SAVE-ME GIRL

11 Capítulo 11- Minha Doce Menina


Marcelo Leal

Desço da moto e tiro o capacete, passando a mão nos cabelos. O dia tinha clareado e todos estavam em uma correria maluca pelo local. Alguns cientistas que tinham chegado da base, alguns agentes e todos animados.

Era legal ver eles assim. Entro no galpão e sorrio vendo Isobell no teto do local, andando por cima de algumas tábuas, com um rolo de fios nos ombros e Lyunn baixando dados, no telão de carbono, sobre a pessoa que tinha batido com o DNA achado nas amostras.

—Bom dia, como vão as coisas ai?-Pergunto vendo Lyunn concentrada.- Tá vendo?Nem fala com a gente. Isobell?

—Tudo em ordem!-Exclamou e gritou quando se desequilibrou de lá de cima, quase caindo. Se segurou nos próprios pés e respirou fundo, me olhando.- Quase.

—Cuidado- Falei e vi Aurora entrar no galpão- Relatório.

—Os policiais estão chegando, o delegado já chegou e disse que precisava falar com a Lyunn, Já achamos o endereço da mulher e é uma magnata das joalherias, meu povo.- Falou e entregou um papel para mim.

—Marcelo, já passam das…-Lyunn olhou no relógio e me olhou.- 11:20 da manhã e a Amanda não apareceu.

Franzi o cenho a encarando e sorri fraco quando Isobell passou por mim, dando dois tapinhas no meu ombro.

—Bom dia, Garotão.- Piscou pra mim e andou para o fundo do galpão, indo para fora.

—Vai lá beijar ela, precisamos de você o mais rápido possível.- Aurora falou e eu senti o rosto esquentar, ando atrás da morena e sorrio ao ver ela encostada na parede, com o pé apoiado ali, jogando uma pequena faca para cima, a pegando e jogando de novo. Me aproximo da menor e ela sorri, me abraçando pela cintura.

—Dormiu bem?-Pergunto a abraçando de volta e dando um beijo no topo da sua cabeça. Ela concordou e fez carinho nas minhas costas.

— Só não me senti melhor porque você não foi deitar comigo- Reclamou abafado e eu ri fraco.

—Minha irmã, Izie. Eu não posso simplesmente deitar em uma cama contigo sendo que a regra é clara.- Falo e ela se afastou um pouco, me olhando.- A brincadeira das quatro paredes vai chegar em algum momento nos ouvidos da Amanda e ela vai me matar.

—Brincar com o errado é divertido, você sabe disso.- Se virou e eu a abracei melhor, apoiando o queixo em seu ombro.- Falando nela, eu estou preocupada.

—Com o quê?-Pergunto a olhando com o canto dos olhos. Sorri fraco quando ela me roubou um selinho e depois encostou o rosto no meu.

—Ela está um pouco estranha.- Comentou e deixou os ombros relaxarem.- Estranhei o fato dela não ter aparecido.- Fez carinho nas minhas mãos que estavam na sua cintura.- Eu não a entendo, você sabe disso.

—Pelo o que a Lyunn vive esfregando na minha cara, ela anda meio pra baixo mesmo. Eu vou resolver isso.

—Depressão dos 18 anos?-Perguntou e eu dei com os ombros.- Eu lembro da sua, você ficou trancado por 3 dias dentro da sala 12 ouvindo rap. Mitsuri quase me esfolou para dar o acesso para ela.

Dei risada ao lembrar e encostei a cabeça na dela.

—Obrigada por ter a enrolado.- Falo e respiro cansado, pensando em Amanda.

—Marcelo?

—Hum?

—Já pensou que pode ser por causa da adoção?-Ela perguntou e eu a encarei sério.

Era raro tocarmos nesse assunto, isso era bem delicado de se falar.

—Isobell…

—Eu sei, eu sei. Mas...e se for?-Ela perguntou e eu fiquei pensativo.

Tinha até nexo, se levássemos em conta o fato que somos sensíveis, o problema é que não somos. Pelo menos eu consigo ser mais sensível que minha irmã, isso eu tenho é certeza.

—Quero dizer, eu não tenho nada a ver com isso mas se for, sabe que é algo bem delicado. Tipo, deve ser uma barra isso.- Falou e se virou, me encarando.- Eu não fui abandonada pelos meus pais, fui bem criada até os nove anos e só fugi porque eu não queria ser uma advogada qualquer e às vezes a consciência pesa. Fazer o quê? Dez anos que eu não os vejo.

Falou e negou levemente com a cabeça, começando a arrumar minha jaqueta.

—Eu não quero ser grossa mas ser abandonado não é algo fácil, talvez eu seja sensível demais e vocês muito fortes. Mas conseguir levar isso à diante, correr, berrar, salvar as pessoas. Se fosse eu, estaria depressiva dentro de um quarto e fumando alguma droga qualquer.

Falou de forma engraçada e eu dei risada, passando a mão em seus cabelos.

—Hey, não fique assim.- Peço e levo a mão ao canto do seu rosto, fazendo carinho ali com o polegar.- Eu e a Amanda temos Deus, a Mitsuri, nosso falecido pai e lutamos por uma causa justa. Estamos bem, Izie.- Falei e ela me encarou, prestando atenção em cada palavra minha.- Talvez a Amanda só esteja cansada, ou estressada com isso tudo. Vamos combinar que eles são um bando de idiotas que ficam rodando e rodando mas sempre param no mesmo lugar.

Ela deu risada e apoiou as mãos em meu peito.

—Eu estou bem e ela vai ficar, vou atrás dela agora.- Falo e beijo sua testa, a vendo corar com o ato.- Fica bem.- Falo e beijo sua bochecha, me afastando dela.

—Você também.- Ela mandou e eu concordei com a cabeça.- Inventa de fazer besteira pra ver se eu não te dou um choque.

—Vai nessa, Pikachu.- Falei e a ouvir berrar de ódio. Gargalho enquanto andava rapidamente pelo local, indo para a moto. Pego o capacete e o ponho, subindo em cima da moto.

—LEAL!-Ouço Aurora gritar e a encaro.- Manda a Amanda levantar da cama por que eu preciso dela.

—Vai procurar um namorado- Resmungo e ligo a moto, saindo dali.

O Dormitório da equipe ficava a algumas quadras do local, não dava para montar um dormitório ali então alugamos uma pensão simples. Estaciono a moto na frente do prédio e entro, subindo as escadas rapidamente. Pego a chave, a pondo na fechadura e a girando. Ao Abrir a porta encaro o local silencioso. Faço careta e adentro o pequeno quarto, andando pelo corredor e encontrando Amanda deitada na cama, toda coberta.

Rara eram as vezes que eu via seu rosto tão calmo quanto agora. Sorri e larguei as coisas na mesinha que tinha ali, tirando os sapatos. Ando até a cama e me jogo em cima dela.

—Vamos levantar que o sol já tá bem alto! Bom dia meu amor!- Exclamei e ela resmungou baixo, deitei a cabeça sobre a dela e notei que ela estava muito quente.- Por que meu bem tá tão quentinha?- Pergunto e me afasto dela, a deixando se virar. Ponho a mão na sua testa e faço careta.- Você tá com febre, meu bem.- Reclamo e ela se sentou na cama, reclamando.

—Eu to acordei ruim.- Falou e eu a puxei lentamente pra deitar de novo.- Tô toda moída, Marcelo.

—Venha cá, deita aqui.- Abri os braços e ela deitou a cabeça no meu peito. Beijei a testa dela e fiz carinho nos cabelos da menor.- Oh Meu Deus.- Funguei ouvindo ela começar a rir- Meu bem tá morrendo, senhor.- A sacudi levemente.- Oh meu Deus, Oh Amanda por que tu fiz isso comigo Amanda!-Exclamei vendo ela gargalhar enquanto me apertava.- Foi tomar sorvete e se resfriou, meu bem?

—Acho que foi.- Falou e fungou, fazendo careta.- Eu tô com frio.-Reclamou e eu abri a jaqueta, a deixei me abraçar e fechei o zíper, vendo ela rir.- Tá muito magrinha.- Reclamei e beijei a testa dela.- Testão desses, aeroporto de mosquito.

—Oh Marcelo.- Falou e eu dei risada.

—Desculpa.- Falei e a apertei.- Tem que tomar o remédio, tomar um banho porque eu preciso de você lá.- Falo arrumando seus cabelos.

—Você me troca pela Isobell- Falou dengosa, se aconchegando a mim.

—Troco nada- Falei e olhei pro teto.- Você sabe que eu não vivo sem você, Meu amor.

—E se ela morrer?

—Eu vou ficar mal, eu amo ela.- Falei e arrumei os cabelos dela.- Mas, namorada ou esposa você acha por ai, irmã não.- Falei e a vi sorrir.- Não gosto de te ver assim.- Falo e ela fez carinho no meu peito.

—Minha saúde é ótima, não entendo porque eu tô assim.- Falou e eu beijei o topo da sua cabeça, abrindo o zíper da jaqueta.

—Vá tomar um banho gelado.- Falei e a vi negar, se encolhendo na cama.- Amanda, você vai se perder nesse lençol.- Falei e ela sorriu fechando os olhos.- Se tampe direitinho.- Mandei a cobrindo com o lençol.- Bote o lençol no meio das pernas.

Ela gargalhou me olhando e pôs a mão na boca.

—Poxa, Marcelo.- Falou rindo e eu a olhei sério.

—Esse povo daqui é muito pervertido, Amanda.- Falei e ela riu mais alto. Dei risada e me levantei, beijando sua cabeça.- Vem, levanta.- Pedi e ajudando a levantar e ela reclamou.- Dormindo de vestido, Amanda.- Neguei vendo ela dar risada e a abracei forte.- Te amo.- Falei e ela sorriu, me dando um beijo na bochecha.- Tá com bafo de onça, misericórdia!- Reclamo e ela dá risada, se afastando.- Coitado do seu marido, vai ter que te aguentar todo dia com isso.

—Ainda falo palavra com ‘’r’’ para piorar!-Falou rindo e pegou a toalha.- Que horas são, Cello?

Olho no meu relógio e faço careta.

—12:15, horário de almoço.- Respondi e ela entrou no banheiro. Deixei a porta encostada e pus uma cadeira ali, me sentando.- Ou Amanda, Descobrimos o D.N.A de uma mulher nas amostras do paciente lá.- Falei e ouvi um som de exclamação.

—Verdade?

—Tô te dizendo.- Gesticulo e cruzo os braços.- A mulher é podre de rica.- Falei e encarei o local.- O engraçado disso tudo é que ele não tinha o menor envolvimento com ela.- Falei e bocejei.

—Será traição?-Ela perguntou do banheiro e eu fiz careta.

—Imagina, tipo aquelas novelas.- Falei e comecei a rir.- Oh Maria, por que me traíste?

Ouvi a gargalhada da minha irmã e ri junto. Era tão gostoso ver ela feliz, o coração chega a ficar quente. Encaro a mesa e sorrio ao ver o vasinho com três girassois.

—Amanda, se essa vida de agente não der certo, vamo abrir uma floricultura?-Perguntei e andei até o vaso, sorrindo ao ver algumas florzinhas pequenas.

—Sim!- Ela gritou lá de dentro e saiu enrolada na toalha.- Eu não vou com esse uniforme solto não- Reclamou e pegou o outro- Se vira.- Mandou e eu me virei cruzando os braços.- Tá, o que vamos fazer sobre essa mulher?-Perguntou enquanto se vestia.

—Você vai atrás dela.- Falei e ela passou na minha frente, pegando a escova e me entregando. Puxou uma cadeira e se sentou na frente do espelho. Comecei a pentear seus cabelos e suspirei.- Quero dizer, não sei. Mitsuri que deve dizer o que você vai fazer ou não.

—Eu não vi ela esses tempos.- Falou e eu concordei enquanto desembaraçava seus fios longos.- Mano?

—Huh?

—Quando isso tudo acabar, podemos…

—Podemos?-Perguntei a olhando e ela me pareceu perdida.

—Podemos viajar?-Ela perguntou e eu travei por um tempo.

A Amanda querendo viajar?Tem coisa errada ai.

—Não quer voltar para base, Maninha?-Perguntei e ela negou várias vezes.

—Claro que eu quero, lá é a nossa casa.- Falou e eu procurei uma liga para prender aqueles fios rebeldes.- Mas… Ah, sei lá. Dá um rolê pelo mundo, conhecer coisas novas.- Falou e eu mostrei duas ligas para ela.- A preta.- Concordei guardando a vermelha e me aproximei novamente dela.- Tipo…

—Eu entendi, Amanda.- Falei e ela me olhou pelo reflexo do espelho. Sorri fraco enquanto arrumava seus cabelos e respirei fundo.- Eu acho que você deve pensar no que você quiser.- Falei e apoiei as mãos em seus ombros, a olhando pelo reflexo.- É uma vida solitária, somente agentes e responsabilidade. Acha que se eu pudesse não saia gritando o quanto eu amo a Isobell?Ou a pedia em namoro? Claro que sim. Mas quando somos agentes, se apegar é um problema.- Falei e a ajudei a levantar.- Eu estaria colocando ela em risco para pessoas que querem me fazer mal e virce-versa.

Me aproximo da cômoda e pego os dois revólveres, os rodando nos dedos. Volto para perto dela e os entrego.

—Eu sei lá, Marcelo.- Falou enquanto arrumava os coldres.- Sabe, é um mundo tão diferente. Vivemos treinando na base e o que fazemos?

—Impedimos uma guerra.- Lembrei me sentando em sua cama.

—Sim, mas isso foi a 3 anos atrás.- Falou e se sentou do meu lado, catando os coturnos. Se abaixou e reclamou da dor de cabeça.- Amarra pra mim.- Pós o pé no meu colo e eu concordei, começando a por os cadarços.- Aqui tem ação todos os dias, tá que o delegado é um idiota, mas mesmo assim. Tem ação todo dia, coisas diferentes, desafios diferentes.

—Amanda, a grama do vizinho sempre é mais verde.- A lembrei e dei o laço, pegando o outro pé.- Apesar de que eu estou assim também. Acredita que a Lyunn e a Isobell ficaram encantadas com o Zé ruela?

—Mentira.- Ela falou e se jogou pra trás, deitando na cama.- Morri!

Dei risada negando com a cabeça.
Podia ter 18 anos mas era uma criança ainda.

—Eu fiquei chocado.- Falei me levantei, a puxando da cama.- Vamos, tá na hora.- Falei e medi sua temperatura.- Tá vendo? A febre baixou.

—Você é top- Falou andando na minha frente.

—Não você que é.- Falei saindo do quarto e trancando a porta.

—Você que é cara, quando eu crescer quero ser igual a você-Falou e eu dei risada, beijando sua cabeça.

—Você não cresce mais, Amanda.- falei e desviei do tapa.- Ah nojenta.

—Me respeita- Mandou e desceu as escadas na minha frente.

Sorri a encarando e ela se virou pra mim, me olhando e sorrindo de forma fofa. Minha irmã era tudo que eu tinha, e eu estava mais que satisfeito com ela. Sempre juntos, independente de qualquer situação:

Até o final dos tempos
Se ainda existirmos
Sempre será Amanda e Marcelo Leal
Agentes 39 e 40 do décimo batalhão de Mitsuri Sakama.