Notas iniciais
Buenas! Boa leitura!

Logo pelo início da manhã os companheiros de equipe foram visitar Rachel no quarto de Koriand’r, mas o encontraram vazio.

— Ela não está mais no quarto, deve ter ido para o dela — Kori avisou para os dois amigos que a aguardavam no lado de fora — Nossa amiga já deve estar bem, mas é melhor deixá-la dormir até tarde.

— Onde está o Gar? — Victor conferiu o cômodo novamente procurando o amigo — Ele deveria ficar aqui, não? O quarto dele está só o pó.

A ruiva levou as mãos para brincar com as longas mechas de cabelo, já imaginando onde ele estava. Dick olhou pra ela e deu um sorriso malicioso, o que não passou despercebido pelo Cyborg. O seu cérebro parou de funcionar por meio segundo até ele rapidamente se dirigir ao quarto de Rachel.

— Victor, deixe os dois descansarem! — O amigo falou enquanto o via se distanciar, e percebendo que não adiantaria logo ignorou a situação. Segurou a mão de Kori que tentava conter a risada e foram se dirigindo ao elevador — Vamos tomar um café, daqui a pouco ela aparece.

—

Acordou com um salto ao ouvir batidas fortes na porta, a morena ainda dormia profundamente. Seu sono não foi tranquilo, pois pensara nas palavras de Rachel e tentava imaginar um bom futuro para os dois, mesmo com o que aconteceria daqui a alguns dias. Ele sutilmente moveu Raven para o travesseiro e se levantou irritado pela dor nas costas por ficar a noite inteira na mesma posição e a porta que estava quase sendo arrombada. Conhecia aquelas batidas de longe. Abriu se deparando com aquele homem robô enorme.

— Será que pode fazer mais barulho, caralho? A Indonésia ainda não te ouviu! — Mutano quase sussurrou, empurrando o amigo e fechando a porta atrás dele. Sutileza era a última coisa que esperava de Victor.

— O que você está fazendo aí dentro? Ela deixou você entrar? Nenhum de nós tem permissão de... — colocou a mão sobre a boca do amigo, a tapando como pôde.

— Mano, cala a boca! Ela está dormindo, — Disse enquanto o afastava do quarto — Rachel está ferida, e suas perguntas não têm relevância no momento. Precisava ficar confortável e todos aqui sabem que o quarto é o local sagrado dela. Então dá um tempo, ok?

Victor tirou a mão de Gar da sua boca e expirou o ar ainda atordoado. Ele estava cheio de dúvidas. A primeira coisa que pensou foi que o pai da morena havia voltado e matado o seu amigo. E agora depois daquele sorriso de Dick e o olhar defensivo de Garfield, começou a cogitar outra coisa.

— Vocês estão juntos? Estavam dormindo juntos?

— E se estivermos, tem algum problema com isso!? — rebateu, deixando escapar algo que nem sabia se era verdade. O moreno o olhou pasmo, com o queixo caído — Cara, você está bem? Ficou pálido.

— Sim, eu acho que sim. Eu só não esperava que ela deixasse você entrar no quarto. Que vocês se gostam não era mistério. Mas juntos? Estou surpreso — respondeu sorrindo, dando três tapas no ombro do amigo que o olhou ofendido. Então pensavam que ele não teria chance com ela? — Estou feliz por vocês, prometo não provocar a Rachel. Mas enfim, ela está melhor?

— Nem se mexeu, dormiu a noite toda. E espero que ainda esteja, mas com o seu escarcéu eu duvido que não esteja acordada.

—

Sim, ela estava acordada desde a primeira batida na porta. Já havia se sentado na cama logo percebendo que suas costelas não doíam mais e ao remover o cobertor de suas pernas, viu uma ferida já curada, só estava sendo impedida de desaparecer pelos pontos que recebera na coxa. A tensão em seu corpo logo se esvaiu ao saber que poderia andar livremente sem se importar com dores, quase esquecendo que era bem mais simples levitar para onde quisesse.

Depois de fazer sua higiene matinal, removeu os pontos rapidamente e vestiu-se com roupas escuras, largas e quentes de inverno, escondendo as curvas que Garfield observava de madrugada. Seguiu para a cozinha em um teletransporte para evitar a gritaria que continuava. O casal estava lá, de costas para ela trocando risos em meio aos beijos. Se sentiu uma intrusa e ao mesmo tempo enjoada. Era raro presenciar esse tipo de comportamento vindo de Grayson.

Seguiu para a cafeteira que já estava com a bebida favorita dela pronta e serviu-se. Com o som do líquido na cerâmica o casal olhou diretamente para ela, se separando logo depois com Kori levantando-se animada indo em sua direção com um grande sorriso no rosto.

— Amiga! Que bom te ver acordada e linda nesta manhã! — a puxou para um abraço, que com certeza daria muito mais desconforto se as costelas ainda estivessem quebradas — Que horas foi para o seu quarto? Não te encontramos hoje cedo.

Rachel que contra vontade havia retribuído o abraço tentou se soltar com dificuldade, e observou aqueles olhos verdes que brilhavam de tanta alegria que sentia. A ruiva era assim, muito fácil de ser ler.

— Acordei no início da madrugada — falou pela primeira vez no dia, com a voz ainda rouca — Eu ainda não estava completamente curada, mas agora pela manhã estou bem melhor.

— Esplêndido! Ouviu isso, meu amor? — quase berrou, indo de encontro ao namorado que já havia levantado do banco e se aproximava com um sorriso torto — Ela está mais que perfeita! Vamos comemorar!

— Estou vendo, ela realmente está acordada, Kori. Mas não acredito que queira a sua festa — o moreno analisou a morena, mostrando o resquício de preocupação que logo se dissipou — Sua alegria já a contagiou o bastante, não é mesmo Raven?

— De fato — bebeu um pouco do café que não estava forte o suficiente e olhou para Kori com um pequeno sorriso, tentando não abalar o humor da amiga — Pretendo tirar o dia na área de treinamento.

— Treinamento!? — já franziu a testa em sinal de preocupação — Mas você acabou de melhorar!

Respirou fundo, se contendo. Trocou um olhar cúmplice com Robin, que a ruiva não percebeu. Ele logo pousou a mão direita em sua cintura e começou a guiá-la de volta ao balcão enquanto tranquilizava a namorada.

— Parece até que esquece quem é a nossa Ravena, não é? Aquilo só foi um cochilo, deixa ela se divertir com o que gosta.

Estava prestes a sair dali quando sentiu Garfield e Victor se aproximando. Não ficaria de vela dessa vez, então decidiu ficar para dar razão aos companheiros de time que estava bem. Quando eles chegaram, lhe deram um bom dia, Victor levemente constrangido e Gar com um grande sorriso, mostrando os caninos maiores que o normal para um humano, o retribuiu minimamente.

Os dois já haviam a acordado discutindo sobre ela, e agora discutiam para pegar os ingredientes da geladeira primeiro. Kori ria dos dois e a morena sentou-se no balcão junto deles, torcendo para que calassem a boca. Depois de alguns minutos eles já estavam comendo os sanduíches sempre do mesmo sabor na mesa perto deles.

Observou os quatro amigos, pensou se existia alguma maneira de se pronunciar agradecendo a todos por terem cuidado dela, por terem ficado mesmo sabendo que Trigon poderia tê-la a possuído. Nenhum deles deu para atrás. Nenhum deles desistiu dela. Mas as palavras não saíram.

— Que nojo! Tem presunto aqui nesse sanduba! — Gar a tirou dos pensamentos ao gritar com a boca cheia. Pegou o guardanapo para limpar a língua.

— E tem tofu no meu! — Victor cuspiu o que mastigava no prato — Que nojo.

— Como vocês conseguiram trocar os sanduíches? — Grayson perguntou surpreso e enojado, os outros dois deram de ombros, logo trocando de mãos e comendo como se nada tivesse acontecido — Ainda estou surpreso por você conseguir ter conquistado a Rachel com esse seu jeito nojento — comentou vendo o homem verde e Victor se engasgarem. A morena ficou indiferente perante a situação, mexendo a xícara de café vazia com os dedos alvos. Kori levantou as sobrancelhas e deu um gritinho estridente pela descoberta. Ela se levantou e levitando quase batendo a cabeça no teto apontou para o casal.

— Amigos! Desde quando isso está acontecendo e nenhum de vocês me contou? — colocou as mãos no peito, logo mostrando o olhar de tristeza — Não sou importante para vocês?

— Kori, chega com esse drama, — Rachel pronunciou — não faz nem três dias.

— Então estamos juntos mesmo? — Gar perguntou surpreso. Ela franziu o cenho logo cruzando os braços, irritadiça.

— Que confusão que está essa Torre — Dick deu um tapa na própria testa.

Já que ela não negou, Garfield pulou sobre a mesa indo até em direção ao balcão onde surpreendeu todos, inclusive a morena, com um beijo lento e apaixonado. Ela ficou vermelha no começo e com os olhos abertos viu os amigos aplaudirem. Depois do momento digamos desnecessário, o empurrou sutilmente e cobriu os cabelos com o capuz, tentando inutilmente esconder seu rosto rubro. O homem verde gargalhou enquanto dava um breve abraço em sua cintura, com ela ainda de costas. Revirou os olhos, quase não aguentando mais aquele momento constrangedor.

— Gar, limites — ela deu a ordem, fazendo com que ele se afastasse ainda sorrindo, com Kori ainda aplaudindo parabenizando os dois “fofos”. Lançou o olhar para Grayson que sorria, mas com o olhar que ela reconhecia. Era uma máscara. Ele estava extremamente incomodado e preocupado com os dois, e queria ter uma conversa com ela mais tarde.

Isso estava acontecendo rápido demais? Não sabia. No fundo pensava que não, já que moravam e conviviam juntos há quase uma década. Entretanto, nunca havia se relacionado com alguém antes, mas pelos sentimentos reais de Garfield e dela, não viu motivos para serem apenas “ficantes”. Mesmo com poucos beijos e sem relação sexual, nenhum deles esperava a recusa um do outro. Se para o restante estava tudo bem, inclusive para o garoto verde que agora era seu namorado, então seria mais fácil não problematizar a situação. Estavam felizes? Sim. Ela estava feliz? Também não sabia.

Na verdade, não tinha certeza da real sensação de felicidade. Ela sentia a dos outros, mas não o conhecimento do caminho que percorriam para alcançá-la, então estava na dúvida. O que tinha certeza era o amor. Este não havia dúvidas, pois sentira em vários momentos enquanto passava na rua entre as pessoas. Mães, pais, filhos, amantes, até os animais com seus donos. Então sim, ela estava amando. Concluiu que a real felicidade não havia surgido, e não apareceria enquanto não completasse seu objetivo.

— Rachel? Você está bem? — Kori a despertou dos pensamentos. Rapidamente afirmou, não querendo preocupá-los com a bagunça que estava a sua cabeça.

— Você não comeu nada. Faz quanto tempo que só está bebendo café? — Grayson perguntou enquanto já abria a geladeira para preparar algo para ela. Estalou a língua, fazendo pouco caso do assunto. Não sentia fome, a única coisa que a atraía era o maravilhoso aroma do café.

— A última vez que eu a vi comendo foi quando fomos ao restaurante. No dia que Zatanna veio ela pulou o almoço. Estávamos todos juntos, lembram? — Gar a fitou preocupado, já sentado ao lado de Victor. A preocupação sempre estava ali, mas sabia que havia limites para ele se intrometer. Agora que Dick comentou, ele aproveitou para falar também.

— Já tem um corpão escultural, não é necessário um jejum, Ravena. Ai! — Victor protestou depois de receber um tapa na orelha vindo de Mutano. Ele disse que não iria fazer provocações.

— Minha amiga Rachel, já estava debilitada, não é bom ficar sem comer — a ruiva comentou enquanto começava a auxiliar Dick em uma boa refeição. Um sanduíche bem recheado, diferente dos outros dois, este era saudável. Um suco de laranja e maçãs cortadas em cubos para acompanhar. Para não dar corda a uma possível intervenção, aceitou de bom grado a comida, logo comendo em silêncio enquanto ouvia a conversa dos companheiros de equipe.

— Quais as informações de hoje, “capitão” Robin? — Gar provocou enquanto milagrosamente colocava a louça dentro da pia com a intenção de lavar.

— Ainda não consegui descobrir para qual missão Tara foi designada. Entretanto, pelo rastreador indica que ela está ainda aqui na Califórnia.

— Mas está em movimento?

— Não, muito provavelmente a localização foi forjada. Eles estão escondendo alguma coisa, ou Tara está descumprindo ordens de novo... No meio da madrugada um alerta foi emitido na Liga, foi perto de Jump City e não fomos comunicados.

No início da manhã o moreno estava bem relaxado na cozinha aos beijos com Koriand’r e agora sua postura estava completamente diferente. Coluna ereta, braços cruzados, maxilar travado enquanto parecia uma estátua grega no meio da cozinha, não direcionando o olhar a ninguém. O descontentamento que ele escondia agora foi apresentada a todos.

— Acha que tem algo a ver com Slade? — Victor cortou o silêncio — Zatanna afirmou que ele está vivo, podem tê-lo encontrado para prendê-lo e o interrogar sobre o ocorrido.

— Não. Se fosse por isso, Rachel saberia — murmurou lançando o olhar para a mulher que mordiscava um pedaço de maçã, afirmando com a cabeça — Ele estava envolvido com Trigon, qualquer movimento já haveríamos o localizado. Vou sair e procurar informações mais tarde. Você vem comigo? — dirigiu-se a Victor que prontamente afirmou. Suspirou pesadamente, ele gostava da ação e ao ser deixado de lado o irritava profundamente.

—

Ao deixar o momento de tensão de lado, o tempo foi passando até chegar o momento do almoço, em que todos se uniram para encher o estômago de Rachel, que ainda estava incomodada pelo pão da manhã. Logo após a louça ser limpa, Gar comentou sobre a montagem dos móveis, a morena havia esquecido completamente, então ao invés de ir para a área de treinamento acabaram indo em direção ao seu quarto junto de Kori que temerosa a seguia. Gostava muito de Ravena, mas por tanto tempo ter sido proibida se visitá-la em seu quarto para algumas conversas à noite sobre discussões inúteis com Dick e curiosidades sobre a terra da amiga, acabou criando certo temor pelo cômodo misterioso.

Para esses assuntos, a morena ia até o quarto da ruiva, mesmo não querendo ouvir as lamentações amorosas que seriam esquecidas depois de algumas horas. Rachel sempre ficava em silêncio quando a Kori desabafava, mas sempre ficava sentada na cama da amiga com ela chorando em seu colo, enquanto retirava a grande e desnecessária tristeza de seu peito sem que ela percebesse para acalmá-la. Os choros, soluços e doces em excesso eram simplesmente por Dick ter que sair em missão com Batman, quando ele ia treinar lá fora enquanto ela queria assistir algum filme e até no momento das refeições quando ela tinha a ideia de preparar alguma receita que não dava certo ou sua irmã. Agora já adulta esses acontecimentos diminuíram devido a maturidade, porém ela sempre seria a mais sensível da equipe mesmo sendo uma das mais fortes e temidas dali.

— Em hipótese alguma, toque em meus livros. Certo Kori? — alertou enquanto abria a porta de seu quarto escuro. Estava muito desconfortável pelo que estava fazendo, entretanto, faria o possível para dar atenção aos amigos já que existia a possibilidade de ela vencer o pai e não retornar.

Depois de meia hora observando os dois tentarem concluir o quebra-cabeça sem sucesso, ela interferiu para apressar a tarefa, logo os montando ao mover suas mãos com destreza no ar, os móveis ficaram prontos para uso em poucos minutos, deixando os dois levemente envergonhados por não terem conseguido nem colocar a porta do closet. A ruiva se ofereceu para ajudá-la a colocar as roupas e outros objetos na cômoda bem distinta da antiga. Obviamente preferiria a anterior, já que a modernidade não fazia o seu estilo. Nem se interessava em ter um celular. Victor e Garfield escolheram bem, tanto na cor preta quanto no tamanho. O que a surpreendeu fora o espelho que o Gar arrastava para dentro do cômodo. Era lindo, com ornamentos em metal preto e maior que o antigo. Ela conseguia se ver dos pés à cabeça e ainda sobrava espaços aos lados. Ele o posicionou em frente à sua cama. Foi o que ela mais havia gostado.

Após uma curta conversa com Kori depois de ajeitar suas roupas, ela saiu para assistir um episódio de sei lá o que, deixando Garfield e a morena sozinhos.

— Pois é, eu havia dito que a parte do seu trabalho era apenas ajeitar os livros e você acabou fazendo tudo. Então já que não posso tocá-los, vou ficar aqui viajando até acabar. — Se jogou na cama apoiando os braços atrás da cabeça — e faz essa tua parada mágica aí pra ir mais rápido, porque tem o meu quarto lá embaixo para arrumarmos também — Rachel lhe lançou um olhar irritado, enquanto fazia exatamente o que ele disse, mas nos últimos livros os organizava com cuidado.

— Não deveria ter feito aquilo. — falou seca, chamando a atenção dele.

— Aquilo o quê?

— Me beijado na frente deles.

Logo pensou que havia a magoado. Imaginou que depois de ela mesma assumir o relacionamento dos dois em frente a todos, poderia demonstrar um pouco do amor que sentia por ela com os amigos, já que descobrira por Victor que os outros não creram no que poderia acontecer. Queria mostrar que havia conseguido conquistar Rachel, mas no calor do momento esqueceu que ela não era uma mulher como Kori, que espalhava para todos, inclusive para quem nem conhecia os momentos que tinha com Grayson, até mesmo os mais íntimos ao querer sanar alguma dúvida. Raven não era assim e nunca mudaria sua maneira de ser, e isso fazia com que ele gostasse ainda mais dela.

— Vacilei de novo, me desculpe, — disse constrangido, levantando-se da cama para se sentar na beirada — eu só fiquei feliz pelo que você disse. Pensei que iria manter segredo ou algo do tipo.

— Não quero manter segredo, e se quisesse manter já teria sido tarde pelo que ouvi hoje de manhã no corredor — rebateu, o surpreendendo.

— Você estava acordada?

— Teria como não estar? Victor quase derrubou a porta.

— Então por que não se mexeu quando levantei?

— Porque queria continuar com você, eu estava confortável, — confessou enquanto caminhava até ele, logo sentando-se ao seu lado. Ele ficou surpreso e ao mesmo tempo feliz com a resposta — se não for pedir demais, gostaria que ficasse aqui esta noite novamente. Eu estou evitando a meditação, e percebi que agora não preciso dela como antes.

Ficou sem palavras por um tempo enquanto ela apertava sua mão esquerda e fitava os olhos violetas. Percebeu que ela estava baixando a guarda, mostrando que se sentia segura com ele por perto. Essa mudança drástica de comportamento lhe trouxe certa confusão, pois esperava que Rachel seria a mesma mulher contida, que evitava o contato físico e monossilábica. Em quatro paredes era o contrário. Ele pensara que a morena sempre fora assim quando estava sozinha, mas na verdade era sua primeira experiência naquela vida, e porque ela estava com ele. Ninguém tinha a amado como ele antes, e por mais que não se sinta merecedora de tal sentimento, agora aceitava de bom grado. Talvez esses estavam sendo seus últimos momentos de vida, e não deixaria passar.

— Eu disse que ficaria o tempo todo, — sussurrou enquanto aproximava seus lábios do losango vermelho em sua testa — nem é necessário pedir. Vou ficar nessa “prisão confortável” por você.