Sad Girl
1 Pilot
Lá estava eu, deitada na banheira, coberta por água até o pescoço, meus dentes batiam de frio enquanto caiam lagrimas quentes sobre o meu rosto borrando toda a maquiagem escura fazendo-a misturar-se à água e mudando sua textura transparente para uma coisa suja e tenebrosa. As luzes do banheiro estavam apagadas, o silencio e a solidão me davam uma sensação de sufoco, algo gritava dentro de mim, porém eu não me considerava capaz de fala qualquer coisa sincera. Não tenho mais forças para ter raiva ou qualquer outro tipo de sentimento mais forte que uma tristeza mascarada por calmantes e remédios para depressão que só me fazem ter mais sono e nenhuma fome. Nos últimos quatro meses as únicas coisas que eu consegui ingerir foram donuts e café da Cafeteria Break Time, que fica duas quadras da minha casa. A tragédia que aconteceu em minha família jamais será esquecida, toda a cidade de Portland foi marcada com o dia em que o meu pai, Augustus Mikaelson foi assassinado ao proteger o seu patrão, o prefeito Michael Sparks de um assalto, levando nove tiros e sendo considerado o herói da cidade.
Eu, Jenna Mikaelson e minha mãe Amy Mikaelson somos a família do herói, nesses quatro meses não houve nenhum segundo em que alguém dessa cidade não me olhasse com um olhar de pena, com medo de falar algo que pudesse me magoar. Enquanto eu sofro, minha mãe finge que não está sofrendo e esconde sua dor passando a noite vendo filmes de comedia acompanhada de garrafas de bourbon, sempre mantendo seu batom vermelho em dia e um sorriso que da inveja a qualquer um, talvez essa seja a maneira dela de superar, cada um tem a sua. Me levantei da banheira, me enrolei na toalha e segui para o meu quarto.
No dia seguinte...
Desci as escadas e lá estava a minha mãe fazendo panquecas e cantarolando algo que era difícil entender, quando me viu, falou:
- Bom dia minha filha!
- Bom dia. — sentei na mesa e olhei todo aquele banquete que embrulhou meu estômago.
- Vai começar por qual? — disse ela sorridente.
- Bem, hoje eu vou ficar só pelo café mesmo. — peguei um copo coloquei café e me direcionei até a porta.
- Por que você é assim Jen? — disse ela, parando o que estava fazendo e se virando para mim.
- Assim como? – respondi, impaciente.
- Infeliz! – disse ela, com tristeza no olhar.
- O meu pai morreu,seu marido morreu, o homem que você jurou amar por toda a sua vida, lembra? Eu quem deveria lhe fazer essa pergunta! Por que você é assim?! — grito.
- Vai pra escola, vai se atrasar. — Amy virou-se com os olhos cheios de lagrimas e continuou a fazer suas panquecas.
Sai de casa o mais rápido que pude, tentando esconder as lagrimas que já haviam borrado toda a minha maquiagem. Não olhei para os lados ao atravessar a rua, por ser de manhã, deduzi que todos os vizinhos estariam dormindo, até um carro seguir em minha direção e quase me atropelar. O dono do carro então estacionou o carro e saiu do automóvel, veio em minha direção e falou:
- Você está bem? – disse ele, nervoso.
- Você quase me matou! – gritei.
- Mais não morreu... – disse ele, debochando da minha cara.
- Aff, tchau. – respondi, impaciente.
- Bem educada você hein! – falou, o estranho debochado.
- Ah sim, obrigada por quase me matar. — sorri. — Tchau. – sai de lá igual sai de casa, o mais rápido possível..
O rapaz de olhos azuis que estava todo de preto voltou ao seu carro e dirigiu até se aproximar de mim.
- Aceita carona? – perguntou.
- Meu pai disse para eu não aceitar carona de estranhos. – respondi, lembrando do que meu pai havia me dito quando era pequena.
- Qual o seu nome? – mais uma pergunta do estranho debochado.
- Jenna Mikaelson. – respondi, afim de fazer com que ele parasse de fazer tantas perguntas.
- Prazer, Tyler Johnson. Agora já pode entrar. — sorriu.
"Por que não?" pensei, mas já entrando na caminhonete dele, e logo me arrependendo...
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