Sad Girl
2 Blue eyes, black jacket
Eu nunca deveria ter aceitado a carona de Tyler, andar com ele no volante era como estar ao lado de uma criança de cinco anos que brinca com seus carinhos de brinquedo, simulando seu jogo favorito — GTA. Ainda bem que não peguei nada daquela mesa de café da manhã que a minha mãe estava fazendo, porque do jeito que Tyler dirige, eu já teria vomitado todo o seu carro, e já era constrangedor pegar carona com ele sendo que há dez minutos atrás estávamos quase brigando por ele ter quase me atropelado.
Tyler parou o carro e desastradamente derrubou uma lixeira no chão ao descer.
– Você dirige bem. — menti, com um sorriso sarcástico, sai do carro. — Então, você é de qual ano?
– Terceiro, aliás, obrigado. Quando quiser que eu seja seu motorista particular é só falar. – piscou, com aqueles olhos azuis que me fizeram imaginar a imensidão do mar.
– Eu espero não precisar. — sussurei.
– Vamos entrar? — disse ele.
– Não vai levantar sua lixeira? — dei uma risada exagerada observando-o levantar a lixeira.
– Pronto capitã. — disse ele ao cheirar as mãos.
– Deve estar fedendo. — fiz uma cara de nojo.
– Meus olhos azuis e meu sorriso angelical se sobressaem à isso. — disse ele ao colocar sua jaqueta de couro.
Nós entramos na escola e como de costume todos estavam olhando para mim, mas dessa vez o motivo possivelmente seria Tyler. Ele é todo lindo, com um sorriso de cafajeste, cabelos loiros, olhos azuis, todo vestido de preto e com um cheiro de cigarro disfarçado com perfume francês. Eu nunca poderia dizer isso à ele, mal o conhecia e já havia percebido que ele tinha a maior auto estima do mundo.
– Parece que gostaram de você. – falei.
– Isso incluí você? – respondeu ele, olhando para mim.
– Eu não sei, não costumo fazer pré julgamento tão rápido assim, mas já tive uma primeira impressão. – não era fácil olhá-lo, aqueles olhos de certo modo, me deixavam tímida.
– E qual foi? — disse ele ao meu lado enquanto eu procurava algo em meu armário.
– Bem, 1- ama preto, 2- fuma e esconde isso das pessoas, 3- tem uma carteira de motorista falsa... Uma hora dessas vai ser pego pela polícia. — peguei um livro de química e tranquei o meu armário.
– Boa análise... Bem, eu realmente amo preto. – nesse momento, pude ver o sorriso mais encantador surgir em seu rosto.
– Bem, acho que ta hora de ir pra aula. — falei enquanto o sinal tocava.
Fui para o lado oposto de Tyler e entrei na sala de aula. Ao entrar, vi que Kate estava a minha espera, sentada no mesmo lugar como de costume. Quando pôs os olhos em mim, sorriu. Kate era minha melhor amiga, aquele tipo de amiga que cada pessoa como eu precisa. Enquanto eu sou a menina que faz tudo calculado e premeditado, Kate deixa tudo pra última hora, sua maior preocupação é se está com o peso ideal, as melhores maquiagens e o cabelo hidratado. Me sentei ao lado dela e ela me olhou como se esperasse alguma grande notícia, como permaneci calada ela falou:
– Qual é a sua com o garoto novo?
– Ele me deu carona. – respondi.
– E vocês transaram na caminhonete dele antes disso? — falou ela que mordeu os lábios e sorriu de um jeito muito safado.
– Sim, fizemos tudo e mais um pouco, ele disse que eu transo loucamente e que quer repetir novamente. — disse ao olhar para Kate com a expressão mais séria possível.
– Seus olhos brilharam por ter falado dele. – Kate disse e depois olhou suas unhas que estavam pintadas por um rosa florescente maravilhoso.
– Vamos estudar química ganhamos mais. – falei, tentando mudar de assunto.
– Tudo bem, comigo você pode estudar química, mas com ele eu quero que você faça uma aula prática de biologia humana. – e nos duas começamos a rir.
Ao fim de todas as aulas fui para casa andando, pensando um pouco na vida e em como por uma tarde eu não estava pensando no meu pai e na situação que estava acontecendo em relação ao tratamento especial das pessoas da cidade. Ao chegar em casa tudo estava apagado então resolvi acender a luz da sala. Achei estranho o fato de estar na hora da novela favorita da minha mãe e ela não estar assistindo. Fui até à cozinha e percebi que ela jogou todo o café que havia preparado para nós duas fora. Subi as escadas e percebi que a porta do quarto da minha mãe estava entreaberta, ao entrar no quarto, a vi deitada e abraçada à um quadro com uma foto do meu pai, aquela cena me fez sentir uma dor, eu julguei errado a minha mãe sem saber qual era realmente sua posição nisso tudo. Peguei meu casaco e saí de casa. Andando pela rua me veio todas as vezes em que vi meus pais juntos e felizes, passei as mãos no rosto para impedir que as lágrimas escorressem, olhei para o lado e vi o lago que eu costumava ir com o meu pai para contar as estrelas, fui até lá e deitei na grama olhando para o céu.
– Acho que você está me seguindo. — disse Tyler ao sentar-se no gramado e despertar-me dos pensamentos que me fizeram viajar.
– Você era a última pessoa que eu pensei em encontrar aqui. — olhei para ele.
– Porque está chorando? — disse ele sem o sorriso dessa vez e aparentando estar preocupado.
– Longa história, acho que você já deve saber...
– Pode acreditar que se eu soubesse, não estaria perguntando. – disse ele em tom de sarcasmo.
– Esse é um assunto que eu prefiro não falar... Não agora, quem sabe um dia eu te conto. — voltei a observar o céu estrelado.
Tyler também se deitou na grama, minha respiração estava ofegante e eu não sabia o que falar, ele então colocou a mão dele sobre a minha, a segurou e ficou assim por alguns minutos. No silêncio desconfortável que se seguiu, resolvi quebra-lo e sem pensar, perguntei:
– Você ouviu a minha análise sobre você, qual foi a sua sobre mim?
– Bem, assim que eu quase te atropelei senti algo de diferente... Que garota aceitaria a carona de um estranho?... Você é corajosa, e eu adoro isso! Mas tem outra coisa deixou bastante curioso sobre você. – disse ele, demonstrando estar sendo sincero.
– E qual foi? — disse com o coração acelerado.
– Eu já vou saber. — Tyler se levantou e ficou de frente para mim olhando nos meus olhos.
Me pegando de surpresa, Tyler se aproximou e me roubou um beijo. Eu me afastei, por uns dois segundos, mas que pareceram ser os dois segundos mais longos da minha vida, então, me aproximei novamente e o beijei.
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