Sacrifício

6 Desentendimento


Notas iniciais
Olá! Avisando que por ter dado uma pausa por anos, acabei mudando o início da história kkk, mas segue o baile. Boa leitura.

Sua boca deu permissão para que ele a explorasse com a língua, aprofundando o beijo. Não sabia o porquê de estar fazendo isso. Talvez para agradá-lo? Para afogar suas mágoas ou gostasse mesmo dele? Talvez todas as alternativas.

Eles se separaram quando ar faltou, e enquanto sentia os caninos arranharem levemente seus lábios, ouviu uma curta risada e recebeu mais um beijo, com Garfield acariciando suas costas ela com os braços envolveu seu pescoço, ficando ainda mais próximos.

Ela estava desnorteada, e por mais que seu chakra a ajuda-se a controlar suas emoções não estava adiantando, pois quase se esqueceu onde e em que situação eles estavam minutos atrás. Lentamente para não o assustar, se separou a contragosto, deixando-o com uma expressão confusa e envergonhada. Antes de ele provavelmente se desculpar o cortou.

— Não peça desculpas Gar — disse baixo, colocando o capuz na cabeça tentando voltar a si, levemente constrangida — eu também quero continuar... — sussurrou ao confessar, vendo-o mostrar um sorriso — Mas precisamos voltar antes de pensarem que te sequestrei, ou matei. Ou as duas coisas.

— Quer continuar? — ele quase gritou de felicidade ignorando tudo o que ela disse — Então vamos continuar, — diminuiu a voz, tentando enlaçá-la na cintura com um sorriso malicioso, mas ela deu um passo para trás — ah, o que foi?

Rachel bufou e o olhou com a sobrancelha arqueada ao cruzar os braços, esperando o cérebro dele voltar a funcionar. Se é que funciona. O homem verde finalmente entendeu, percebendo quando ele murchou, derrotado.

— Nossa eu quase esqueci, vamos acalmar eles antes que tudo vire um caos. — Murmurou iludido, pegou sua mão gelada a puxando para a porta do quarto, porém ela o segurou. Garfield a observou enquanto ela tocava a mão na parede no quarto, fazendo com que o cômodo levemente escurecesse. Percebeu que agora o quarto estava na cor original, pelas poucas vezes que entrou não havia reparado nisso.

— Era um feitiço para proteger quem tentasse entrar, e matar quem tentasse sair — falou baixo enquanto passava pela porta sem olhar para trás. Mutano a encarou triste, vendo que ela já havia tentado os proteger e não tinha funcionado. Tentou seguir ela em silêncio, mas não conseguiu.

— Sabe Raven, depois do que disse sobre... — pensava em alguma maneira de dizer as palavras corretas — Sobre que eles terem brigado com você, acho que deveria ficar aqui e esperar a poeira baixar.

— Não.

Ela queria receber sua sentença logo, pois estava cansada e não queria dar oportunidade para o seu pai estragar ainda mais sua vida em menos de dois dias. O feitiço que havia feito depois de se preparar para a reunião não tinha funcionado, e ela queria criar outro o mais rápido possível, porém os ensinamentos estavam em seus livros. Tudo estava uma bagunça, sua vida, suas amizades, seu estranho e recente “relacionamento” com Garfield, a Liga da Justiça e principalmente o seu quarto.

— Tô falando sério. Vou conversar com eles primeiro, preparar o terreno e depois você vai. Você sempre escuta tudo mesmo.

— Não Garfield. Batman ainda está aqui e eu não vou me esconder dele. — Encerrou o assunto enquanto ajeitava o seu cabelo para dentro do capuz. Ele bufou derrotado. Sabia que ela raramente voltava atrás de uma decisão. A Rachel estava voltando ao normal aos poucos. Talvez por minha causa, pensava se gabando. Ainda não acreditava que tinha beijado aquela mulher linda e não tinha apanhado. Descobriu que Raven gostava dele também.

—

Seguiram para a sala de reuniões que eles pouco usavam. Todos estavam lá, e Rachel deixou o garoto sorridente passar primeiro. Ele logo foi recebido de braços abertos pela Kori que pulava de felicidade, com mais de vinte anos ela não mudou nada. Victor chegou para abraçá-lo também, mas Garfield se afastou o deixando confuso.

— Qual foi cara? — perguntou para o homem verde que tirou o sorriso do rosto, Dick já suspirou irritado, sabendo o que iria acontecer.

— O que você disse para a Rachel? Qual é o seu problema? Esqueceu quem ela é?

Cyborg ficou com a expressão séria e direcionou seu olhar a ela, que o observava com indiferença. Antes de responder para se defender, o Homem Morcego se pronunciou, para fazer com que aqueles jovens adultos calassem a boca.

— Mutano, está melhor?

— Oh! Batman, oi! — o cumprimentou encabulado, coçando a nuca — Sim, eu estou bem, me recupero rápido. Acordei graças aquela gatinha ali. — disse apontando para a morena, que continuou parada com os braços cruzados e escondendo o rosto com o capuz do moletom. Batman o ignorou depois do “eu estou bem” e se direcionou para a garota.

— Ravena, precisamos conversar em particular. — A voz grave e autoritária de sua voz deu o aviso de que o restante deveria se retirar.

A morena o observava desde que entrara no cômodo, só aguardando sua fala. Passou o olhar para Garfield, que entendeu chamando o restante para fora da sala. Dick ficou.

— Não vou me retirar desta vez, Batman — Robin disse determinado — Não quero que expulse minha amiga da Torre.

O homem não contestou, apenas sentou-se na cadeira esperando os outros dois. Estava estressado pois passara o restante do dia com aquelas pessoas insuportáveis, as únicas que ele conseguia aguentar eram as que estavam presentes, por mais que uma delas fosse perigo para o planeta.

A morena sentou-se na outra ponta da mesa enquanto Dick ficara de pé ainda com o seu traje e máscara. Observou seu rosto, vendo que estava nervoso, preocupado.

— Zatanna já sabe. — Ela confirmou, já avisando que estava a par da situação.

Robin olhou para baixo, e respirou fundo já temendo o pior.

— Todos já sabem, algum de vocês fez questão de contatá-los e compartilhado algo sem autorização. Vou observar as câmeras para ver quem foi. — Colocando as mãos em cima da mesa e as fechando em punhos. Ele estava nervoso por dentro, pensando em alguma solução. Com Batman ela fazia questão de ler os pensamentos. Ele era sombrio e fala pouco, difícil de ler.

Sabia que se Zatanna tivesse sido alertada, era o fim de sua vida como Titã. Provavelmente iriam fazer questão de prendê-la tentando impedir que ela libertasse Trigon. Aquela mulher simplesmente não compreendia que por mais que fosse parte demônio também era humana, e estava dando tudo de si para ajudá-los contra qualquer ameaça maligna de seu pai. Entretanto, fizeram questão de expulsá-la do lugar em que pensava que seria acolhida. Mas agora se sentia grata, conforme os anos foram se passando percebeu que a maioria dos integrantes da Liga da Justiça faziam questão de ignorar sua existência.

— Você terá que vir comigo — Batman continuou ignorando o descontentamento de seu pupilo que socou a mesa — Pegue as coisas que achar necessário, irá passar um tempo conosco até conseguir se controlar.

— Ela não vai, Batman — o moreno começou indignado — O lugar dela é aqui! Podemos ajudá-la dando o espaço necessário, com vocês Rachel pode ficar estressada com todos em cima dela, você não a conhece. — Robin disse com raiva, odiava quando a Liga invadia sua Torre e ditava regras e ordens.

— Dick, eu estou aqui. Posso falar por mim. — O cortou, chamando a atenção dele — Compreendo o que pretendem fazer, seria melhor na visão de vocês, porém... Não sabem o que realmente está acontecendo em Azarath — disse enquanto abaixava o capuz, deixando seus cabelos escuros arroxeados a mostra. Suspirou e olhou para Dick, não queria que ele participasse da conversa — eu tenho um plano.

— O que está acontecendo em Azarath? — Robin perguntou, já tendo esperanças em encontrar uma maneira de resolver o problema para não prenderem Ravena. Ela fechou os olhos, respirou fundo e o fitou de uma maneira que o fez estremecer, e se arrependeu por ter a interrompido.

— Trigon soltou-se das correntes, ele está tentando tomar minha mente para ajudá-lo a sair de lá. Eu posso entrar na dimensão novamente, e matá-lo. Mas não vou conseguir se vocês — disse indiretamente, se referindo a Zatanna — Colocarem um campo de força em mim novamente. Preciso de tempo. Uma semana no máximo. — explicou ganhando ainda mais a atenção do morcego.

— O que pretende?

— Um sacrifício.

Batman repousou suas costas na cadeira e Robin trocou o peso para a outra perna com os braços cruzados, intrigado.

— E precisamos do quê? — o mais novo perguntou — Podemos ajudar a encontrar o que quer para acelerar o processo.

Rachel bufou, não acreditando como Dick pode ser tão lerdo quando está perto do tutor.

— Vou sacrificar a mim, Dick. Vocês não precisam fazer nada, eu só preciso terminar de estudar o livro para fazer com que minha presença em Azarath não seja detectada.

Batman ainda a observava sem dizer nada, já que na primeira conversa que tiveram ele já havia compreendido os planos dela. Dick soltou um meio rosnado, passando as mãos nos cabelos sabendo que não tinha nenhuma ideia para dar.

— Existe um meio de irmos com você para essa maluquice e derrotá-lo de outra forma?

— Não — mentiu.

— Sim, — o mais velho a entregou — podemos ir até lá. Além de Ravena, Zatanna e eu já tivemos essa conversa.

— Dá para pararem de falar desta mulher?

— Não tem como, Dick. Ela é o meu empecilho.

O moreno respirou fundo, olhando para o seu tutor, esperando uma explicação melhor.

— Existe a possibilidade de irmos para esta dimensão, mas não temos poder o suficiente para enfrentar o que tem por lá. A não ser que Rachel faça um feitiço para nos dar uma chance.

Ambos olhavam para a morena, percebendo que iria fazer tudo sozinha.

O problema era entre seu pai e ela, só existe uma maneira permanente para destruir Trigon. Como sua filha que herdara a maioria de seus poderes, poderia os unir e como uma armadilha morrer pelas mãos dele, o que faria com que sucumbisse com ela.

Batman se levantou da cadeira, aproximando-se dela que o acompanhou com os olhos sem um pingo de expressão. Ela também se levantou cruzando os braços. Ela já sabia o que ele ia dizer, então por ora tranquilizou-se.

— Irei fazer um comunicado a Liga, Zatanna virá para criar um campo de força temporariamente, impedindo você de sair da Torre. Este assunto morre aqui, até estar pronta. Você tem uma semana. — O Homem Morcego disse a olhando firmemente, indicando que não queria nenhuma rebeldia vindo dela. — Você não precisa vê-la se não quiser, apenas concentre-se e não haverá mais problemas. — Saiu sem olhar para atrás.

Assim que a porta se fechou, conseguiu soltar o ar que prendia. Mal teve tempo de se recompor e Dick se aproximou indignado.

— Você pode até pensar que sua morte é a única solução, Ravena. Mas não é para mim. Você não vai morrer por causa de um monstro.

Eu também sou um monstro

Depois da conversa ter acabado, começou a ouvir discussões vindas do andar abaixo. Estavam falando dela. Ignorou o que estava acontecendo e foi para o seu quarto descansar. A noite estava sendo torturante.

—

— Eu já falei que não foi ela caralho, foi o Trigon! — gritou não aguentando mais Tara ofendendo Rachel dizendo que ela tentou matá-los mais de uma vez — Já cansei de ouvir a sua voz, e a sua também Victor! Cara, eu estou decepcionado. Nunca pensei que isso viria de você.

Mutano estava sentado no sofá de frente para a televisão desligada com o pescoço apoiado em uma almofada. Quando estava com a morena tinha esquecido da dor. Queria ver como ela estava. O restante formava um círculo enquanto o observava gritar irritado. Tara estava com um sorriso cínico no rosto e Victor com a mão na cabeça, estressado. Todos estavam, com exceção de Estelar que nem prestava tanto atenção, estava morrendo de sono.

— Ravena passou dos limites com a família problemática dela. Ela nunca deveria estar nesse grupo, só nos traz problemas. Dou graças porque tenho essa missão e vou sumir daqui. — Terra continuou reclamando, chamando a atenção da Kori sonolenta.

— Querida, ouviu o que acabou de dizer? — Koriand’r alterou o seu tom de voz, que normalmente é doce e delicado — Rachel nunca teve a intenção de fazer mal a nós, não fale da minha amiga deste jeito — disse dando um passo para frente, mas Dick a segurou pela cintura — e não sei se percebeu, mas o “grupo” em que você diz que ela nunca deveria ter entrado foi você quem entrou por último. Não conhece ela. Estou arrependida de ter confiado em você. Se não gosta da Rachel, não deve gostar de ninguém aqui. Nem de Mutano. — Terminando, fazendo com que a loira virasse o olhar para o homem sentado no sofá que a olhava irritado.

— Isso é mentira, Kori. Sempre gostei de vocês, só estou dizendo que é loucura mantê-la junto de nós. Enquanto ela estiver inconsciente poderíamos acabar com isso, mas vocês não têm coragem para confessar que seria melhor se ela estivesse morta!

Quando terminou de falar sentiu sua cabeça bater com força no chão, sendo fitada por olhos verdes furiosos, que já emitiam a luz do seu poder, prontos para usá-lo. Estelar estava fora de si, nunca fora uma pessoa violenta. Robin tentava puxá-la, mas ela só parou quando Garfield interveio.

— Kori, solta ela. Você não tem que perder seu tempo com uma pessoa que não dá valor aos companheiros de time. Não vale a pena. — Falou desapontado ainda na mesma posição, enquanto a loira levantava e ajeitava os cabelos.

Ele nunca havia visto este lado da Tara, sempre pensou que ela fosse uma pessoa madura, fiel e amiga, que se importava com a equipe. Poxa, ela é uma princesa. Ou era, não ligava mais.

— Quer saber? Eu vou embora daqui ainda hoje para espairecer e esperar que vocês coloquem o cérebro de vocês nas cabeças! — disse enquanto apertava o botão do elevador querendo ir para o seu quarto. Esperava que alguém fosse se pronunciar, principalmente o Mutano o qual que ela considerava ser o seu melhor amigo, mas todos ficaram em silêncio esperando o elevador chegar e ela sair. Percebeu que havia o magoado novamente

—.

Garfield estava cansado. Queria ir para a cama, mas ainda tinha o Victor. Ele o olhava com arrependimento, não sabendo o que dizer. Robin, que havia saído da conversa com Batman e Rachel permaneceu em silêncio até Terra sair. Sentiu um gosto amargo na boca, pensando nas palavras de loira sobre a possível morte de amiga.

— Está tarde e precisamos descansar, principalmente o Mutano. Terminaremos essa conversa mais tarde. Já está amanhecendo e se acontecer alguma coisa amanhã devemos estar preparados e concentrados. Por favor, vão para seus quartos. Não aguento mais essa merda. — O moreno respirou fundo, já vendo Victor saindo pelo corredor em silêncio — Quer ajuda até o seu quarto? — perguntou para o homem verde exausto.

— Eu tô de boa. Até mais tarde casalzinho. Eu preciso dormir. — respondeu já levantando se dirigindo para o elevador.

Depois de se aprontarem, Dick e Kori estavam deitados na cama. Por mais que a ruiva estivesse sonolenta, a curiosidade falava mais alto. Virou-se para o namorado que olhava para o teto, perdido em pensamentos.

— O que aconteceu lá dentro com o Batman? — disse baixo, esperando que a reação do moreno não fosse ruim. Ele suspirou visivelmente cansado daquilo — Desculpe, é melhor conversarmos amanhã.

Ela começou a puxar o cobertor, cobrindo o peitoral de Dick também, ele segurou a sua mão carinhosamente e a olhou nos olhos, demonstrando tranquilidade.

— Amanhã Zatanna virá para criar um campo de força para impedir Rachel de sair por uma semana, — respondeu à pergunta, vendo Kori com a expressão preocupada — mas não esquenta, Raven não vai embora, só irão fazer isso para diminuir o alerta de perigo. Falando nisso, você sabe se alguém foi à sala de controle durante toda aquela confusão?

— Sim Dick. Tara disse que iria pedir ajuda, ela não sabia que Batman ainda estava aqui.

O moreno passou as mãos na cabeça, suspirando com irritação. Às vezes ele não queria ficar na liderança do grupo por ter que passar por esse tipo de situação.

— É mentira dela, é claro que o Batman ainda estava aqui. Ele veio conversar com ela também, mentirosa do caralho.

— Meu amor, não fale assim, — a ruiva o repreendeu, mas passou a mão carinhosamente em seu rosto — como o nosso verdinho disse, não vale a pena. Agora vamos dormir. — Terminou apagando a luz do abajur em seu lado e se aconchegando no peito do moreno.

—

Não passava das oito horas da manhã quando Victor estava sozinho no balcão da cozinha, pensando na besteira que tinha feito. Agrediu sua amiga. Por mais que ela nem tivesse sentido o que ele fez, a ação já fora o suficiente. Estava tremendamente arrependido e não sabia como chegar na garota para se desculpar. Ela sempre parecia indiferente durante o dia conversando em poucas palavras com ele e o restante dos colegas. Passava a maior parte do tempo em seu quarto, mas aproveitava os momentos em que ele a via de manhã, e participando de besteiras à contragosto durante os feriados anuais. Ela sempre os protegia durante as batalhas, e também abafava as suas bobagens quando quebrava as regras de Robin. Ficou perdido em pensamentos até ouvir os passos do homem verde. Garfield foi direto para a geladeira com o estômago roncando. Estava totalmente recuperado. Pegou alguns ingredientes da geladeira para fazer um sanduíche, logo seguindo para a cafeteira. Sentou-se ao lado dele e respirou fundo, sabendo o que viria a seguir.

— Você enlouqueceu por alguns minutos, cara. Acho que vou te prender e resetar para ver se coloca sua cabeça no lugar.

— É... Eu perdi a cabeça, você estava morrendo e... É eu enlouqueci. Fiquei cego de raiva, você é o meu melhor amigo e eu nunca deixaria alguém te machucar. Nem mesmo ela. — falou ouvindo o Mutano bater a mão na mesa.

— Quantas vezes vou ter que dizer que foi o Trigon? — gritou, já esquecendo o sanduíche — Ela é tão forte e cheia de poderes e mesmo com os genes do pai, usa os poderes para o bem.

— Isso é mentira Mutano, você sabe disso. Ela só pensa nela mesma.

Garfield rosnou com o comentário do amigo, parece que todos os anos que passaram juntos foram esquecidos em uma noite.

— Ok, vou só te lembrar de uma das muitas situações que ocorreram durante esses anos — começou enrolado porque não sabia contar histórias — uns anos atrás você simplesmente desapareceu. Ficou dias desaparecido, te procuramos por toda a parte, tentamos te rastrear, mas você estava “desligado” — aproximou-me mais para fazer aspas com os dedos — Um cara doido queria te desmontar. Lembra disso? — o amigo acenou afirmando — Ah, você lembra! Então vou te dizer quem foi que te achou. Adivinha?

— A Rachel... — falou revirando o olho. O amigo verde gritou, fingindo estar surpreso.

— Ah é! Isso mesmo. E como ela te achou? Assim que aquele esquisitão te trouxe de volta em segundos ela te encontrou, e ainda te tranquilizou dentro da sua mente avisando que estávamos indo. Chegamos a tempo, seu idiota ingrato.

— Eu sou grato, cara. Sou grato pela existência dela. Pela existência de todos vocês. Não sei o que deu em mim, durante esses anos minha vida foi salva por vocês várias vezes. Eu só queria achar as palavras certas para pedir perdão. — Lamentou enquanto coçava o olho escondendo uma possível lágrima — Eu não sei o que passa na mente dela para conseguir convencê-la a me perdoar.

— Não será necessário.

Os dois pularam com a presença da morena atrás dos dois, que estava com seu traje que usava em suas saídas para a batalha, estava sem o capuz, mostrando leves olheiras por não ter conseguido dormir e foi em direção à grande janela que ocupava a parede inteira. Estava segurando uma xícara de café, se servira enquanto ouvia o final da conversa dos dois.

—Ah, bom dia Rachel, — Cyborg a cumprimentou constrangido — então se eu estou perdoado, posso te dar um abraço? — Pelo silêncio soube a resposta — Ok, mas estamos bem pelo menos.

— Quem fez o café? — Raven perguntou depois de dar um gole e fazer uma careta. Mutano ergueu uma sobrancelha em confusão.

— Fui eu. Por quê?

— Está horrível, pura água.

Os dois homens riram, Cyborg se ofereceu para fazer outro enquanto a morena se sentava no banco do balcão. Sua careta aumentou depois de dar mais uma chance à bebida quente sem gosto algum. Garfield olhava para ela sorrindo torto, apoiando o queixo com a mão. Com certo esforço sorriu de volta, para não entregar de bandeja a conversa de ontem que tivera ontem com Batman e Robin. Não queria preocupá-lo. Existia uma grande chance de ela ir matar o seu pai e não voltar. Começou a se arrepender por beijá-lo, mas ele não a ajudou com a aproximação. Agora teria que lidar com as consequências. Queria ficar junto dele, mas sabia que ele iria ficar magoado de qualquer forma.

— Por que está vestida assim? Vai sair? — ele perguntou animado, já querendo participar de uma possível missão.

— Zatanna vai chegar em breve, — falou baixo enquanto recebia uma nova xícara de café forte sem açúcar de Victor, acenou agradecendo. Os dois tiveram a reação que ela esperava. Ficaram com medo de ela ir embora — eu não irei partir, ela vai colocar um campo de força na Torre para que eu não saia por uns dias. Era isso ou a prisão.

— Se você pensar um pouco Rachel, ela está te deixando em uma prisão.

— Uma prisão... Confortável. Diferente do que me aguarda na Liga da Justiça.

Aproximou a xícara de seus lábios, sentindo o aroma agradável da cafeína. Deu alguns goles e olhou para os dois que estavam preocupados.

— Eu não saio mesmo, será só por alguns dias e tenho algumas coisas para fazer. O meu quarto está destruído e tenho que organizar os meus livros — disse escondendo a parte de ter que se aprofundar em um especial.

— O meu quarto também está destruído. Pode se distrair um pouco me ajudando a arrumar — o homem verde comentou, não ligando para o olhar confuso da morena — tá tudo quebrado, até a minha cama. Tenho que comprar alguns móveis hoje ainda hoje. Quer vir comigo?

— Ela acabou de dizer que não pode sair seu idiota. — Victor disse, também bebendo um pouco de café. Garfield voltou para o seu sanduíche.

— Não posso sair, mas eu deixo vocês comprarem os meus. — A morena disse calmamente — Não exagerem — Advertiu.

Conversou mais um pouco com os dois, sobre o que eles iriam comprar e se eles poderiam entrar em seu quarto para ajudar a montar, Victor voltou a fazer piadas com Garfield já esquecendo o que tinha acontecido. Depois de mais ou menos uma hora Dick e Kori apareceram na cozinha para tomarem café e participaram da conversa, percebendo que Tara já havia partido. Ela se sentiu acolhida, mas ao cruzar seu olhar com o moreno lembrou do que viria no futuro, a deixando levemente nervosa. Ele disfarçava bem, soltando algumas risadas durante a conversa que ela já não prestava mais atenção, pois sentia a presença da mulher que ela mais tinha raiva se aproximando.

Zatanna

Notas finais
E aí, algum comentário?