Saga Herdeiros de Astúria Livro 2
34 Novo cargo e saudades
A manhã em Astúria nasceu banhada por uma luz pálida e serena, refletindo a nova realidade que se assentava sobre o reino. No pequeno salão de café da manhã, longe das formalidades do Grande Salão, a mesa estava posta para a família real e os conselheiros mais próximos. O som da louça e o aroma de pães frescos preenchiam o ar, mas o silêncio era interrompido apenas pelo anúncio que mudaria o curso da história.
O Novo Herdeiro
Gaspar pousou sua xícara de porcelana e olhou diretamente para Caelum, que sentava-se à sua direita. O rei parecia ter tirado um peso enorme dos ombros, mas seus olhos carregavam a seriedade de quem rediz o destino.
— O destino de Aria agora está traçado em outras terras — começou Gaspar, sua voz firme ecoando no ambiente. — Ela será rainha, sim, mas do Norte. O lugar dela agora é ao lado de Julian, unindo dois povos. Mas Astúria não pode ficar sem um coração.
Ele fez uma pausa, olhando de relance para Richard, que assentiu brevemente.
— A partir de hoje, Caelum, você assume oficialmente o título de Príncipe Herdeiro de Astúria. Se qualquer coisa acontecer a mim, ou se os tempos exigirem, o trono será seu por direito e dever. Você não é mais apenas o escudo; você é o herdeiro.
Um suspiro de alívio e orgulho escapou de Katrina. Ela tocou a mão do filho, os olhos brilhando de emoção. Claire sorriu, aceitando que a sucessão de sua filha estava em mãos em que ela confiava plenamente.
A Forja de um Príncipe
A partir daquele anúncio, a vida de Caelum transformou-se em uma rotina exaustiva de preparação. Ele não treinava mais apenas com a espada, mas com as palavras e a mente.
Com Richard: Caelum passava horas em salas de mapas e registros. Richard, com sua disciplina impecável, ensinava ao filho as nuances da diplomacia, a gestão das leis e como manter a lealdade dos barões locais. Era o pai moldando o filho para o ápice da nobreza.
Com Gaspar: O rei levava Caelum para as audiências públicas. Ensinava-o a ouvir o povo, a distinguir a verdade da adulação e a tomar decisões difíceis sob pressão.
Com Katrina: Sua mãe garantia que ele nunca perdesse a sensibilidade. Orgulhosa, ela o via vestir as túnicas com o brasão real, sentindo que o destino finalmente fizera justiça à linhagem de sua família.
O Horizonte e a Saudade
No entanto, quando as lições terminavam e o castelo mergulhava no silêncio da noite, Caelum buscava refúgio na sacada de seus novos aposentos ou na torre mais alta.
Ele observava o horizonte, exatamente na direção em que o navio de Valória havia desaparecido. Ele pensava em Aria com o carinho de um irmão, mas, para sua própria surpresa, era uma outra imagem que teimava em invadir seus pensamentos.
Ele se pegava lembrando do brilho insolente nos olhos de Catarina, do toque do livro de poesias contra seu peito e do modo como ela o chamava de "Vossa Amargura" com um sorriso debochado. O príncipe herdeiro, agora cercado por deveres e coroas, sentia que o castelo estava vazio demais sem as provocações daquela jovem nortista.
— Três anos... — ele sussurrava para o vento frio da noite.
Ele fechava os olhos e, por um breve momento, não era o peso do trono que sentia, mas a saudade de uma certa jovem que o ensinara que, para ser um rei, ele primeiro precisava aprender a viver fora das sombras.
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