Saga Herdeiros de Astúria Livro 2
54 Epílogo
O sol estava se pondo atrás das montanhas de Astúria, banhando o castelo em um tom de ouro velho que parecia solidificar a história escrita naquelas paredes. No pátio de treinamento, o som de espadas de madeira batendo uma na outra finalmente cessou, dando lugar ao silêncio da exaustão.
Caelum e Catarina observavam da varanda real. Eles não eram mais os jovens impetuosos que se escondiam em cachoeiras, mas o fogo em seus olhares, quando se cruzavam, ainda era o mesmo. Caelum descansou a mão sobre o ombro da esposa, sentindo o calor da pele dela através do vestido de veludo verde.
— Eles finalmente pararam — comentou Caelum, indicando Arthur e Siena lá embaixo, sentados na grama, dividindo um odre de água e rindo de algo que parecia uma piada interna. — Por um momento, achei que teríamos que reconstruir o muro leste.
— Eles são a nossa melhor estratégia, Caelum — Catarina sorriu, recostando a cabeça no ombro dele. — Arthur tem o peso do dever, mas Siena... ela tem a liberdade que nós dois lutamos tanto para conquistar. Juntos, eles são invencíveis.
Longe dali, no salão de chá que agora cheirava a ervas e memórias, Katrina e Richard jogavam uma partida de xadrez, embora estivessem mais ocupados provocando um ao outro do que movendo as peças. Gaspar e Claire liam perto da lareira, aproveitando o silêncio que só os anos de um reinado compartilhado podem trazer.
Julian e Aria cruzaram o pátio, chamando os filhos para o jantar. O grito de Julian — "Se eu tiver que buscar vocês dois pela orelha, não haverá torta de maçã!" — ecoou pelo vale, fazendo as aves levantarem voo.
Catarina virou-se para o marido, segurando o rosto dele entre as mãos.
— Você faria tudo de novo? As brigas em Valória, as fugas, o medo de Julian nos matar, as noites sem dormir com Siena chorando?
Caelum envolveu a cintura dela, puxando-a para perto com a mesma intensidade do primeiro encontro.
— Eu enfrentaria mil desertos e mil invernos, Catarina. Eu aceitaria ser o "Príncipe Amargurado" por mais cem anos, se o prêmio final fosse ver você entrar naquele salão todos os dias.
— Um brinde ao caos, então? — ela brincou, os olhos brilhando.
— Ao nosso caos — ele corrigiu, antes de selar a promessa com um beijo.
Astúria e Valória não eram mais apenas nomes em um mapa ou termos em um contrato de casamento. Eram uma coisa só, um legado forjado em sangue, ouro e na teimosia de dois corações que se recusaram a ser apenas peças de um jogo político. As luzes das janelas do castelo começaram a se acender, uma a uma, como estrelas terrestres, enquanto a risada da próxima geração subia as escadas, garantindo que a história dos Mackenzie e Valória estava apenas começando seu capítulo mais brilhante.
FIM
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