SS: Synchro Sirena

5 Capítulo 4 - A Donzela da Inglaterra Sangrenta II


Após me separar de Orsola, continuei seguindo em frente para a parte mais profunda da floresta, até que de um momento para o outro, comecei a sentir presenças hostis se aproximando de mim.

– Então finalmente os monstros apareceram...

No instante seguinte eu materializei minhas armas, como uma Sirena de médio alcance, eu me especializei no uso de correntes para lutar, apesar de tudo é um tipo de arma bem incomum entre as Sirenas. Após muitos anos de treino eu consegui chegar a um estágio bem avançado no uso das correntes, conseguindo até mesmo materializa-las em outros lugares e não necessariamente materializa-las a partir do meu corpo, posso lança-las de qualquer lugar no meu campo de vista!

De repente, os monstros começaram a surgir de todas as direções.

– Impossível... Eles são...

Quando os vi, entrei em choque imediatamente. Eles ainda tinham alguns traços humanos, mesmo no seu estado físico atual. A pele deles já havia mudado de cor, para várias cores diferentes e a pele deles parecia bastante rígida e versátil ao mesmo tempo, eles ainda andavam sobre duas pernas e a maioria deles tinham os membros do corpo de tamanhos desproporcionais, alguns tinham um braço fino e outro extremamente largo ou as pernas na mesma situação, alguns tinham o peito ou a costa igualmente desproporcionais e suas faces eram um pouco deformadas e a maioria não parecia demonstrar raciocínio algum, eles agiam todos de forma parecida, quase como se fosse animais se aproximando de sua presa. Mas o que mais me chocou nisso tudo, foi que alguns deles pareciam estar fazendo uma expressão de sofrimento ou de desespero no rosto, era assustador e ao mesmo tempo um pouco triste, talvez eles tenham ficado com o rosto dessa forma antes de se transformarem nisso e ficaram assim para sempre...

Quando voltei a mim, percebi que eles estavam se espalhando ao redor e aos poucos estavam me cercando.

– Tsc, o comportamento deles não é tão irracional quanto parece.

Os monstros começaram a vir na minha direção rapidamente, prontos para dar o bote.

– Nem pensar!

No momento seguinte eu bati minha mão no chão e correntes começaram a sair do chão, bem debaixo de onde os monstros ao redor estavam, rasgando-os em pedaços.

– Ai vem eles!

Os monstros começaram a pular e ir na minha direção por cima, quase como se estivessem tentando evitar as correntes, então, eu usei as correntes que estavam nas minhas duas mãos e comecei a controla-las conforme minha vontade atravessando vários monstros facilmente, alguns conseguiam se aproximar, mas manipulando minhas correntes eu podia usa-las para defender os ataques ao redor e atacar ao mesmo tempo. Depois de ter eliminado boa parte deles, eles começaram a recuar.

– Recuando?! Eles realmente são monstros irracionais? Droga!

Antes que pudessem fugir eu os peguei com minha técnica Synchro.

– Synchro: Réquiem de Correntes!

Quando ativei minha técnica Synchro, abri meus dois braços ao mesmo tempo e no mesmo momento várias correntes saíram de mim em todas as direções em uma velocidade de 300m/s, aprisionando tudo em um raio de 500 metros, incluindo as árvores, todos os monstros haviam sido pegos. Logo em seguida eu fechei meus dois braços ao mesmo tempo, puxando todas correntes de volta pra mim na mesma velocidade, cortando tudo que havia sido pego na técnica.

– Ter cortado todas essas arvores facilitou bastante a visão do local, agora posso continuar se me preocupar em cair numa emboscada.

Continuei seguindo em frente até sair da floresta, após a floresta havia uma montanha gigantesca com uma entrada.

– Uma caverna? Talvez tenha mais alguns monstros aqui.

Sem hesitar, eu adentrei a caverna de cabeça erguida, sem medo e sem excesso de confiança, atenta a qualquer coisa que pudesse me atacar. A caverna era bem escura, logo, não era possível ver quase nada, nem sequer era possível ouvir alguma coisa além do barulho dos meus próprios passos. Após alguns minutos andando, vi uma pequena luz mais à frente. A montanha possuía vários quilômetros de extensão, então eu sabia que aquilo não era a saída, era estranho ter iluminação dentro de uma caverna, portanto, eu comecei a ficar mais cautelosa e avançar mais minuciosamente, até chegar naquela luz...

O que eu encontrei lá era nada mais nada menos do que uma grande área, quase como um grande salão dentro da caverna, o teto da caverna estava bem distante e havia diversos cristais brilhantes ao redor do local.

– Então era desses cristais que essa luz vinha... – Continuei andando e olhando ao redor tentando encontrar algo.

Após andar um pouco, cheguei ao centro do local e instantaneamente congelei no local, o que eu senti naquele momento foi uma intenção assassina bem maior do que a que eu senti antes quando falava com a Yoka Del Fianno, se eu não tivesse sido atacada pela intenção assassina dela naquela hora, provavelmente eu estaria em uma péssima situação agora. Eu estava meio que adepta a isso, então me foquei em encontrar de onde vinha toda essa intenção assassina. Mais à frente havia um trono em cima de vários cristais e no trono...

– O que diabos... U-Uma mulher? Não... – Eu estava surpresa com o que havia lá.

A físico de uma mulher, mas a aparência... Parecia uma abelha. Sentada no trono havia uma abelha com o físico de uma mulher, duas pernas e dois braços, corpo e cabeça, ainda que em sua traseira fosse a de uma abelha e sua pele preta e amarela, ela lembrava muito uma mulher humana na estrutura física, mas era só sua estrutura física mesmo, seus olhos grandes totalmente tingidos de vermelho me encaravam como se eu fosse um incomodo, quase me dizendo para sair imediatamente do local caso eu tenha valor a minha vida...

Depois de esperar ela tomar alguma atitude, começaram a surgir vários monstros por trás do trono, quase como se elas os tivesse chamado aqui.

– Impossível! Ela é... Ela é um Rei? Então ela deve estar por trás desse calabouço.

Após perceber que eu havia vindo direto para o covil da cobra (Ou da abelha, como preferirem...), eu me preparei para a batalha.

– Há menos monstros aqui do que havia na floresta, não há necessidade das técnicas Synchros nesses monstros... Embora seja estranho ter tão poucos monstros nesse calabouço.

Os monstros começaram a avançar rapidamente, eu então lancei algumas correntes da minha mão em direção a eles e comecei a controla-las em alta velocidade como se fossem chicotes, retalhando cada um daqueles monstros.

– Isso não vai funcionar comigo! – Eu estava confiante de que podia lidar com um Rei sozinha, já que estava vencendo os monstros comuns facilmente.

Meu maior erro foi ter ficado confiante demais naquele momento, enquanto derrotava todos os monstros na minha frente, não percebi que outros estavam vindo por trás e pelos lados. Um monstro apareceu de repente atrás de mim me atacando com um soco, eu só o percebi em cima da hora e só tive tempo de desviar do golpe, ao atingir o chão ele abriu uma grande cratera, criando uma grande onda de impacto que me atingiu e me jogou longe, enquanto capotava no chão outros dois monstros apareceram ao meu redor, eu consegui parar meu corpo usando meus braços e pernas, mas só tive tempo o bastante pra usar as correntes pra defender o ataque de um dos monstros, o outro me atacou diretamente e embora eu tenha usado meus dois braços pra bloquear o golpe, o dano ainda foi alto e ele me lançou em direção a um dos cristais, aonde eu bati minhas costas com toda força, embora o cristal não tenha quebrado.

– Malditos! Esses cristais são bem resistentes... Se eu não estivesse com meu uniforme feito de Shinriki, meu corpo já teria se rompido.

Os três monstros que me atacaram apareceram na minha frente de repente, prontos para dar outro ataque, porém desta vez eu estava pronta pra isso e as correntes rapidamente saíram das minhas mãos e começaram a me envolver antes que o ataque deles me alcançassem, criando uma espécie de cúpula feita de correntes em volta de mim, os ataques dos três bateram na minha defesa e foram ineficazes, logo em seguida eu lancei várias correntes de dentro pra fora da cúpula que eu criei, atacando-os de surpresa e atravessando eles em vários pontos diferentes, derrotando-os instantaneamente.

Após isso desfiz minhas técnicas e me levantei, me virei e olhei diretamente para o Rei, ela também estava me olhando diretamente, sua face praticamente dizia que eu deveria me preparar para o pior, então, ela se levantou do trono e retirou de trás do trono uma grande lança negra, parecida com lanças usadas na era medieval.

Eu não havia percebido por ela estar sentada, mas ela também tinha asas, asas de abelha. Após se levantar ela pulou do trono, e começou se manter no ar enquanto descia até o chão lentamente, no momento em que ela pôs os pés no chão, senti uma enorme pressão no meu peito, que veio junto de um mau presságio, mesmo assim não voltei atrás e me preparei para a batalha.

– Venha! – Me posicionei firmemente, pronta para qualquer ataque que vier.

~Continua no capítulo 5~

Notas finais
m/s = Metros por segundo.