SAVE-ME GIRL

8 Capítulo 8-Assombrações e pesadelos.




Kim Taehyung


Passo a mão sobre os cabelos de Thalia, que dormia tranquilamente na cama da parte inferior de uma das beliches do dormitório. Faço carinho em seu rosto e sorri fraco ao ver ela abrir os olhos, piscando algumas vezes e me encarando.

—Já passou da hora?-Ela perguntou e eu concordei fraco.- Desculpa pelo prejuízo- pediu e eu neguei beijando sua testa.- Obrigada… O quê vai ter com o Seokjin?

—Jungkook saiu agora pouco, os dois vão conversar no morro.- Falo e a ajudo a levantar.- Creio que vai ser uma conversa bem… estressante, só vamos sair daqui e ir para casa descansar.- Falo e a vejo sorrir me encarando.

—Vamos pra casa?-Ela perguntou e eu concordei.

Me assusto quando ela me abraça de uma vez, me fazendo cambalear levemente para trás, a segurando logo depois. Rio com sua animação e beijo sua testa.

—Vamos para casa meu amor.- Falo segurando seu rosto, depois vendo ela sair do quarto animada. A sigo e descemos as escadas, encontrando Amanda e Lyunn que entravam na delegacia. Amanda com um vestido simples florido e uma sapatilha e Lyunn com uma roupa social.

Normais?Totalmente.

—Estão lindas.- Falo as olhando e sinto o olhar da minha mulher.- Meninas essa é Thalia Goméz, Minha Mulher.- Sinto ela apertar minha mão e sorrio fraco- Thalia, essas são Amanda Leal e …?

—Somente Lyunn.- Falou a de óculos e eu concordei.

—Senhorita Amanda Leal e Lyunn.- Aponto pra elas e Thalia encara Amanda.

—Ela que tava fazendo confusão com o meu menino.- Falou e eu engoli a seco.- Uma honra te conhecer.

—Thalia- A repreendo e as encaro, vendo Amanda sem graça.- Vamos?

—Vamos?- Thalia arqueia a sobrancelha me olhando.

(...)

—Tchau meninas.- Aceno ao ver elas descerem do carro e encaro Thalia que me olhava com cara ruim- O quê foi, cereja do bolo?-Pergunto e dou risada, vejo ela me olhar com raiva e pigarreio- Perdão, amor.

—Sinceramente? Ela me parece se achar demais.- Falou e cruzou os braços.- Gente problemática essa, poxa vida.

—Não fique assim- Pedi enquanto dirigia.

—Não ficar assim?Tá, eu entendo que o Jungkook faz merda, o fato de eu abrir a boca é já tá fazendo merda, mas só por isso vão cair na cabeça desse menino?

—Thaly…

—O Cacete, eu sei o que eu tô dizendo.- Suspirou frustrada.- Os pais o abandonaram, ai a gangue dos tenebrosos decidiu começar a atormentar o menino e para melhorar aquela vagabunda fez o que fez com ele? Vem essa gente que era pra ajudar e piora? Alguém levantou uma palha pra fazer a diferença?

—O Jungkook não levantou.

—Não? três meses seguindo os passos daquela mulher e ele não fez nada?-Perguntou e me encarou.- E você fez o quê?

Perguntou e eu me calei, olhando para via.

—O Yoongi fez o quê?

—Eu entendi,Thalia.

— ótimo!- Suspirou e pos as mãos no rosto, ficando quieta.

—Amor?

—Eu só fico chateada.- Falou e depois encostou a cabeça no meu ombro.- Ele… ele não merece isso tudo, Taehyung.

Faço carinho em sua cintura e respiro fundo, ficando pensativo.

—As pessoas precisam das outras, precisam de apoio, você me ensinou isso.- Falou e entrelaçou a mão com a minha.- Por que tem que tratar ele assim?

—Amor, eu entendo que você tem um carinho especial pelo Jungkook, mas ele não é criança.

—Exatamente, ele é um delegado formado, que batalhou para ser quem é e vocês o tratam como se tivesse 17 anos. Pode ser mais novo que vocês, mas ainda é o chefe das beldades. E ainda é o amigo de vocês, ele está sozinho e vocês não estão fazendo nada. Ele não merece isso, você me perdoe mas ele não merece.

Respiro fundo e concordo lentamente. Estaciono o carro e sinto suas mãos em meu rosto, me obrigando a olhar para ela.

—Por favor, tente cuidar dele. Eu me sinto tão mal quando fazem isso com ele. Por favor, Amor.

Olho em seus olhos e suspiro, concordando. Sorrio fraco quando ela me dá um beijo demorado, fazendo carinho nas minhas bochechas e se separou lentamente, encostando a testa na minha.

—Se demorar pra subir, fica sem o que você quer.- piscou pra mim e saiu do carro, me deixando incrédulo.

A dualidade dessa mulher ainda vai me matar.

Jeon Jungkook.

Paro a moto ao ver a peste sentado sobre o acento da moto, parado perto da encosta. Desço e ponho o capacete no banco, me aproximando dele e o escuto dar risada.

—Você é patético.- Falou e eu suspirei pondo as mãos sobre os coldres.

—Eu sei, você também não é um bom exemplo.- Falo e passo a língua contra a bochecha.- SeokJin, tá brincando com a minha cara?

—Como assim, vossa Alteza?-Perguntou irônico.

—Foi atrás da amiga da Thalia. Fez o que fez e sem provas, por que prendeu a moça?

—Diferente de você, eu trabalho.- Falou e cruzou os braços.- Conhece as regras, sabe muito bem como é que funciona.

—Sei, sei tão bem que sei o que você está fazendo.- Falo e ele me encara de cima abaixo.- Quer defender meu distrito para poder falar no conselho que eu devo sair, eu te conheço.- Falei o olhando.

—Abram alas para o Eistein- Falou me encarando e eu revirei os olhos.- Jungkook, você não defende seu próprio nariz, imagine um distrito.

—Está falando isso mas o local que tem mais índice de mortes é o seu distrito.- Falo e vejo ele calar a boca.- Não entendeu o que está acontecendo aqui?Quer que eu desenhe pra você?

—Vai a merda.

—Jin, presta atenção.- Peço o olhando e cruzo os braços.- Estamos com uma lunática matando pessoas a rodo dentro de uma metrópole enorme dessa e você tá de palhaçada com a minha cara. Entenda, eu estou sem dormir, não imagino a quanto tempo e trabalhando em cima disso e do nada apareceu um bando de agentes na minha delegacia e eu ainda tenho que lidar com você? É sério isso?

—Jungkook…

—Não, eu cansei de você.- Falo o encarando.- Você me torra o saco desde que eu virei delegado e tu quer saber de uma coisa?Não tenho culpa de você não ter passado, se você não passou é porque você não estudou o bastante.- Falo o olhando e arrumo a jaqueta.- Sinceramente? já tentou se por no meu lugar?

—Desde quando você sofre?Sua vida é perfeita, seu delegado corrupto.

—Oi? HELLO!-Bato as mãos o vendo piscar estupefato.- Eu tenho uma vida perfeita? Se toca Seokjin, vida perfeita? Eu nem sei o significado disso. Eu fui chutado de casa pra ser um delegado que ninguém respeita e sabe de uma coisa? Eu não ligo mais, mas uma coisa que é fato é que eu estou sozinho nessa e enquanto eu tento fazer a minha parte no administrativo, você fica brincando.

—Brincando?

—Jin, você tem a Evie no seu distrito, aquela mulher é poderosa, sabe que se der algo que ela goste, ela faz o que você quer. Tem pessoas morrendo lá e você tá preocupado em competir comigo.

Me encarava calado.

—Deu já dessa briga, não gosta de mim? tudo bem.- Falo o olhando e nego com a cabeça.- Quando isso acabar eu saio, eu cansei também. Pode ficar com o cargo, com as pessoas, fique com tudo.- Falo o encarando e mostro o distintivo- Isso é seu, tudo bem, eu lhe devolvo, mas eu não posso fazer isso agora.- Falo e guardo o emblema.- Olha, eu vou me mudar, você nem precisa me proteger como cidadão, mas colabora porra.- o xingo e passo a mão pelos cabelos.- Eu só quero acabar com isso tudo, quando acabar eu vou embora.

Falei e ele abaixou os ombros, me encarando de forma diferente.

—Você mudou.

—Eu só cansei.- Suspiro e fecho os olhos.- Só faça o seu trabalho, devolve meus oficiais e eu me viro com o Norte, te vira com o Sul.

Pedi o encarando e arrumo a jaqueta.

—Eu não quero essa conversa de novo, entendeu?- O encaro e ele concorda fraco.- Quando isso tudo acabar, eu vazo e vocês vão ser felizes, só… espere. Isso nunca aconteceu, te dou até amanhã pra você me devolver os oficiais. Adeus.

Dou as costas e ando em direção a moto. Pego o capacete e sinto minha cabeça doer como o inferno.

—Uh...merda.- Xingo e abro os olhos com dificuldade.

Eu estava sentindo essas dores tinha algumas semanas, deve ser de cansaço.

(...)

Respiro cansado e entro no dormitório, tirando a camisa. Estava frio? Sim, mas era difícil eu conseguir dormir vestido. Me deito em uma das camas e fecho os olhos, sentindo meu corpo relaxando.

‘Seja homem…’
‘Tenha valor’
‘Você é uma vergonha.’


—Caladas.- Sussurro baixo comigo mesmo, sentindo meu corpo perdendo os sentidos.

Jeongguk?
Kook?


Abro os olhos lentamente e encaro Suyin que estava na porta do dormitório.

—Suyin?

—Jungkook- Sorriu estonteante e abriu os braços.- Volta pra gente, maninho.

Pediu e eu me levantei lentamente, vendo ela se aproximar.

Sinto meus olhos marejarem e corro para abraçar ela. A abraço e fecho os olhos, escuto sua risada e os abro, vendo que eu estava abraçando o nada. Me viro e a vejo, vendo que ela não estava com as roupas normais. Estava vestida de preto, com um pequeno véu cobrindo seu rosto.

—Suyin?

—Sabe por que não pode voltar?- Perguntou e sorriu, tendo seus dente brancos destacados pelo batom vermelho gritante que tinha na boca.- Você está morto, Jeon.

A encaro por um bom tempo e solto o ar pela boca, deixando as lágrimas descerem.

—Ninguém nem lembra que você é...você é um nada.- Falou sorrindo e eu notei que segurava uma rosa vermelha.- Só lembramos de você quando dá o dia que você saiu de casa, você não é nada daquela família, todos te odeiam.

—Não…

—Você está sozinho.

Me sento na cama ofegante e vejo que tudo aquilo tinha sido um pesadelo. Olho para as minhas mãos e engulo a seco, sentindo o coração doer.

—Nossa…- Solto e fecho os olhos, tentando esquecer dela.

Você está sozinho.