O sol da tarde brilhava sobre o terraço onde as quatro mulheres mais poderosas do castelo compartilhavam um chá de ervas e segredos. Aria, com a mão repousando sobre a barriga redonda, conversava com Claire sobre o futuro, enquanto Katrina observava as flores com seu olhar atento. Catarina, porém, parecia distante, batendo a colherina na xícara até que um mensageiro se aproximou e entregou um pequeno bilhete lacrado em cera azul.

​Ela abriu o papel e sentiu o rosto queimar instantaneamente.

​"A água da cachoeira está perfeita hoje, mas falta a sua companhia para torná-la suportável. Não demore, ou serei obrigado a buscá-la diante de toda a corte. – C."

​Catarina sentiu um calafrio de desejo percorrer seu corpo. Ela se levantou apressadamente, ajustando a postura.

​— Perdoem-me, rainhas e minha querida Aria... mas lembrei-me de um assunto urgente sobre as cavalariças que Julian me pediu para verificar — mentiu ela, com um sorriso que não enganou ninguém, especialmente Katrina, que arqueou uma sobrancelha com um ar de "eu sei exatamente para onde você vai".


​Catarina correu pela trilha secreta que levava à cachoeira escondida entre os rochedos de Astúria. Ao chegar, o som da queda d'água era a única música. No centro da lagoa natural, ela viu Caelum. Ele nadava com braçadas lentas e poderosas. Quando ele percebeu sua presença, parou e se virou, a água escorrendo pelos ombros largos e pelo peito nu.

​— Finalmente — disse ele, com um sorriso de lado que desarmava qualquer defesa dela. — Achei que o chá com as damas fosse mais atraente do que um mergulho com o seu príncipe.

​— E você — Catarina rebateu, parando na margem e colocando as mãos na cintura — parece estar muito à vontade, Vossa Alteza. Não sabia que os protocolos de Astúria permitiam que o herdeiro nadasse como um selvagem.

​— Os protocolos são para o salão, Catarina. Aqui, eu sou apenas um homem esperando pela sua loba. — Ele estendeu a mão, o olhar azul queimando sobre ela. — Por que não deixa esse vestido de lado e vem ver se a água está tão quente quanto o seu temperamento?

​Catarina soltou uma risada debochada, mas seus dedos já desfaziam os laços do corpete.

— Você é pretensioso, Caelum. Mas, para sua sorte, eu sempre gostei de um desafio... especialmente um que envolva ver você perder a compostura.

​Ela deixou a roupa cair sobre a relva, revelando sua pele clara sob a luz do sol, e pulou na água com a graciosidade de quem nasceu no Norte. Quando emergiu, estava a centímetros dele. A frieza da água contrastava com o calor que emanava de seus corpos.

​Caelum a puxou pela cintura, colando o corpo dela ao seu.

— Você fala demais, sabia? — ele sussurrou, a voz rouca.

​— E você age de menos — ela provocou, antes de selar seus lábios nos dele em um beijo profundo, carregado de toda a urgência acumulada desde o café da manhã.

​Ali, sob o véu da cachoeira e protegidos pela floresta, o Príncipe e a Loba se entregaram um ao outro mais uma vez. Não havia coroas, deveres ou brigas de mesa; havia apenas o som da água caindo e o calor de um amor que, apesar de ter nascido entre sombras e deboches, agora brilhava com a força de um incêndio impossível de apagar.