SAVE-ME GIRL

12 Capítulo 12-Diferente Bom


Mitsuri Sakama

Quando os tempos eram seguros, eu podia me dar o luxo de ser uma pessoa comum, com sonhos e metas para o ano novo. (In)felizmente, eu não era uma pessoa comum, ou pelo menos não era para ser, aquele não era meu destino.
Quantas coisas (que me faziam feliz) eu tive que deixar?

Ele era uma dessas coisas.

Me lembro daquela noite como se fosse hoje. Não tinha conseguido pegar no sono, estava sentada na cama, olhando para as duas crianças que dormiam calmos ao meu lado. A despesa tinha aumentado e talvez eu teria que arranjar mais um ou dois empregos.

O email que mudaria minha vida estava aberto no computador.
Lá tinha o endereço do local que eu iria viver.
Tinha tudo, era eu escolher ele ou os meus filhos.

Respirei fundo e passei a mão nos cabelos de Amanda, que tinha se encolhido ao receber o afago.

Eu não podia falhar com eles, não podia mesmo. Depois que meu irmão faleceu, as coisas estavam piores. Tinha saído de sua casa e alugado uma casa minúscula para morarmos. Marcelo que tinha 11 anos na época, me ajudava como podia.

Era uma época complicada.

Naquela noite eu tinha desistido de sonhar por mim e começado a sonhar por eles. Me levantei quase correndo e comecei a arrumar as malas.

Me lembro de Amanda. Quando ela acordou, sentou na cama e disse séria:

—Eu estou com frio, Marcelo.

Dessa frase eu lembro e dou risada até hoje. Era engraçado que a sua maior preocupação era o frio incontrolável que sentia no corpo.

Eu tinha fugido sem avisar para ninguém, somente eu e as duas crianças, fugindo do mundo e das dificuldades.

Eu tinha desistido de todos e tinha me focado na coisa mais importante e preciosa que eu tinha, meus dois filhos.

Atualmente

Pego o copo que Namjoom estendia para mim e bebo um pouco da água, sentindo o estofado ao meu lado afundar. Era algo constrangedor, chegar e começar a chorar do nada.
—Eu…- escuto ele começar a falar e respiro fundo.- Eu não esperava por isso.- Admitiu e riu baixo.- O quê? nove anos?- Ele perguntou e eu concordei fraco.- Caramba.

Se encostou e deixou as mãos sobre as coxas.

—Como é que você...me aparece aqui, depois de nove anos sumida?-Perguntou e se levantou, me olhando.

—Quando eu descobri que era você, eu… simplesmente achei que seria melhor do que você me ver em campo.- Falo e deixo os ombros relaxarem.

—Onde estão as crianças?-Perguntou e eu ri fraco.

—Comandando a missão- Falo e ele me olha incrédulo.- Ela tem 18 anos e ele 20.

—Ficamos velhos- Ele comentou e eu concordei com a cabeça, dando risada.- Ela...Eles lembram…?

—Que você recusou adotar eles comigo?Não, eles nem sabem disso.- Falei e ele fechou a cara pra mim.- Não deixa de ser verdade.- Me levanto e ponho as mãos nos bolsos.- Desculpe pelo...choro e…

—Não, tudo bem.- Ele falou e se aproximou de mim.- Eu só não entendo.

Tombo a cabeça para o lado e cruzo os braços, o olhando melhor.

—Não entende?

—Por que foi embora?-Perguntou e eu pisquei os olhos algumas vezes, tentando entender direito a situação.- Quero dizer, por que deixou todos e não avisou nada?

—Você não deixaria eu ir- Falei simples

—É claro que não deixaria!

—Namjoom?-Pergunto e ele me encara.- Tudo bem, vamos prestar atenção ai você tenta entender meu lado. Meu irmão morreu em um acidente de carro horrível e me deixou com duas crianças.- Ponho o indicador em sinal de atenção.- Duas crianças e sozinha, porque vamos combinar que eu estava sozinha. Ai você decidiu dar da boneca e ficar de palhaçada comigo.

—Mitsuri…

—O cacete, agora você vai ouvir.- Falei e neguei com a cabeça.- Eu morando em um local minúsculo, trabalhando a morrer para levar comida pra casa e ainda por cima sem dinheiro para pagar a escola dos dois. Eu estava sozinha com duas crianças para criar, eu tinha que resolver isso.

—A gente resolvida junto.

—Não- Falo e nego com a cabeça.- Não resolveria, fica com duas crianças para alimentar em tempo de crise e ai me diz se não faria o que eu fiz ou até pior.

—Você foi egoísta, Mitsuri.- Ele falou e eu ri irônica.- Sumiu do dia pra noite, eu quase enlouqueci pensando que você tinha sido pega ou algo do tipo.

—Não, Namjoom. Eu pensei nas crianças antes de todo mundo, diferente de você.-Falei e ele bateu as mãos em cima dos coldres.

—Mitsuri, eu não queria ser pai!- Ele falou e eu ri fraco.

—E eu lá queria ser mãe aos 24 anos?-Pergunto e ele se cala.- Ou você não entendeu? Eu nunca quis ser mãe, Namjoom. Só que...eu não podia deixar eles, eu simplesmente não podia. Se o meu irmão não tivesse se posto para me ajudar, eu nunca teria conseguido.

—Mitsuri…

—Não, Namjoom. Eu não escolheria você antes deles em hipótese nenhuma. Eles são meus filhos e eles estavam sozinhos, você tinha muita gente e eu também, mas eles tinham quem?-Perguntei e ele suspirou se encostando na mesa.- Eles só tinham a mim e o meu irmão, quando ele morreu...era somente nós três. Eu não ia deixar duas crianças passarem fome e não irem para escola, isso era ridículo.

—Então está dizendo na minha cara que nada do que a gente teve foi importante?-Perguntou e eu revirei os olhos, negando com a cabeça.- Mitsuri, olha pra mim.

—Foi importante.- Falei e me virei o encarando.- Importante para entender que nem todo relacionamento são flores...Se você soubesse o quão magoada eu me senti quando você simplesmente disse que tinha muita coisa pra fazer ainda do que me ajudar. Namjoom, eu não pedi para você ser pai, nunca pedi. Eu pedi para você me ajudar a adotar duas crianças, eu criava os dois sozinha.

—Mitsuri, você envelheceu e ficou maluca- Falou e massageou os olhos.- Deixa eu entender, você sumiu do dia para a noite com duas crianças, sem me avisar nem nada, ai passa nove anos e depois aparece na minha sala? Qual a sua?

O olho por um tempo e estalo a língua no céu da boca.

—Eu sou uma assombração, tchau.- Falei e me virei, indo em direção da porta.

—Foge dos teus problemas de novo.- Falou e eu parei, me virando para o olhar.- Você é covarde, sabia? Fez a coisa mais fácil que tinha.- Caminhei em sua direção enquanto ele falava.- Você é tão…- Paro bem próxima dele e olho em seus olhos.- Você é uma covarde.- Falou e eu o olhei por um tempo.

Acerto um tapa com força em seu rosto, fazendo o virar.

—E você é um babaca.- Falo o encarando e dou as costas, indo em direção a porta. Giro a maçaneta e paro por um tempo.- Mitsuri Sakama, Chefe da administração e segurança da F.S.C.S.K.I .

Falo e saio do local, batendo a porta com força.

Quebra Tempo

Kim Taehyung

Sinto uma claridade afetar em minhas pálpebras, me incomodando. Abro os olhos lentamente, me acostumando e sinto algo macio em meu peito, olho para baixo e sorrio com a cena.

Thalia dormindo tranquilamente e encolhida em meus braços. Ri fraco ao ouvir ela resmungar e beijo sua testa, fazendo carinho em seus cabelos. Seus olhos se abrem lentamente e ela sorri fraco, se encolhendo.

— Nossa...Que sono.- Reclamou dengosa e eu a aconcheguei melhor.- Fica aqui quietinho comigo, fica.

—Já são...já são nove horas, amor.-Falei e passei a mão nas suas costas, sentindo a pele macia dela.

Aquele quarto tinha um ar tão agradável que eu poderia passar anos e anos ali dentro, sem me importar com nada. Era tão leve e o cheiro de lavanda parecia emanar das paredes.

Se naquela cidade tinha algum paraíso, com toda certeza seria esse quarto.

—São nove horas, mas quando dormimos eram duas horas da manhã.- Resmungou me apertando.- Levanta não, eu tô cansada.- Falou e se deitou em cima de mim, se aconchegando melhor.

—Amor, deixa eu ir escovar os dentes.-Falei e ela negou, escondendo o rosto no meu pescoço.- Eu tenho que escovar os dentes, mulher.

—Eu também, shiu.- Ela mandou e eu dei risada, batendo em seu quadril levemente.- Amor…

—Vamos, anda.- Pedi e ela se sentou, me olhando irritada.- Deixe de ser dengosa.- Mandei e me sentei, a abraçando pela cintura.- Você fica linda usando minhas roupas.- Falei e beijei sua bochecha, a fazendo se encolher.

—Obrigada. Eu quero comer.- Admitiu me fazendo rir e se levantou, andando de forma engraçada para a porta do quarto.- Vou fazer café da manhã, você quer?-Ela perguntou e eu concordei.- Tá com cara de trouxa de novo.

—Eu sou trouxa por você, querida.- falei e ela riu, negando com a cabeça e saiu do quarto.

(...)

Respiro fundo ao entrar na delegacia e cumprimento os rapazes que estavam na sala central. Ando pelo corredor e abro bato na porta que estava encostada.

Encontro Jeon riscando o giz na lousa, algumas datas e reviro os olhos, batendo a porta e chamando sua atenção.

—Bom dia.

—A Thalia vai me matar e é por tua causa.

Ele deu risada e deixou o giz no apoiador, batendo as mãos. Andou até a mesa e agiu como se não se importasse comigo ali.

—Eu estou falando contigo.- Falei o olhando e ele concordou enquanto organizava alguns papéis.- Jeon Jungkook.

—Não se invoca o nome dos demônios assim, na frente de todo mundo. Sabe como é, pega mal.- Debochou e eu abri a boca incrédulo.- Agradeça a Noona por mim.

—Que bicho te picou hoje?

—Trabalho, finalmente eu vou trabalhar.- Sorriu me encarando e eu vi uma coisa que não via a muito tempo nele.

Os olhos brilhando de felicidade.

—Encontraram a Sophia?-Pergunto o encarando e ele riu, negando com a cabeça.

—Quem dera, mas acharam uma pessoa que tem envolvimento com a vítima e eu vou atrás dessa pessoa.- Falou e parou na minha frente.- Eai?

O olhei confuso e ele revirou os olhos.

—Estou apresentável?-Perguntou e eu o olhei de cima abaixo, fazendo careta.- Ah qual é.

—Só acho que deveria arrumar melhor a camisa e os cabelos.

Ouvimos uma voz feminina e viramos o rosto, vendo Lyunn encostada na porta, com os braços cruzados e a cabeça encostada na madeira.

—Lyunn!- a cumprimentei e ela se desencostou, andando lentamente para dentro da sala.

—Bom dia Taehyung, Delegado.- Acenou com a cabeça e gesticulou de forma delicada- E-eu posso?-Apontou para a roupa de Jungkook e ele concordou várias vezes.

—Claro- Falou e ela parou em sua frente, arrumando sua blusa.- O trabalho de vocês é incrível.

—Obrigada- Sorriu e me encarou.- Como vai Taehyung?

—Bem na medida do possível e você?-Pergunto e me sento em um sofazinho que tinha ali perto, vendo Jungkook abaixar a cabeça para ela poder arrumar os cabelos dele.

—72 horas acordada a base de cafeína e resolvendo o problema alheio, eu estou ótima.- Falou sorrindo e cruzou os braços, vendo Jungkook a olhar e forçar um sorriso.- Se tivesse gel ficaria melhor, deixa bagunçado mesmo.- Levou a mão aos cabelos dele e os bagunçou.

—Obrigada, Lyunn. Isso faz mal- alertou e ela concordou fraco, se encostando na mesa.

—Eu como cientista sei muito bem disso. Mas e você como delegado, deixa o mundo virar ao avesso para dormir?

Abro a boca para retrucar e Jungkook me encara feio.

Deixa ele ser feliz uma vez.

—Não, ou pelo menos não deixava.- Coçou a nuca e ela riu fraco.

—E mesmo que meus passos sejam falsos, mesmo que os meus caminhos sejam errados, mesmo que o meu jeito de levar a vida incomode, eu sei quem sou, e sei pelo que devo lutar. Se você acha que o meu orgulho é grande, é porque nunca viu o tamanho da minha força.- Citou e eu a encarei por um tempo, encantado com a inteligência da jovem cientista.

—Você…-Jungkook começou e ela deu risada.

—Tião Carreiro.- Respondeu e se desencostou da mesa.- Só pense certinho, entendeu?-Pediu e bateu a mão no ombro dele.- Fique a vontade para entrar no galpão, só não bagunce minhas coisas e nem encoste nas coisas da Aurora, sabe que ela não gosta de você.

—Novidade- Ele falou e deu risada.- Obrigada, Lyunn. Vá descansar, já trabalhou demais.- Falou e ela concordou.

—Mande lembranças minhas para Thalia, Taehyung.- Pediu e se curvou levemente.- Bom trabalho, rapazes.- Falou e cambaleou lentamente, saindo da sala.

—Eu gosto dela- Jungkook falou concordando com a cabeça.

—Já esqueceu da Hyuna?- Arqueei a sobrancelha e cruzei os braços.

—Tá louco?-Perguntou e negou várias vezes com a cabeça.- Hyuna é a mulher da minha vida e isso não vai mudar.

—Mas ela não quer te ver nem pintado de ouro.- Lembrei

—Esse é o problema.

Ouvi a porta bater com força e olho para o local, vendo Amanda e Marcelo. Ela encarava jungkook com ódio e Marcelo estava atrás.

Jeon Jungkook.

—Falando em problema- Apontei para garota que estava na minha frente. Ela olhou para Taehyung de uma forma que o fez pigarrear.

—Menino, lembrei da bolsa de valores, o Bitcoin caiu, beijo, tenho que resolver.- Falou e saiu da sala, me deixando sozinha com os dois.

—Qualquer coisa me grita.- O Rapaz falou e se retirou da sala.

—Você não vai se meter nisso.- Ela falou e eu arqueei a sobrancelha.- Eu que vou atrás de Kim Sunhee.

Respiro fundo e a encaro, massageando os braços. Eu não ia deixar uma pessoa de um metro e meio tirar a minha paciência diária.

—Bom dia, senhorita Leal.- Falo simples e rodeio minha mesa, pegando alguns papéis.- Que seja, vai lá.- Falei e ela tirou a carranca do rosto, me olhando confusa.- Seu trabalho não é investigar?

—M-mas?-Ela me olhou confusa e eu me aproximei dela, entregando uma pasta e a fazendo virar, começando a empurrar para porta.

—Você faz o seu trabalho e eu faço o meu, a gente se vê nas viaturas.- Falei e ela se desviou, me olhando incrédula e jogou a pasta no chão.- Pra quê isso, moça?

—Qual é a sua?-Ela perguntou e eu pus as mãos em cima dos coldres.

—Felizmente eu sei trabalhar com criança- Falo e ela fechou a cara para mim.- Você investiga eu também, porque quem deveria estar trabalhando não tá.

—Você é ridículo.

—Você também, mesmo assim eu não jogo isso na tua cara.- Falei e ela me olhou com ódio.- Vamos os dois atrás dela, eu trabalho e você também, tudo na paz.- Falei e ela arqueou a sobrancelha, me olhando de cima abaixo.- Temos um acordo?-Estendo a mão para ela e ela dá risada.

—Sai de perto de mim, eu já tô doente, não preciso de mais doença.- Falou e deu as costas, se abaixando para pegar a pasta.

Satanás pode até me atentar, mas eu sou pior que ele.

—Melhoras.- Debocho e rio internamente.

—Vai para o inferno, delegado.- Falou e se afastou, saindo da sala.

Solto o ar do peito e me encaro no espelho que tinha ali.
Algo estava diferente, eu só não sabia o que era.

Um diferente...bom.