Notas iniciais
Olá. Tenho um comunicado no fim do capítulo. Vamos ver se aguentam.

Estava estática. Kori falava com ela, porém não conseguia lhe ouvir, só pensava no que havia feito.

Ele me enganou.

Me possuiu de novo.

Enquanto observava a morena olhando para o nada, Victor marchou até ela depois de deixar o amigo na enfermaria e a segurou com força nos ombros, furioso.

— Tem noção do que fez Rachel? — gritou enquanto a sacudia — nós confiamos em você e na segunda noite surta de novo e mata meu melhor amigo! — a empurrou, fazendo com que ela caísse no chão ainda estática. Kori o segurou antes dele avançar de novo, ameaçando dar um chute, como daria antigamente quando era jogador de futebol. Parecia que tinha esquecido de tudo, inclusive que ela era sua amiga também.

— Victor, não foi ela, foi Trigon! Não piore as coisas, saia daqui e a deixe voltar ao normal ok? — falou ainda naquele tom carinhoso, agindo como se nada grave tivesse acontecido.

Antes de Victor contestar, Tara gritou desesperada, fazendo-o correr pelo corredor em direção à enfermaria. Kori por dentro estava aflita, sabia que Garfield estava quase morto por mais que seu coração continue batendo, e que Raven podia fazer algo para ajudá-lo. Ao invés de gritar, como o amigo fizera, ela se aproximou, levantando a amiga e colocou as mãos em seu rosto, fazendo com que ela focasse em si.

— Ravena, está me ouvindo? — perguntou baixo, com a esperança de que ela saísse daquele transe em que ficou dois dias atrás.

A morena assustou-se com o toque em seu rosto e despertou, dando dois passos pequenos para atrás. Estava tonta, mas logo conseguiu ficar ereta.

— Ele era real — sussurrou — tentou me matar... Eu estava sonhando...

— Tendo um pesadelo — a ruiva corrigiu — Ele acabou, Mutano precisa da sua ajuda, ele está morrendo!

Com essa palavra ela sentiu seu coração apertar, mas não queria usar seus poderes, então correu para a enfermaria, onde Tara com as lágrimas escorrendo de seu rosto a segurou com fúria em seus olhos.

— Você o matou! Sua bruxa desgraçada — tentou dar um soco em seu rosto, mas Raven esquivou com facilidade soltando-se da loira, que também queria passar para dentro da enfermaria, mas foi impedida por Victor.

Ele começou a empurrar a loira com uma mão enquanto segurava o braço de Rachel com a outra. Ela agora séria por fora e em pânico por dentro desistiu de ser a pessoa que tentaria com educação passar pelo corredor e usando seu portal, foi para dentro da enfermaria, onde encontrou dois morenos em posição de ataque e duas médicas assustadas, se afastando do garoto verde, que já estava pálido.

— Ravena, saia daqui, não piore as coisas — Robin alertou, sendo ignorado totalmente pela mulher que se aproximava — eu não quero te machuc... —

— Robin — Batman interrompeu, voltou a sua postura clássica, coluna ereta e com a expressão séria — ela voltou ao normal. Vai ajudá-lo.

O moreno nervoso fingiu tranquilidade abaixando seus punhos. Em um aceno de agradecimento, ela aproximou-se do amigo desacordado e o analisou com seus olhos já brancos, sem pupilas. Sem voltar o olhar para o restante da sala pediu para que se retirassem. Dick contestou, mas com o olhar sério de seu tutor obedeceu saindo pela porta, sendo seguido pelas duas médicas que estavam no local.

Ela observou o corpo pálido de seu amigo, vestindo uma calça de moletom simples e uma camiseta de um jogo idiota, o pijama daquela madrugada. Colocou sua mão sobre a testa do homem verde e fechou os olhos. Seu coração ainda batia e ele respirava com dificuldade, sabia que já estaria acordado se sua alma e seus sentimentos estivessem em sincronia.

Respirou fundo, e sussurrou:

— Azarath, Metrion, Zinthos.

Sua mão sumiu com a escuridão que a cercou. Odiava fazer este tipo de intromissão com os que se importava, mas para salvar seu amigo infelizmente teria que sentir suas emoções para curá-lo e fazê-lo acordar. Seria difícil, pois não estava conseguindo controlar os seus próprios sentimentos, então tentaria ignorar estes e focar no que se passava na cabeça de Garfield. De início ela sentiu uma alegria que ela já estava acostumada, enxergando alguns flashs de lembranças aleatórias, com uns amigos antigos no qual esqueceu o nome pois não dava importância, e ao seu grupo atual.

Com brusquidão deparou-se com o medo, onde apareciam momentos de sua quase morte quando era criança, seus pais, amigos feridos gravemente. Parte do medo ela passou para si, dando mais chance a ele.

A raiva, em suas batalhas com o Cérebro e ridiculamente o momento em que não passava em uma fase de um jogo insignificante. Então ela finalmente havia encontrado o que procurava,

o desespero.

Estava em poucos momentos, e o que ela queria encontrou com facilidade. Dando uma tristeza em seu coração, vendo com os olhos de Gar todos esses momentos, ela mesma atacando pessoas inocentes, com seus quatro olhos vermelhos, descontrolada, jogando pedaços de vigas e carros tentando acertar todos que via, inclusive seus companheiros de time. Ouviu gritos de pessoas perdendo a vida, uma pessoa que não a deixou surpresa dizia “temos que matá-la!” com o restante ignorando as falas de Tara enquanto usava as rochas para se defender. Assistiu o restante esquivando e tentando afastar o restante das pessoas que estavam no lugar que anteriormente era uma avenida. Este desespero pegou para si, não totalmente para não apagar a memória de Garfield. Com a mesma visão a esperança surgiu, quando assistiu ela mesma cair no chão em meio aos destroços com ele rapidamente se aproximando, colocando seu rosto entre suas mãos enquanto avisava que ela iria acordar. A raiva apareceu, quando ouviu a loira dizer que deviam matá-la novamente, com o restante negando explicando que não se repetiria.

Ela se assustou com o desespero e medo chegando ao mesmo tempo quando teve a visão dele avistando ela invadir o seu quarto enquanto assistia uma série qualquer, e o atacando jogando seus móveis em sua direção. Ele estava dizendo para ela parar, fitando seus quatro olhos vermelhos indo em sua direção. Ele gritou pedindo ajuda no momento em que ela o pegou pelo pescoço e o apertou, aumentando ainda mais seu desespero. A morena se controlou, diminuindo mais um pouco suas emoções querendo apagar aquilo da mente do seu amigo, mas era necessário que ele soubesse que ele estaria em perigo enquanto estivesse perto dela. Então calmamente surgiu o sentimento que ela esperava que apareceria primeiro,

o amor.

Assistiu os breves momentos de seus pais, e foi aumentando conforme o tempo passava em companhia do seu grupo. Teve momentos em que não queria ter visto com Tara quando era mais nova, lá pelos seus dezessete anos e sentiu a paixão quando surgiu flashs de beijos e gargalhadas. O amor surgiu novamente, com a loira indo embora e assustou-se quando viu ela própria. Ficou confusa assistindo ela mesma dar pequenos sorrisos, não sabia que sorria. Não percebeu quando estava se aprofundando ainda mais sua mente na alma de Garfield, a assistindo tratando-o com indiferença enquanto ele a oferecia ou convidava para qualquer coisa. Percebendo que estava indo demais neste caminho, afastou-se para procurar mais alguma emoção que poderia estar escondida ali, e se assustou quando ela sentiu o cansaço dele com o olhar nela enquanto tinha a mão apertando seu pescoço, o olhando com ódio, pronta para matá-lo. Ouviu ele dizer o que ele pensava ser suas últimas palavras.

Eu te amo.

De supetão ela se afastou, tirando a mão de sua testa, com vontade de colocá-la de volta para fazer com que ele não sentisse nada por ela, mas no fundo não quis, porque seu coração brevemente se aqueceu. Mas a visão de ela o estrangulando a fez ter um aperto no peito, pensando que teria um ataque cardíaco.

Voltou a si quando ouviu batidas fortes na porta ouvindo os gritos de da loira e do Cyborg. Não estava entendendo por que simplesmente não abriam a porta. Era só apertar um botão. Virou a cabeça para a maca ao sentir uma mão gelada a segurando. Viu o rosto do homem verde ainda pálido com a expressão cansada, porém seus olhos brilhavam e ele deu um sorriso deixando seus caninos à mostra. Ouviu ela mesma soltar o ar dos pulmões, que nem tinha percebido que segurava e se sentou na maca, com os olhos procurando resquícios de uma possível escuridão ainda ali, não encontrou nada.

— Você está bem? — ele perguntou com a voz rouca. Sério que ele perguntou se ela estava bem se era ele que estava em uma maca na enfermaria? Bufou indignada, porém aliviada por ele conseguir falar.

Acenou com a cabeça, observando sua mão sendo segurada pela dele. Segurou de volta. Ela queria ter mais um tempo sozinha com ele, não sabia o porquê. Mas depois que aquela porta fosse aberta, talvez nunca mais pudesse ficar próxima, ela era um perigo para todos. Uma bomba relógio. Levantou-se da maca querendo ir em direção a porta, mas Garfield a segurou, pedindo com o olhar para que ela ficasse. Isso a deixou um pouco tensa, mas avisou Bruce, Dick e Kori em silêncio que ele estava acordado, mas devia passar mais alguns minutos com ele para ter certeza de que estava tudo certo. Ele percebeu que ela os tinha avisado quando pararam de socar a porta.

— Se não fosse por você, eu teria acordado pelo barulho deles. — comentou com a voz ainda baixa e rouca. Ela sorriu minimamente de lado, desviando o olhar para suas mãos unidas.

— Não deveria estar falando, ainda está machucado pelo aperto... — falou em um tom de culpa. Ele percebeu.

— Eu me recupero rápido. — se gabou, convencido.

Tentando se sentar com dificuldade naquela maca com o colchão muito macio, ela o soltou e ajustou a maca para que ele ficasse mais confortável.

— Eu sei o que você viu, — ele comentou envergonhado — peço desculpas, eu não deveria —

— Não peça desculpas, eu quase matei você — a voz estava embargada — pensei que estava sonhando, acabei me alterando quando aconteceu, mas Trigon me enganou de novo, fui tola e... — Algumas lágrimas escorriam. Não terminou a frase, fechou os olhos e tentou inutilmente secar seu rosto rubro. Mutano mesmo fraco, a puxou e fez com que ela se deitasse em seu peito.

— Então ninguém se desculpa — murmurou acariciando os cabelos escuros dela — foi Trigon.

Ficaram assim por alguns minutos, conforme o tempo foi passando ela passou a ficar um pouco desconfortável, achando que estava incomodando por deixar sua camisa molhada pelas lágrimas. Ela não estava sendo a mesma, nunca choraria pelo que aconteceu, mas o problema é que ele foi a vítima. E mesmo ferido, era ele quem estava a consolando, com o semblante calmo, porém preocupado com ela. Já Garfield queria que ela ficasse ali para sempre, sentindo o seu perfume e tendo aquela aproximação que não esperava que aconteceria de novo. Sim, ela estava triste, com a raiva contida temporariamente, só que tinha ele ali para a acalmar.

— Acho que a Liga vai me expulsar daqui também. Zatanna já deve estar sabendo que aconteceu de novo.

— Eles não podem. — disse depois de um alto bocejo, despreocupado — aqui é o seu lugar. Se quiser é claro — continuou gaguejando — n-não que eu esteja pedindo para ficar, mas seria melhor ter seus amigos por perto.

— Acredito que dois de vocês cinco já não são mais meus amigos — falou com indiferença, mas estava ferida por dentro pelas palavras que ouvira minutos atrás. Na mente de Mutano para ele pareceram horas, mas o que ela fez não durou mais de três minutos.

O homem verde se mexeu, fazendo com que ela se afastasse e a olhou sério. Aquela expressão não era dele, achou que era mais de indignação.

— O que? Quem? — perguntou cruzando os braços depois de tossir duas vezes — o Dick?

Ela estranhou o modo em que ele mencionou o moreno. Grayson nunca foi contra ela.

— A Tara e o Victor estão furiosos.

— O Victor? — ele riu, logo tossindo — Não acredito... O que ele fez?

Ele não ficou surpreso quanto a Tara, ela era ciumenta e insegura, mas Victor não era pessoa que culparia ela. Estranhou. Ela expirou o ar pesadamente, e acenou não querendo falar sobre isso.

— Depois vocês conversam. Eu não vi tudo o que aconteceu, então não vou falar nada contra os dois — disse se levantando, querendo fugir do assunto. Olhou pra ele enquanto abria o seu portal para sair dali e deixar seus companheiros o verem — Você está fora de perigo, então é melhor que eles entrem antes que comecem a bater na porta de novo. Bom descanso. — Se virou e partiu para o seu quarto o deixando sozinho, onde só havia a cama e um sofá com seus livros em cima, já que ela havia destruído tudo anteriormente.

Respirou fundo. Finalmente estava segura ali nas quatro paredes enfeitiçadas para que nenhum deles pudesse entrar. Era mais seguro. Virou-se para ir ao banheiro lavar o seu rosto inchado e vermelho pelo choro e se deparou com um par de olhos verdes escuros. Levantou uma sobrancelha. Como que...?

Gar estava de pé em sua frente, passou pelo portal junto com ela depois de pular como gato. Ele deu um passo para frente e colocou a mão em sua cintura e lentamente outra na nuca, a puxando para mais perto. Suspirou ao saber que estava arriscando sua longa amizade.

Encostou sua testa com a dela, e a morena pôs a mão direita em seu queixo com o olhar de desejo, e lentamente os lábios se tocaram, causando arrepio entre ambos.

Notas finais
Bem, não sei como começar, isso não tem nada a ver com o que está escrito ali. É sobre mim. Demorei para escrever porque eu estou morrendo. Pronto, falei. Hospital e faculdade não me deixaram com criatividade. Eu estou com dano cerebral, também estou perdendo a memória então... se tiverem paciência e eu conseguir terminar antes de morrer, eba! Senão, eu sinto muito mesmo. Beijos.