava à cachoeira escondida entre os rochedos de Astúria. Ao chegar, o som da queda d'água era a única música. No centro da lagoa natural, ela viu Caelum. Ele nadava com braçadas lentas e poderosas. Quando ele percebeu sua presença, parou e se virou, a água escorrendo pelos ombros largos e pelo peito nu.
— Finalmente — disse ele, com um sorriso de lado que desarmava qualquer defesa dela. — Achei que o chá com as damas fosse mais atraente do que um mergulho com o seu príncipe.
— E você — Catarina rebateu, parando na margem e colocando as mãos na cintura — parece estar muito à vontade, Vossa Alteza. Não sabia que os protocolos de Astúria permitiam que o herdeiro nadasse como um selvagem.
— Os protocolos são para o salão, Catarina. Aqui, eu sou apenas um homem esperando pela sua loba. — Ele estendeu a mão, o olhar azul queimando sobre ela. — Por que não deixa esse vestido de lado e vem ver se a água está tão quente quanto o seu temperamento?
Catarina soltou uma risada debochada, mas seus dedos já desfaziam os laços do corpete.
— Você é pretensioso, Caelum. Mas, para sua sorte, eu sempre gostei de um desafio... especialmente um que envolva ver você perder a compostura.
Ela deixou a roupa cair sobre a relva, revelando sua pele clara sob a luz do sol, e pulou na água com a graciosidade de quem nasceu no Norte. Quando emergiu, estava a centímetros dele. A frieza da água contrastava com o calor que emanava de seus corpos.
Caelum a puxou pela cintura, colando o corpo dela ao seu.
— Você fala demais, sabia? — ele sussurrou, a voz rouca.
— E você age de menos — ela provocou, antes de selar seus lábios nos dele em um beijo profundo, carregado de toda a urgência acumulada desde o café da manhã.
Ali, sob o véu da cachoeira e protegidos pela floresta, o Príncipe e a Loba se entregaram um ao outro mais uma vez. Não havia coroas, deveres ou brigas de mesa; havia apenas o som da água caindo e o calor de um amor que, apesar de ter nascido entre sombras e deboches, agora brilhava com a força de um incêndio impossível de apagar.
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