O jardim real de Astúria nunca estivera tão vivo. Era o aniversário de um ano de Arthur, e o gramado, antes impecável, agora era o território de exploração do pequeno herdeiro de Julian e Aria. O sol da tarde brilhava suave, iluminando a reunião de toda a família sob as grandes árvores.

​Arthur, já firme em seus primeiros passos vacilantes, vestia uma pequena túnica azul que combinava com a do pai. Ele parou no meio do caminho, os olhos arregalados, observando algo que se movia com uma determinação impressionante perto de seus pés.

​Siena, com seus quatro meses de vida e uma energia que claramente herdara do Norte, estava empenhada em sua primeira grande missão: atravessar o tapete de grama engatinhando.

​O Duelo de Bebês

​— Olhe para ela, Caelum — comentou Catarina, sentada em uma manta de piquenique, observando a filha com um sorriso orgulhoso. — Ela nem sabe que o primo é o aniversariante. Ela só quer chegar naquela maçã antes dele.

​Caelum, sentado ao lado da esposa, soltou uma risada baixa, observando Arthur tentar manter o equilíbrio enquanto Siena passava por ele como uma pequena força da natureza.

​— Ela tem o seu senso de urgência, Catarina. Arthur parece confuso com a velocidade da "pequena loba".

​— Julian, seu filho está sendo ultrapassado! — provocou Richard, rindo enquanto segurava uma taça de vinho ao lado de Gaspar. — Onde está a agilidade dos Valória?

​— Ele está apenas sendo um cavalheiro, tio! — rebateu Julian, inclinando-se para incentivar o filho. — Vamos, Arthur! Não deixe sua prima roubar o seu protagonismo no seu próprio dia!

​Diálogos de Família

​Aria aproximou-se de Catarina, sentando-se para descansar.

— Eles vão ser um problema quando crescerem, não vão? Olhe para os dois. Arthur tenta ajudar, e Siena só quer passar por cima dele.

​— Ela não quer ajuda, Aria — riu Catarina. — Ela quer o território. Ontem ela tentou morder o dedo do Caelum porque ele tirou um livro de perto dela.

​— Eu vi isso! — Katrina interveio, aproximando-se com Claire. — Caelum ficou chocado, mas eu disse a ele: "É a sua filha, o que você esperava? Docilidade?".

​Nesse momento, Arthur, em um ato de extrema generosidade infantil, pegou um brinquedo de madeira do chão e estendeu para Siena. A pequena parou de engatinhar, sentou-se com um pouco de instabilidade e encarou o primo. Por um segundo, o jardim ficou em silêncio. Ela pegou o brinquedo, deu um "grito" de alegria e tentou colocar o objeto na boca.

​— Viu só? — disse Julian, vitorioso. — Diplomacia! Arthur já aprendeu a negociar com a fera.

​— Negociar? — Caelum arqueou uma sobrancelha. — Ele acabou de entregar a arma para ela, Julian. Siena agora é a dona do brinquedo e do gramado.

​O Brinde ao Futuro

​Gaspar levantou-se, observando os dois netos interagindo no centro do círculo familiar. O contraste entre o loiro de Arthur e os cabelos escuros que começavam a crescer em Siena era o símbolo perfeito da paz que haviam construído.

​— Um brinde — propôs o Rei, e todos levantaram suas taças, até mesmo os pequenos pararam por um instante para olhar o movimento. — Ao primeiro ano de Arthur e à força de Siena. Que eles cresçam sabendo que este reino foi unido pelo amor de seus pais, mas que será defendido pela teimosia que eles carregam no sangue.

​— Pela nossa teimosia! — brindou Catarina, trocando um olhar cúmplice com Caelum.

​— E que o próximo aniversário seja em um lugar com paredes mais resistentes — completou Caelum, puxando Catarina para um beijo rápido — porque sinto que, quando esses dois começarem a correr juntos, Astúria vai precisar de uma nova estrutura.

​A tarde seguiu com risadas, enquanto Arthur tentava ensinar Siena a ficar de pé, e ela, em resposta, apenas puxava o cabelo dele com um carinho que era, ao mesmo tempo, um desafio. A dinastia estava segura, e o futuro, embora barulhento, nunca parecera tão brilhante.