Sacrifício
10 Reencontro
Notas iniciais

— Nunca pensei que diria isso um dia, mas eu definitivamente desisto de tentar deixar isso em ordem.
Estava no quarto de Gar, e como no dela também montou os móveis sozinha. Porém mesmo com estes já no lugar, havia uma imensa bagunça em que ele a implorou que o ajudasse sem trapacear para ficarem mais tempo juntos conversando. Agora só faltavam as roupas recém lavadas que estavam amontoadas na mesa e alguns eletrônicos que ele resolvera trocar ne lugar. Mas era indeciso e não sabia onde colocar, o que estava testando a paciência da morena. Ela finalmente se sentou na cama arrumada para observá-lo e cruzou as pernas. Por mais que Trigon tivesse quebrado os móveis dele, ela estava com vontade de quebrar o videogame, Alexa e o notebook.
— Raven desistindo? — ele riu enquanto dobrava as camisetas com dificuldade, também cansado de arrumar a bagunça — Meu quarto até que estava arrumado. Quando Victor vem aqui trazemos comida e ele deixa tudo aqui.
— Me poupe dos detalhes — ela ouvia risadas a noite toda quando eles resolviam jogar em dupla.
— Tá bem, — desistiu de dobrar as roupas e se jogou na cama ao lado dela — valeu por me ajudar com esse caos. Na verdade, nem deveria ter pressa, não é? Já que eu vou dormir no seu quarto e... Ai! — reclamou depois que recebeu um belisco da morena — Eu estou mentindo?
O olhou com um meio sorriso e negou, deitando-se também. Ele colocou o braço sob o pescoço dela e a puxou para um beijo, que retribuiu sem contestar.
As línguas de acariciavam, querendo saber o sabor um do outro, ela já estava com a mão pálida em seu rosto verde, o puxando para mais perto. Aprofundaram ainda mais o beijo depois de rapidamente se separarem para respirar. Ele lembrou que ela estava curada, então se permitiu para passar a mão por baixo do moletom largo e apertar sua cintura com a mão gelada pelo frio. Rachel se arrepiou com o contado e arfou.
— Por que aqui o ar-condicionado não está ligado? — perguntou com a voz rouca perto do rosto de Gar, que se deliciou com o hálito mentolado.
— Por que o do seu quarto também não fica ligado? Lá eu passo frio.
— Eu gosto do frio.
— Então por que reclamou disso? — ele passou os dedos da outra mão em seu pescoço, fazendo-a tremer. Ele sorriu se divertindo com a situação.
— Cala essa boca.
Se colocou sobre ela, que puxou sua cabeça para um beijo diferente dos que eles já tiveram, que começou a aquecer os dois. A mão em sua cintura já não estava mais gelada, e ele aproveitou para subir um pouco mais. Ela não o afastou. Pelo contrário, fez questão de retirar o casaco, ficando com a sua blusa preta.
Garfield se aproximou novamente, distribuindo beijos lentos em seu rosto até chegar em seu pescoço onde fez questão de sentir o gosto. Arqueou as costas com a sensação que nunca sentira. Ela estava ficando com calor. Queria continuar.
Passou as mãos geladas por baixo no casaco do garoto que acabou tomando um susto junto de um calafrio, mas rindo logo depois de um “parece gelo!”. Chegou até suas costas para poder apertar ou até mesmo arranhar sua pele com as unhas pintadas de preto. Estava gostando do que sentia, sua respiração já havia mudado e com Gar a beijando, chegando em seus seios daquela maneira, passando a língua na pele fria já sabia como terminaria. Mas não queria parar.
Com certa pressa e sem destreza, tentou tirar o casaco junto com a camisa de Garfield, queria ver aquela parte do corpo que raramente tinha visto, apenas quando eram mais jovens. Agora podia olhar os músculos na pele verde. Não eram definidos como os de Grayson que quase sempre passava por eles sem camisa cheio de curativos que Kori fazia. Não ligou, na verdade gostou assim. Depois de pensar nisso fitou os olhos verdes, que a olhava em dúvida.
— Eu quero fazer isso — afirmou, sem que ele precisasse perguntar. Ele sorriu, talvez pela sua atitude. Se aproximou de seu ouvido, mordendo a orelha e sussurrou:
— Então vou fazer com que não se esqueça. — Voltou para delicadamente retirar sua blusa, e ela já tentou retirar o sutiã preto que não era de renda. Talvez nunca seria. Mas ele impediu, colocando as mãos dela em seu peito, sentindo os batimentos acelerados dele — Não vamos ter pressa, Raven. Só sinta.
Respirou fundo quando ele novamente se aproximou para beijá-la demonstrando o desejo que sentia, mas também foi carinhoso para talvez acalmá-la. Não sabia. Estava com pressa e nervosa.
Lentamente ele passeou com as mãos abrindo o sutiã de abertura frontal e parou por alguns segundos para observar seus seios medianos. Não sentiu vergonha, mas seu rosto estava rubro pelo desejo. Ela o viu se aproximar para beijá-los sem pressa e passar a língua quente em seu mamilo gelado pelo frio, mas entumecido pela excitação. Puxou o ar ao arquear as costas novamente. Ele passou a acariciar o mesmo enquanto passou a lamber o outro. Sentiu o canino dele e gemeu sem perceber. Ele parou e olhou para ela com os lábios avermelhados.
— Isso, Raven. Vamos descobrir o seu corpo, para que sinta prazer.
Afirmou com a respiração descompassada, vendo-o voltar o que estava fazendo. Estava sentindo calor entre suas pernas enquanto puxava os cabelos verdes dele que foi mais para baixo, com mais beijos e lambidas em sua barriga. Logo o ajudou a retirar sua calça e a dele. Ao observá-lo excitado sentiu uma leve timidez, mas depois que ele a beijou nos lábios novamente, ela sem se segurar o retribuiu com avidez esquecendo seus pensamentos, querendo aproveitar o momento com as mãos em suas costas, as arranhando e passou os lábios em sua pele verde, do maxilar ao pescoço, e ele que estremeceu dessa vez.
Gar brevemente se levantou para ficarem no meio de cama e novamente suas mãos foram para quadril, com a intenção te tirar sua calcinha. Ele fitou seus olhos violeta, pedindo permissão. Em resposta ela arqueou o quadril para ajudá-lo. E de novo, ele parou alguns segundos para observar o seu corpo nu. Quis fechar as pernas, mas ele a impediu.
— Se você não gostar, eu paro. Não esquenta, gatinha — revirou os olhos pelo apelido carinhoso. Ele seu uma risada anasalada e aproximou a boca entre suas pernas, beijando e chupando suas coxas, sua virilha. A respiração dele fez com que sentisse que estava molhada.
Não teve muito tempo para pensar no que ele disse ao sentir a língua quente procurando o seu clitóris. Arqueou o quadril involuntariamente, e gemeu ao sentir que ele encontrou o que procurava. A pressão que sentia em sua intimidade diminuía enquanto ele continuava a lhe dar lambidas e poucos chupões, pois ele percebera que ela sentia mais prazer com a língua. Inconscientemente apertou a cabeça entre suas pernas e puxava-lhe os cabelos. Ele fez seu trabalho devagar, porque ele recebia mais gemidos em resposta dessa forma. Ele já estava desconfortável com o aperto em sua cueca, mas concentrou-se ainda mais no prazer de Rachel.
Ela sentiu seu corpo se contrair e estremecer, como se recebesse ondas de choque que iam da sua intimidade à coluna e até a ponta dos pés. Os gemidos que pensava que continha desta vez foi alto pelo orgasmo, e Gar percebeu que concluiu seu objetivo. Depois de mais umas lambidas, vendo ela dar pequenos saltos e apertar ainda mais sua cabeça ao contrair o corpo, ele se afastou, limpando a boca com o antebraço e levando seus lábios aos dela que ainda arfava, com as batidas do coração acelerado.
Sentiu o próprio gosto quando a língua adentrou sua boca, e gemeu quando sentiu o membro de Gar encostar na sua intimidade, ainda com o tecido que a impedia de tocá-lo. Não sabia se devia. Ela já havia se masturbado algumas vezes, mas isso foi diferente do que ela mesma se proporcionava. Saiu dos seus pensamentos ao receber um beijo molhado em sua mandíbula.
— Posso continuar? — murmurou em seu ouvido, divertido.
Em resposta moveu suas mãos ao único tecido que restava para se unirem. Ele a ajudou e sentiu sendo tocado pela mão quente da morena. Ela o apertou de leve e moveu suas mãos de baixo até a glande, isso o fez soltar um gemido rouco, mas afastou a mão dela.
O olhou confusa até ele sair para pegar uma camisinha na gaveta da cômoda. “aquilo está ali desde quando?” pensara, mas novamente deixou de lado esse pensamento ao vê-lo vesti-la rapidamente e se aproximar de sua intimidade.
— Por mais que nossa genética seja complicada, é melhor não arriscar, né? — disse antes de dar uma risada. Ignorou o comentário desnecessário.
Novamente ele a fitou, pedindo permissão. Respirou fundo e abriu um pouco mais as pernas para lhe dar passagem. Ele lentamente a penetrou, observando suas reações com atenção. Não sentiu nenhum desconforto, muito pelo contrário. Levantou suas pernas para as entrelaçar em seu quadril para que ele adentrasse mais. Sentiram o hímen romper, a expressão não era de dor, e sim prazer. Então para acabar com sua tortura, começou a se mover, ainda que lentamente sentindo-a quente, apertada e molhada, então não havia dificuldade. Já gemiam baixo, um para o outro enquanto formaram-se um só corpo. Gar aumentou a velocidade, não tirando os olhos dos dela que o puxou para beijá-lo e deixar a marca de suas unhas em suas costas. Ele grunhiu entre seus lábios e a moveu de posição, deixando-a sobre si.
Agora ele estava totalmente dentro dela. Espantou os cabelos escuros do rosto suado enquanto rebolava lentamente, fazendo com que a tortura dele voltasse. A capacidade dela de sentir as emoções dos outros agora fez com que seu prazer fosse ainda maior. Começou a mover-se pra cima e pra baixo, aumentando a velocidade, e pela visão dele, com seus seios saltando o deixava extasiado. Ele se sentou para poder beijá-los e chupá-los com as mãos em sua bunda enquanto ela ainda se movia com a cabeça para trás, agora apoiando as mãos em seus ombros. O calor havia aumentado, sua intimidade se contraía novamente, causando aperto no membro dele que aumentou a velocidade das estocadas para alcançar o que os dois pretendiam. O Clímax. Por coincidência ou não, os dois atingiram o orgasmo ao mesmo tempo, gemendo no ouvido um do outro. Ficaram na mesma posição por uns segundos, tentando fazer com que a respiração voltasse ao normal.
Garfield moveu Rachel para o seu lado, e com dificuldade por ainda estar aéreo conseguiu cobri-los com o cobertor depois de tirar a camisinha. A morena logo puxou para perto, dando um beijo lento ainda cheio de desejo e luxúria. Ele logo moveu a mão para sua cintura, a apertando e mordeu de leve seu lábio inferior.
— Eu nunca vou esquecer... — ela sussurrou enquanto olhava para o rosto verde, que estava com os olhos arregalados em espanto, com o olhar para o outro lado do quarto — O que houve? — se virou, já preocupada pela expressão dele.
As roupas recém dobradas estavam no chão. Os quadrinhos que estavam na estante também, junto com alguns bonecos funko colecionáveis que acabara de organizar. Bufou já em irritação. Ela bagunçou tudo de novo.
— Não sabia que isso era possível — confessou, surpresa com o próprio feito. Ele deu uma gargalhada enquanto a abraçava por trás, beijando seu ombro.
— Pelo menos agora eu vou saber quando você não estiver satisfeita.
Ela riu com o comentário, voltando para as cobertas. O que eles tinham feito agora não teria volta e não estava arrependida. Sentiu uma sensação nova em seu peito. Seria aquela tal de felicidade?
—
O sol já estava se pondo quando Dick e Victor ainda caminhavam pelo terraço dos prédios para não chamar a atenção dos civis, já na saída de Jump City. Haviam chegado no local onde a Liga emitiu um alerta, logo encontrando algumas rachaduras recentes e alguns metais derretidos. Era sorte por terem chegado ali antes de alguém. Não tinham permissão para investigar, por isso foi necessário aguardar algumas horas até terem certeza que poderiam se aproximar. Robin estava abaixado, ainda analisando o pequeno rombo quando Victor lhe chamou a atenção.
— Encontrei sangue, acabei de analisar. É da Terra — disse ao moreno que prontamente se aproximou — Deve ter sido um corte grande, porém só encontrei nesse ponto do prédio. Ela deve ter sido levada a outro local — seu olho vermelho continuava a analisar todo o lugar — Ainda é recente, não está totalmente coagulado. Como a polícia ainda não está aqui?
— Foi a Zatanna, — nem hesitou antes de responder — provavelmente apagou ou alterou a memória de quem estava presente.
Desde o dia que o nome da morena fora mencionado na primeira vez em reunião, Robin começou a investigar mais afundo sobre a inclusão tão repentina de Zatanna na Liga da Justiça. Ela estava afastada até o dia em que Slade abriu um portal para que demônios viessem até a cidade, chamando a atenção da equipe, especificamente Ravena, que teve de lidar com eles praticamente sozinha, o que ocasionou a tragédia no centro da cidade. Desde aquele momento, em todas as curtas reuniões que ele participou era mencionado o nome da mágica. E agora ela com certeza havia estado ali, mexendo na mente dos cidadãos de Jump City, enquanto eles relaxavam na Torre por não terem sido alertados sobre qualquer problema no local onde eles deviam proteger.
Sabia que confirmariam se interrogassem algum civil que residia no prédio, porém desta maneira haveria risco de serem descobertos. Entretanto, Cyborg acabou descobrindo que o prédio não era o que pensavam ser.
— Não é um prédio residencial. Na verdade, não consigo enxergar praticamente nada lá de dentro. Precisamos investigar — para um prédio de quatro andares, havia poucos cômodos, apenas um era próximo de um quarto incluindo o banheiro, o restante estava estranhamente vazio.
— Vou descer e entrar pelos fundos. Me mantenha informado sobre qualquer movimento — o moreno saltou para o chão com o seu arpéu em silêncio.
Encontrou uma porta imunda naquele beco escuro e sem saída, onde havia papéis fora das lixeiras, ratos já passeavam livremente no início da noite e o som de geradores de energia dominava o local. Logo que destrancou a porta uma luz alaranjada emanou em seus olhos, fazendo-o se lembrar do campo de força da cor magenta que estava na Torre. Não hesitaria em tentar atravessá-lo, a curiosidade falava mais alto.
— Está protegido por magia. Vou entrar, — comunicou Victor — fique aqui até eu dar a ordem.
Iria contestar, detestava aquela maneira que Grayson passou a lidar com as situações perigosas. Agora já adulto, pensa que pode resolver tudo sozinho, igual ao seu tutor. Mas eles não tinham tempo para discussões. Ficou em alerta para cobrir a retaguarda mesmo sabendo que o problema estava ali dentro.
Após adentrar ao local escuro, passando pelo campo de força Robin sentiu o cheiro de mofo das paredes e de ferrugem, ouvindo pingos caindo do teto onde ele avistara uma rachadura, provavelmente causada por alguns golpes de Tara. Havia pedregulhos e cacos de vidro no chão úmido no lugar espaçoso, e ele não teve dificuldade em passar por eles no mais completo silêncio. Ainda escondido na escuridão, observava a escadaria que havia no seu campo de visão direito e o que estava no único ponto de luz do local. Uma mesa de metal, com algumas folhas sobre a mesma em idioma sânscrito, sabia por ter uma amiga fluente na língua morta. Não se aproximou até ter certeza de que estava sozinho. Caso precisasse de apoio Cyborg não poderia mais o ajudar, o sinal foi cortado.
Saindo no modo furtivo, mas mantendo os passos silenciosos o moreno aproximou-se da mesa rapidamente para registrar imagens do que via, não perderia tempo tentando ler pois sabia que era leigo no idioma, Rachel traduziria mais tarde. Mesmo com suas luvas nas mãos, não ousou tocar em nada para não deixar vestígios, entretanto, em milésimo de segundo conseguiu desviar de uma lâmina que vinha em sua direção. Em um longo salto para trás, esquivou-se de mais quatro. Olhou para cima após sacar o seu bo staff, encontrando o que se escondia nas escadas.
— Não esperava encontrar você aqui, — o Exterminador caminhava lentamente em sua direção, com sua katana empunhada na mão direita — posso saber o motivo da visita?
— Deveria estar morto — disse com seriedade, logo ouvindo o outro soltar uma curta risada.
— Não é a primeira vez que escuto isso esta semana. Estava à procura disto? — moveu sua cabeça em direção à mesa, não desviando o olhar de Dick.
Não respondeu. Não fazia ideia do que havia naquelas escrituras, nem como Slade estava vivo em sua frente e muito menos o porquê de ele estar dentro de um prédio cercado de magia. O fitava inexpressivo, pronto para o combate. Teria que deixar o mercenário confessasse as informações sozinho. Se mostrasse interesse pelo que estava ali, sairia sem nada.
Correu em direção ao homem dando um grande salto com a ajuda de seu bo staff, mirando um chute na cabeça de Slade, que sem dificuldade bloqueou com a grande lâmina e com o antebraço empurrou o moreno com força em direção à parede a sua esquerda. Robin se recusava a admitir que ainda estava cansado e dolorido pelo acontecimento de dias atrás. Não teve tempo de sentir a dor em seu ombro ao desviar de um, dois, três golpes de espada, o mais velho estava mirando nas costelas e pescoço. Revidou com um soco de direita que acertou a máscara de Slade em cheio, fazendo-o recuar. Isso não seria possível pelas habilidades que ele tinha. Agora descobriu que ele também estava ferido e ali era o seu local de descanso.
— Percebo que está em repouso — murmurou enquanto acertava um chute na mão do Exterminador, fazendo com que soltasse a espada — acho melhor deixar você descansar.
Ele riu do deboche ao se levantar, logo sacando uma faca muito afiada. Este com a velocidade que Robin conhecia, que era muito mais ágil do que ele o acertou na costela e conseguiu o golpear pelas costas. Urrou pela dor, mas não se fez por vencido ao se defender a tempo de outra facada. Usou seu joelho para acertar a barriga do Exterminador, e aproveitou para dar uma cabeçada na máscara preta e laranja. Este deu alguns passos para trás, atordoado. Robin pousou a mão nas próprias costas, e sentiu o sangue escorrendo. Estalou a língua, irritado por ter sido acertado. A velocidade de Slade era realmente impressionante.
Se pôs em posição de ataque novamente quando o adversário foi para cima, mas ficou surpreso quando ele saltou para a escada, logo sumindo de sua vista. Não se moveu, esperando o que poderia vir. Tentou chamar Cyborg de novo, mas ainda não havia sinal. Foi em vão. Ficara atento aos movimentos que vinham de cima, ouvindo-o destravar uma arma e se afastou, procurando uma maneira de ir para cima sem ser atingido.
— Peço perdão, Dick Grayson. Não posso permitir que saia daqui depois do que viu — disse ao acertar alguns tiros no traje do garoto, que eram a prova de balas, mas isso não o impedira se sentir dor, o que o deixou mais lento enquanto se distanciava — Ora, volte aqui. Não tenho tempo para enrolações.
Seu discurso foi interrompido por receber uma bomba de fumaça no rosto, o que claramente não se causaria efeito nenhum, sua visão era perfeita com seu equipamento. Entretanto, neste segundo de distração fora atingido por um grande golpe. Que só percebera tratar de um tiro vindo do homem robô que adentrara ao local. Cyborg disparava em sua direção, fazendo-o perder Robin de vista.
— Consegui ouvir os tiros. Não conseguia detectar nem a sua presença aqui — o moreno explicava o porquê de ele ter ido participar do confronto.
— Isso não importa agora. Vamos recuar — Robin correu para a porta por onde havia entrado, deixando Victor confuso.
— Recuar? O que eu perdi?
Não respondeu. Assim que conseguiram sair sem ter problemas com o campo de força, Grayson parou em frente a porta escancarada. Esperando algum sinal de Slade por alguns minutos. Nada.
— O que está havendo?
— Ele está preso — disse com a voz baixa e respiração descompassada pelo breve esforço — Se ele sair deste escudo, Ravena vai saber que ele ainda está na cidade. Vamos embora daqui, preciso falar com o Batman.
— Então deixamos ele aqui? Não faz sentido — Victor insistia enquanto analisava o corpo do amigo, checando seus ferimentos.
— Membros da Liga estiveram aqui, e não temos permissão para nos intrometermos. Vamos deixar como está para não termos mais problemas — encerrou o assunto, ouvindo Cyborg reclamar por deixar o mercenário para atrás.
Dick Grayson estava estressado, machucado e confuso. E ainda assim não queria descansar até descobrir o que estava acontecendo pelas suas costas.
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